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terça-feira, 18 de março de 2014

Dois - Parte 2

-E o que pensa fazer a respeito disso? - Pergunta repetidamente Lisa pra mim.

-Eu não sei mais, eu quero ir embora, eu não aguento mais isso. - Afundei meu rosto em minhas mãos. - Mas ao mesmo tempo penso na Bê, ela é tão pequena para aguentar tudo isso. - Continuo.

-Uma coisa é certa: tudo aconteceu rápido demais, por isso ficou assim. - Lisa opina.

-Eu e Kam também começamos rápido demais, com um bebê... posso falar o que falta em você dois? - Julia estufa o peito quando balanço minha cabeça positivamente. - Força de vontade. Eu e ele nunca deixamos a peteca cair, sempre inovamos, vamos sair para jantar, conversamos, revezamos para cuidar do Tay... nós fazemos de tudo para nada entrar na mesmice.

Não tem mais o que fazer, a cada momento que eu acho que vamos melhorar, vamos pra cama, conversamos, transamos e de manhã tudo está na mesma coisa, como se nada tivesse sido conversado. Pego nojo da forma que estou me tornando! Porque eu não posso apenas ter um amor como os dos meus pais. Não que eu não ame mais o Bruno - eu acho que isso seria impossível - mas estou me cansando pouco a pouco, desgastando a vontade de estar ao seu lado, pensando que o melhor pra mim seria morar com a Lisa novamente - já que a Julia está com o Kam.

Levanto-me do banco branco de ferro, e ele balança - por ser um banco de balanço isso era meio óbvio que iria acontecer - e ando um pouquinho pra frente. Olho para as meninas ali sentadas.

-E se não fosse definitivo? E se eu somente passasse um tempinho fora, uns meses talvez... - Dou a brilhante ideia que ilumina a minha mente.

-Acha que o Bruno aceitaria numa boa? - Pergunta Lisa passando a mão sobre seu queixo.

-Não sei. - Torço meus lábios.

-Tenta conversar um pouco com ele hoje a noite. - Insiste Julia.

-Eu tentarei, mas se nada for resolvido - o que eu acho que não vai ser - eu vou sair daqui.

Bruno Pov's 

Me perguntaram hoje se eu ainda amava a Nicole. Eu fiquei pensando por segundos, mas respondi que sim. Não é mentira, eu ainda a amo, e me culpo por ser um idiota ás vezes, mas eu acho que fomos depressa demais com essa vida de casal.

Sinto falta de ir pra balada - ela não me impede de sair, mas eu tenho medo das discussões que possam ser causadas por isso, ou eu simplesmente exagerar na bebida e chegar embriagado. Ela não merece essa vida, e acho que brigas só traumatizariam a pequena Bê... Ninguém consegue me entender.

Ao mesmo tempo que eu quero minha vida de farra de volta, eu quero ficar com a minha família, com minha filha, com minha namorada, passar um dia inteiro sentados no sofá cantando músicas infantis para deixar a minha pequena sorrindo! Será que eu tenho tanta culpa por ás vezes pensar nisso?

-Cara, a gente está falando com você! - Phil estrala os dedos na minha frente para chamar minha atenção.

-Eu tô ouvindo. - E estava mesmo, mas também estava pensando. - Mas tenho algumas coisas pra pensar, desculpem gente. - Torço os lábios e levanto-me da cadeira.

Saio do estúdio e paro na porta. Eu parei com os cigarros por causa da Nicole, e pela minha mãe também, mas eu não aguentarei passar por essa pressão sem algum para descontar tudo isso. Apalpei meu bolso para ver se minha carteira estava ali. Desci as escadas rapidamente e fui a uma banca de jornal para comprar um maço.

-Um Pall Mall tradicional, por favor. - Falo ao homem da banca que mesmo me reconhecendo, dá o cigarro e não fala nada.

Paguei a ele e saí andando em direção do estúdio lentamente. Acendi o cigarro e pus na minha boca. É como andar de bicicleta, aprendeu uma vez; nunca esquece. Não me sinto em plena vontade fazendo isso, mas o cigarro pode me acalmar, já que não posso/quero beber.


-Ah não, pensei que você já tinha passado dessa fase cara! - Phil quase grita comigo na rua e ameaça dar um tapa no cigarro.

-Não cara, me deixa, eu preciso relaxar.

-Você não quer relaxar falando com o seu amigo de anos? - Phil arqueia as duas sobrancelhas de forma interrogativa.

-Quero, mas parece que nada vai adiantar. - Dou outra tragada no cigarro.

-Ah sim, e voltar a fumar adianta. - Irônico, Phil fala.

-Eu só quero uma forma de... - Percebi que estava me exaltando em plena rua movimentada de Los Angeles. Olhei para os lados. - Podemos conversar em outro lugar?

-Claro.

Phil e eu andamos para perto do carro e entramos nele. Pensamos em irmos a um café, mas logo precisaríamos voltar para o estúdio, afinal eu saí de lá como louco, mas eu precisava voltar. Nem sei como iria pensar.

-Pode dizer agora. - Phil inicia a conversa.

-Eu amo a Nicole. - Digo.

-Disso eu sei.

-Mas, talvez você tenha percebido assim como todo mundo que nós não andamos nos dando tão bem assim. - Respiro fundo. - Phil, ao mesmo tempo que eu quero ela, quero minha filha, quero nossa família e nosso lar, eu também quero voltar a minha vida de antes. Sair com vocês... sabe, aproveitar tudo. - Encosto minha cabeça no banco e ele suspira profundamente.

-Sabe que não pode ter tudo na vida. - Phil começa seu conselho. - Eu também tenho uma família, eu tenho dois filhos, uma mulher... acha que eu não tenho vontade de sair ás vezes? Tenho, todos nós temos, eu já passei muito por isso e sei como é... mas existe um segredo que não deixa você fazer isso.

-Qual segredo é esse? - Pergunto.

-Esse segredo eu quero que você descubra.

-Mas como...

-Passa mais tempo com ela, não briga, ver no que dá, tenta controlar sua vontade e aproveita as suas duas mulheres mais importantes!

Nicole Pov's 

Dormi um pedaço do meu dia, quando Bê dormiu nos meus braços. A cada dia eu vejo ela e me sinto a mãe mais babona do mundo. Minha filha está linda. E eu não tenho o que reclamar dela, minha pequena calminha, pequena princesinha, meu pequeno milagre. Esses dias me peguei pensando em como seria ter o filho em que perdi no acidente, deu uma dor no meu coração em pensar se seria um menino ou uma menina, se seria como a Bê ou não... mas ai penso que se eu tivesse o que eu perdi, eu não teria minha pequena... É, são coisas que não tem como escolher, e também o amor de mãe seria o mesmo por qualquer filho.

-Calma meu bebê. - Vejo ela chorando, um choro diferente de quando ela tinha apenas poucos meses. Não é mais estridente como era antes, agora é mais ameno, menos irritante.

Caminhei para a cozinha e pus uma de suas mamadeiras no microondas e a coloquei no carrinho que estava na sala, quando voltei a cozinha o microondas já havia apitado. Testei a temperatura do leite em minha mão e retornei a sala. Bê sugava a mamadeira, tentando segurar com suas mãozinhas. Ela conseguia até, mas ás vezes caia ou ela se afogava, então achei melhor eu ir auxiliando por enquanto.

-Boa tarde. - Tinha ouvido o barulho da porta, mas não liguei, de repente Bruno chega na sala com um sorriso lindo. Lembrei do que conversei com as meninas e engoli a seco.

-Boa tarde, Bru. - Digo e volto a olhar para a Bê que olhava pra ele fixamente. Tirei a mamadeira dela que já estava vazia e levantei para largar ela na cozinha.

-Papaaaa. - Ela dá um gritinho. Olho pra frente e respiro fundo, não posso fazer ela ter mais preferência comigo do que com ele, não posso induzi-la a gostar mais de mim... mas poxa, eu morro de ciúmes disso.

Larguei a mamadeira na pia e sinto os braços de Bruno na minha cintura. Gemo alguma palavra que não saiu direito e ele cheira o meu pescoço.

-Queria um beijo de boa tarde. - Eu não posso ser grossa, que milagre é esse? Virei-me de frente e quando fui beijá-lo senti um cheiro de cigarro.

-Bruno, você voltou a fumar? - Decepcionada, essa era a minha voz.

-Posso explicar... eu estava pensando em alguns problemas e coisas idiotas que insistiam em passar na minha cabeça, e acabei descontando no cigarro, desculpa, eu juro que foi só um e que eu até trouxe o maço para você por fogo, jogar no lixo, triturar, fazer o que quiser. - Ele ri e eu também acabei rindo, mas pensei comigo mesma no que será que ele estava pensando para faze-lo fumar...

-Ok.

Beijei ternamente a sua boca e ouço ele sussurrar um "eu te amo" que foi retribuído, até ouvirmos um barulho e um choro vindo da sala. Nós rimos com as bocas coladas uma na outra.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Um - Parte 2

Acordei com um pouco de mau humor. Até que por agora a Bê deixa eu dormir melhor, mas ontem a noite a briga veio. Não gosto de ficar brigando com o Bruno, porém ele não entende que agora temos uma filha e nem tudo que ele quer fazer dá pra fazer. E também tem a questão dos shows e coisas a mais, que ele fica um pouco ausente por isso, mas eu relevo, pois eu sei que essa parte é importante pra ele.

Abri a cortina e ouvi o resmungo dele. Não dei bola e segui para o closet pegar uma muda de roupa. Peguei um vestidinho preto normal, e fui para o banho. Tenho medo ás vezes do Bruno estar se enjoando de mim, já que tudo aconteceu tão rápido, e veio tudo rapidamente a tona.Meu corpo continua bom, e basicamente todo no lugar, acho que isso é da genética, pois minha mãe também ficou com “tudo no lugar” depois que me ganhou. Liguei o chuveiro e entrei no box. Tomei um banho rapidamente e me vesti. Assim que abri a porta do quarto, dei de cara com ele.

-Bom dia. – Diz ele com um sorriso.

-Bom dia. – Disse olhando para o seu rosto e contornando seu corpo para prosseguir ver como a Bê estava.

Senti suas mãos segurarem meu braço e darem uma deslizada pelo hidratante que tinha passado. Olhei para trás e ele me olhava.

-Está brava comigo? – Pergunta. Aí como dizer alguma coisa ruim para esse rostinho...Para Nick, acorda.

-Eu não estive braba com você em nenhum momento. – Disse secamente. – Mas há coisas em você que você precisa controlar. – Reclamei e ele me olhou.

-Quer conversar sobre isso daqui a pouco? – Pergunta ele.

Assenti e sai pelo corredor até o quartinho da Bê.

Geralmente nos sábados não fazemos nada, além de recebermos visitas. Taylor está enorme, nem parece que tem quase dois anos. Bê é um ano quase mais nova que ele. Ah, falando em Bê, estamos programando a festa de um ano dela também. Lisa está pra lá de feliz, e se querem saber, ela não está com ninguém. Nem com o Ryan, nem com o bonitão do prédio, nem com o Phred. Ela apenas quer curtir a vida dela, sem pensar em outras coisas. E Julia e Kam não poderiam estar melhor, acho que só eu e o Bruno estamos assim. Eu sinto ás vezes que ele está se sentindo sufocado, que ele quer ser livre, algo assim, mas tenho medo de perguntar algo e estragar com tudo. Agora, a relação entre ele e a Bê não poderia ser melhor. Ela vê ele e dá gritinhos, fica feliz, ela ama o pai e cá entre nós cada dia que passa ela fica um pouco mais parecida com ele. Ainda bem, a única coisa que puxou a mim foi a cor verde dos olhos, que ás vezes fica castanho. Entrei no quarto devagar, abri a porta delicadamente para não fazer barulho e encontro ela deitada, olhando para os penduricalhos que tem sobre o seu berço. Ela ria mostrando as covinhas que herdou do pai, e seus dentinhos a recém crescendo.

-Oi bebê. – Falei afinando um pouco a voz. Aliás, não sei porque faço isso com criança. – Como é que ta a menina mais linda desse mundo. – Estiquei minha mão e ela esticou os dois braçinhos pra mim.

Peguei a pequena no colo, que resmungava coisas que eram dificeis para entender. As palavras dela não são muitas, são basicamente o "mama" "papa" "mida" "ti", que são respectivamente mamãe, papai, comida, e titia. Sim, ela chama por comida porque é comilona igual ao pai, e chama a Lisa e a Julia de titia, porque na verdade elas são. Suas pequenas mãozinhas colocaram-se sobre meu seio esquerdo, e sua boca pequenina se encaixou nele. Ainda dou o peito para ela porque tenho um pouco de leite, e a pediatra disse que leite materno é o melhor. Fui nanando ela e quando menos percebi ela dormiu. Pus ela no berço.

-Vim ver minha pequena, mas vi que já dormiu. - Reclama Bruno bem baixinho.

-Se viesse um pouquinho antes pegava ela acordada. - Disse observando seus cachinhos molhados.

-Eu estava no banho. - Defendeu-se.

-Ok. - Argumentei. - Vou arrumar o café. - Desviei do seu lado para ir a cozinha.

-Tá com pressa? - Ele segura meu braço novamente. - Vamos ir ali no quarto conversar.

Assenti positivamente e seguimos para o quarto. Sentei na cama e ele encostou a porta.

-Quero conversar antes que chegue alguém. - Ele coloca a mão na cintura e a outra na cabeça.

-Olha Bruno, acontece, casais não vivem cem por cento bem. - Tentei amenizar as coisas.

-Desculpa. Eu sei que tenho sido um saco, mas eu me estresso muito com turnê, gravadora, e essas coisas todas e erro descontando em casa. - Ele torce os lábios.

-A única coisa que nós temos que aprender é que não somos mais só eu e você, agora tem a Bê, e querendo ou não vamos ter que abrir mão de algumas coisas, mas é por ela. Não pense você Bruno, que essas horas eu não queria estar dormindo empernada com você, depois de uma noite inteira de amor. - Fechei os olhos, tenho que evitar briga. Não posso brigar.

-Você me conhece, eu faço tudo errado. - Diz ele sentando do meu lado. - Me perdoa Nick, eu amo você, e eu não quero te perder, me desculpa por tudo isso. - Ele beija a minha mão carinhosamente.

-Eu te amo. - Falei sentindo meus olhos marejarem em lágrimas que queriam cair.

Olhei para o seu rosto encarando o meu descaradamente. Acho que eu e o Bruno já passamos por tanta coisa juntos que merecemos ser felizes. Me aproximei do seu rosto, coloquei minha mão na sua nuca sentindo o cabelo molhado, e o beijei. Incrível, sempre vai parecer a primeira vez.

-Como eu queria poder aprofundar isso. – Ele coloca uma mecha do meu coque que estava se desfazendo para trás da orelha.

-A noite podemos fazer isso. – Dei um sorriso e ele me abraçou.

Não tem nada melhor do que estar bem com quem te faz se sentir bem. Fomos para a cozinha abraçados de lado.

-Sabe que eu não sinto vontade mais de ir trabalhar. – Comentei com ele. – Desde que mudou a maldita gerência daquele lugar, está tudo me deixando doida.

-Porque não sai de lá? – Ele pega uma torrada seca do pote.

-Porque digamos que eu estou no “pos parto” e vai difícil de arranjar um serviço com uma criança pequena. – Torci os lábios.

-Pos parto é até a criança completar quanto tempo?

-Normalmente, eu acho que uns seis meses. – Dei um chute alto. – Não sei bem.

-Mas a bê está com onze meses.

-Eu sei amor, mas ela é pequena, daí os serviços se impõe a pagar coisas a mais. – Deu uma confusão na minha cabeça. – Enfim, é mais difícil.

-Então não trabalha. – Ele dá de ombros.

-Não quero ser sustentada por você amor, quero ter minhas coisas. – Revirei os olhos. – E tem mais, eu não quero ganhar fama de aproveitadora. – Disse e ele riu.

-Iria ganhar essa fama porque?

-Porque você tem dinheiro, muito dinheiro, é famoso, e se eu parasse de trabalhar ai sim todas iriam dizer que eu só quero seu dinheiro.

-Ah capaz. – Ele estica os braços pra mim. Peguei minha xícara de leite e fui pra perto dele. Bruno me puxou para o seu colo e deu um beijo no meu ombro. – Como vamos fazer com a festa da Bê?

-Sabe que eu não sei... Eu já disse que era melhor esperar ela crescer mais um pouco para fazer festa. – Torci os lábios.

-Mas eu posso dar essa festa de aniversário, e todas as outras.

-Nem sonhando que vai pagar tudo isso sozinho. – Revirei os olhos e tomei um gole do meu leite. – E tem mais, eu não quero minha filha uma mimada.


-Não quero ver vocês, quero ver minha afilhada linda. – Lisa encosta a mão no meu peito me empurrando.

-Viu amor, depois da Bê ninguém gosta mais de mim. – Reclamei deixando os lábios formarem um arco para baixo.

-O que eu vou querer te ver mais do que sempre te vi? Agora eu quero aproveitar minha afilhada. – Lisa dá de ombros. – Aliás, cadê ela?

-Está com a Julia e o Thay, lá nos fundos. – Apontei para os fundos.

-Acho que ta perdendo suas amigas para a nossa filha. – Bruno dá de ombros.

-Também, ela é tão linda que eu aceito ser deixada de lado por ela. – Passei a mão na minha barriga recordando o quanto era bom ter aquele barrigão enorme, que me dava bolhas nos pés, inchaços, cansaço, mas mesmo assim eu amava.

-Quando a Bê for um pouco maior, podemos encomendar outro. – Bruno se aproxima de mim e coloca a mão na minha barriga. – Por enquanto podemos praticar. – Ele apóia a cabeça na curva do meu pescoço.

-Você pensa nisso vinte e quatro horas, e eu ainda estou me acostumando com isso. – Revirei os olhos.

-Depois de quase 2 anos ainda não se acostumou? – Ele arregala os olhos.

-Ainda não.

Entrelaçamos nossos dedos e fomos pra rua junto com as meninas e as crianças. Sentei na cadeira grande de madeira, mas o Bruno insistiu para sentar, e depois pediu que eu sentasse no seu colo. Fiquei observando a Bê sentada, olhando para o Thaylor que brincava contente. Ele chegava perto dela e oferecia os brinquedos, automaticamente ela olhava pra mim e para o Bruno e dava um riso muito gostoso. Eu sei que sou mãe extremamente coruja, mas eu não consigo parar de falar o quão linda eu acho minha filha, e o quanto eu agradeço a Deus por ter me dado esse destino ao lado dele.

-Espero que tenha comida, porque o cara que ta com muita fome acabou de chegar. – Ouvi a voz do Phil e parece que o Bruno se animou todinho. Dei licença pra ele levantar.

- Escondam o estoque de qualquer tipo de comida que vocês tenham. – Lisa brinca e cumprimenta Phil.

-Acabei de voltar de uma jornada de sono e vim aqui justamente pra filar o rango da casa do Brunão, e você pede para que escondam a comida? Assim não dá. – Phil brinca e vem na minha direção. – Como pode, a cada dia fica mais bela. – Ele pega a minha mão e eu me curvo para agradecer.

-Obrigada gentil cavalheiro. – Agradeci recebendo o beijo dele nas costas da minha mão.

-O galanteador, a moça linda tem namorado. – Bruno alerta e Phil ri.

-Capaz, já estava planejando uma noite com ela hoje. – Como são idiotas.

-Só se eu puder ir com você. – O jeito meio biba do Bruno me fez gargalhar.

-Chegou quem tava faltando, pra alegria de vocês. – Ryan dá um grito que faz a Bê me olhar assustada e ameaçar o choro.

-E para a minha tristeza e o desespero da Bê, coitada. – Lisa fala se inclinando para pega-lá e me entregar.

-Admiti que você me ama. – Ryan pega no pé da Lisa.

-Começou a boiolice. – Phil revira os olhos.

-Vou levar as crianças um pouco mais pra lá. – Julia aponta o pequeno parque que Bruno mandou fazer para a Bê e seus sobrinhos que ás vezes vem pra cá. Acho um exagero a quantidade de coisas que Bruno vive comprando, ele mima muito ela, mas ainda bem que eu consigo equilibrar.

-Mama. – Ela estica os bracinhos pra mim assim que Julia pega ela.

-Ai que manhosa, então vai com a tua mãe, porque já vi que hoje não quer a tia. – Julia revira os olhos e me entrega ela.

-Diz pra tia que tu ama a mãe, diz. – Falei com aquela voz irritante que automaticamente sai da gente quando estamos falando com crianças. Bê deu uma risadinha e pôs sua mãozinha sobre meu rosto.



-Bruno, pega ela um pouquinho pra mim, por favor. – Pedi enquanto preparava a mamadeira. Bruno estava na sala, vendo televisão, um jogo de futebol americano.

-Agora não dá.

Sua resposta bateu no meu peito. Eu respiro fundo para não falar nada demais, e nem voar sobre ele sem pensar, cometer alguma loucura. Essas brigas constantes é as que me matam. Apaguei o fogo que estava fazendo comida, e fui correndo até o quarto da Bê que chorava demais. Abri a porta apavorada pensando que tivesse acontecido algo, mas vejo-a sentadinha no berço chorando demais, era fome. Peguei-a no colo e embalei um pouco. Sentei na poltrona e ofereci o peito para ela, que pegou com vontade. Ouço os gritos do Bruno com a televisão e reviro os olhos. De tanto balançar as pernas, nem percebi que ela pegou no sono. Levantei com cuidado e coloquei ela no berço. Verifiquei a janela, e encostei a porta. Na cozinha, voltei pra as panelas. Nos finais de semana eu resolvo arriscar-me na cozinha, já que damos folga para a empregada e para a baba.

-Eu fui lá, mas ela já está dormindo. – Bruno me dá um susto fazendo meu corpo saltitar rapidamente. Ponho a mão no peito e volto a olhar as panelas.

-Eu já fui lá ver ela. – Respondo friamente.

-Acredita que aqueles caras perderam. – Lá vem ele falar de jogo. Eu sei que eu gosto e posso estar parecendo chata, mas não aguento mais isso. – Não sabem jogar direito nessa temporada. – Observo ele pegar uma maça da fruteira e morder um pedaço.

-Não vai jantar? – Pergunto arqueando as sobrancelhas.

-Não estou com muita fome. – Ele dá de ombros.

Subiu um fogo de raiva no meu peito. Apaguei as duas bocas do fogão que estavam em uso e tapei as panelas com suas tampas. Sequei as mãos no avental que estava usando e o pendurei no lugar dele. Segui para o quarto, sem falar com ele. Me fechei no banheiro e tomei meu banho. Aquela água que bate no meu corpo nunca pareceu tão confortante como está agora. Com os olhos fechados pensei em uma única saída. Passar um mês no Havaí.

Aí veio na minha cabeça que eu não vou ter férias tão cedo.

O trabalho já está um saco, e eles já me odeiam por eu ter tirado licença a maternidade. Que droga. Fechei a mão num punho e bati na parede. Não fez barulho nenhum, somente me causou dor na mão direita. Eu não estou temperamental como disse a Lisa, eu estou cansada. Brigar não é saudável, ainda mais quando se tem um namorado famoso, que vive viajando e quando está em casa, brigamos. Vesti minha camisola rosa e fui deitar, Bruno ainda não estava na cama. Virei para o lado e fechei meus olhos.

Senti suas mãos na minha cintura. Elas foram subindo e me acariciando. Continuei do mesmo jeito que estava antes, não quis esboçar nenhuma reação. Bruno tirou os cabelos que estavam no meu pescoço e agora deu beijinhos nele, é claro que eu me arrepiei toda, mas mesmo assim não quis mostrar que estava de bem com ele. Puxei minha coberta até o pescoço e ele tira sua mão de mim.

-Você viu que eu estou tentando te dar um pouquinho de carinho. – Sua voz saiu emburrada.

-Deveria tentar ser um pouco mais presente, e não pensar somente em sexo. – Reclamei com minha voz mais baixa do que o normal.

-Alguém disse que eu penso somente em sexo?

-Eu estou afirmando. – Respondi. – Já percebeu que nós só brigamos

-Talvez nós não estejamos acostumados a morar juntos. – Agora fui obrigada a me virar para o lado dele.

-Está dizendo que é melhor morarmos em casas separadas? – Enruguei a testa com as sobrancelhas.

-Não quis dizer isso... – Ele revira os olhos.

-Tem razão, acho que seria melhor. – Comentei.

-Para, Nicole. – Ordena ele com a voz grave. – Eu não disse isso.

-Então porque não facilita as coisas? – Arqueei uma só sobrancelha e ele me encara pensando em alguma resposta se quer, mas não consegue. Ele se sente completamente desarmado. – Quem sabe sua ideia não seja melhor mesmo.

-Que ideia?

-De morarmos separados.

-Não viaja, Nicole. –Sua mão toca o meu braço e eu me viro novamente para o outro lado. Fiquei em silêncio e ele esperando por uma resposta. – Você não vai a lugar nenhum, seu lugar é aqui, ao meu lado, comigo, com a nossa filha. Para com isso.

Resisti ao fato das coisas que ele falou, mas meus olhos sempre se espicham para o lado, e seu corpo veio por cima do meu. Cuidando para não jogar seu peso em mim, ele fixa os olhos nos meus. Seu toque causa uma sensação de primeira vez em mim.

-Bruno. – Pensei em falar alguma coisa, mas fui desarmada novamente pelo seu beijo sem espera.


  • Oi gente, tudo ok? Espero que tenham gostado do capítulo da segunda parte da história, onde nem tudo será um mar de rosas para os dois, mas no fim da chuva sempre tem um arco íris não é? Enfim, espero que me entendam que eu não tenho ideia de quando irei postar o próximo, pois estou escrevendo a minha fic (never let me go), e mal tenho tempo pra ela, imagina para essa, mas quero que saibam que eu darei continuação sim <3