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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Epílogo Final


Thales encarou Jeremy, enquanto ele cozinhava o almoço para os dois. Tanto tempo num vai e vem... Talvez fosse tempo de finalmente aceitar o que quer que fosse aquela relação e tornar algo sério. Ele não tinha certeza. Apenas sabia que gostava, bastante, do rapaz. E que era feliz com ele, o que era suficiente.

- Está tudo bem? - Jeremy perguntou, estranho o repentino silêncio de Thales.

Ele sorriu, e balançou a cabeça.

Estava tudo perfeitamente bem.

Não muito longe dali, Julia gritou para que Kameron adiantasse, e descesse logo com seus dois filhos mais novos. Ouviu a voz de seu marido avisar que já estava indo, e de seu filho, reclamando que não queria usar aquela roupa. Riu, se sentando pra esperar todos ficarem prontos para saírem para almoçar. Mandou uma mensagem para Thaylor, seu filho mais velho, que recém havia completado os dezessete, apenas para garantir que ele já tinha buscado a namorada, porque era domingo e todos tinham que almoçar juntos. Thaylor respondeu que já estava chegando, e que tinha certeza que estaria no restaurante antes dos pais e dos irmãos. 
Tudo também estava perfeitamente bem por ali.

Algumas milhas mais distante dali, um certo casal ainda dormia, embora passasse das uma da tarde. Ryan tinha os braços apertados ao redor de lisa, que dormia profundamente, sentindo o perfume amadeirado do namorado. Namorado! Haviam finalmente entrado nessa de relacionamento serio, com direito a coisas fofas e tudo mais. Menos apelidos melosos, porque ela se simplesmente se recusava. Às vezes conversavam sobre isso de filhos, mas estavam muito satisfeitos criando dois cachorros, nada de crianças para aqueles dois, por enquanto.

Lisa esticou os braços, se espreguiçando, e deu, sem querer, um tapa no rosto de Ryan.

- Bom dia, também. - Ele resmungou, passando a mão no local. - Eu fiz alguma coisa? 
Ela riu, dando um beijo rápido em sua boca.

- Bom dia! E não, você não fez nada.
Levantou-se, e olhou para ele, todo preguiçoso, esparramado na cama.

Mais um local onde tudo estava perfeitamente bem.

Nos topo de Hollywood Hills, a alguns minutos de Ryan e Lisa, Bruno encarou sua tão amada família, e parou o olhar em uma Bernadette nervosa.

Alguma coisa estava errada. Muita errada.

- O que está acontecendo, Bernie? - Sentou-se na mesa, estranho.

Era só um domingo normal. Nick estava ao seu lado, e seus três filhos estavam espalhados pela mesa farta.

O caçula, que mal completara doze anos, provocou a irmã:

- Você não contou pra ele ainda, Be?

- Já disse pra não me chamar assim, Blaine! - Ela reclamou, antes de olhar para o pai com um sorriso largo, quase forçado. - Papai...

- Me contar o quê?

Nick riu, já sabendo qual era o papo. Bernadette tinha conversado com ela, e combinaram, junto com Brooklyn, em manter os ânimos de Bruno calmos. Porque sabiam que não seria fácil.

Antes que a menina começasse a preparar terreno, a campainha de casa soou, e ela deu um pulo da cadeira.

- Ele chegou! Eu abro.

Bruno virou-se em direção à Nicole, com os olhos arregalados, e ela enfiou um pedaço de torrada na boca, para não ter que se explicar.

- Ele?

Colocou a mão em frente à boca, tentando engolir a comida e segurar a risada da cara de seu marido.

Bernadette entrou, e Brooklyn foi a primeira a cumprimenta o garoto, loiro, e extremamente alto que entrava de mãos dadas com a irmã. Mãos dadas! Bruno encarou Nicole, como se pedisse ajuda, com o queixo caído. Ela riu, batendo em seu ombro de leve.

- Papai... Esse é o Derek. - Be sorriu, e levantou a mão, trazendo a dele junto. - Meu namorado.

- É um prazer. - Derek disse. - Devo te chamar de "Sogro"?

O olhar incrédulo de Bruno passou por todos os seus filhos, como se mandasse algum deles dizer que era brincadeira, até parar, mais uma vez, em Nick, que pressionava os lábios com força, querendo rir.

- Sogro? - Sussurrou, só pra ela ouvir.

Ela gargalhou, e indicou a cadeira para Derek.

Deu dois tapinhas do ombro de Bruno, enquanto ele ainda encarava, abismado, o garoto, como se ele fosse um ET ou algo assim.

- Bruno, fala com o garoto! - Nicole incentivou, perto de seu ouvido.

Ele a encarou, incrédulo.

- Sogro? - Repetiu, baixo, e ela riu. - Nick! Eu vou matá-lo.

Ela também riu, balançando a cabeça.

- Ah, amor, faz parte.

Bruno encarou sua família, um à um, até parar em Darek. Se era o que Bernie queria... Ele podia aprender a lidar.

Ninguém tinha o avisado que seria fácil ter filhas mulheres, logo duas para acabar com o cantor.

Mas ele aprenderia a lidar.

Tinha certeza.

Mesmo com Bruno tendo que se acalmar mentalmente cada vez que a palavra "Sogro" saia da boca de Derek, tudo também estava perfeitamente bem para todos ali.

________

Nota Final

Chegou no fim... Depois de tanto tempo e tantas coisas. Nossa, uma grande história com essa fic. Uma história de amor e de apego, eu não queria e nem poderia me separar dela. Principalmente quando vi que o final da primeira temporada foi meio inconcluso, resolvi fazer a segunda. 

A inspiração corria dentre meus dedos, até o capítulo 14. Depois, parei um pouco porque estava simplesmente trancada, pedindo ajuda para tudo quanto é autoridade e divindade. Aí, ela finalmente veio, logo quando meu notebook estragou. Irônico, sim? Eu também acho! 
As coisas fluíram levemente, e quando eu vi, havia passado os capítulos que eu esperava fazer. Mas meu amor por Bruno e Nicole não acabou, e eu não sosseguei até achar um fim bonito para essa história um pouco sofrida. 

Muitas pessoas não estão lendo a segunda temporada (e final), outras leem, mas não estão lendo isso, mas as que leem desde a primeira, as que torceram desde o inicio, as que pegaram a segunda e foram ler a primeira por curiosidade, as que deixavam seus comentários, as que viram a evolução da escrita desde que iniciei, as que nunca comentaram, meus sinceros obrigada. De verdade. 

Sem palavras para tudo isso! É uma baita emoção estar finalmente finalizando-a, e deixando um final bonito para essa grande família. Obrigada à todos.

O dia que eu chegar no topo, lembrarei de cada um, de cada incentivo. 
Eternamente agradecida, Adriana Nunes!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Quarenta - Finale

Loving can heal
Loving can mend your soul
And it's the only thing that I know


Ed Sheeran - Photograph

Nicole Pov's

Depois do longo passeio, e dos meus pés estarem fervendo, implorando para que chegássemos no hotel de uma vez, nós finalmente estávamos no táxi. Não sei se era finalmente, porque estava amando aquele tempo só nosso, só para nós dois. Nossas mãos estavam entrelaçadas sobre o banco traseiro do táxi, enquanto meu olhar se fixava nas luzes de Nova York. 

O dia de hoje passou do que eu esperava. Por várias vezes, quase todas, eu vi meu Bruno ali, aquele que brincava comigo, que ficava comigo o tempo que precisasse. Vi como nosso relacionamento era maravilhoso, como nós fomos felizes, e vi o que eu fiz. Onde eu estava com a cabeça quando pensei que seria melhor assim? Foi melhor porque agora ele está mais próximo, mas e se não adiantasse? E se ele tivesse levado a sério nossa separação e tivesse arranjado alguém para passar as noites e os dias. Alguém que não fosse eu... Nunca me perdoaria. 

Não poderia mais arriscar tudo por causa de brigas bobas. Tenho que confiar nele, e em quem ele é agora. Digo tanto que esqueci do passado, mas a verdade é que ainda estou apegada à ele. Apegada como uma criança que se agarra a pessoa mais próxima. Coloco meu passado sobre todos os pesos que tenho agora, e acabo esquecendo da vida a viver no presente. Sou egoísta em pensar tudo isso.

Olho para ele, que está observando a cidade com um olhar brilhante. Me sinto tão segura quando estou com ele, quando estou em seus braços. Não posso deixar-me ficar assim.
O táxi nos largou na porta do hotel, e assim como em todo nosso passeio, Bruno segurou a minha mão e adentramos o hall. Passamos direto para os elevadores e quando pegamos um, sozinhos, nos encaramos e começamos a rir. 

-A noite foi tão agradável. - Comenta ele, deixando de olhar pra mim, para observar o teto.

-Foi maravilhosa. Me diverti muito! - Sorri para ele e o elevador parou em nosso andar. 

-Eu também. Ri como há tempos não ria. - Diz, enquanto andamos pelo corredor reto dos quartos. 

-Uh, Bruno, seu quarto não é no outro andar? - Não queria parecer indelicada, mas já sendo um pouco. 

-Eu sei, só queria me despedir à moda antiga. Levando até a porta. 

-Que cavalheiro. - Faço menção com meu corpo e paro em frente a minha porta. - Todos devem estar dormindo.

-Acho que não...

-Bernadette com certeza. Se é que ela não ficou com meus pais, no outro quarto. 

-É mais provável. - Rimos e eu pego o cartão da porta em minha bolsa. - Então é isso. Eu vou subir para o meu quarto, amanhã o dia será bem longo.

-Nem me fale. - Só precisava da minha cama para dormir tranquilamente na última noite do ano.

-Boa noite, Nick. Obrigada por tudo. - Ele se aproxima mais de mim. - Você fez do penúltimo dia do ano, o melhor. 

-Você faz os meus dias melhores. - Sorrio para ele, não contendo aquela felicidade que estava no meu peito. Ele sorri feito bobo, uma criança. Depositou um selinho demorado em minha boca, acho que tinha medo de aprofundar o beijo. E então nos despedimos. 

Entrei no quarto, e na cama de Lisa e Thales, os dois estavam atirados, literalmente. Pareciam estar ferrados no sono por uma exaustão tremenda. Tirei minha roupa, e indo para um banho rápido, vestindo um pijama confortável, e pegando meu celular. Deitei em minha cama estranhando não ter a presença da minha filha ao meu lado. Olho para o meu celular, e abro a galeria, avistando algumas fotos de hoje. Havia somente duas selfies minha e dele, o resto era da paisagem e do lugar onde íamos. Retornar a Nova York retornou todos os sentimentos que estavam adormecidos dentro de mim. Acaricio minha pequena dentro da barriga, tendo uma breve conversa com ela. 

Na manhã, acordo com a claridade que invade meus olhos. Não é claridade do sol, e sim a luz que ligaram sem se importar que há pessoas querendo dormir. Sinto uma pequena mãozinha sobre o meu peito, que me balança, abro os olhos e minha filha abre um sorriso quando me vê.
 
-Acorda mãe. - Diz do seu jeitinho ainda não sabendo pronunciar corretamente as palavras. 

-Mamãe tá acordando. - Passo a mão sobre o meu rosto, me ajeitando na cama para pega-lá em meu colo. - Bom dia, meu amor. - Deposito um beijo em sua bochecha gordinha.

-Ela falou tanto em você ontem. - Minha mãe balançou a cabeça. - Mas não chorou, apenas falava "mãe" e balançava a cabeça.

-Dá onde ela tirou essa mania? - Aliso seu cabelo bagunçado. 

-A vó. - Ela aponta para ela.

-Sua vó ensinou isso? Mas que abusada! Vou ter que conversar com ela. - Rio livremente junto com minha mãe, que senta na ponta da cama. 

-Como foi o passeio? - A lembrança da maravilha que foi o meu dia anterior vem a mente, e não consigo responder sem estampar um sorriso em meu rosto.

-Foi maravilhoso! - Penso nos seus lábios nos meus e nas coisas bonitas e engraçadas que aconteceu. - Foi lindo.

-Voltaram?

-Não, ainda. 

-Ainda? Então há uma chance. 

-Mãe! - Rio da sua empolgação. - Talvez há. 

-Filha, vocês não foram feitos para ficarem separados. 

-Eu também acho que não.

Perguntei onde estava o Thales e Lisa, mas os dois haviam descido para tomar café. Estou com ciúmes deles se tornarem melhores amigos e eu ficar de lado. Brincadeira! Mas ainda sim sinto uma pontinha de ciúmes. Dei um rápido banho em minha filha, e enquanto eu mostrava os brinquedos que ela ganhou do Bruno ontem à noite, e ela se divertia com eles, eu trocava a minha roupa. 

Guardo os brinquedos, com exceção de uma pequena boneca que ela não quis me dar, e a pego para descermos. Não precisei pega-lá no colo, porque pra isso exige muito mais força de mim do que posso dar agora. Peguei sua pequena mãozinha e desci até a sala de jantar, onde o café estava sendo servido. 

Me surpreendi quando vi Jaime, Bruno, Thales e Lisa, sentados na mesma mesa, conversando e rindo. Fui me aproximando aos poucos, e então Thales abre o sorriso grande quando nos vê. 

-Amor do dindo. - Também abre os braços para abraçar Bernie, mas ela apenas mostra o brinquedo, olha pra ele, e continua a brincar novamente. - Me ignorou. - Abriu a boca em espanto, quando todos riram. 

-Senta aqui. - Jaime sai do lado do Bruno, deixando o lugar pra mim, e pegando uma cadeira para ela e colocando rente a mesa. 

-Obrigada. Bom dia. - Digo assim que me sento. 

-Bom dia, Bela Adormecida. - Lisa solta um sorriso que fala muita coisa. 

-Bom dia, Nick. - O olho, ao meu lado. Sorrimos um para o outro.

-Podem continuar a conversa de antes, gente. - Aviso-os. 

-Vem cá, neném. - Bruno chama Bernadette, mas ela apenas o olha e continua brincando. - Não troque o papai por um brinquedo. 

-Acostume-se! - Rio, lembrando de que daqui uns anos ela não será mais assim. Ela terá uma vida, e viverá descobrindo coisas novas. 

-Nick, estava falando com eles sobre irmos com as crianças no circo amanhã. Você topa? - Direciono meu olhar para Jaime. 

-Ah, claro... - Sorrio. - Vamos todos?

-Não, essas coisas não querem ir. Seremos eu, você, e as crianças.

-Quero ver darmos conta delas. - Gargalho.

-E como foi o passeio ontem? - Pergunta Thales. Meu rosto cora levemente. 

-Foi...bom. - Respondo com receio do que Bruno responderia. 

-Maravilhoso, eu diria. - Diz de voz aveludada. 

+++


Arrumar a Bernadette foi a parte fácil de tudo isso. A vesti com uma calça vermelha com pequenas bolinhas brancas, uma botinha creme, um moletom branco com alguns detalhes vermelho e um gorro vermelho. Coloquei as luvas, mas minha filha não parou com elas. Estamos indo para um edifício na Times, e o tempo estava apertando, até eu finalmente conseguir achar algo legal para vestir. Uma calça jeans, a que eu já tinha separado para usar, botas de cano curto cor preta, com um pequeno saltinho, uma blusa e um suéter comprido, rosa bebê, por cima. Ah, e claro, um gorrinho, combinando com uma manta leve, na cor branca. Passei pouca maquiagem, o básico, e peguei minha bolsa e a bolsa da Bernadette. 

-Como você está linda! - Meu pai me elogia, pegando a bolsa do meu ombro.

-Obrigada, pai. - Agradeço e minha filha tenta tirar a sua mão da minha. - Fique aqui com a mãe, filha. - Peço. Tenho medo que ela se perca no meio de tantas pessoas que estão no hotel. Caos de fim de ano.

-Todos estão na van, vamos? - Pergunta Presley. 

-Vamos. Acho que não esqueci nada. 

Entramos na Van. Bruno e algumas pessoas já tinham ido, antes de ficar muito difícil para saírem, já que ele causa muito tumulto. Minha filha estava falante, pulando de colo em colo. Queria andar na sua motinho, mas ela estava guardada, e seria um pouco impossível pega-lá agora. Foi falando com todos ali, até chegarmos no edifício. 

Tinha movimento no edifício, não tanto como tinha no hotel, mas ainda sim tinha. Segurei minha filha firmemente, mas não contente a peguei no colo por enquanto. Ela colocou a mão na minha barriga e disse 'bebê', minha princesa é tão inteligente. Fomos para os elevadores e todos descemos no mesmo andar, sétimo. 

O andar todo era um apartamento. Todo mobiliado e lindo, com toques maravilhosos. Logo que adentrei um pouco mais a sala, percebi que não era só o apartamento que era enorme, era a sacada também. Não quero nem imaginar quanto o Bruno gastou com tudo isso, mas ele gosta desse tipo de coisa...

Estava uma função para todos os lados. Comidas daqui, bebidas dali, mudanças nos móveis e escolha de como iríamos por as crianças para dormirem assim que pegarem no sono antes de nós. Separamos baralho de carta, mais um jogo de pôquer, e os brinquedos para as crianças. Não me deixaram fazer tanta coisa, afinal, eles acham que eu grávida possa dar algo. Mas eu não estou doente. Então fiquei responsável de observar as crianças. 

A música foi posta, fomos para a sacada para ver o movimento, que já estava grande, isso que ainda não era nem dez e meia. Jantamos todos à mesa, e Bruno volta e meia me olhava, de soslaio, e sorrindo. 

Agora faltavam exatamente cinco minutos para o ano virar. Já dava para ver as ruas lotadas, o tráfego fechado. Claro, era uma das festas mais famosas do mundo, em um dos lugares mais famosos do mundo. Não poderia estar mais feliz de estar aqui hoje, além de tudo presenciando o que sempre quis ver, 'a bola que cai', na Times Square. Milhares de pessoas estavam se espremendo na avenida, e alguns shows importantes se faziam por perto. Era uma vista privilegiada, cá entre nós, estávamos numa varanda enorme, num prédio alto, e num ponto estratégico, chuto uns 300 metros de onde a bola está.

Bruno estava com nossa filha nos braços, usando um paninho para limpar a sua boca, já que estava de casaco branco, e qualquer coisa sujava, além de estar se babando às vezes. Nossos olhares se cruzaram, e eu sorri - como ele também fez na mesma hora. Queria que ele fosse para perto de mim, mas não queria pedir. Me surpreendi ao ver seus passos até mim, ainda com a nossa filha nos braços. Tiara a chamou, e Bernadette ficou toda feliz, se esticando para ir no colo da tia. Bruno a entregou, e veio para o meu lado. Olhei no relógio grande da rua, marcavam três minutos para a meia noite. Senti sua mão em meu ombro, até me abraçar de lado. Fechei os olhos de leve e quando abri, vi o sorriso de Lisa, que voltou a falar com o Ryan. O que foi que eu perdi sobre esses dois? Fui para o parapeito, junto com o Bruno, olhei para a rua, a multidão que se multiplicava, abaixo de nossos pés. 

- Quanta gente. - Ele ri, balançando a cabeça. - É, basicamente, uma bola que acende. O que tem demais? 

- É uma tradição! - O empurro, de brincadeira, e ele me puxou mais firme, contra o abraço. - Você é, basicamente, um cara que rebola. O que tem demais para as pessoas irem ao seu show?
 
Ele abre a boca, fingindo estar ofendido, e eu gargalho alto. 

- Obrigado, fez meu ano! 

-Vamos nos juntar aos outros. 

Ele foi junto comigo, apesar de parecer querer ficar por ali, ou era alguma impressão minha. Nos juntamos à todos, suas irmãs com seus namorados e maridos, Pete, as crianças, Lisa, Thales, meus pais e Ryan. Julia e Kam não vieram, foram para Memphis com os pais de Kam, então assim que der meia noite lá, ligarei para ela. Bruno se aproximou de Tiara para ajeitar a touca de Bernadette, provavelmente para garantir que ela não passasse frio. Chegou perto de mim novamente e perguntou se eu estava com frio, balancei a cabeça e então ele disse que se eu tivesse era só avisar. Sorri, como ele pode ser dessa forma? Como eu posso gostar dele cada vez mais?

Quando o grande relógio, no topo do prédio da Toshiba, marcou apenas um minuto para o ano novo, a multidão explodiu em gritos animados. Encarei todos ali, sorrindo, emocionada e feliz. Thales estava todo animado, fazendo palhaçada. 

Um coro, gigantesco, a partir do "quinze" se iniciou. No dez, eu encarei Bruno, e ele estendeu os braços, olhando em meus olhos, como se me convidasse para virar o ano em seus braços. Não precisei pensar duas vezes. 

Quando o relógio marcou 0:00, os fogos de artifício estouraram, a multidão gritou em alto e bom som um grande "Happy New Year", e, por impulso, nós nos beijamos. O primeiro beijo do ano, o primeiro abraço do ano, sinto como se nunca tivéssemos nos separado. Bruno me apertou mais, e minha filha chutou, e eu sei que ele sentiu, porque beijou meus lábios novamente, com um sorriso bobo nos lábios. Não poderia desejar um ano novo melhor, definitivamente.

+++


Bruno parecia mais animado do que antes. Fazia gracinhas, e deu uma cotovelada em Eric, que fazia piadinhas, ou melhor, gracinhas, sobre nós dois. Minha filha já dormia, junto com as outras crianças, e nós estávamos ali, rindo, alguns bebendo, jogando e conversando, e a recém eram duas e meia do primeiro dia do ano. Bruno saiu do lado dele, pegou duas latas de coca-cola, e sentou numa cadeira ao meu lado. Estava sentada em frente a mesa redonda, onde conversava com as meninas, e Thales. Menos Lisa, que conversava com Ryan.

- Por que pararam de falar? - Perguntou, abrindo a lata, e me entregando uma. 

- Conversa de mulher. - Jaime disse,  gesticulando para os homens.

- Uh, tenho direito de saber. - Estavam falando do quanto aquele cantor, Bruno Mars, é gato? 

Nós rimos, e ele ficou me encarando. O olhei de volta, enquanto parava gradativamente de rir, e abrindo um sorriso. Até esqueci que havia outras pessoas por ali, era apenas eu e ele naquela conexão de olhares. Ouvimos o barulho de mais uma garrafa de champanhe sendo estourada, e paramos de nos olhar, despertando. 

Jaime estava com um sorriso cúmplice no rosto e eu percebi, deveria estar achando estranho assim como todos estamos. Não voltamos, mas eu sinto como se nunca tivéssemos nos separado. Voltamos a conversar um assunto qualquer. Bruno tentava entrar na conversa, mas não parecia realmente querendo conversar. Ele estava inquieto e me olhava várias vezes. Eu estava parecendo uma boba, quando o via me olhar, sentia minhas bochechas corar, e ele rir baixinho. 

Bruno se levantou, e apoiou as duas mãos nos meus ombros, balançando-me para um lado e outro levemente. 

- Posso roubar minha mulher um pouco? - Perguntou, e o "minha" não passou despercebido por ninguém. Até mesmo por mim, que gelei, mas derreti ao mesmo tempo. - Minhas mulheres, no caso. 

Comecei a rir, murmurando, chamando-o de bobo, enquanto ele apontava para minha barriga. Segurou a minha mão, e eu levantei da cadeira. Foi me empurrando para fora, na sacada. 

-Minha mulher, que evolução. - Rio, para distrair o momento. 

-E não é?

-O ruim do inverno de Nova York é que não enxergamos as estrelas. - Sento-me no sofá posto ali. 

-Por isso eu amo Los Angeles. - Ele senta ao meu lado. - Principalmente porque você mora lá.

-Bruno... - Corei levemente, e senti calor a primeira vez desde que chegamos em Nova York. 

-Eu gosto de qualquer lugar que esteja comigo. - Seus dedos tocam minha bochecha, e ele senta um pouco mais próximo. - Nick, posso beijar você?

-Desde quando você pede isso? 

Virei para encarar o seu rosto, perto demais do meu. Senti meu corpo formigar. Há quanto tempo estou sem? Chuto mais de quatro meses. Seus lábios deram de encontro com os meus e sua mão fazia carinho em minha nuca. Coloquei a minha no seu braço e o acariciei com meu polegar. Bruno deu um leve puxão em meu cabelo, que me fez gemer baixinho entre o nosso beijo. 

Me ajeito no sofá, colocando minha cabeça na guarda, e ele vindo sobre meu corpo, cuidando minha barriga  que atrapalha um pouco. Seu joelho ficou no ponto estratégico, exatamente no meio das minhas pernas, e somente isso já me deixou louca. Nosso beijo já descia para o pescoço, do jeito que dava, já que minha manta não permitia muito. Passo a mão nos seus cachos, respirando pesadamente, quando ele morde o nódulo da minha orelha. 

-Nick, eu quero você. - Bruno pega minha mão e coloca sobre o volume da sua calça. Meu Deus, como eu preciso desse homem. Em todos os sentidos.

-Puta merda! - Ouço a voz de alguém, e rapidamente Bruno sai de cima, e algumas risadinhas se fazem. 

Fico com vergonha, vermelha, e vou arrumando minha roupa e olhando para o chão. Ouço Bruno dizer que Lisa e Ryan estavam indo para onde estávamos, e que foi ele quem falou aquilo. Fiquei na dúvida se eles estavam se entendendo, ou se estavam indo ali para ver o que estávamos fazendo. Espero que seja a primeira opção. 

-Desculpa fazer você passar por isso. - Bruno ri baixinho, levantando do sofá e oferecendo a mão para me ajudar. 

-Não foi nada. - Só lamento por eles terem atrapalhado. 

Voltamos para dentro do apartamento, e todos nos olharam com aquelas cara de "nós sabemos o que estava rolando". Eu estava morrendo de vergonha. 

A partir das quatro, onde todos estávamos morrendo de sono, ou melhor, cansaço, optamos por ir embora. Acordamos as crianças e pegamos tudo que nos pertencia. Descemos para o hall do local, onde já ninguém mais estava, além dos funcionários e um casal na recepção. Passamos para o ônibus, onde sentei ao lado de Thales, e fomos para o hotel. Minha mãe soltou um olhar, como se dissesse que sabe o que eu estava fazendo, e bem, eu morri de vergonha, sem saber o que fazer. É estranho ela saber disso dessa forma. Lisa foi para o quarto de Ryan, minha mãe pediu para Bernadette dormir com ela, já que ela já estava em seu colo, sonolenta, e Thales entrou para o quarto e saiu com um carregador e o seu celular em mãos, avisando que teria que fazer algo, e que demoraria. Provavelmente ligaria para Jeremy, já que lá é mais cedo. 

-Desculpa, mais uma vez. - Ele riu, mexendo na sobrancelha. 

-Não precisa se desculpar. 

-Hm... Obrigada? - Nós rimos. - Foi a melhor virada de ano que eu poderia ter. 

-A minha também. - Sorrio, olhando em seus olhos. Aquele amendoado que sempre me conquistou. 

-Eu vou subir, deixar você descansar. 

Depositou um beijo, de leve, em meus lábios e outro em minha testa. Virou o corpo e balbuciou um boa noite. Eu fiquei ali, vendo-o andar em direção do elevador. 

-Bruno? - O chamo e ele gira o calcanhar em minha direção, arqueando uma sobrancelha, como quem pergunta o que eu quero. - Não quer entrar um pouco? Se não tiver com sono. - Abro um sorriso tímido, e ele dá passos de volta em minha direção. 

-Claro. 

Abri a porta e larguei a minha bolsa ao lado da mesa, encostei a porta e quando olhei para o Bruno, ele estava parado, me encarando, um pouco mais de cinco passos longe de mim.
Retirei meu gorro, e minha manta, tocando para o chão, ele me olhou confuso. Não quero pensar, quero agir. Tomo o impulso de andar em sua direção e atacar seus lábios com ferocidade.  

Passei minhas mãos por sua nuca, fazendo um laço em seu pescoço, sentindo a sua pele quente na minha. Ele beijava minha boca, chupava minha língua me fazendo querer que ele chupasse outro lugar. Eu estava pegando fogo, e não sei se conseguiria apagar em breve. Me sentia completamente úmida. Deu beijos em meu pescoço e pequenos chupões , fiz o mesmo com ele, causando um choque de arrepios em sua pele.

Me afastei dele para tirar minha roupa, era complicado o inverno por isso, muita roupa. Retirei o suéter comprido e a blusa de manga comprida, abrindo o zíper da minha calça e o botão. Levei as mãos para trás, pra abrir o fecho do meu sutiã, mas Bruno rapidamente se aprontou para fazer isso. 

Me jogou na cama com delicadeza, e eu observei aquele corpo somente trajado de uma boxer, que estourava na parte da frente no momento. 

-4 meses é muito tempo... - Beijou minha barriga, puxando a calça para baixo. - Passei 4 meses pensando em você, usando a minha mão, e vendo fotos. 

-Você é louco. - Sussurro, e ele posiciona a cabeça entre minhas pernas, me cheirando como muitas vezes já fez. 

-Completamente. - Beijou, sobre o tecido fino e encharcado da minha calcinha. - Mas nada é comparado à esses momentos. Você não vai se arrepender?

-Não teria o porque me arrepender de fazer algo que eu quero. 

-Então se prepara para ser bem fodida. - Ele diz, baixinho em meu ouvido, quando já estava inclinado com cuidado sobre o meu corpo. 

-Vai me fazer gozar?

-Apenas com um dedo já sou capaz disso. Sente como eu estou, Nick. - Bruno fecha os olhos quando coloco minha mão sobre a sua cueca. 

Seus dedos deixam minha calcinha de lado e ele introduz apenas um, em minha cavidade extremamente molhada. Bruno faz movimentos de ida e volta lá dentro, e beija meus ombros, já que está deitado ao meu lado. Coloca mais um dedo, usando um pouco mais de força e me fazendo gemer baixinho. No terceiro dedo, a força foi maior, que me fez gritar. Bruno retirou a boxer, e voltou para a mesma posição que estava. O masturbei, enquanto ele fazia o mesmo. 

Me sentia completamente  molhada, e essa é uma sensação maravilhosa.

Me virei de lado, me ajeitando com um travesseiro e ele fez o mesmo. Levantei uma perna e a segurei, não sabia por quanto tempo iria ficar assim, porque logo iria cansar, mas daria um jeito. Me provocou, passando seu membro na entrada da minha vagina, me fazendo gemer e implorar para que ele fizesse de uma vez. Claro que ele sorrio, vitorioso, e enfiando o membro devagar em mim. 

-Meu Deus, Nick. - Diz, de voz arrastada. - Como pode estar tão apertadinha? - Gemeu duas vezes seguido. 

É claro que ele sabia o real motivo de eu estar assim. A gravidez. 

Como eu sentia falta daquele momento, ele dentro de mim, me preenchendo de todas as formas que pode. Me martirizo por ser tão infantil e não encarar a realidade, que nós não somos perfeitos e que ninguém é. Também por não acreditar quando ele disse que não tinha nada com a Paige. Senti um prazer a mais, quando seus dedos instigaram meu clitóris, e ele aproximou ainda mais - se é que era possível -, seu corpo do meu. 

Cansei rápido daquela posição, então fizemos como fazíamos quando estava grávida da Bernadette. Deitei de barriga pra cima, com dois travesseiros nas minhas costas, e um na minha cabeça. Definitivamente, quando se está grávida, não tem posição melhor. Senti todo aquele membro grande e pulsante dentro de mim. Consegui acompanhar pouco a pouco a sua extensão me penetrando, me deixando mais louca a cada centímetro que entrava. Me toquei para ele sentir mais prazer, consequentemente eu também, e com a outra mão segurava o lençol da cama. Meu corpo estava pegando fogo, e meu suor já escorria pelo rosto. Esse é o único momento que eu gosto de suar. Gemia de prazer, e Bruno dava alguns gemidos confusos com palavras instigantes. 

-Mmmm, Bruno. - O chamo, gemendo, literalmente. 

-Geme. - Me pede. 

Não precisava nem pedir, para ser sincera. Eu estava encharcada de prazer, e gemia por querer, por ter que gemer já que é difícil segurar pra mim. Sempre fui mais escandalosa com ele na cama, porque Bruno me moldou assim, me fez assim. Gritei, abafando com a minha mão, quando ele enterrou com tudo o seu pênis dentro de mim. Revirei os olhos e ele o tirou, colocando-se um pouco mais pra frente, passando a mão em nossa filha dentro da minha barriga e levando seus dedos para minha intimidade. 

Deu pra sentir exatamente onde estavam passando e Bruno dizendo baixinho o quão molhada eu estava. Enfiou um dedo, e eu o olhei, com um sorriso safado em meu rosto. Ele o mexeu dentro de mim, e eu gemi. Introduziu mais dois dedos, e então começou a move-los com rapidez, muita rapidez. E foi com rapidez que minhas pernas se fecharam por reflexo e eu gozei em sua mão. 

Um tapa estalado no meio das minhas pernas e uma carinha de safado. Usou a mão melada para acariciar o membro e me puxou. Sentei sobre os travesseiros, de pernas abertas por conta da barriga, e inclinei-me um pouco para chupa-lo. Sei que ele queria aquilo. Passo minha mão em sua virilha, e com a outra seguro o seu membro, o masturbando de leve, enquanto coloco minha boca em sua glande. Fiz meus movimentos e passou um breve flashback em minha mente, de quando nós fomos para uma das nossas noites e tentamos fazer o anal. Não sei o porque me veio essa lembrança, mas é boa. 

Bruno gemia, dizia que não queria chegar no seu ápice assim, então me ajeitei novamente. Agora ficando de quatro para ele na cama, e ele me pegando por trás. Enfiou o seu membro completamente em mim, e se movimentou com mais rapidez. Gemia mais alto e fazia alguns grunhidos com a boca, sabia que estava chegando perto. Estocou uma última vez forte e deixou que tudo fosse depositado dentro de mim. Fez mais alguns movimentos lentos e o tirou.
Tomamos banho juntos, com carícias e beijos, como éramos acostumados, e então fui para a minha cama. Deitei, e o vi arrumar as coisas dele. 

-Não vai vir se deitar? 

-Vou para o meu quarto. - Respondeu. - Não quero confundir você, Nick. Quero que pense em nós, não como uma obrigação, e sim como o amor que tudo isso está envolvido. 

-Então, por amor à mim, não vá. Fique. - Passo a mão ao meu lado.

-É tentador!  - Morde o lábio. - Mas eu vou subir. - Vem em minha direção. - Pense em tudo isso, ok? Eu amei a noite, foi perfeita. 

-Tudo bem. - Sorrio, me dando por vencida. 

-Eu amo você, Nick.

-Eu te amo, Bruno! - Passo a mão na lateral do seu rosto. - Boa noite.

-Boa noite, princesa. - Deu-me um selinho estalado. 

O vi passar pela porta, carregando o casaco em mãos, e então sorri. Aliviada, amada, completa. Lapidada. Estou me sentindo feliz, e muito.

Já havia posto a roupa em Bernadette, e ela brincava com Thales, enquanto eu ainda decidia qual roupa era melhor usar. Nada ficava bem, nada servia direito. O estresse de grávida já me consumia. Queria poder desistir de ir nesse circo com a Jaime, mas prometi que ajudaria a cuidar das crianças por lá, já que ela com certeza não daria conta de todas elas. 

-Por favor, Thales. Não faça administração, faça um curso de design, ainda da tempo de se formar em outra coisa, e invente uma linha para gestantes. - Vou puxando calça de minha mala, jeans escura.

-Mas olha o tamanho dessa criança! - Ele gesticula para minha barriga. 

-Deixa minha pequena. - Passo a mão na barriga rapidamente e rio. 

-Ai que inveja. Se quando eu tivesse ficado grávida dos meus meninos e tivesse um corpo desses... - Jaime balança a cabeça, com minha filha em seu colo prestando atenção em cada palavra. 

-Eu estou gorda! Dá raiva. - Praguejo um palavrão baixinho, para que minha filha não ouça. 

-Eu não vou falar nada! - Thales balança a cabeça.

-Você vai ficar aqui sozinho? - Coloco a primeira perna da calça.

-Eu, netflix, pipoca, chocolate quente e Deus! - Deu de ombros, fazendo uma careta engraçada.

-Vamos conosco? - Jaime o convida novamente. 

-Está frio lá fora, e eu tenho que economizar. 

-Eu pago pra você! - Dei a solução, mesmo sabendo que ele estava arranjando desculpas para não ir, ele não queria.

No fim, Thales deu mil e uma desculpas, não queria ir mesmo. Vesti minha calça jeans escuras, minha bota rasteira, e um sobretudo. Coloquei um gorro na cabeça da minha filha, e outro na minha. Jaime, eu e as crianças fomos levadas para o circo, e no caminho eu só pensava no Bruno e em onde ele tinha se metido o dia inteiro, já que não o vi desde a noite. Não que eu esteja controlando seus passos desde que tudo aconteceu, desde que chegamos em NY, mas queria vê-lo hoje. O clima era frio, muito frio, mas não chovia. Havia uma camada escassa de neve nas calçadas e sobre o teto das casas, acho que por isso o circo  foi transferido para dentro de uma arena. 

-Vai ganhar quanto tempo de licença do serviço? - Jaime me pergunta no meio do assunto que estávamos tendo.

-Seis meses. - Respiro fundo. - Ela está para nascer no final de fevereiro, entrarei no final de janeiro, então tenho mais ou menos até junho ou julho de molho em casa. 

-Que vida boa. - Ela gargalha. - Estou planejando passarmos as férias de verão no Havaí. Vou tirar férias do Mama, e descansar um pouco. Vamos para lá? Fazer a pequena conhecer o Havaí logo que nascer.

-Ah, se tudo der certo vamos sim. 

Fizemos planos sobre a viagem. Não sei o que vai ser de mim e do Bruno depois da noite passada, mas se caso nós voltarmos, eu irei sem dúvida alguma. Será bom para eu, e para minhas filhas. Mas se não acontecer nada, e o Bruno estiver lá, acho que será estranho um pouco, ou não. Isso pode ser coisa da minha cabeça.


Descemos da van e pegamos os ingressos. Havia muitas pessoas na fila, mas eu como grávida e com criança de colo, tivemos nossos privilégios. Pegamos um lugar perto o suficiente para enxergar todo o espetáculo, mas não tão aproximado para não ficarmos concentrado em apenas uma parte. Os meninos estavam a mil por hora, e minha filha dava gritinhos, falando algumas coisas e olhando para a estrutura colorida. Compramos algodão doce com máscaras de palhaço e etc. Pensei que Bernie fosse ter medo do palhaço, mas ela ria para a máscara, pondo a mão nas cores que chamavam a atenção. 

Assim que todas as pessoas já estavam ali dentro, e deu o horário certo para iniciar, todas as luzes foram diminuindo, e a voz do locutor pediu, carinhosamente, que deixassemos nossos telefones no silencioso, e se tivéssemos câmeras, que tirássemos fotos dela para não atrapalhar o espetáculo. Ajeitei minhas coisas e Jaime pegou Bernie do meu colo para aliviar minhas pernas. Os meninos estavam sentados, comportados. 

Entrou um palhaço no centro do palco redondo. Fez reverência à nós antes mesmo que pudesse falar algo. Começou com algumas mímicas, e então quem falou foi o locutor. 

-Perdoem, avisei para a produção não colocar ele no show, mas eles insistiram. - Pigarreou e pode-se ouvir algumas risadas. - Olá pessoal, eu sou o palhaço Timoth, e hoje vamos ter o melhor show de todos! - Ele traduzia o que o palhaço falava por sinais, que deveria ser libras, mas na verdade eram sinais engraçados para rirmos. - Peço que prestem atenção no espetáculo e respeitem as pessoas que estão perto, não gritando, não cuspindo a pipoca e não colocando lixo entre os bancos. - Todos riram a partir de que ele falou "cuspir pipoca ". - Tenham um bom show, e mais tarde voltarei. Hey! Timoth! Isso não se diz ao público...

O locutor brigou com Timoth, em encenação, falando coisas engraçadas, enquanto Timoth fazia alguns sinais e aos poucos ia saindo. 

O show começou com uma apresentação de contorcionistas e malabaristas. Trapezistas vieram em seguida, puxando um belo show entre alguns pedaços de pano, fitas de cetim e madeiras. Se entrelaçavam, e desentrelaçavam, pareciam não ter ossos, faziam coisas impressionantes. E deixava, não só as crianças, mas nos adultos, chocados. 

Em seguida entrou dois palhaços, o Timoth, e uma palhacinha que se identificou como Jenn. Eles fizeram un break de dois minutos, fazendo palhaçadas, enquanto poderíamos ir ao banheiro ou comprar algo para comer. Compramos um algodão doce novamente e dois refrigerantes. O espetáculo começou novamente, e agora dois homens engolindo fogo, abriram espaço para duas grandes jaulas, uma com um tigre, e outra com um lindo leão. Uma mulher, de chapéu e um macaquinho no ombro, apresentou os animais, os soltando com todo o cuidando e mostrando o quão adestrados são. Chamou duas crianças para acariciar os animais, e lá foram. Depois que eles saíram, apresentaram a parte que eu já não acho tanta graça: um mágico. Esse mágico fez alguns truques bobos e fez todas as crianças ficarem encantadas. Logo após entrou uma mulher barbada e alguns outros personagens. Encenaram uma história que mal prestei atenção, mas as crianças riram demais, até minha filha ria.

Música

-O que você quer Timoth? - Pergunta o locutor para o palhaço. - Você quer uma criança? - O palhaço fez um sinal positivo. - Para que quer uma? Não... Eu vou escolher qual você irá pegar. - Timoth cruzou os braços, fazendo uma carinha de triste com um beicinho enorme. Ouvimos um rufo de tambores e então o locutor voltou a falar. - Aquela menina linda, da terceira fileira. A menina dos olhos de esmeralda! - Olhei para minha filha, era impossível que de tantas crianças, escolhessem ela. - Com a jaqueta fofinha, rosa! 

Uma mulher se aproxima de nós e avisa que é ela mesmo que o palhaço quer. Minha filha faz festa sem mal saber do que se trata. Enquanto o cara ainda fazia algumas piadas, eu ficava pensando se deixava minha filha ir com a moça para o picadeiro. Jaime assentiu, sorrindo. Deixei que ela pegasse minha filha, morrendo de medo, e sentei com o coração apertado. 
A palhacinha Jenn entrou, carregando minha filha em seus braços. Ela olhava para todos os lados, meio assustada, mas ainda sim não parecia que iria chorar. Jaime tirava muitas fotos, e depois parou para gravar. Fiquei atenta a tudo que acontecia. 

Começaram a contar uma história engraçada, que de acordo com Jenn, é de como se conheceram, minha filha ficou no colo de uma assistente ao lado. O palhaço ficou todo bobo para cima de Jenn, e ela mostrava mil amores por ele. Então, ele fingiu folhar algo e Jenn pôs a mão na boca, de um jeito engraçado e espantado. Saiu, e sentou-se afastada dele, como se estivesse distante. Ele fingia ligar, ela fingia não se importar. Os palhaços ficaram em seus cantos, a luz diminuiu e os contorcionistas bailarinos entraram, encenando, o que eu julguei como a volta do namoro, e um acidente de carro. Fiquei observando cada detalhe, e de como aquilo era familiar. Logo depois, eles saíram, entrando os palhaços com minha filha nos braços, que ria feito boba de tudo aquilo. 

Continuei a observar, e então um holofote focou somente no palhaço, que gesticulou algumas coisas e então o locutor começou a dublar.

-Passou anos desde a primeira vez que eu vi o seu olhar. Desde que te toquei, desde de que te beijei. Muita coisa aconteceu, nós nos separamos, voltamos, nossa filha nasceu e tudo estava feliz. - Uma pausa se fez, e logo retornou uma voz a falar, não era a mesma que antes. Olhei confusa para Jaime, que gravava tudo. - Ficamos juntos por tanto tempo, e depois eu comecei a pisar na bola. Às vezes eu pensava que não conseguiria dar conta de duas mulheres maravilhosas em minha vida, e que vocês duas eram o máximo que eu iria ganhar. Tentava ser descolado, e fazer o que eu quisesse, mas isso me trouxe consequências ruins, como a nossa separação. - Era o Bruno falando. Reconheço a sua voz de qualquer lugar. Balanço minha cabeça, procurando de onde ele pudesse estar falando aquelas coisas, mas não achei. O holofote foca em mim, e um telão é ligado, e a câmera me gravando. Jaime sorria, cúmplice. - Todos os dias que olho pra trás, me arrependo de tantas coisas que fiz. O porquê eu fiz? Nem eu mesmo sei. Era idiota, e nunca deixei me levar pelos meus pensamentos, e sim pelo dos outros. Agora você carrega a outra parte do nosso amor. - O vejo entrar no picadeiro, e todos os assistentes, até mesmo os palhaços, ficaram ao seu lado. - Não poderia ficar sem você nem mais um segundo, sem minhas filhas, sem minha família. Parte de mim se foi quando você saiu por aquela porta. Eu quero que me desculpe, quero que me perdoe por tudo que já fiz. Sei que não é fácil, mas vamos fazer valer o esforço! Liam, por favor. 

Liam pega seu pedaço de algodão doce que guardou, e me entrega. Abro confusa o pedaço de plástico que está enrolado. Ele diz baixinho para procurar algo por ali, e assim faço. Tiro um pedaço do algodão e vejo uma pequena prata brilhante. Franzo a testa, tirando de lá. Um lindo anel, que me enganei, não era prata, e sim ouro branco. Uma pequena pedra em forma de coração tem sobre ele. O segurei fortemente e levantei o olhar direto para o picadeiro. Meus olhos estavam cheio de lágrimas, e em seu colo minha filha estava quietinha. 

-Não fui o melhor, não sou o melhor, mas eu posso dar meu melhor. Você, Nicole, acrescentou muito a minha vida. Deu luz e amor. Somos o oposto um do outro, mas é o melhor de uma relação, quando ela se completa. Quero que continue mudando, continue a mesma, mas trazendo mudanças, sendo portadora das melhores notícias e protagonista dos melhores momentos. - Passei a mão no rosto, tirando as lágrimas que escorriam sem parar. Jaime passou o braço pelo meu ombro e disse para eu prestar atenção na platéia. Cinco pessoas, conhecidas por mim, seguravam as plaquinhas que diziam: Will you marry me ?. Sorri, entre meu choro, balançando a cabeça numa resposta de sim. 

Lisa estava trajada de assistente, apareceu na ponta da fileira, estendendo o braço para que eu o pegasse. Assim fiz, e descemos um lance pequeno de escada. Passamos por um portão pequeno, e entramos no picadeiro. Meus olhos produziam uma quantia absurda de lágrimas. Lágrimas de alegria, de emoção, de tudo. Bruno abre os braços, largando o microfone no chão e correndo para me abraçar. 

Senti seus braços nos meus, um arrepio bom, e uma vibração interna. Seu perfume em minha narina, amadeirado, seus braços quentes, sua pele macia. Eu o amo, mais do que qualquer coisa, mais do que tudo. Eu o amo por ser meu e deixar-me ser dele, o amo por me aceitar. Choro em seus braços.

-Me diz que aceita?! - Pergunta em meu ouvido. 

-Eu aceito. Eu aceito ser somente sua, como sempre fui! - Aperto meus olhos. 

Ouvimos uma salva de palmas, e olhei sobre seus ombros para todas as pessoas que ajudaram com aquilo, para todas que estavam torcendo por nós... 

-Por quanto tempo?

-Sempre será pouco!

______________

Amanhã terá um pequeno epílogo pra vocês saberem o desfecho final. Beijos <3

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Trinta e Nove - Parte 2


Minha cabeça estava explodindo. O sol que entrava na janela não estava ajudando. Thales me deu dois analgésicos e aproveitou para fazer o almoço, já que eu estava mais do que impossibilitada, e ele de férias. 

Minha filha dormia feito um anjo ao meu lado, estava cansada de todo aquele movimento do dia de ontem.

-Filha? - Minha mãe bate na porta e a abre. - Bom dia.

-Bom dia, mãe. - Sorrio pra ela, tentando parecer melhor do que estava.

-Está com dor?

-Me conhece. - Rio baixinho. 

-Tomou remédio? 

-Sim, pode deixar que eu estou me cuidando. 

-Filha, eu estava pensando em levar a Bernadette para passear. No shopping, em algum outro lugar, parque, praça, que seja, mas para ela sair um pouco e dar uma folguinha pra você.

-Pode levar, mamãe. Quer sair hoje?

-De preferência. Seu pai já está se arrumando.

-Ok. - Me apoio para levantar da cama. - Que bagunça que está esse quarto. - Balanço a cabeça. - Vou preparar a bolsinha dela.

-Vou dar banho nela enquanto isso

Minha mãe acordou Bernadette, que sempre resmunga quando acorda  mas esticou os bracinhos para a vó. Minha manhosa. Ela a levou para fora do quarto, provavelmente para dar o mama primeiro e depois o banho. Separei a roupa para o passeio e uma reserva para por na bolsa, já que nunca se sabe o que acontecerá quando se trata de crianças. Coloquei tudo que ela precisará, desde fraldas até pomadas e remédios. 

Sento-me na cama assim que minha filha se arruma para passear com a vó. Depois do banho ela ficou com a corda toda e eu mais quieta, então ela respeitou, fazendo carinho em meu rosto e balançando a cabeça na nova mania que tem. Saiu de casa falando de tudo, agarrada com meu pai. Thales ficou na cozinha e eu fui dar um jeito no quarto. 

-Nick? - Thales bate a porta, e faz como minha mãe fez mais cedo. - O almoço está pronto, mas antes tenho algo pra te mostrar.

-Hm, o que? - Pergunto olhando o tablet em suas mãos. 

-É um vídeo. - Ele clica com rapidez. - Mais ou menos três minutos.

-Sobre?

-Brunick! 

Brunick? Isso é a junção do meu nome com o nome do Bruno? Ele sentou-se ao meu lado, mostrando a tela pra mim, e clicando para o vídeo iniciar. 

Uma foto nossa apareceu, bem antiga, em seguida uma recente, e assim foi indo. Pequenos vídeos em que eu aparecia, em que Bruno aparecia, vídeos caseiros, fotos que nunca pensei que teriam, até fotos minha grávida. Uma música embalava tudo isso, talvez fosse um cover de alguém, eu não sei, mal conhecia a música. Fotos que eu postava antes com frequência, fotos que Bruno postou, fotos que as meninas postaram. Tudo junto num único vídeo. E uma frase de impacto final, depois de três lágrimas caírem do meu rosto: "Quando uma história começa a ter vírgulas demais, é porque está chegando a hora de colocar um ponto final".

Respiro fundo, olhando para a tela, o vídeo pronto para dar o replay ou pular para o próximo. Não conseguia dizer nada. 

-Eu achei tantos vídeos... Sabiam que as pessoas amam vocês? Amam as crianças.

-Algumas pessoas. - Digo, baixinho.

-Nick, os fãs dele apoiam seu relacionamento.

-Mas eles não sabem o que se passou, o que passava com nós. O jeito como tudo acontecia. Eu evitava ficar falando de nossa vida porque eu sei que incomodava os fãs dele, e quando eu postava algo era algo feliz. As pessoas não postam as coisas catastróficas que acontecem no Instagram e Twitter.

-Você não acha que isso pode mudar, ou já ter mudado?

-Sinceramente? Eu não sei.

-Nicole, você está com tantos "não sei" como respostas das perguntas que está se acostumando mal. A Nick que eu conheço nunca iria se relaxar tanto.

-Eu estou cansada, Thales. Minha cabeça está num turbilhão de pensamentos.

-Só me responde uma coisa, ok? - Respondo que sim, e ele prossegue. - O que o Bruno fez de tão grave? Digo, além das brigas, há algum motivo para vocês estarem separados.

-Não... - Penso bem no nosso relacionamento. - Não há. 

-Então, pensa nas suas filhas, Nicole! Pare de ser egoísta e pessimista. Bruno te ama, de verdade, e ele quer essa família mais que tudo, porque não dar uma segunda chance? Ele se afastou de Paige, mostrou que se preocupa com você e com as crianças. Dê uma chance novamente. Brigas todo mundo tem, todos os casais. Vocês não são piores, nem melhores que ninguém. Então, se você quer ama-lo e ter paz, aprenda a se doar, aprenda a lidar com todos os obstáculos e ser feliz.


+++ 

A viagem foi uma fuzarca. Ninguém parava quieto. Convencer meus pais a viajarem não foi tão difícil, mas mais fácil ainda foi dizer para Thales e Lisa que passaríamos o ano novo em Nova York. As meninas todas foram. Crianças, adultos... Dá pra imaginar como estava aquele avião? Não é atoa que quando chegamos no frio de Nova York, fomos direto para o hotel dormir.
Quando acordamos, pelas dez da manhã, descemos para o café e encontramos todos no bar do hotel. Estavam sentados próximos uns dos outros. Minha mãe, meu pai, Thales e Lisa preencheram uma única mesa, enquanto eu fiquei olhando para eles. Thales, sugestivamente, apontou com os olhos para a mesa do Bruno. Minha mãe pediu a Bernie, e eu andei até a mesa dele, onde Pres levantou, sorrindo e me dando bom dia. 

-Ela não vai tomar café conosco? - Pergunto ao Bruno, enquanto me sento. - Bom dia.

-Bom dia. - Recebo um lindo sorriso. - Ela já tomou. Agora vai arrumar algumas coisas com a Tiara. - Deu de ombros. 

-Ah. - No fundo eu poderia arriscar que ela saiu dali para que eu e Bruno sentássemos sozinhos. 

-E como está se sentindo? 

-Bem?! Bem. - Sorrio, afirmando. - E você?

-Ótimo. - Jurei ter visto um dos seus sorrisos mais sinceros. Sorri por seu sorriso e sei que ele percebeu, pois fechou os olhos, baixando a cabeça. Dois adolescentes bobos. - Vai pedir seu café?

Pedi meu café, nada de mais. Enquanto esperávamos ele vir, Bruno e eu conversamos um pouco. Quando chegou, Bruno levantou e foi dar bom dia para a nossa filha, a pegou e trouxe para a mesa conosco. O sorriso da minha mãe para nós era visivelmente grande. 

-Ela está feliz por estar aqui. - Comento sobre a minha mãe.

-Sua mãe é uma ótima pessoa.

-Vó. - Bernadette brinca com a camisa do pai, e eu sorrio para minha pequena. 

-Estou pensando em algo. Quer sair um pouco hoje? Para darmos uma volta. Que tal? 

Penso em exitar. Sair com ele, em Nova York. Remetendo a milhares de lembranças. Mas o que de mal teria nisso? Tenho que lembrar das minhas longas conversas com Thales, e do quanto eu chorei por saudades dele e o quanto eu gosto dele. Seria bobagem não aceitar o convite de ir a um passeio com ele. 

-Claro. - Sorrio, olhando por poucos segundos em seus olhos e passando a encarar minha filha. 

-Ok... Saímos umas seis horas?

-Ótimo. Levamos a Bernadette?

-Você que sabe... - Ele não pareceu a vontade com a ideia.

-Acho melhor deixa-la. A rua está congelada, e a noite piora, não quero que ela pegue nenhuma doença. - Contorno a situação, sorrindo para ele, que mexe no cabelinho da nossa princesa.

-Pai. - Reclama, unindo as sobrancelhas.

-Não grita com o papai. Só fiz um carinho. - Bruno fez um beicinho lindo, uma manha de chantagem. 

-Carinho. - Bernadette passa a mão na lateral do rosto dele e ele fecha os olhos. Ela balança a cabeça positivamente na sua nova mania. 

-Ela é tão inteligente. - Os olhos de Bruno brilham como estrelas quando se refere a nossa filha.

-Meu bebê. - Estico a mão sobre a mesa para encostar em minha filha. - Meus bebês. - Corrigi.

-E o nome dela?

-Ainda não escolhi.

-Não desistiu da ideia de escolher sozinha? - Sua risada me cativa.

-Sim. - Respondo. - Quero pensar bem no seu nome e no seu significado.

-Sei que não irá me decepcionar. Quando escolheu o da Bernie, me deixou o homem mais feliz do mundo. Não só pelo nome, mas porque você estava me dando minha primeira filha... 

-É... - Lembrei da praia, quando disse o nome para ele. As lembranças viajaram até o dia que eu descobri a gravidez, e como eu contei para ele. Boas lembranças daquele tempo. Nós dois brincávamos como crianças, éramos só nós dois adultos com espíritos de jovens. - Acho que acertei na surpresa. - Rio.

-Acertou? Você fez a melhor surpresa. 

Bruno Pov's


Jurei que ela não aceitaria dar um passeio comigo. Mas, mesmo se ela negasse ir comigo, depois da linda e longa conversa nostálgica que tivemos, ela iria acabar aceitando. Porque passamos uma boa manhã juntos. Eu não tenho dúvidas quanto ela ser minha alma gêmea.
Bati na porta dela, já passava das seis, o horário combinado, então ela já deveria estar pronta e me esperando. Ouvi a risada da minha filha, um fundo musical, e o barulho da porta se fez. 
Nick abriu a porta, e automaticamente eu sorri. Ela estava tão maravilhosamente natural. Enrolada na sua cabeça tinha uma toalha branca, e seus pés descalços. Poderia jurar que acabou de escovar os dentes pelo hálito de menta que saiu da sua boca quando disse:

-Mais cinco minutos? - Uma carinha fofa, implorando, se fez. Era impossível reclamar. 

-Claro. Posso entrar?

Ela assentiu, abriu mais a porta e deixando um espaço pra eu passar.


-Amor do papai. - A vejo, Bernie, olhando para a televisão, mas quando ouviu minha voz, deu um gritinho animado, desviando atenção da televisão. - Está linda, Nicole.

-Eu nem pronta estou. - Ela riu, passando apressada de um lado para o outro. Pego minha filha e sento na cama, com ela em meu colo. 

-Eu sei. - Dou um sorriso. - Continua linda.

Não demorei quase nada esperando-a. Perguntei onde estava Thales e Lisa, mas não haviam chego ainda, então largamos a Bernadette com os pais dela, que soltaram um ar cúmplice e sugestivo à nós, e pegamos o elevador. Seguimos para o lobby do hotel. 

Arrumei meu chapéu, me olhando no espelho do elevador, e aproveitei para observar a Nick. Agasalhada, até demais, entre casaco e um cachecol. Casaco esse que deixava a sua barriga mais redondinha. O elevador parou, e enquanto a porta abria, estendi minha mão esperando que ela juntasse os dedos nos meus - no fundo acreditava que ela poderia mesmo fazer isso. E ela fez. Senti seus dedos finos e gelados nos meus foi um calmante. Foi um aviso, foi reconfortante. Saímos dali, e partimos para nosso passeio. 

Estávamos no coração da Times Square, esse lugar maravilhoso. Pessoas apressadas, luzes e telões, barraquinhas de comida, e muitos turistas e restaurantes caros. Tudo junto, montando a mistura perfeita e agradável. 

- Aqui é maravilhoso. - Ouvi sua voz, e assenti.

- Um dos meus lugares favoritos no mundo. - Dou alguns passos para dar espaço as pessoas, a um fluxo bem grande delas por ali. -E então? O que vamos fazer? 

- Você não escolheu o que iríamos fazer? 

- Sim, escolhi. - Ri, dando de ombros. - Mas, é só pra deixar claro que você pode mudar, escolher o que te agradar mais. 

Vejo seu sorriso estampado em sua boca e em seus olhos, curiosos esses que observavam todos os detalhes luminosos do local. 

- Aonde você pretendia ir? 

- Ou você escolhe, ou me deixa escolher nas cegas. 

- Não há um meio termo, não?

- Não. - Começo a rir, vendo a sua confusão. - E aí? 

- Escolha, Bruno.

Já sabia onde iríamos ir, então ataquei um táxi, e o pegamos. Assim que chegamos, desci e ajudei a descer. Pensei que não iria pegar em minha mão quando ofereci novamente, mas mais uma vez seus dedos finos se juntaram aos meus. A outra mão pus em minha jaqueta para proteger do frio. Me sinto num eterno congelador. Não sou nada acostumado com esses invernos. Sou um havaiano, e agora moro na Califórnia. Meus invernos foram sempre sem neve, e eu amava. 

- Primeira parada: FAO Schwarz. - Sorrio, com minha brilhante ideia. 

- Sem chances. - Ela ri, balançando a cabeça. - Alguém andou assistindo "Esqueceram de mim"! 

Gargalho alto, andando em frente, segurando sua mão firmemente. Queria que muitas pessoas vissem esse momento. Entramos então na maior, melhor, e mais famosa loja de brinquedos do mundo. 

- Vamos, vai ser divertido. - Ainda tinha um sorriso largo quando passei pela porta, e o cheiro de chocolate e doces invadiu meu nariz. 

- Meu Deus, eu preciso de marshmallow. - Nick diz, repentinamente seria, como se o pedido pudesse custar sua vida. 

- Nunca vi desejo mais fácil. - A arrastei pelo meios dos quiosques e das prateleiras de doces, até os marshmallows. - Qual cor você quer, filha? - Pergunto, colocando a mão na barriga de dela. 

- O rosinha. 

- Ela te disse, Nick? - Intico com ela, pegando um saquinho para coloca-los dentro.

- Disse! - Ela ri.

Pagamos pelos doces e subimos para o andar de cima, onde era a parte mais legal: os brinquedos. Todos os adultos que entram aqui, voltam a ser crianças, porque é simplesmente maravilhoso. Nicole começou a rir de mim, por estar com os olhos brilhantes. 

- Estou esperando o momento que você vai correr e voltar cheio de brinquedos. 

- Estou a meio segundo disso. - Faço uma careta engraçada, que a fez gargalhar. - Hmmmm, por onde começamos? - Passo o olho em todos os corredores, divididos por marcas. - Fisher Price? Barbie? Lego? - Penso alto, e continuo pronunciando, até lembrar dá grande atração do lugar. - Você precisa ir no piano gigante comigo, Nick! Vem! 

Parecia uma criança quando pisei na primeira tecla, fazendo o barulho alto na loja e algumas pessoas nos olharem.

- Eu preciso fazer um desse em casa!

- Veio aqui pra brincar ou pra comprar coisas pra suas filhas? 

- Os dois? - Provoco, pulando em outra tecla. - Vem tocar comigo! 

- Oh, não. - Nick negou, balançando a cabeça e mantendo um risinho nos lábios.

A puxei, fazendo-a pisa em algumas teclas. Ria de vergonha, até se estabilizar. Empurrei-a pelo piano, fazendo os barulhos desagradáveis, que misturava com nossas risadas. Me lembrei das vezes que corríamos pela casa, um atrás do outro, como crianças, vivendo e brincando. 

- Você me paga! - Ela reclamou, logo que descemos do brinquedo gigante, enquanto seguíamos para a parte de brinquedos da Barbie. 

- Mal posso esperar. - Rio, olhando rapidamente para ela. 

+++ 

(Música)

Desci rapidamente as escadas, com as muitas sacolas da loja de brinquedos, enquanto Nick me esperava dentro do táxi. Pedi que o carregador levasse as compras para o quarto, pois se subíssemos, sabia que Be provavelmente fizesse algum show para vir junto, do jeito que ela é apegada à mim e a Nick. Amo minha filha, mas nosso momento agora, hoje, foi mágico, e eu sentia como se todos os meses separados que tivemos, nunca tivessem acontecido . Como se fossemos novamente um casal, e eu queria aproveitar ao máximo isso, pois mesmo sabendo o que irei fazer, ainda não tenho certeza de que ela irá voltar pra mim. Tinha um lugar especial para eu e ela essa noite. E daqui uns dois dias, mais uma surpresa. 

Pedi para o taxista que dirigisse até um bom restaurante, mas que não fosse tão requintado. Apenas uma boa comida e um lugar de clima agradável.

Sentamos em nossa mesa, o restaurante não muito cheio. Não poderia estar num lugar melhor, com outra pessoa. 

- O que nos vamos comer? 

- Pensei que seria a noite que eu só seguia? - Nick me provoca, sorrindo. - Não estou com muita fome, depois daqueles doces todos. 

- Eu estou. - Falo, e rio, ela também. 

- Uma salada, talvez? 

- Uma carne bem suculenta? 

Ela faz uma careta. 

- A salada. 

- Então a salada. - Imitou a sua careta. - E a carne pra mim, obrigado. 

A cara de nojo dela me fez mudar de ideia. 

- Duas saladas, então. Argh. 

Ela ri.

- Não precisa se incomodar. Coma sua carne. 

- Não faço questão. - Dou de ombros, sorrindo. - Eu como, e você vomita em mim. Ou eu fico com uma salada, fico magro e limpo, e com uma grávida bem humorada? Fico com a salada. 

- Dramático. 

Riu, estendendo a mão sobre a mesa e pegando a sua. Ela dá um sorriso olhando para nós dois, de mãos dadas sobre a mesa. Velhos tempos. 

- São os fatos, amor.

Sorrio para ela, e ela me sorri. Nick não me perguntou sobre o "amor" no fim da frase, e era bom. Não expliquei, e nem precisei. 

Depois que jantamos maravilhosamente bem, saímos do restaurante em direção ao último lugar.

-Última parada! - Faço um barulho de tambor com a boca, e bato levemente os dedos no vidro do carro. - Ponte do Brooklyn. 

Olhei para ela, pensando que iria ficar com raiva, mas não parecia. Esse lugar é importante pra mim, assim como deve/deveria ser pra ela. Remete as lembranças nostálgicas de quando a pedi em namoro.

-Gosta de lá? - Pergunto à ela. 

-É um lugar lindo. - Responde somente isso. 

Nick não parecia estar com raiva, mas a partir de que ela respondeu somente isso quando falávamos da ponte do Brooklyn, percebi que sim, ela poderia estar com muita raiva. Tive o ímpeto de pedir para o motorista do táxi nos levar para o hotel, mas eu não sinto como se a noite tivesse acabado. Precisava de mais tempo. 

Descemos no começo da ponte. A guiei pela larga calçada, e cheia de turistas - mesmo à noite -, até o meio da ponte. Já havíamos estado ali à alguns anos atrás, quando éramos apenas nós dois. Sem a Bernadette, e sem nosso pequeno tesouro ainda sem nome que já estava a caminho. Fiquei com medo, novamente, quando pedi sua mão, mas ela me deu sem pensar muito. Estávamos em silêncio, enquanto outros casais falavam pelos cotovelos e tiravam fotos de si mesmos naquele lindo monumento. A deixei ali por alguns minutos, e fui atrás de duas águas. Antes de chegar novamente ao seu lado, apenas observei a paisagem, era linda. E minha mulher a acrescentava mais beleza. Os dois são estonteantes, e novamente posso dizer que a mais bela grávida é a minha Nicole. Ainda não consigo entender o que foi que eu fiz, porque eu fiz... Troquei minha linda namorada, minhas filhas, e uma vida maravilhosa, por algumas noites com os amigos e algumas bebidas. Essa é apenas uma, das poucas coisas que me arrependo até o último fio de cabelo. Sabia que no fundo Nicole ainda me amava, não era narcisismo da minha parte, era a realidade, assim como eu a amo independentemente das coisas que aconteceu. Somos perfeitos um para o outro sim, nos amamos e nos queremos. Eu admito que vacilei, que depois de um tempo comecei a não levar a sério  e ela também estava irritada no serviço, acabei extrapolando, e errei feio. Mas, estamos perto de concertar-mos todos esses erros, de uma vez por todas.

- Hey, Nick. - Chamo sua atenção. -  Trouxe água. 

Ela sorri, pegando a garrafinha da minha mão. Passou a mão desocupada pelo ferro frio da ponte, olhou para os carros que passavam  e então para a água azul. Logo baixou o olhar para os seus pés. Seu pensamento parecia estar bem distante.

- Você se lembra? - Pergunto. 

- Claro que sim. - Ela sorri, sabendo do que eu me referia. - Como eu poderia esquecer? 

- Sei lá... Só fiquei com medo, de... Você sabe, você ter deletado qualquer coisa boa sobre mim. Ter deixado só as lembranças ruins e essas coisas. 

- Eu nunca faria isso. - Ela tocou um cadeado, dentre os vários que se estendiam pela ponte, e se inclinou, lendo o que havia escrito. - "Melanie coração Andrew. Vinte de outubro de dois mil e onze." Você acha que eles ainda estão juntos? 

- Quem? - Pergunto, confuso, me encostando ao seu lado. 

- Andrew e Melanie. Eles colocaram o cadeado aqui, supostamente deveria durar pra sempre.
Começo a rir e, levemente, balançando a cabeça. 

- Talvez estejam, não sei, mas tenha certeza que um cadeado não vai selar um amor. 

- É um símbolo. 

- Não é como se todos esses cadeados ainda estivessem juntos. - Gesticulo para a quantidade de cadeados na ponte.

- Gosto de fantasiar sobre amor eterno. Você sabe! - Ela pega outro cadeado. - "Julie e Thomas. Dezenove de dezembro de dois e quatro." Nossa esse é velho! 

- Ou casaram, ou estão separados. - Começo a rir, balançando a cabeça, e tomando um gole da água. - Deveria ter colocado um cadeado no dia que te pedi pra ser minha. Ainda há tempo? - Não sabia se havia dito aquilo rápido demais ou cedo demais. Nick olhou em meu rosto, e eu me permiti a tocar o seu, alisando as suas bochechas. - Não me deixe em silêncio, Nick. - Repito o que falei, e me recordo muito bem, há três anos antes, quando a pedi em namoro.
Ela sorriu, e então, para a minha surpresa, repetiu a mesma coisa que perguntara aquela noite. 

- Você mudou? 

- Sou uma pessoa melhor. Por causa de você. - Sussurro. - E somente pra você. 

Não queria parecer apressado e nem apressar as coisas, não depois de chegar tão perto dela e sentir o seu calor mais próximo depois de tanto tempo. Meu Deus, não posso fazer nada, tenho que me conter. 

Ela ficou me olhando, não tomou distancia, e então meus planos de me conter foram por água abaixo. Fechei os olhos e deixei que meus lábios tocassem em sua testa, em suas bochechas, tudo bem lentamente, o seu queixo e então levemente um selinho em seus lábios. Abri meus olhos e respirei fundo. 

-Eu te amo. - Digo, respirando fundo novamente, e vendo que ela fez o mesmo. Vi no seu rosto que qualquer coisa poderia sair de sua boca, então, antes que ela dissesse algo, eu disse. - Me dê dois minutos. Não saia daqui, ok?

-Ok. - Ficou confusa me olhando. 

Sumi no meio das pessoas que estavam por ali. Quando olhei para trás, Nick estava encostada na barra de proteção. Eu sei que ela não disse que me amava e que eu tive medo do que fosse ouvir, mas eu sinto que ela me ama, mesmo depois de tudo. Meu coração diz que sim. Voltei, rapidamente, bem ofegante e parei ao seu lado. 

- Você correu? - Ela me pergunta, assustada. 

- Eu prometi dois minutos, então. - Rio, e levemente, e estendi a mão para ela. 

Havia um cadeado, dourado, simples. Enfiei a mão no bolso e tirei um marcador Sharpie. 

- Onde você arrumou? Não há lojas por aqui. 

- Não é muito romântico mas... Eu comprei de dois turistas, eles iam colocar com o nome deles. Alguns dólares, uma foto e um autógrafo. - Dou um sorriso e ela ri. Ficou olhando para minha mão, o cadeado nela. 

- Bruno...

- Símbolo de ser eterno, Nick. - Pego o marcador e abro a tampa. 

- Eu... 

- Há amor entre nós, Nicole. E sempre vai haver. Mesmo que... - Engoli em seco, me encostando e usando a grade como apoio para escrever o meu nome. - Estejamos separados. Vamos só...? 

Estendo o cadeado pra ela, e Nicole me olhou por alguns instantes, até se segurar e se apoiar ao meu lado. 

- Eterno. - Murmurou, escrevendo seu nome e então a data.

Fechei os olhos, segurando a sua pequena mão, enquanto ela prendia o cadeado ao lado dos outros. Escutamos o 'click' da tranca, e então aperto seus dedos, sentindo ela apertar também. Era eterno. Ela sabia disso, e eu também. Eu sabia desde o instante que a vi. Não seria em vão toda a nossa história.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Trinta e Oito - Parte 2

Pela manhã estava me sentindo indisposta, já Bê acordou com a corda toda. E pelo visto minha pequena também. Enquanto estava indo para o banho, ela se contorceu um pouquinho dentro de mim, e eu como uma boa e boba emotiva, chorei um pouco.

Via o que vestir e Bê ficava concentrada meu notebook olhando para o filme que eu coloquei - há um mês atrás ela olha consecutivamente Frozen -, e estava agarrada fortemente com o seu novo ursinho do Olaf, o boneco de neve. Vou confessar que vi o filme por várias vezes, e também me apaixonei.

-Olaf, filha. - Digo pra ela que me olha dando o urso.

-Elsa. - Ela aponta pra tela.

-A princesa, né amor. - Passo a mão pelos seus cabelos e ela sorri.

Duas batidinhas na porta.

-Já acordo com Let it go, isso é vida. - Mal pergunta se poderia entrar, e Thales já vai entrando e indo em direção da minha filha. - Vou dar banho nela pra você se arrumar.

-Boa sorte, quero ver tira-lá da frente do notebook agora.

-Deixa comigo.

Thales conseguiu leva-lá pro banho, e eu aproveitei pra procurar uma roupa pra vestir. Hoje o dia não está tão quente, o clima já está bem friozinho. Olhei para minhas roupas que mal serviam, e acabei optando por uma calça de elastano preta, uma blusinha branca que ainda cobria minha barriga, e uma jaqueta jeans que não fecha mais na barriga. Calcei um par de botas de cano curto e passei a escova em meus cabelos, colocando um pequeno acessório azul ao lado.

Minha boneca voltou para o quarto de banho tomado, então a vesti. Coloquei sua meia calça branca e quentinha, suas sapatilhas azuis e um vestidinho azul com branco. Depois que acabei me tocando que eu estava bem parecida com ela, acabei rindo disso e apertando mais a minha princesa que a cada dia cresce mais.



-Finalmente minha preferida está pronta. - Lisa caminha fazendo caretas pra ela rir, e ela estica os bracinhos pra ela.

-Tia, tia, tia. - Ela a chama.

-Vem comigo princesa. Como está linda! - Ela aperta levemente as bochechas dela, que passa as mãozinhas no local. - Vou na frente com o Thales, vamos de metrô e seus pais e você vão no seu carro.

-Ok. - Não teria espaço para todos nós no carro. Até daria, mas tem a cadeirinha da Bê, e ela não estando na cadeira, eu não vou. Morro de medo que algo aconteça.

Antes de sair troquei sua roupinha, já que minha esfomeada acabou derrubando papa nela. Coloquei seu par branco de all star, uma calça jeans e uma blusinha, com uma jaquetinha por cima. Ajeitei seu cabelinho, com uma trancinha, e por milagre, ela deixou.

Ao chegar na casa do Bruno foi mais estranho do que pensei que seria. Estava tudo bem arrumado e muita falação por todos os locais, estava cheia. Ele convidou além de família, e amigos, vi muitas pessoas "novas" por ali. Fui cumprimentando todas as pessoas que conhecia, e parando para deixar elas mexerem em minha barriga e brincar um pouquinho com a Bernie, que se acanhava, se escondendo entre minhas pernas, segurando a minha mão.

-Que perfeição! - Diz Jaime quando vê Bernie segurando minha mão, andando. - Quando que você cresceu tão rápido assim, princesa. - Ela se abaixa e chama Bê, que me olha primeiro e eu solto sua mão. Ela corre tortamente em direção da sua tia, que a abraça fortemente e caminha em minha direção.

-Oi Jaime. Esses são meus pais, lembra deles, não?

-Lembro sim, mas prazer em revê-los. - Jai os cumprimenta e vamos andando em direção da sala de estar. - Você está tão linda, a gravidez está lhe fazendo bem.

-Bem? - Começo a rir. - Não ando tendo tempo pra mim. Mas ainda sim, é uma maravilha.

-Já decidiu o nome da minha nova sobrinha?

-Ainda estou analisando os nomes.

-E a relação, como está? - Vejo que olha para o fundo da sala rapidamente, prontamente olho para o local e vejo ele conversando com duas pessoas. - Tem se falado?

-Bastante. Estamos nos dando muito bem como amigos. Ele é atencioso com as filhas e um ótimo amigo pra mim.

-Vocês não sabem o que estão fazendo. Uma hora a ficha caí e verão que o destino quer que fiquem juntos.

-Jaime, eu não sei, mas acho que o melhor para nós está sendo isso.

-Aham. Agora fale a verdade. 

Começo a rir, e ponho a mão sobre a minha barriga.

-Eu amo ele e penso em nós todos os dias, Jai. - Dou um sorriso bobo, olhando para o fundo da sala. - Mas sabe que Bruno está bem assim. Nós estamos bem assim.

-Corte essa.

Conversamos um pouco mais, Bruno me deu oi e pegou a Bernie para mostrar a todas as pessoas que estavam ali. Meus pais se arranjaram com o Pete e mais duas pessoas. As meninas estavam a mil, falando sobre muitos assuntos, inclusive sobre os bebês que irão nascer. Sobre os maridos e sobre as relações complicadas. Thales e Lisa se juntaram à nós e Julia nos encontrou logo depois. 

-Você é desnaturada, isso sim.

-Não sou, mas fica difícil pensar em fazer algo com um peso nos braços e outro na barriga. 

-Taylor perguntou muito de você esses dias, estava impossível. - Ela olhou para onde meu afilhado estava. - Kam teve que mostrar fotos sua, senão ele não iria dormir.

-Porque não me ligou?

-Porque...não sei. Boa pergunta. - Ela ri  descontraída. 

-Com licença. Nick? - Bruno encosta no meu ombro, olho para trás e ele me chama. Peço licença e saio da rodinha de conversa. - Ela está premiada. - Ele a passa para o meu colo. 

-Fala sério! - Bufo. Ele sabe trocar fraldas, por que não fez isso?

-Olhe por si mesma. - Ele ri. Acho que não entendeu o que falei. 

Pedi que ele me entregasse a bolsa dela no seu quartinho. Entrei ali dentro e senti uma onda de lembranças invadirem o meu peito. Dói relembrar certas coisas. A pus sobre o trocador de fraldas e tirei o ursininho de suas mãos. Ela resmungou, mas quando comecei a tirar a sua roupa, ela entendeu o que eu iria fazer e ficou quietinha. 

Bruno larga a bolsa dela e pega as coisas sem que eu peça. A troquei rápido, pela pratica de fazer isso sempre. 

-Aproveitando que estamos aqui, tem uns presentes ao lado do berço. O da Bernadette, o da bebê e o seu. 

-Não precisava comprar nada pra mim. - Ponho meu cabelo para trás da orelha. - Obrigada. 

Pego minha filha no colo e sento na poltrona, a coloco sobre o meu colo, Bê se remexeu e acabou optando por ficar em pé na minha frente. Pego um dos presentes na mão e ela balança a cabeça com a mania nova. Vou desembrulhando um por um enquanto ela me ajuda, colocando os sacos dos presentes para o lado e batendo palminhas. Tinha roupas, sapatos  brinquedos, e bonecas para Bernadette e a bebê. Minha filha ficou encantada com a boneca da princesa Anna, de Frozen que ganhou e Bruno a abraçou, conversando com ela. Havia mais uns acessórios para as meninas. Muitos presentes. E pra mim, finalmente, vi uma linda jardineira jeans, um colar com duas bonequinhas meninas, e um par de brincos.



-Obrigada. - Sorrio para ele, e encaro ele segurando a nossa filha nos braços. - Por tudo. 

-Encomendei uma cama e um berço para por aqui, e mandar esses para o apartamento. 

-Vou ter que arranjar espaço. - Rio. Levanto da poltrona, pegando as coisas e colocando dentro do berço para depois pega-las, junto com a bolsa da Bê. - Obrigada mais uma vez.

-De nada. 

Bernadette estava acomodada no seu colo, com a nova boneca em mãos. Todos dizem que ela é a minha cara, mas eu vejo tanto do Bruno nela. Tantos detalhes e coisinhas minimas... Mas no gênio ela é completamente ele, a teimosia, tudo. Só peço a Deus que ilumine minhas duas jóias raras. Que o caminho delas seja mais fácil, que elas sonhem e consigam tudo o que querem. Que elas vivam e que o fato de eu e Bruno estarmos separados não afete em nada.

-Onde irá passar a virada do ano?

-Estamos decidindo.

-Estamos? - Pergunta ele. 

-É... eu, Thales e Lisa. 

-Querem ir pra Nova Iorque conosco? Tenho um show lá, e ficaria contente se fosse conosco. Queria estar perto da minha família.

-Vou ver com eles. 

-Tudo pago... Inclusive a hospedagem.

-Com certeza eles vão querer ir.

-Seus pais vão estar aqui ainda?

-Creio que sim. 

-Leve eles! - Ordena o Bruno. 

-Vou levar. - Sorrio me aproximando para pegar minha filha dos seus braços. 

Estávamos perto um do outro. Eu encarava a sua boca como se ela me convidasse para um beijo. Se não fosse por Bernadette ter gritado com a boneca, chamando ela de Anna, eu o beijaria.

A casa passou a esvaziar à noite, após muitos comes e bebes, as crianças, exaustas, foram dormir, as pessoas que precisavam ir, foram, e sobrou a família de Bruno, eu e a minha, e meus amigos. Sentamos nos fundos, distantes da piscina, onde conversávamos paralelamente uns com os outros.

-Natal é uma época tão boa. - Comento olhando para todos conversando, rindo e felizes.

-Apesar do frio, que eu odeio, eu adoro as férias de natal. - Tiara diz.

-No Havaí é bem diferente. - Rio lembrando de todos os momentos de lá, todos os natais. 

-Gosto mais da virada do ano do que do natal. - Thales dá de ombros.

-Gosto mais da páscoa. - Jaime ri, espiando o carrinho a frente. - Ela está dormindo com todo esse barulho?

-Pus o protetor nas orelhas. - Me estico para ver minha filha dormindo tranquilamente. 

-Ela está a sua cara, Nick. - Tiara brinca com os anéis na mão de Lisa.

-Todos dizem isso. Na aparência sim, mas na personalidade ela não puxou nada à mim, ela é completamente Bruno! 

-Bruno tem uma boa personalidade. - Pres dá de ombros.

-Você conhece seu irmão? - Começo a rir. - Eu sei que ele tem, mas tem coisas que irritam. - Olho para ele, conversando com Eric.

-O quê irrita? - Pergunta Jaime.

-Não sei... - Balanço a cabeça. - Acho que o fato de nunca termos durado tanto como eu imaginei. 

-Mas isso não é da personalidade dele, isso é da índole.

-Bruno dá algumas escorregadas, mas ele ama a família, principalmente as filhas.

-Eu sei que ele as ama. - Suspiro.

-E ele também ama você. - Pres passa a mão na minha cabeça.

-Não tenho tanta certeza. - Torço os lábios.

-Não sei o que pensa, mas ele ama você e elas incondicionalmente. Bruno nunca se prenderia a você se não gostasse, nem pelos filhos. Ele teria contato apenas com elas e te deixaria de lado.

-Não sei... 

Bruno Pov's

Conversei por horas. Na verdade isso foi o que mais fiz durante o dia todo: conversar. Algumas musicas, piano e voz, mas nada demais. Estava contente por todos estarem ali, minha família, meus amigos, todos que precisava. Tive um momento sozinho, breve momento, para pensar em minha mãe e orar para ela, agradecendo à Deus por tudo que tenho e pedindo proteção. 

Sentamos na área coberta, conversando por grupinhos e volta e meia falando algo com todos. Eric falava sobre algumas coisas aleatórias, e eu observava Nick de canto. Ela estava tão linda... Ela é linda. Mas especialmente hoje ela parece estar com a beleza bem mais aflorada. Sua pele brilhante, seus olhos expressivos, seu sorriso encantador. 

A vejo me olhar, suspirando, enquanto Jaime parecia falar algo pra ela e ela prestar atenção enquanto me olhava. Acho que não percebeu que eu estava vendo aquilo, pois continuou a me olhar. 

A certo momento, Jaime passa por mim, fazendo um sinal discreto para entrar em casa. Paramos encostado na bancada da cozinha. 

-Bruno, eu estava falando com a Nick...

-E? 

-Calma, deixe eu falar. - Rio da minha pressa. - Ela estava dizendo sobre a personalidade da Bernadette, e o assunto acabou parando em você...

-O que falou de mim?

-Bruno, eu gostaria que convidasse ela para passar a virada do ano conosco.

-Eu já convidei, ela vai ver isso mais tarde. Mas por que?

-Porque ela gosta de você, ela ama você, só que ela não se sente segura em voltar sendo que nunca saberá como será a convivência.

-E o que a virada do ano mudaria? - Balanço de leve a cabeça.

-Tudo! Lá você mostra que quer ela e que não desistirá.

Não sabia onde enfiar o rosto e nem a reação que teria. Queria gritar e pular de felicidade, mas ao mesmo tempo me conter porque tenho medo que ela acabe não dando bola para isso e continue separada de mim. Dei um beijo na testa da minha irmã, agradecendo por tudo que ela já fez por mim, e ela me ajudaria muito mais. Thales me ajudará com muitas coisas e minha irmã também. Nova Iorque me espere. Foi berço de quando começamos a namorar, agora será berço do meu noivado, com direito à minha filha assistir, e que sá parte da cidade também.