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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Epílogo Final


Thales encarou Jeremy, enquanto ele cozinhava o almoço para os dois. Tanto tempo num vai e vem... Talvez fosse tempo de finalmente aceitar o que quer que fosse aquela relação e tornar algo sério. Ele não tinha certeza. Apenas sabia que gostava, bastante, do rapaz. E que era feliz com ele, o que era suficiente.

- Está tudo bem? - Jeremy perguntou, estranho o repentino silêncio de Thales.

Ele sorriu, e balançou a cabeça.

Estava tudo perfeitamente bem.

Não muito longe dali, Julia gritou para que Kameron adiantasse, e descesse logo com seus dois filhos mais novos. Ouviu a voz de seu marido avisar que já estava indo, e de seu filho, reclamando que não queria usar aquela roupa. Riu, se sentando pra esperar todos ficarem prontos para saírem para almoçar. Mandou uma mensagem para Thaylor, seu filho mais velho, que recém havia completado os dezessete, apenas para garantir que ele já tinha buscado a namorada, porque era domingo e todos tinham que almoçar juntos. Thaylor respondeu que já estava chegando, e que tinha certeza que estaria no restaurante antes dos pais e dos irmãos. 
Tudo também estava perfeitamente bem por ali.

Algumas milhas mais distante dali, um certo casal ainda dormia, embora passasse das uma da tarde. Ryan tinha os braços apertados ao redor de lisa, que dormia profundamente, sentindo o perfume amadeirado do namorado. Namorado! Haviam finalmente entrado nessa de relacionamento serio, com direito a coisas fofas e tudo mais. Menos apelidos melosos, porque ela se simplesmente se recusava. Às vezes conversavam sobre isso de filhos, mas estavam muito satisfeitos criando dois cachorros, nada de crianças para aqueles dois, por enquanto.

Lisa esticou os braços, se espreguiçando, e deu, sem querer, um tapa no rosto de Ryan.

- Bom dia, também. - Ele resmungou, passando a mão no local. - Eu fiz alguma coisa? 
Ela riu, dando um beijo rápido em sua boca.

- Bom dia! E não, você não fez nada.
Levantou-se, e olhou para ele, todo preguiçoso, esparramado na cama.

Mais um local onde tudo estava perfeitamente bem.

Nos topo de Hollywood Hills, a alguns minutos de Ryan e Lisa, Bruno encarou sua tão amada família, e parou o olhar em uma Bernadette nervosa.

Alguma coisa estava errada. Muita errada.

- O que está acontecendo, Bernie? - Sentou-se na mesa, estranho.

Era só um domingo normal. Nick estava ao seu lado, e seus três filhos estavam espalhados pela mesa farta.

O caçula, que mal completara doze anos, provocou a irmã:

- Você não contou pra ele ainda, Be?

- Já disse pra não me chamar assim, Blaine! - Ela reclamou, antes de olhar para o pai com um sorriso largo, quase forçado. - Papai...

- Me contar o quê?

Nick riu, já sabendo qual era o papo. Bernadette tinha conversado com ela, e combinaram, junto com Brooklyn, em manter os ânimos de Bruno calmos. Porque sabiam que não seria fácil.

Antes que a menina começasse a preparar terreno, a campainha de casa soou, e ela deu um pulo da cadeira.

- Ele chegou! Eu abro.

Bruno virou-se em direção à Nicole, com os olhos arregalados, e ela enfiou um pedaço de torrada na boca, para não ter que se explicar.

- Ele?

Colocou a mão em frente à boca, tentando engolir a comida e segurar a risada da cara de seu marido.

Bernadette entrou, e Brooklyn foi a primeira a cumprimenta o garoto, loiro, e extremamente alto que entrava de mãos dadas com a irmã. Mãos dadas! Bruno encarou Nicole, como se pedisse ajuda, com o queixo caído. Ela riu, batendo em seu ombro de leve.

- Papai... Esse é o Derek. - Be sorriu, e levantou a mão, trazendo a dele junto. - Meu namorado.

- É um prazer. - Derek disse. - Devo te chamar de "Sogro"?

O olhar incrédulo de Bruno passou por todos os seus filhos, como se mandasse algum deles dizer que era brincadeira, até parar, mais uma vez, em Nick, que pressionava os lábios com força, querendo rir.

- Sogro? - Sussurrou, só pra ela ouvir.

Ela gargalhou, e indicou a cadeira para Derek.

Deu dois tapinhas do ombro de Bruno, enquanto ele ainda encarava, abismado, o garoto, como se ele fosse um ET ou algo assim.

- Bruno, fala com o garoto! - Nicole incentivou, perto de seu ouvido.

Ele a encarou, incrédulo.

- Sogro? - Repetiu, baixo, e ela riu. - Nick! Eu vou matá-lo.

Ela também riu, balançando a cabeça.

- Ah, amor, faz parte.

Bruno encarou sua família, um à um, até parar em Darek. Se era o que Bernie queria... Ele podia aprender a lidar.

Ninguém tinha o avisado que seria fácil ter filhas mulheres, logo duas para acabar com o cantor.

Mas ele aprenderia a lidar.

Tinha certeza.

Mesmo com Bruno tendo que se acalmar mentalmente cada vez que a palavra "Sogro" saia da boca de Derek, tudo também estava perfeitamente bem para todos ali.

________

Nota Final

Chegou no fim... Depois de tanto tempo e tantas coisas. Nossa, uma grande história com essa fic. Uma história de amor e de apego, eu não queria e nem poderia me separar dela. Principalmente quando vi que o final da primeira temporada foi meio inconcluso, resolvi fazer a segunda. 

A inspiração corria dentre meus dedos, até o capítulo 14. Depois, parei um pouco porque estava simplesmente trancada, pedindo ajuda para tudo quanto é autoridade e divindade. Aí, ela finalmente veio, logo quando meu notebook estragou. Irônico, sim? Eu também acho! 
As coisas fluíram levemente, e quando eu vi, havia passado os capítulos que eu esperava fazer. Mas meu amor por Bruno e Nicole não acabou, e eu não sosseguei até achar um fim bonito para essa história um pouco sofrida. 

Muitas pessoas não estão lendo a segunda temporada (e final), outras leem, mas não estão lendo isso, mas as que leem desde a primeira, as que torceram desde o inicio, as que pegaram a segunda e foram ler a primeira por curiosidade, as que deixavam seus comentários, as que viram a evolução da escrita desde que iniciei, as que nunca comentaram, meus sinceros obrigada. De verdade. 

Sem palavras para tudo isso! É uma baita emoção estar finalmente finalizando-a, e deixando um final bonito para essa grande família. Obrigada à todos.

O dia que eu chegar no topo, lembrarei de cada um, de cada incentivo. 
Eternamente agradecida, Adriana Nunes!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Quarenta - Finale

Loving can heal
Loving can mend your soul
And it's the only thing that I know


Ed Sheeran - Photograph

Nicole Pov's

Depois do longo passeio, e dos meus pés estarem fervendo, implorando para que chegássemos no hotel de uma vez, nós finalmente estávamos no táxi. Não sei se era finalmente, porque estava amando aquele tempo só nosso, só para nós dois. Nossas mãos estavam entrelaçadas sobre o banco traseiro do táxi, enquanto meu olhar se fixava nas luzes de Nova York. 

O dia de hoje passou do que eu esperava. Por várias vezes, quase todas, eu vi meu Bruno ali, aquele que brincava comigo, que ficava comigo o tempo que precisasse. Vi como nosso relacionamento era maravilhoso, como nós fomos felizes, e vi o que eu fiz. Onde eu estava com a cabeça quando pensei que seria melhor assim? Foi melhor porque agora ele está mais próximo, mas e se não adiantasse? E se ele tivesse levado a sério nossa separação e tivesse arranjado alguém para passar as noites e os dias. Alguém que não fosse eu... Nunca me perdoaria. 

Não poderia mais arriscar tudo por causa de brigas bobas. Tenho que confiar nele, e em quem ele é agora. Digo tanto que esqueci do passado, mas a verdade é que ainda estou apegada à ele. Apegada como uma criança que se agarra a pessoa mais próxima. Coloco meu passado sobre todos os pesos que tenho agora, e acabo esquecendo da vida a viver no presente. Sou egoísta em pensar tudo isso.

Olho para ele, que está observando a cidade com um olhar brilhante. Me sinto tão segura quando estou com ele, quando estou em seus braços. Não posso deixar-me ficar assim.
O táxi nos largou na porta do hotel, e assim como em todo nosso passeio, Bruno segurou a minha mão e adentramos o hall. Passamos direto para os elevadores e quando pegamos um, sozinhos, nos encaramos e começamos a rir. 

-A noite foi tão agradável. - Comenta ele, deixando de olhar pra mim, para observar o teto.

-Foi maravilhosa. Me diverti muito! - Sorri para ele e o elevador parou em nosso andar. 

-Eu também. Ri como há tempos não ria. - Diz, enquanto andamos pelo corredor reto dos quartos. 

-Uh, Bruno, seu quarto não é no outro andar? - Não queria parecer indelicada, mas já sendo um pouco. 

-Eu sei, só queria me despedir à moda antiga. Levando até a porta. 

-Que cavalheiro. - Faço menção com meu corpo e paro em frente a minha porta. - Todos devem estar dormindo.

-Acho que não...

-Bernadette com certeza. Se é que ela não ficou com meus pais, no outro quarto. 

-É mais provável. - Rimos e eu pego o cartão da porta em minha bolsa. - Então é isso. Eu vou subir para o meu quarto, amanhã o dia será bem longo.

-Nem me fale. - Só precisava da minha cama para dormir tranquilamente na última noite do ano.

-Boa noite, Nick. Obrigada por tudo. - Ele se aproxima mais de mim. - Você fez do penúltimo dia do ano, o melhor. 

-Você faz os meus dias melhores. - Sorrio para ele, não contendo aquela felicidade que estava no meu peito. Ele sorri feito bobo, uma criança. Depositou um selinho demorado em minha boca, acho que tinha medo de aprofundar o beijo. E então nos despedimos. 

Entrei no quarto, e na cama de Lisa e Thales, os dois estavam atirados, literalmente. Pareciam estar ferrados no sono por uma exaustão tremenda. Tirei minha roupa, e indo para um banho rápido, vestindo um pijama confortável, e pegando meu celular. Deitei em minha cama estranhando não ter a presença da minha filha ao meu lado. Olho para o meu celular, e abro a galeria, avistando algumas fotos de hoje. Havia somente duas selfies minha e dele, o resto era da paisagem e do lugar onde íamos. Retornar a Nova York retornou todos os sentimentos que estavam adormecidos dentro de mim. Acaricio minha pequena dentro da barriga, tendo uma breve conversa com ela. 

Na manhã, acordo com a claridade que invade meus olhos. Não é claridade do sol, e sim a luz que ligaram sem se importar que há pessoas querendo dormir. Sinto uma pequena mãozinha sobre o meu peito, que me balança, abro os olhos e minha filha abre um sorriso quando me vê.
 
-Acorda mãe. - Diz do seu jeitinho ainda não sabendo pronunciar corretamente as palavras. 

-Mamãe tá acordando. - Passo a mão sobre o meu rosto, me ajeitando na cama para pega-lá em meu colo. - Bom dia, meu amor. - Deposito um beijo em sua bochecha gordinha.

-Ela falou tanto em você ontem. - Minha mãe balançou a cabeça. - Mas não chorou, apenas falava "mãe" e balançava a cabeça.

-Dá onde ela tirou essa mania? - Aliso seu cabelo bagunçado. 

-A vó. - Ela aponta para ela.

-Sua vó ensinou isso? Mas que abusada! Vou ter que conversar com ela. - Rio livremente junto com minha mãe, que senta na ponta da cama. 

-Como foi o passeio? - A lembrança da maravilha que foi o meu dia anterior vem a mente, e não consigo responder sem estampar um sorriso em meu rosto.

-Foi maravilhoso! - Penso nos seus lábios nos meus e nas coisas bonitas e engraçadas que aconteceu. - Foi lindo.

-Voltaram?

-Não, ainda. 

-Ainda? Então há uma chance. 

-Mãe! - Rio da sua empolgação. - Talvez há. 

-Filha, vocês não foram feitos para ficarem separados. 

-Eu também acho que não.

Perguntei onde estava o Thales e Lisa, mas os dois haviam descido para tomar café. Estou com ciúmes deles se tornarem melhores amigos e eu ficar de lado. Brincadeira! Mas ainda sim sinto uma pontinha de ciúmes. Dei um rápido banho em minha filha, e enquanto eu mostrava os brinquedos que ela ganhou do Bruno ontem à noite, e ela se divertia com eles, eu trocava a minha roupa. 

Guardo os brinquedos, com exceção de uma pequena boneca que ela não quis me dar, e a pego para descermos. Não precisei pega-lá no colo, porque pra isso exige muito mais força de mim do que posso dar agora. Peguei sua pequena mãozinha e desci até a sala de jantar, onde o café estava sendo servido. 

Me surpreendi quando vi Jaime, Bruno, Thales e Lisa, sentados na mesma mesa, conversando e rindo. Fui me aproximando aos poucos, e então Thales abre o sorriso grande quando nos vê. 

-Amor do dindo. - Também abre os braços para abraçar Bernie, mas ela apenas mostra o brinquedo, olha pra ele, e continua a brincar novamente. - Me ignorou. - Abriu a boca em espanto, quando todos riram. 

-Senta aqui. - Jaime sai do lado do Bruno, deixando o lugar pra mim, e pegando uma cadeira para ela e colocando rente a mesa. 

-Obrigada. Bom dia. - Digo assim que me sento. 

-Bom dia, Bela Adormecida. - Lisa solta um sorriso que fala muita coisa. 

-Bom dia, Nick. - O olho, ao meu lado. Sorrimos um para o outro.

-Podem continuar a conversa de antes, gente. - Aviso-os. 

-Vem cá, neném. - Bruno chama Bernadette, mas ela apenas o olha e continua brincando. - Não troque o papai por um brinquedo. 

-Acostume-se! - Rio, lembrando de que daqui uns anos ela não será mais assim. Ela terá uma vida, e viverá descobrindo coisas novas. 

-Nick, estava falando com eles sobre irmos com as crianças no circo amanhã. Você topa? - Direciono meu olhar para Jaime. 

-Ah, claro... - Sorrio. - Vamos todos?

-Não, essas coisas não querem ir. Seremos eu, você, e as crianças.

-Quero ver darmos conta delas. - Gargalho.

-E como foi o passeio ontem? - Pergunta Thales. Meu rosto cora levemente. 

-Foi...bom. - Respondo com receio do que Bruno responderia. 

-Maravilhoso, eu diria. - Diz de voz aveludada. 

+++


Arrumar a Bernadette foi a parte fácil de tudo isso. A vesti com uma calça vermelha com pequenas bolinhas brancas, uma botinha creme, um moletom branco com alguns detalhes vermelho e um gorro vermelho. Coloquei as luvas, mas minha filha não parou com elas. Estamos indo para um edifício na Times, e o tempo estava apertando, até eu finalmente conseguir achar algo legal para vestir. Uma calça jeans, a que eu já tinha separado para usar, botas de cano curto cor preta, com um pequeno saltinho, uma blusa e um suéter comprido, rosa bebê, por cima. Ah, e claro, um gorrinho, combinando com uma manta leve, na cor branca. Passei pouca maquiagem, o básico, e peguei minha bolsa e a bolsa da Bernadette. 

-Como você está linda! - Meu pai me elogia, pegando a bolsa do meu ombro.

-Obrigada, pai. - Agradeço e minha filha tenta tirar a sua mão da minha. - Fique aqui com a mãe, filha. - Peço. Tenho medo que ela se perca no meio de tantas pessoas que estão no hotel. Caos de fim de ano.

-Todos estão na van, vamos? - Pergunta Presley. 

-Vamos. Acho que não esqueci nada. 

Entramos na Van. Bruno e algumas pessoas já tinham ido, antes de ficar muito difícil para saírem, já que ele causa muito tumulto. Minha filha estava falante, pulando de colo em colo. Queria andar na sua motinho, mas ela estava guardada, e seria um pouco impossível pega-lá agora. Foi falando com todos ali, até chegarmos no edifício. 

Tinha movimento no edifício, não tanto como tinha no hotel, mas ainda sim tinha. Segurei minha filha firmemente, mas não contente a peguei no colo por enquanto. Ela colocou a mão na minha barriga e disse 'bebê', minha princesa é tão inteligente. Fomos para os elevadores e todos descemos no mesmo andar, sétimo. 

O andar todo era um apartamento. Todo mobiliado e lindo, com toques maravilhosos. Logo que adentrei um pouco mais a sala, percebi que não era só o apartamento que era enorme, era a sacada também. Não quero nem imaginar quanto o Bruno gastou com tudo isso, mas ele gosta desse tipo de coisa...

Estava uma função para todos os lados. Comidas daqui, bebidas dali, mudanças nos móveis e escolha de como iríamos por as crianças para dormirem assim que pegarem no sono antes de nós. Separamos baralho de carta, mais um jogo de pôquer, e os brinquedos para as crianças. Não me deixaram fazer tanta coisa, afinal, eles acham que eu grávida possa dar algo. Mas eu não estou doente. Então fiquei responsável de observar as crianças. 

A música foi posta, fomos para a sacada para ver o movimento, que já estava grande, isso que ainda não era nem dez e meia. Jantamos todos à mesa, e Bruno volta e meia me olhava, de soslaio, e sorrindo. 

Agora faltavam exatamente cinco minutos para o ano virar. Já dava para ver as ruas lotadas, o tráfego fechado. Claro, era uma das festas mais famosas do mundo, em um dos lugares mais famosos do mundo. Não poderia estar mais feliz de estar aqui hoje, além de tudo presenciando o que sempre quis ver, 'a bola que cai', na Times Square. Milhares de pessoas estavam se espremendo na avenida, e alguns shows importantes se faziam por perto. Era uma vista privilegiada, cá entre nós, estávamos numa varanda enorme, num prédio alto, e num ponto estratégico, chuto uns 300 metros de onde a bola está.

Bruno estava com nossa filha nos braços, usando um paninho para limpar a sua boca, já que estava de casaco branco, e qualquer coisa sujava, além de estar se babando às vezes. Nossos olhares se cruzaram, e eu sorri - como ele também fez na mesma hora. Queria que ele fosse para perto de mim, mas não queria pedir. Me surpreendi ao ver seus passos até mim, ainda com a nossa filha nos braços. Tiara a chamou, e Bernadette ficou toda feliz, se esticando para ir no colo da tia. Bruno a entregou, e veio para o meu lado. Olhei no relógio grande da rua, marcavam três minutos para a meia noite. Senti sua mão em meu ombro, até me abraçar de lado. Fechei os olhos de leve e quando abri, vi o sorriso de Lisa, que voltou a falar com o Ryan. O que foi que eu perdi sobre esses dois? Fui para o parapeito, junto com o Bruno, olhei para a rua, a multidão que se multiplicava, abaixo de nossos pés. 

- Quanta gente. - Ele ri, balançando a cabeça. - É, basicamente, uma bola que acende. O que tem demais? 

- É uma tradição! - O empurro, de brincadeira, e ele me puxou mais firme, contra o abraço. - Você é, basicamente, um cara que rebola. O que tem demais para as pessoas irem ao seu show?
 
Ele abre a boca, fingindo estar ofendido, e eu gargalho alto. 

- Obrigado, fez meu ano! 

-Vamos nos juntar aos outros. 

Ele foi junto comigo, apesar de parecer querer ficar por ali, ou era alguma impressão minha. Nos juntamos à todos, suas irmãs com seus namorados e maridos, Pete, as crianças, Lisa, Thales, meus pais e Ryan. Julia e Kam não vieram, foram para Memphis com os pais de Kam, então assim que der meia noite lá, ligarei para ela. Bruno se aproximou de Tiara para ajeitar a touca de Bernadette, provavelmente para garantir que ela não passasse frio. Chegou perto de mim novamente e perguntou se eu estava com frio, balancei a cabeça e então ele disse que se eu tivesse era só avisar. Sorri, como ele pode ser dessa forma? Como eu posso gostar dele cada vez mais?

Quando o grande relógio, no topo do prédio da Toshiba, marcou apenas um minuto para o ano novo, a multidão explodiu em gritos animados. Encarei todos ali, sorrindo, emocionada e feliz. Thales estava todo animado, fazendo palhaçada. 

Um coro, gigantesco, a partir do "quinze" se iniciou. No dez, eu encarei Bruno, e ele estendeu os braços, olhando em meus olhos, como se me convidasse para virar o ano em seus braços. Não precisei pensar duas vezes. 

Quando o relógio marcou 0:00, os fogos de artifício estouraram, a multidão gritou em alto e bom som um grande "Happy New Year", e, por impulso, nós nos beijamos. O primeiro beijo do ano, o primeiro abraço do ano, sinto como se nunca tivéssemos nos separado. Bruno me apertou mais, e minha filha chutou, e eu sei que ele sentiu, porque beijou meus lábios novamente, com um sorriso bobo nos lábios. Não poderia desejar um ano novo melhor, definitivamente.

+++


Bruno parecia mais animado do que antes. Fazia gracinhas, e deu uma cotovelada em Eric, que fazia piadinhas, ou melhor, gracinhas, sobre nós dois. Minha filha já dormia, junto com as outras crianças, e nós estávamos ali, rindo, alguns bebendo, jogando e conversando, e a recém eram duas e meia do primeiro dia do ano. Bruno saiu do lado dele, pegou duas latas de coca-cola, e sentou numa cadeira ao meu lado. Estava sentada em frente a mesa redonda, onde conversava com as meninas, e Thales. Menos Lisa, que conversava com Ryan.

- Por que pararam de falar? - Perguntou, abrindo a lata, e me entregando uma. 

- Conversa de mulher. - Jaime disse,  gesticulando para os homens.

- Uh, tenho direito de saber. - Estavam falando do quanto aquele cantor, Bruno Mars, é gato? 

Nós rimos, e ele ficou me encarando. O olhei de volta, enquanto parava gradativamente de rir, e abrindo um sorriso. Até esqueci que havia outras pessoas por ali, era apenas eu e ele naquela conexão de olhares. Ouvimos o barulho de mais uma garrafa de champanhe sendo estourada, e paramos de nos olhar, despertando. 

Jaime estava com um sorriso cúmplice no rosto e eu percebi, deveria estar achando estranho assim como todos estamos. Não voltamos, mas eu sinto como se nunca tivéssemos nos separado. Voltamos a conversar um assunto qualquer. Bruno tentava entrar na conversa, mas não parecia realmente querendo conversar. Ele estava inquieto e me olhava várias vezes. Eu estava parecendo uma boba, quando o via me olhar, sentia minhas bochechas corar, e ele rir baixinho. 

Bruno se levantou, e apoiou as duas mãos nos meus ombros, balançando-me para um lado e outro levemente. 

- Posso roubar minha mulher um pouco? - Perguntou, e o "minha" não passou despercebido por ninguém. Até mesmo por mim, que gelei, mas derreti ao mesmo tempo. - Minhas mulheres, no caso. 

Comecei a rir, murmurando, chamando-o de bobo, enquanto ele apontava para minha barriga. Segurou a minha mão, e eu levantei da cadeira. Foi me empurrando para fora, na sacada. 

-Minha mulher, que evolução. - Rio, para distrair o momento. 

-E não é?

-O ruim do inverno de Nova York é que não enxergamos as estrelas. - Sento-me no sofá posto ali. 

-Por isso eu amo Los Angeles. - Ele senta ao meu lado. - Principalmente porque você mora lá.

-Bruno... - Corei levemente, e senti calor a primeira vez desde que chegamos em Nova York. 

-Eu gosto de qualquer lugar que esteja comigo. - Seus dedos tocam minha bochecha, e ele senta um pouco mais próximo. - Nick, posso beijar você?

-Desde quando você pede isso? 

Virei para encarar o seu rosto, perto demais do meu. Senti meu corpo formigar. Há quanto tempo estou sem? Chuto mais de quatro meses. Seus lábios deram de encontro com os meus e sua mão fazia carinho em minha nuca. Coloquei a minha no seu braço e o acariciei com meu polegar. Bruno deu um leve puxão em meu cabelo, que me fez gemer baixinho entre o nosso beijo. 

Me ajeito no sofá, colocando minha cabeça na guarda, e ele vindo sobre meu corpo, cuidando minha barriga  que atrapalha um pouco. Seu joelho ficou no ponto estratégico, exatamente no meio das minhas pernas, e somente isso já me deixou louca. Nosso beijo já descia para o pescoço, do jeito que dava, já que minha manta não permitia muito. Passo a mão nos seus cachos, respirando pesadamente, quando ele morde o nódulo da minha orelha. 

-Nick, eu quero você. - Bruno pega minha mão e coloca sobre o volume da sua calça. Meu Deus, como eu preciso desse homem. Em todos os sentidos.

-Puta merda! - Ouço a voz de alguém, e rapidamente Bruno sai de cima, e algumas risadinhas se fazem. 

Fico com vergonha, vermelha, e vou arrumando minha roupa e olhando para o chão. Ouço Bruno dizer que Lisa e Ryan estavam indo para onde estávamos, e que foi ele quem falou aquilo. Fiquei na dúvida se eles estavam se entendendo, ou se estavam indo ali para ver o que estávamos fazendo. Espero que seja a primeira opção. 

-Desculpa fazer você passar por isso. - Bruno ri baixinho, levantando do sofá e oferecendo a mão para me ajudar. 

-Não foi nada. - Só lamento por eles terem atrapalhado. 

Voltamos para dentro do apartamento, e todos nos olharam com aquelas cara de "nós sabemos o que estava rolando". Eu estava morrendo de vergonha. 

A partir das quatro, onde todos estávamos morrendo de sono, ou melhor, cansaço, optamos por ir embora. Acordamos as crianças e pegamos tudo que nos pertencia. Descemos para o hall do local, onde já ninguém mais estava, além dos funcionários e um casal na recepção. Passamos para o ônibus, onde sentei ao lado de Thales, e fomos para o hotel. Minha mãe soltou um olhar, como se dissesse que sabe o que eu estava fazendo, e bem, eu morri de vergonha, sem saber o que fazer. É estranho ela saber disso dessa forma. Lisa foi para o quarto de Ryan, minha mãe pediu para Bernadette dormir com ela, já que ela já estava em seu colo, sonolenta, e Thales entrou para o quarto e saiu com um carregador e o seu celular em mãos, avisando que teria que fazer algo, e que demoraria. Provavelmente ligaria para Jeremy, já que lá é mais cedo. 

-Desculpa, mais uma vez. - Ele riu, mexendo na sobrancelha. 

-Não precisa se desculpar. 

-Hm... Obrigada? - Nós rimos. - Foi a melhor virada de ano que eu poderia ter. 

-A minha também. - Sorrio, olhando em seus olhos. Aquele amendoado que sempre me conquistou. 

-Eu vou subir, deixar você descansar. 

Depositou um beijo, de leve, em meus lábios e outro em minha testa. Virou o corpo e balbuciou um boa noite. Eu fiquei ali, vendo-o andar em direção do elevador. 

-Bruno? - O chamo e ele gira o calcanhar em minha direção, arqueando uma sobrancelha, como quem pergunta o que eu quero. - Não quer entrar um pouco? Se não tiver com sono. - Abro um sorriso tímido, e ele dá passos de volta em minha direção. 

-Claro. 

Abri a porta e larguei a minha bolsa ao lado da mesa, encostei a porta e quando olhei para o Bruno, ele estava parado, me encarando, um pouco mais de cinco passos longe de mim.
Retirei meu gorro, e minha manta, tocando para o chão, ele me olhou confuso. Não quero pensar, quero agir. Tomo o impulso de andar em sua direção e atacar seus lábios com ferocidade.  

Passei minhas mãos por sua nuca, fazendo um laço em seu pescoço, sentindo a sua pele quente na minha. Ele beijava minha boca, chupava minha língua me fazendo querer que ele chupasse outro lugar. Eu estava pegando fogo, e não sei se conseguiria apagar em breve. Me sentia completamente úmida. Deu beijos em meu pescoço e pequenos chupões , fiz o mesmo com ele, causando um choque de arrepios em sua pele.

Me afastei dele para tirar minha roupa, era complicado o inverno por isso, muita roupa. Retirei o suéter comprido e a blusa de manga comprida, abrindo o zíper da minha calça e o botão. Levei as mãos para trás, pra abrir o fecho do meu sutiã, mas Bruno rapidamente se aprontou para fazer isso. 

Me jogou na cama com delicadeza, e eu observei aquele corpo somente trajado de uma boxer, que estourava na parte da frente no momento. 

-4 meses é muito tempo... - Beijou minha barriga, puxando a calça para baixo. - Passei 4 meses pensando em você, usando a minha mão, e vendo fotos. 

-Você é louco. - Sussurro, e ele posiciona a cabeça entre minhas pernas, me cheirando como muitas vezes já fez. 

-Completamente. - Beijou, sobre o tecido fino e encharcado da minha calcinha. - Mas nada é comparado à esses momentos. Você não vai se arrepender?

-Não teria o porque me arrepender de fazer algo que eu quero. 

-Então se prepara para ser bem fodida. - Ele diz, baixinho em meu ouvido, quando já estava inclinado com cuidado sobre o meu corpo. 

-Vai me fazer gozar?

-Apenas com um dedo já sou capaz disso. Sente como eu estou, Nick. - Bruno fecha os olhos quando coloco minha mão sobre a sua cueca. 

Seus dedos deixam minha calcinha de lado e ele introduz apenas um, em minha cavidade extremamente molhada. Bruno faz movimentos de ida e volta lá dentro, e beija meus ombros, já que está deitado ao meu lado. Coloca mais um dedo, usando um pouco mais de força e me fazendo gemer baixinho. No terceiro dedo, a força foi maior, que me fez gritar. Bruno retirou a boxer, e voltou para a mesma posição que estava. O masturbei, enquanto ele fazia o mesmo. 

Me sentia completamente  molhada, e essa é uma sensação maravilhosa.

Me virei de lado, me ajeitando com um travesseiro e ele fez o mesmo. Levantei uma perna e a segurei, não sabia por quanto tempo iria ficar assim, porque logo iria cansar, mas daria um jeito. Me provocou, passando seu membro na entrada da minha vagina, me fazendo gemer e implorar para que ele fizesse de uma vez. Claro que ele sorrio, vitorioso, e enfiando o membro devagar em mim. 

-Meu Deus, Nick. - Diz, de voz arrastada. - Como pode estar tão apertadinha? - Gemeu duas vezes seguido. 

É claro que ele sabia o real motivo de eu estar assim. A gravidez. 

Como eu sentia falta daquele momento, ele dentro de mim, me preenchendo de todas as formas que pode. Me martirizo por ser tão infantil e não encarar a realidade, que nós não somos perfeitos e que ninguém é. Também por não acreditar quando ele disse que não tinha nada com a Paige. Senti um prazer a mais, quando seus dedos instigaram meu clitóris, e ele aproximou ainda mais - se é que era possível -, seu corpo do meu. 

Cansei rápido daquela posição, então fizemos como fazíamos quando estava grávida da Bernadette. Deitei de barriga pra cima, com dois travesseiros nas minhas costas, e um na minha cabeça. Definitivamente, quando se está grávida, não tem posição melhor. Senti todo aquele membro grande e pulsante dentro de mim. Consegui acompanhar pouco a pouco a sua extensão me penetrando, me deixando mais louca a cada centímetro que entrava. Me toquei para ele sentir mais prazer, consequentemente eu também, e com a outra mão segurava o lençol da cama. Meu corpo estava pegando fogo, e meu suor já escorria pelo rosto. Esse é o único momento que eu gosto de suar. Gemia de prazer, e Bruno dava alguns gemidos confusos com palavras instigantes. 

-Mmmm, Bruno. - O chamo, gemendo, literalmente. 

-Geme. - Me pede. 

Não precisava nem pedir, para ser sincera. Eu estava encharcada de prazer, e gemia por querer, por ter que gemer já que é difícil segurar pra mim. Sempre fui mais escandalosa com ele na cama, porque Bruno me moldou assim, me fez assim. Gritei, abafando com a minha mão, quando ele enterrou com tudo o seu pênis dentro de mim. Revirei os olhos e ele o tirou, colocando-se um pouco mais pra frente, passando a mão em nossa filha dentro da minha barriga e levando seus dedos para minha intimidade. 

Deu pra sentir exatamente onde estavam passando e Bruno dizendo baixinho o quão molhada eu estava. Enfiou um dedo, e eu o olhei, com um sorriso safado em meu rosto. Ele o mexeu dentro de mim, e eu gemi. Introduziu mais dois dedos, e então começou a move-los com rapidez, muita rapidez. E foi com rapidez que minhas pernas se fecharam por reflexo e eu gozei em sua mão. 

Um tapa estalado no meio das minhas pernas e uma carinha de safado. Usou a mão melada para acariciar o membro e me puxou. Sentei sobre os travesseiros, de pernas abertas por conta da barriga, e inclinei-me um pouco para chupa-lo. Sei que ele queria aquilo. Passo minha mão em sua virilha, e com a outra seguro o seu membro, o masturbando de leve, enquanto coloco minha boca em sua glande. Fiz meus movimentos e passou um breve flashback em minha mente, de quando nós fomos para uma das nossas noites e tentamos fazer o anal. Não sei o porque me veio essa lembrança, mas é boa. 

Bruno gemia, dizia que não queria chegar no seu ápice assim, então me ajeitei novamente. Agora ficando de quatro para ele na cama, e ele me pegando por trás. Enfiou o seu membro completamente em mim, e se movimentou com mais rapidez. Gemia mais alto e fazia alguns grunhidos com a boca, sabia que estava chegando perto. Estocou uma última vez forte e deixou que tudo fosse depositado dentro de mim. Fez mais alguns movimentos lentos e o tirou.
Tomamos banho juntos, com carícias e beijos, como éramos acostumados, e então fui para a minha cama. Deitei, e o vi arrumar as coisas dele. 

-Não vai vir se deitar? 

-Vou para o meu quarto. - Respondeu. - Não quero confundir você, Nick. Quero que pense em nós, não como uma obrigação, e sim como o amor que tudo isso está envolvido. 

-Então, por amor à mim, não vá. Fique. - Passo a mão ao meu lado.

-É tentador!  - Morde o lábio. - Mas eu vou subir. - Vem em minha direção. - Pense em tudo isso, ok? Eu amei a noite, foi perfeita. 

-Tudo bem. - Sorrio, me dando por vencida. 

-Eu amo você, Nick.

-Eu te amo, Bruno! - Passo a mão na lateral do seu rosto. - Boa noite.

-Boa noite, princesa. - Deu-me um selinho estalado. 

O vi passar pela porta, carregando o casaco em mãos, e então sorri. Aliviada, amada, completa. Lapidada. Estou me sentindo feliz, e muito.

Já havia posto a roupa em Bernadette, e ela brincava com Thales, enquanto eu ainda decidia qual roupa era melhor usar. Nada ficava bem, nada servia direito. O estresse de grávida já me consumia. Queria poder desistir de ir nesse circo com a Jaime, mas prometi que ajudaria a cuidar das crianças por lá, já que ela com certeza não daria conta de todas elas. 

-Por favor, Thales. Não faça administração, faça um curso de design, ainda da tempo de se formar em outra coisa, e invente uma linha para gestantes. - Vou puxando calça de minha mala, jeans escura.

-Mas olha o tamanho dessa criança! - Ele gesticula para minha barriga. 

-Deixa minha pequena. - Passo a mão na barriga rapidamente e rio. 

-Ai que inveja. Se quando eu tivesse ficado grávida dos meus meninos e tivesse um corpo desses... - Jaime balança a cabeça, com minha filha em seu colo prestando atenção em cada palavra. 

-Eu estou gorda! Dá raiva. - Praguejo um palavrão baixinho, para que minha filha não ouça. 

-Eu não vou falar nada! - Thales balança a cabeça.

-Você vai ficar aqui sozinho? - Coloco a primeira perna da calça.

-Eu, netflix, pipoca, chocolate quente e Deus! - Deu de ombros, fazendo uma careta engraçada.

-Vamos conosco? - Jaime o convida novamente. 

-Está frio lá fora, e eu tenho que economizar. 

-Eu pago pra você! - Dei a solução, mesmo sabendo que ele estava arranjando desculpas para não ir, ele não queria.

No fim, Thales deu mil e uma desculpas, não queria ir mesmo. Vesti minha calça jeans escuras, minha bota rasteira, e um sobretudo. Coloquei um gorro na cabeça da minha filha, e outro na minha. Jaime, eu e as crianças fomos levadas para o circo, e no caminho eu só pensava no Bruno e em onde ele tinha se metido o dia inteiro, já que não o vi desde a noite. Não que eu esteja controlando seus passos desde que tudo aconteceu, desde que chegamos em NY, mas queria vê-lo hoje. O clima era frio, muito frio, mas não chovia. Havia uma camada escassa de neve nas calçadas e sobre o teto das casas, acho que por isso o circo  foi transferido para dentro de uma arena. 

-Vai ganhar quanto tempo de licença do serviço? - Jaime me pergunta no meio do assunto que estávamos tendo.

-Seis meses. - Respiro fundo. - Ela está para nascer no final de fevereiro, entrarei no final de janeiro, então tenho mais ou menos até junho ou julho de molho em casa. 

-Que vida boa. - Ela gargalha. - Estou planejando passarmos as férias de verão no Havaí. Vou tirar férias do Mama, e descansar um pouco. Vamos para lá? Fazer a pequena conhecer o Havaí logo que nascer.

-Ah, se tudo der certo vamos sim. 

Fizemos planos sobre a viagem. Não sei o que vai ser de mim e do Bruno depois da noite passada, mas se caso nós voltarmos, eu irei sem dúvida alguma. Será bom para eu, e para minhas filhas. Mas se não acontecer nada, e o Bruno estiver lá, acho que será estranho um pouco, ou não. Isso pode ser coisa da minha cabeça.


Descemos da van e pegamos os ingressos. Havia muitas pessoas na fila, mas eu como grávida e com criança de colo, tivemos nossos privilégios. Pegamos um lugar perto o suficiente para enxergar todo o espetáculo, mas não tão aproximado para não ficarmos concentrado em apenas uma parte. Os meninos estavam a mil por hora, e minha filha dava gritinhos, falando algumas coisas e olhando para a estrutura colorida. Compramos algodão doce com máscaras de palhaço e etc. Pensei que Bernie fosse ter medo do palhaço, mas ela ria para a máscara, pondo a mão nas cores que chamavam a atenção. 

Assim que todas as pessoas já estavam ali dentro, e deu o horário certo para iniciar, todas as luzes foram diminuindo, e a voz do locutor pediu, carinhosamente, que deixassemos nossos telefones no silencioso, e se tivéssemos câmeras, que tirássemos fotos dela para não atrapalhar o espetáculo. Ajeitei minhas coisas e Jaime pegou Bernie do meu colo para aliviar minhas pernas. Os meninos estavam sentados, comportados. 

Entrou um palhaço no centro do palco redondo. Fez reverência à nós antes mesmo que pudesse falar algo. Começou com algumas mímicas, e então quem falou foi o locutor. 

-Perdoem, avisei para a produção não colocar ele no show, mas eles insistiram. - Pigarreou e pode-se ouvir algumas risadas. - Olá pessoal, eu sou o palhaço Timoth, e hoje vamos ter o melhor show de todos! - Ele traduzia o que o palhaço falava por sinais, que deveria ser libras, mas na verdade eram sinais engraçados para rirmos. - Peço que prestem atenção no espetáculo e respeitem as pessoas que estão perto, não gritando, não cuspindo a pipoca e não colocando lixo entre os bancos. - Todos riram a partir de que ele falou "cuspir pipoca ". - Tenham um bom show, e mais tarde voltarei. Hey! Timoth! Isso não se diz ao público...

O locutor brigou com Timoth, em encenação, falando coisas engraçadas, enquanto Timoth fazia alguns sinais e aos poucos ia saindo. 

O show começou com uma apresentação de contorcionistas e malabaristas. Trapezistas vieram em seguida, puxando um belo show entre alguns pedaços de pano, fitas de cetim e madeiras. Se entrelaçavam, e desentrelaçavam, pareciam não ter ossos, faziam coisas impressionantes. E deixava, não só as crianças, mas nos adultos, chocados. 

Em seguida entrou dois palhaços, o Timoth, e uma palhacinha que se identificou como Jenn. Eles fizeram un break de dois minutos, fazendo palhaçadas, enquanto poderíamos ir ao banheiro ou comprar algo para comer. Compramos um algodão doce novamente e dois refrigerantes. O espetáculo começou novamente, e agora dois homens engolindo fogo, abriram espaço para duas grandes jaulas, uma com um tigre, e outra com um lindo leão. Uma mulher, de chapéu e um macaquinho no ombro, apresentou os animais, os soltando com todo o cuidando e mostrando o quão adestrados são. Chamou duas crianças para acariciar os animais, e lá foram. Depois que eles saíram, apresentaram a parte que eu já não acho tanta graça: um mágico. Esse mágico fez alguns truques bobos e fez todas as crianças ficarem encantadas. Logo após entrou uma mulher barbada e alguns outros personagens. Encenaram uma história que mal prestei atenção, mas as crianças riram demais, até minha filha ria.

Música

-O que você quer Timoth? - Pergunta o locutor para o palhaço. - Você quer uma criança? - O palhaço fez um sinal positivo. - Para que quer uma? Não... Eu vou escolher qual você irá pegar. - Timoth cruzou os braços, fazendo uma carinha de triste com um beicinho enorme. Ouvimos um rufo de tambores e então o locutor voltou a falar. - Aquela menina linda, da terceira fileira. A menina dos olhos de esmeralda! - Olhei para minha filha, era impossível que de tantas crianças, escolhessem ela. - Com a jaqueta fofinha, rosa! 

Uma mulher se aproxima de nós e avisa que é ela mesmo que o palhaço quer. Minha filha faz festa sem mal saber do que se trata. Enquanto o cara ainda fazia algumas piadas, eu ficava pensando se deixava minha filha ir com a moça para o picadeiro. Jaime assentiu, sorrindo. Deixei que ela pegasse minha filha, morrendo de medo, e sentei com o coração apertado. 
A palhacinha Jenn entrou, carregando minha filha em seus braços. Ela olhava para todos os lados, meio assustada, mas ainda sim não parecia que iria chorar. Jaime tirava muitas fotos, e depois parou para gravar. Fiquei atenta a tudo que acontecia. 

Começaram a contar uma história engraçada, que de acordo com Jenn, é de como se conheceram, minha filha ficou no colo de uma assistente ao lado. O palhaço ficou todo bobo para cima de Jenn, e ela mostrava mil amores por ele. Então, ele fingiu folhar algo e Jenn pôs a mão na boca, de um jeito engraçado e espantado. Saiu, e sentou-se afastada dele, como se estivesse distante. Ele fingia ligar, ela fingia não se importar. Os palhaços ficaram em seus cantos, a luz diminuiu e os contorcionistas bailarinos entraram, encenando, o que eu julguei como a volta do namoro, e um acidente de carro. Fiquei observando cada detalhe, e de como aquilo era familiar. Logo depois, eles saíram, entrando os palhaços com minha filha nos braços, que ria feito boba de tudo aquilo. 

Continuei a observar, e então um holofote focou somente no palhaço, que gesticulou algumas coisas e então o locutor começou a dublar.

-Passou anos desde a primeira vez que eu vi o seu olhar. Desde que te toquei, desde de que te beijei. Muita coisa aconteceu, nós nos separamos, voltamos, nossa filha nasceu e tudo estava feliz. - Uma pausa se fez, e logo retornou uma voz a falar, não era a mesma que antes. Olhei confusa para Jaime, que gravava tudo. - Ficamos juntos por tanto tempo, e depois eu comecei a pisar na bola. Às vezes eu pensava que não conseguiria dar conta de duas mulheres maravilhosas em minha vida, e que vocês duas eram o máximo que eu iria ganhar. Tentava ser descolado, e fazer o que eu quisesse, mas isso me trouxe consequências ruins, como a nossa separação. - Era o Bruno falando. Reconheço a sua voz de qualquer lugar. Balanço minha cabeça, procurando de onde ele pudesse estar falando aquelas coisas, mas não achei. O holofote foca em mim, e um telão é ligado, e a câmera me gravando. Jaime sorria, cúmplice. - Todos os dias que olho pra trás, me arrependo de tantas coisas que fiz. O porquê eu fiz? Nem eu mesmo sei. Era idiota, e nunca deixei me levar pelos meus pensamentos, e sim pelo dos outros. Agora você carrega a outra parte do nosso amor. - O vejo entrar no picadeiro, e todos os assistentes, até mesmo os palhaços, ficaram ao seu lado. - Não poderia ficar sem você nem mais um segundo, sem minhas filhas, sem minha família. Parte de mim se foi quando você saiu por aquela porta. Eu quero que me desculpe, quero que me perdoe por tudo que já fiz. Sei que não é fácil, mas vamos fazer valer o esforço! Liam, por favor. 

Liam pega seu pedaço de algodão doce que guardou, e me entrega. Abro confusa o pedaço de plástico que está enrolado. Ele diz baixinho para procurar algo por ali, e assim faço. Tiro um pedaço do algodão e vejo uma pequena prata brilhante. Franzo a testa, tirando de lá. Um lindo anel, que me enganei, não era prata, e sim ouro branco. Uma pequena pedra em forma de coração tem sobre ele. O segurei fortemente e levantei o olhar direto para o picadeiro. Meus olhos estavam cheio de lágrimas, e em seu colo minha filha estava quietinha. 

-Não fui o melhor, não sou o melhor, mas eu posso dar meu melhor. Você, Nicole, acrescentou muito a minha vida. Deu luz e amor. Somos o oposto um do outro, mas é o melhor de uma relação, quando ela se completa. Quero que continue mudando, continue a mesma, mas trazendo mudanças, sendo portadora das melhores notícias e protagonista dos melhores momentos. - Passei a mão no rosto, tirando as lágrimas que escorriam sem parar. Jaime passou o braço pelo meu ombro e disse para eu prestar atenção na platéia. Cinco pessoas, conhecidas por mim, seguravam as plaquinhas que diziam: Will you marry me ?. Sorri, entre meu choro, balançando a cabeça numa resposta de sim. 

Lisa estava trajada de assistente, apareceu na ponta da fileira, estendendo o braço para que eu o pegasse. Assim fiz, e descemos um lance pequeno de escada. Passamos por um portão pequeno, e entramos no picadeiro. Meus olhos produziam uma quantia absurda de lágrimas. Lágrimas de alegria, de emoção, de tudo. Bruno abre os braços, largando o microfone no chão e correndo para me abraçar. 

Senti seus braços nos meus, um arrepio bom, e uma vibração interna. Seu perfume em minha narina, amadeirado, seus braços quentes, sua pele macia. Eu o amo, mais do que qualquer coisa, mais do que tudo. Eu o amo por ser meu e deixar-me ser dele, o amo por me aceitar. Choro em seus braços.

-Me diz que aceita?! - Pergunta em meu ouvido. 

-Eu aceito. Eu aceito ser somente sua, como sempre fui! - Aperto meus olhos. 

Ouvimos uma salva de palmas, e olhei sobre seus ombros para todas as pessoas que ajudaram com aquilo, para todas que estavam torcendo por nós... 

-Por quanto tempo?

-Sempre será pouco!

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Amanhã terá um pequeno epílogo pra vocês saberem o desfecho final. Beijos <3