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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Trinta e Nove - Parte 2


Minha cabeça estava explodindo. O sol que entrava na janela não estava ajudando. Thales me deu dois analgésicos e aproveitou para fazer o almoço, já que eu estava mais do que impossibilitada, e ele de férias. 

Minha filha dormia feito um anjo ao meu lado, estava cansada de todo aquele movimento do dia de ontem.

-Filha? - Minha mãe bate na porta e a abre. - Bom dia.

-Bom dia, mãe. - Sorrio pra ela, tentando parecer melhor do que estava.

-Está com dor?

-Me conhece. - Rio baixinho. 

-Tomou remédio? 

-Sim, pode deixar que eu estou me cuidando. 

-Filha, eu estava pensando em levar a Bernadette para passear. No shopping, em algum outro lugar, parque, praça, que seja, mas para ela sair um pouco e dar uma folguinha pra você.

-Pode levar, mamãe. Quer sair hoje?

-De preferência. Seu pai já está se arrumando.

-Ok. - Me apoio para levantar da cama. - Que bagunça que está esse quarto. - Balanço a cabeça. - Vou preparar a bolsinha dela.

-Vou dar banho nela enquanto isso

Minha mãe acordou Bernadette, que sempre resmunga quando acorda  mas esticou os bracinhos para a vó. Minha manhosa. Ela a levou para fora do quarto, provavelmente para dar o mama primeiro e depois o banho. Separei a roupa para o passeio e uma reserva para por na bolsa, já que nunca se sabe o que acontecerá quando se trata de crianças. Coloquei tudo que ela precisará, desde fraldas até pomadas e remédios. 

Sento-me na cama assim que minha filha se arruma para passear com a vó. Depois do banho ela ficou com a corda toda e eu mais quieta, então ela respeitou, fazendo carinho em meu rosto e balançando a cabeça na nova mania que tem. Saiu de casa falando de tudo, agarrada com meu pai. Thales ficou na cozinha e eu fui dar um jeito no quarto. 

-Nick? - Thales bate a porta, e faz como minha mãe fez mais cedo. - O almoço está pronto, mas antes tenho algo pra te mostrar.

-Hm, o que? - Pergunto olhando o tablet em suas mãos. 

-É um vídeo. - Ele clica com rapidez. - Mais ou menos três minutos.

-Sobre?

-Brunick! 

Brunick? Isso é a junção do meu nome com o nome do Bruno? Ele sentou-se ao meu lado, mostrando a tela pra mim, e clicando para o vídeo iniciar. 

Uma foto nossa apareceu, bem antiga, em seguida uma recente, e assim foi indo. Pequenos vídeos em que eu aparecia, em que Bruno aparecia, vídeos caseiros, fotos que nunca pensei que teriam, até fotos minha grávida. Uma música embalava tudo isso, talvez fosse um cover de alguém, eu não sei, mal conhecia a música. Fotos que eu postava antes com frequência, fotos que Bruno postou, fotos que as meninas postaram. Tudo junto num único vídeo. E uma frase de impacto final, depois de três lágrimas caírem do meu rosto: "Quando uma história começa a ter vírgulas demais, é porque está chegando a hora de colocar um ponto final".

Respiro fundo, olhando para a tela, o vídeo pronto para dar o replay ou pular para o próximo. Não conseguia dizer nada. 

-Eu achei tantos vídeos... Sabiam que as pessoas amam vocês? Amam as crianças.

-Algumas pessoas. - Digo, baixinho.

-Nick, os fãs dele apoiam seu relacionamento.

-Mas eles não sabem o que se passou, o que passava com nós. O jeito como tudo acontecia. Eu evitava ficar falando de nossa vida porque eu sei que incomodava os fãs dele, e quando eu postava algo era algo feliz. As pessoas não postam as coisas catastróficas que acontecem no Instagram e Twitter.

-Você não acha que isso pode mudar, ou já ter mudado?

-Sinceramente? Eu não sei.

-Nicole, você está com tantos "não sei" como respostas das perguntas que está se acostumando mal. A Nick que eu conheço nunca iria se relaxar tanto.

-Eu estou cansada, Thales. Minha cabeça está num turbilhão de pensamentos.

-Só me responde uma coisa, ok? - Respondo que sim, e ele prossegue. - O que o Bruno fez de tão grave? Digo, além das brigas, há algum motivo para vocês estarem separados.

-Não... - Penso bem no nosso relacionamento. - Não há. 

-Então, pensa nas suas filhas, Nicole! Pare de ser egoísta e pessimista. Bruno te ama, de verdade, e ele quer essa família mais que tudo, porque não dar uma segunda chance? Ele se afastou de Paige, mostrou que se preocupa com você e com as crianças. Dê uma chance novamente. Brigas todo mundo tem, todos os casais. Vocês não são piores, nem melhores que ninguém. Então, se você quer ama-lo e ter paz, aprenda a se doar, aprenda a lidar com todos os obstáculos e ser feliz.


+++ 

A viagem foi uma fuzarca. Ninguém parava quieto. Convencer meus pais a viajarem não foi tão difícil, mas mais fácil ainda foi dizer para Thales e Lisa que passaríamos o ano novo em Nova York. As meninas todas foram. Crianças, adultos... Dá pra imaginar como estava aquele avião? Não é atoa que quando chegamos no frio de Nova York, fomos direto para o hotel dormir.
Quando acordamos, pelas dez da manhã, descemos para o café e encontramos todos no bar do hotel. Estavam sentados próximos uns dos outros. Minha mãe, meu pai, Thales e Lisa preencheram uma única mesa, enquanto eu fiquei olhando para eles. Thales, sugestivamente, apontou com os olhos para a mesa do Bruno. Minha mãe pediu a Bernie, e eu andei até a mesa dele, onde Pres levantou, sorrindo e me dando bom dia. 

-Ela não vai tomar café conosco? - Pergunto ao Bruno, enquanto me sento. - Bom dia.

-Bom dia. - Recebo um lindo sorriso. - Ela já tomou. Agora vai arrumar algumas coisas com a Tiara. - Deu de ombros. 

-Ah. - No fundo eu poderia arriscar que ela saiu dali para que eu e Bruno sentássemos sozinhos. 

-E como está se sentindo? 

-Bem?! Bem. - Sorrio, afirmando. - E você?

-Ótimo. - Jurei ter visto um dos seus sorrisos mais sinceros. Sorri por seu sorriso e sei que ele percebeu, pois fechou os olhos, baixando a cabeça. Dois adolescentes bobos. - Vai pedir seu café?

Pedi meu café, nada de mais. Enquanto esperávamos ele vir, Bruno e eu conversamos um pouco. Quando chegou, Bruno levantou e foi dar bom dia para a nossa filha, a pegou e trouxe para a mesa conosco. O sorriso da minha mãe para nós era visivelmente grande. 

-Ela está feliz por estar aqui. - Comento sobre a minha mãe.

-Sua mãe é uma ótima pessoa.

-Vó. - Bernadette brinca com a camisa do pai, e eu sorrio para minha pequena. 

-Estou pensando em algo. Quer sair um pouco hoje? Para darmos uma volta. Que tal? 

Penso em exitar. Sair com ele, em Nova York. Remetendo a milhares de lembranças. Mas o que de mal teria nisso? Tenho que lembrar das minhas longas conversas com Thales, e do quanto eu chorei por saudades dele e o quanto eu gosto dele. Seria bobagem não aceitar o convite de ir a um passeio com ele. 

-Claro. - Sorrio, olhando por poucos segundos em seus olhos e passando a encarar minha filha. 

-Ok... Saímos umas seis horas?

-Ótimo. Levamos a Bernadette?

-Você que sabe... - Ele não pareceu a vontade com a ideia.

-Acho melhor deixa-la. A rua está congelada, e a noite piora, não quero que ela pegue nenhuma doença. - Contorno a situação, sorrindo para ele, que mexe no cabelinho da nossa princesa.

-Pai. - Reclama, unindo as sobrancelhas.

-Não grita com o papai. Só fiz um carinho. - Bruno fez um beicinho lindo, uma manha de chantagem. 

-Carinho. - Bernadette passa a mão na lateral do rosto dele e ele fecha os olhos. Ela balança a cabeça positivamente na sua nova mania. 

-Ela é tão inteligente. - Os olhos de Bruno brilham como estrelas quando se refere a nossa filha.

-Meu bebê. - Estico a mão sobre a mesa para encostar em minha filha. - Meus bebês. - Corrigi.

-E o nome dela?

-Ainda não escolhi.

-Não desistiu da ideia de escolher sozinha? - Sua risada me cativa.

-Sim. - Respondo. - Quero pensar bem no seu nome e no seu significado.

-Sei que não irá me decepcionar. Quando escolheu o da Bernie, me deixou o homem mais feliz do mundo. Não só pelo nome, mas porque você estava me dando minha primeira filha... 

-É... - Lembrei da praia, quando disse o nome para ele. As lembranças viajaram até o dia que eu descobri a gravidez, e como eu contei para ele. Boas lembranças daquele tempo. Nós dois brincávamos como crianças, éramos só nós dois adultos com espíritos de jovens. - Acho que acertei na surpresa. - Rio.

-Acertou? Você fez a melhor surpresa. 

Bruno Pov's


Jurei que ela não aceitaria dar um passeio comigo. Mas, mesmo se ela negasse ir comigo, depois da linda e longa conversa nostálgica que tivemos, ela iria acabar aceitando. Porque passamos uma boa manhã juntos. Eu não tenho dúvidas quanto ela ser minha alma gêmea.
Bati na porta dela, já passava das seis, o horário combinado, então ela já deveria estar pronta e me esperando. Ouvi a risada da minha filha, um fundo musical, e o barulho da porta se fez. 
Nick abriu a porta, e automaticamente eu sorri. Ela estava tão maravilhosamente natural. Enrolada na sua cabeça tinha uma toalha branca, e seus pés descalços. Poderia jurar que acabou de escovar os dentes pelo hálito de menta que saiu da sua boca quando disse:

-Mais cinco minutos? - Uma carinha fofa, implorando, se fez. Era impossível reclamar. 

-Claro. Posso entrar?

Ela assentiu, abriu mais a porta e deixando um espaço pra eu passar.


-Amor do papai. - A vejo, Bernie, olhando para a televisão, mas quando ouviu minha voz, deu um gritinho animado, desviando atenção da televisão. - Está linda, Nicole.

-Eu nem pronta estou. - Ela riu, passando apressada de um lado para o outro. Pego minha filha e sento na cama, com ela em meu colo. 

-Eu sei. - Dou um sorriso. - Continua linda.

Não demorei quase nada esperando-a. Perguntei onde estava Thales e Lisa, mas não haviam chego ainda, então largamos a Bernadette com os pais dela, que soltaram um ar cúmplice e sugestivo à nós, e pegamos o elevador. Seguimos para o lobby do hotel. 

Arrumei meu chapéu, me olhando no espelho do elevador, e aproveitei para observar a Nick. Agasalhada, até demais, entre casaco e um cachecol. Casaco esse que deixava a sua barriga mais redondinha. O elevador parou, e enquanto a porta abria, estendi minha mão esperando que ela juntasse os dedos nos meus - no fundo acreditava que ela poderia mesmo fazer isso. E ela fez. Senti seus dedos finos e gelados nos meus foi um calmante. Foi um aviso, foi reconfortante. Saímos dali, e partimos para nosso passeio. 

Estávamos no coração da Times Square, esse lugar maravilhoso. Pessoas apressadas, luzes e telões, barraquinhas de comida, e muitos turistas e restaurantes caros. Tudo junto, montando a mistura perfeita e agradável. 

- Aqui é maravilhoso. - Ouvi sua voz, e assenti.

- Um dos meus lugares favoritos no mundo. - Dou alguns passos para dar espaço as pessoas, a um fluxo bem grande delas por ali. -E então? O que vamos fazer? 

- Você não escolheu o que iríamos fazer? 

- Sim, escolhi. - Ri, dando de ombros. - Mas, é só pra deixar claro que você pode mudar, escolher o que te agradar mais. 

Vejo seu sorriso estampado em sua boca e em seus olhos, curiosos esses que observavam todos os detalhes luminosos do local. 

- Aonde você pretendia ir? 

- Ou você escolhe, ou me deixa escolher nas cegas. 

- Não há um meio termo, não?

- Não. - Começo a rir, vendo a sua confusão. - E aí? 

- Escolha, Bruno.

Já sabia onde iríamos ir, então ataquei um táxi, e o pegamos. Assim que chegamos, desci e ajudei a descer. Pensei que não iria pegar em minha mão quando ofereci novamente, mas mais uma vez seus dedos finos se juntaram aos meus. A outra mão pus em minha jaqueta para proteger do frio. Me sinto num eterno congelador. Não sou nada acostumado com esses invernos. Sou um havaiano, e agora moro na Califórnia. Meus invernos foram sempre sem neve, e eu amava. 

- Primeira parada: FAO Schwarz. - Sorrio, com minha brilhante ideia. 

- Sem chances. - Ela ri, balançando a cabeça. - Alguém andou assistindo "Esqueceram de mim"! 

Gargalho alto, andando em frente, segurando sua mão firmemente. Queria que muitas pessoas vissem esse momento. Entramos então na maior, melhor, e mais famosa loja de brinquedos do mundo. 

- Vamos, vai ser divertido. - Ainda tinha um sorriso largo quando passei pela porta, e o cheiro de chocolate e doces invadiu meu nariz. 

- Meu Deus, eu preciso de marshmallow. - Nick diz, repentinamente seria, como se o pedido pudesse custar sua vida. 

- Nunca vi desejo mais fácil. - A arrastei pelo meios dos quiosques e das prateleiras de doces, até os marshmallows. - Qual cor você quer, filha? - Pergunto, colocando a mão na barriga de dela. 

- O rosinha. 

- Ela te disse, Nick? - Intico com ela, pegando um saquinho para coloca-los dentro.

- Disse! - Ela ri.

Pagamos pelos doces e subimos para o andar de cima, onde era a parte mais legal: os brinquedos. Todos os adultos que entram aqui, voltam a ser crianças, porque é simplesmente maravilhoso. Nicole começou a rir de mim, por estar com os olhos brilhantes. 

- Estou esperando o momento que você vai correr e voltar cheio de brinquedos. 

- Estou a meio segundo disso. - Faço uma careta engraçada, que a fez gargalhar. - Hmmmm, por onde começamos? - Passo o olho em todos os corredores, divididos por marcas. - Fisher Price? Barbie? Lego? - Penso alto, e continuo pronunciando, até lembrar dá grande atração do lugar. - Você precisa ir no piano gigante comigo, Nick! Vem! 

Parecia uma criança quando pisei na primeira tecla, fazendo o barulho alto na loja e algumas pessoas nos olharem.

- Eu preciso fazer um desse em casa!

- Veio aqui pra brincar ou pra comprar coisas pra suas filhas? 

- Os dois? - Provoco, pulando em outra tecla. - Vem tocar comigo! 

- Oh, não. - Nick negou, balançando a cabeça e mantendo um risinho nos lábios.

A puxei, fazendo-a pisa em algumas teclas. Ria de vergonha, até se estabilizar. Empurrei-a pelo piano, fazendo os barulhos desagradáveis, que misturava com nossas risadas. Me lembrei das vezes que corríamos pela casa, um atrás do outro, como crianças, vivendo e brincando. 

- Você me paga! - Ela reclamou, logo que descemos do brinquedo gigante, enquanto seguíamos para a parte de brinquedos da Barbie. 

- Mal posso esperar. - Rio, olhando rapidamente para ela. 

+++ 

(Música)

Desci rapidamente as escadas, com as muitas sacolas da loja de brinquedos, enquanto Nick me esperava dentro do táxi. Pedi que o carregador levasse as compras para o quarto, pois se subíssemos, sabia que Be provavelmente fizesse algum show para vir junto, do jeito que ela é apegada à mim e a Nick. Amo minha filha, mas nosso momento agora, hoje, foi mágico, e eu sentia como se todos os meses separados que tivemos, nunca tivessem acontecido . Como se fossemos novamente um casal, e eu queria aproveitar ao máximo isso, pois mesmo sabendo o que irei fazer, ainda não tenho certeza de que ela irá voltar pra mim. Tinha um lugar especial para eu e ela essa noite. E daqui uns dois dias, mais uma surpresa. 

Pedi para o taxista que dirigisse até um bom restaurante, mas que não fosse tão requintado. Apenas uma boa comida e um lugar de clima agradável.

Sentamos em nossa mesa, o restaurante não muito cheio. Não poderia estar num lugar melhor, com outra pessoa. 

- O que nos vamos comer? 

- Pensei que seria a noite que eu só seguia? - Nick me provoca, sorrindo. - Não estou com muita fome, depois daqueles doces todos. 

- Eu estou. - Falo, e rio, ela também. 

- Uma salada, talvez? 

- Uma carne bem suculenta? 

Ela faz uma careta. 

- A salada. 

- Então a salada. - Imitou a sua careta. - E a carne pra mim, obrigado. 

A cara de nojo dela me fez mudar de ideia. 

- Duas saladas, então. Argh. 

Ela ri.

- Não precisa se incomodar. Coma sua carne. 

- Não faço questão. - Dou de ombros, sorrindo. - Eu como, e você vomita em mim. Ou eu fico com uma salada, fico magro e limpo, e com uma grávida bem humorada? Fico com a salada. 

- Dramático. 

Riu, estendendo a mão sobre a mesa e pegando a sua. Ela dá um sorriso olhando para nós dois, de mãos dadas sobre a mesa. Velhos tempos. 

- São os fatos, amor.

Sorrio para ela, e ela me sorri. Nick não me perguntou sobre o "amor" no fim da frase, e era bom. Não expliquei, e nem precisei. 

Depois que jantamos maravilhosamente bem, saímos do restaurante em direção ao último lugar.

-Última parada! - Faço um barulho de tambor com a boca, e bato levemente os dedos no vidro do carro. - Ponte do Brooklyn. 

Olhei para ela, pensando que iria ficar com raiva, mas não parecia. Esse lugar é importante pra mim, assim como deve/deveria ser pra ela. Remete as lembranças nostálgicas de quando a pedi em namoro.

-Gosta de lá? - Pergunto à ela. 

-É um lugar lindo. - Responde somente isso. 

Nick não parecia estar com raiva, mas a partir de que ela respondeu somente isso quando falávamos da ponte do Brooklyn, percebi que sim, ela poderia estar com muita raiva. Tive o ímpeto de pedir para o motorista do táxi nos levar para o hotel, mas eu não sinto como se a noite tivesse acabado. Precisava de mais tempo. 

Descemos no começo da ponte. A guiei pela larga calçada, e cheia de turistas - mesmo à noite -, até o meio da ponte. Já havíamos estado ali à alguns anos atrás, quando éramos apenas nós dois. Sem a Bernadette, e sem nosso pequeno tesouro ainda sem nome que já estava a caminho. Fiquei com medo, novamente, quando pedi sua mão, mas ela me deu sem pensar muito. Estávamos em silêncio, enquanto outros casais falavam pelos cotovelos e tiravam fotos de si mesmos naquele lindo monumento. A deixei ali por alguns minutos, e fui atrás de duas águas. Antes de chegar novamente ao seu lado, apenas observei a paisagem, era linda. E minha mulher a acrescentava mais beleza. Os dois são estonteantes, e novamente posso dizer que a mais bela grávida é a minha Nicole. Ainda não consigo entender o que foi que eu fiz, porque eu fiz... Troquei minha linda namorada, minhas filhas, e uma vida maravilhosa, por algumas noites com os amigos e algumas bebidas. Essa é apenas uma, das poucas coisas que me arrependo até o último fio de cabelo. Sabia que no fundo Nicole ainda me amava, não era narcisismo da minha parte, era a realidade, assim como eu a amo independentemente das coisas que aconteceu. Somos perfeitos um para o outro sim, nos amamos e nos queremos. Eu admito que vacilei, que depois de um tempo comecei a não levar a sério  e ela também estava irritada no serviço, acabei extrapolando, e errei feio. Mas, estamos perto de concertar-mos todos esses erros, de uma vez por todas.

- Hey, Nick. - Chamo sua atenção. -  Trouxe água. 

Ela sorri, pegando a garrafinha da minha mão. Passou a mão desocupada pelo ferro frio da ponte, olhou para os carros que passavam  e então para a água azul. Logo baixou o olhar para os seus pés. Seu pensamento parecia estar bem distante.

- Você se lembra? - Pergunto. 

- Claro que sim. - Ela sorri, sabendo do que eu me referia. - Como eu poderia esquecer? 

- Sei lá... Só fiquei com medo, de... Você sabe, você ter deletado qualquer coisa boa sobre mim. Ter deixado só as lembranças ruins e essas coisas. 

- Eu nunca faria isso. - Ela tocou um cadeado, dentre os vários que se estendiam pela ponte, e se inclinou, lendo o que havia escrito. - "Melanie coração Andrew. Vinte de outubro de dois mil e onze." Você acha que eles ainda estão juntos? 

- Quem? - Pergunto, confuso, me encostando ao seu lado. 

- Andrew e Melanie. Eles colocaram o cadeado aqui, supostamente deveria durar pra sempre.
Começo a rir e, levemente, balançando a cabeça. 

- Talvez estejam, não sei, mas tenha certeza que um cadeado não vai selar um amor. 

- É um símbolo. 

- Não é como se todos esses cadeados ainda estivessem juntos. - Gesticulo para a quantidade de cadeados na ponte.

- Gosto de fantasiar sobre amor eterno. Você sabe! - Ela pega outro cadeado. - "Julie e Thomas. Dezenove de dezembro de dois e quatro." Nossa esse é velho! 

- Ou casaram, ou estão separados. - Começo a rir, balançando a cabeça, e tomando um gole da água. - Deveria ter colocado um cadeado no dia que te pedi pra ser minha. Ainda há tempo? - Não sabia se havia dito aquilo rápido demais ou cedo demais. Nick olhou em meu rosto, e eu me permiti a tocar o seu, alisando as suas bochechas. - Não me deixe em silêncio, Nick. - Repito o que falei, e me recordo muito bem, há três anos antes, quando a pedi em namoro.
Ela sorriu, e então, para a minha surpresa, repetiu a mesma coisa que perguntara aquela noite. 

- Você mudou? 

- Sou uma pessoa melhor. Por causa de você. - Sussurro. - E somente pra você. 

Não queria parecer apressado e nem apressar as coisas, não depois de chegar tão perto dela e sentir o seu calor mais próximo depois de tanto tempo. Meu Deus, não posso fazer nada, tenho que me conter. 

Ela ficou me olhando, não tomou distancia, e então meus planos de me conter foram por água abaixo. Fechei os olhos e deixei que meus lábios tocassem em sua testa, em suas bochechas, tudo bem lentamente, o seu queixo e então levemente um selinho em seus lábios. Abri meus olhos e respirei fundo. 

-Eu te amo. - Digo, respirando fundo novamente, e vendo que ela fez o mesmo. Vi no seu rosto que qualquer coisa poderia sair de sua boca, então, antes que ela dissesse algo, eu disse. - Me dê dois minutos. Não saia daqui, ok?

-Ok. - Ficou confusa me olhando. 

Sumi no meio das pessoas que estavam por ali. Quando olhei para trás, Nick estava encostada na barra de proteção. Eu sei que ela não disse que me amava e que eu tive medo do que fosse ouvir, mas eu sinto que ela me ama, mesmo depois de tudo. Meu coração diz que sim. Voltei, rapidamente, bem ofegante e parei ao seu lado. 

- Você correu? - Ela me pergunta, assustada. 

- Eu prometi dois minutos, então. - Rio, e levemente, e estendi a mão para ela. 

Havia um cadeado, dourado, simples. Enfiei a mão no bolso e tirei um marcador Sharpie. 

- Onde você arrumou? Não há lojas por aqui. 

- Não é muito romântico mas... Eu comprei de dois turistas, eles iam colocar com o nome deles. Alguns dólares, uma foto e um autógrafo. - Dou um sorriso e ela ri. Ficou olhando para minha mão, o cadeado nela. 

- Bruno...

- Símbolo de ser eterno, Nick. - Pego o marcador e abro a tampa. 

- Eu... 

- Há amor entre nós, Nicole. E sempre vai haver. Mesmo que... - Engoli em seco, me encostando e usando a grade como apoio para escrever o meu nome. - Estejamos separados. Vamos só...? 

Estendo o cadeado pra ela, e Nicole me olhou por alguns instantes, até se segurar e se apoiar ao meu lado. 

- Eterno. - Murmurou, escrevendo seu nome e então a data.

Fechei os olhos, segurando a sua pequena mão, enquanto ela prendia o cadeado ao lado dos outros. Escutamos o 'click' da tranca, e então aperto seus dedos, sentindo ela apertar também. Era eterno. Ela sabia disso, e eu também. Eu sabia desde o instante que a vi. Não seria em vão toda a nossa história.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Trinta e Oito - Parte 2

Pela manhã estava me sentindo indisposta, já Bê acordou com a corda toda. E pelo visto minha pequena também. Enquanto estava indo para o banho, ela se contorceu um pouquinho dentro de mim, e eu como uma boa e boba emotiva, chorei um pouco.

Via o que vestir e Bê ficava concentrada meu notebook olhando para o filme que eu coloquei - há um mês atrás ela olha consecutivamente Frozen -, e estava agarrada fortemente com o seu novo ursinho do Olaf, o boneco de neve. Vou confessar que vi o filme por várias vezes, e também me apaixonei.

-Olaf, filha. - Digo pra ela que me olha dando o urso.

-Elsa. - Ela aponta pra tela.

-A princesa, né amor. - Passo a mão pelos seus cabelos e ela sorri.

Duas batidinhas na porta.

-Já acordo com Let it go, isso é vida. - Mal pergunta se poderia entrar, e Thales já vai entrando e indo em direção da minha filha. - Vou dar banho nela pra você se arrumar.

-Boa sorte, quero ver tira-lá da frente do notebook agora.

-Deixa comigo.

Thales conseguiu leva-lá pro banho, e eu aproveitei pra procurar uma roupa pra vestir. Hoje o dia não está tão quente, o clima já está bem friozinho. Olhei para minhas roupas que mal serviam, e acabei optando por uma calça de elastano preta, uma blusinha branca que ainda cobria minha barriga, e uma jaqueta jeans que não fecha mais na barriga. Calcei um par de botas de cano curto e passei a escova em meus cabelos, colocando um pequeno acessório azul ao lado.

Minha boneca voltou para o quarto de banho tomado, então a vesti. Coloquei sua meia calça branca e quentinha, suas sapatilhas azuis e um vestidinho azul com branco. Depois que acabei me tocando que eu estava bem parecida com ela, acabei rindo disso e apertando mais a minha princesa que a cada dia cresce mais.



-Finalmente minha preferida está pronta. - Lisa caminha fazendo caretas pra ela rir, e ela estica os bracinhos pra ela.

-Tia, tia, tia. - Ela a chama.

-Vem comigo princesa. Como está linda! - Ela aperta levemente as bochechas dela, que passa as mãozinhas no local. - Vou na frente com o Thales, vamos de metrô e seus pais e você vão no seu carro.

-Ok. - Não teria espaço para todos nós no carro. Até daria, mas tem a cadeirinha da Bê, e ela não estando na cadeira, eu não vou. Morro de medo que algo aconteça.

Antes de sair troquei sua roupinha, já que minha esfomeada acabou derrubando papa nela. Coloquei seu par branco de all star, uma calça jeans e uma blusinha, com uma jaquetinha por cima. Ajeitei seu cabelinho, com uma trancinha, e por milagre, ela deixou.

Ao chegar na casa do Bruno foi mais estranho do que pensei que seria. Estava tudo bem arrumado e muita falação por todos os locais, estava cheia. Ele convidou além de família, e amigos, vi muitas pessoas "novas" por ali. Fui cumprimentando todas as pessoas que conhecia, e parando para deixar elas mexerem em minha barriga e brincar um pouquinho com a Bernie, que se acanhava, se escondendo entre minhas pernas, segurando a minha mão.

-Que perfeição! - Diz Jaime quando vê Bernie segurando minha mão, andando. - Quando que você cresceu tão rápido assim, princesa. - Ela se abaixa e chama Bê, que me olha primeiro e eu solto sua mão. Ela corre tortamente em direção da sua tia, que a abraça fortemente e caminha em minha direção.

-Oi Jaime. Esses são meus pais, lembra deles, não?

-Lembro sim, mas prazer em revê-los. - Jai os cumprimenta e vamos andando em direção da sala de estar. - Você está tão linda, a gravidez está lhe fazendo bem.

-Bem? - Começo a rir. - Não ando tendo tempo pra mim. Mas ainda sim, é uma maravilha.

-Já decidiu o nome da minha nova sobrinha?

-Ainda estou analisando os nomes.

-E a relação, como está? - Vejo que olha para o fundo da sala rapidamente, prontamente olho para o local e vejo ele conversando com duas pessoas. - Tem se falado?

-Bastante. Estamos nos dando muito bem como amigos. Ele é atencioso com as filhas e um ótimo amigo pra mim.

-Vocês não sabem o que estão fazendo. Uma hora a ficha caí e verão que o destino quer que fiquem juntos.

-Jaime, eu não sei, mas acho que o melhor para nós está sendo isso.

-Aham. Agora fale a verdade. 

Começo a rir, e ponho a mão sobre a minha barriga.

-Eu amo ele e penso em nós todos os dias, Jai. - Dou um sorriso bobo, olhando para o fundo da sala. - Mas sabe que Bruno está bem assim. Nós estamos bem assim.

-Corte essa.

Conversamos um pouco mais, Bruno me deu oi e pegou a Bernie para mostrar a todas as pessoas que estavam ali. Meus pais se arranjaram com o Pete e mais duas pessoas. As meninas estavam a mil, falando sobre muitos assuntos, inclusive sobre os bebês que irão nascer. Sobre os maridos e sobre as relações complicadas. Thales e Lisa se juntaram à nós e Julia nos encontrou logo depois. 

-Você é desnaturada, isso sim.

-Não sou, mas fica difícil pensar em fazer algo com um peso nos braços e outro na barriga. 

-Taylor perguntou muito de você esses dias, estava impossível. - Ela olhou para onde meu afilhado estava. - Kam teve que mostrar fotos sua, senão ele não iria dormir.

-Porque não me ligou?

-Porque...não sei. Boa pergunta. - Ela ri  descontraída. 

-Com licença. Nick? - Bruno encosta no meu ombro, olho para trás e ele me chama. Peço licença e saio da rodinha de conversa. - Ela está premiada. - Ele a passa para o meu colo. 

-Fala sério! - Bufo. Ele sabe trocar fraldas, por que não fez isso?

-Olhe por si mesma. - Ele ri. Acho que não entendeu o que falei. 

Pedi que ele me entregasse a bolsa dela no seu quartinho. Entrei ali dentro e senti uma onda de lembranças invadirem o meu peito. Dói relembrar certas coisas. A pus sobre o trocador de fraldas e tirei o ursininho de suas mãos. Ela resmungou, mas quando comecei a tirar a sua roupa, ela entendeu o que eu iria fazer e ficou quietinha. 

Bruno larga a bolsa dela e pega as coisas sem que eu peça. A troquei rápido, pela pratica de fazer isso sempre. 

-Aproveitando que estamos aqui, tem uns presentes ao lado do berço. O da Bernadette, o da bebê e o seu. 

-Não precisava comprar nada pra mim. - Ponho meu cabelo para trás da orelha. - Obrigada. 

Pego minha filha no colo e sento na poltrona, a coloco sobre o meu colo, Bê se remexeu e acabou optando por ficar em pé na minha frente. Pego um dos presentes na mão e ela balança a cabeça com a mania nova. Vou desembrulhando um por um enquanto ela me ajuda, colocando os sacos dos presentes para o lado e batendo palminhas. Tinha roupas, sapatos  brinquedos, e bonecas para Bernadette e a bebê. Minha filha ficou encantada com a boneca da princesa Anna, de Frozen que ganhou e Bruno a abraçou, conversando com ela. Havia mais uns acessórios para as meninas. Muitos presentes. E pra mim, finalmente, vi uma linda jardineira jeans, um colar com duas bonequinhas meninas, e um par de brincos.



-Obrigada. - Sorrio para ele, e encaro ele segurando a nossa filha nos braços. - Por tudo. 

-Encomendei uma cama e um berço para por aqui, e mandar esses para o apartamento. 

-Vou ter que arranjar espaço. - Rio. Levanto da poltrona, pegando as coisas e colocando dentro do berço para depois pega-las, junto com a bolsa da Bê. - Obrigada mais uma vez.

-De nada. 

Bernadette estava acomodada no seu colo, com a nova boneca em mãos. Todos dizem que ela é a minha cara, mas eu vejo tanto do Bruno nela. Tantos detalhes e coisinhas minimas... Mas no gênio ela é completamente ele, a teimosia, tudo. Só peço a Deus que ilumine minhas duas jóias raras. Que o caminho delas seja mais fácil, que elas sonhem e consigam tudo o que querem. Que elas vivam e que o fato de eu e Bruno estarmos separados não afete em nada.

-Onde irá passar a virada do ano?

-Estamos decidindo.

-Estamos? - Pergunta ele. 

-É... eu, Thales e Lisa. 

-Querem ir pra Nova Iorque conosco? Tenho um show lá, e ficaria contente se fosse conosco. Queria estar perto da minha família.

-Vou ver com eles. 

-Tudo pago... Inclusive a hospedagem.

-Com certeza eles vão querer ir.

-Seus pais vão estar aqui ainda?

-Creio que sim. 

-Leve eles! - Ordena o Bruno. 

-Vou levar. - Sorrio me aproximando para pegar minha filha dos seus braços. 

Estávamos perto um do outro. Eu encarava a sua boca como se ela me convidasse para um beijo. Se não fosse por Bernadette ter gritado com a boneca, chamando ela de Anna, eu o beijaria.

A casa passou a esvaziar à noite, após muitos comes e bebes, as crianças, exaustas, foram dormir, as pessoas que precisavam ir, foram, e sobrou a família de Bruno, eu e a minha, e meus amigos. Sentamos nos fundos, distantes da piscina, onde conversávamos paralelamente uns com os outros.

-Natal é uma época tão boa. - Comento olhando para todos conversando, rindo e felizes.

-Apesar do frio, que eu odeio, eu adoro as férias de natal. - Tiara diz.

-No Havaí é bem diferente. - Rio lembrando de todos os momentos de lá, todos os natais. 

-Gosto mais da virada do ano do que do natal. - Thales dá de ombros.

-Gosto mais da páscoa. - Jaime ri, espiando o carrinho a frente. - Ela está dormindo com todo esse barulho?

-Pus o protetor nas orelhas. - Me estico para ver minha filha dormindo tranquilamente. 

-Ela está a sua cara, Nick. - Tiara brinca com os anéis na mão de Lisa.

-Todos dizem isso. Na aparência sim, mas na personalidade ela não puxou nada à mim, ela é completamente Bruno! 

-Bruno tem uma boa personalidade. - Pres dá de ombros.

-Você conhece seu irmão? - Começo a rir. - Eu sei que ele tem, mas tem coisas que irritam. - Olho para ele, conversando com Eric.

-O quê irrita? - Pergunta Jaime.

-Não sei... - Balanço a cabeça. - Acho que o fato de nunca termos durado tanto como eu imaginei. 

-Mas isso não é da personalidade dele, isso é da índole.

-Bruno dá algumas escorregadas, mas ele ama a família, principalmente as filhas.

-Eu sei que ele as ama. - Suspiro.

-E ele também ama você. - Pres passa a mão na minha cabeça.

-Não tenho tanta certeza. - Torço os lábios.

-Não sei o que pensa, mas ele ama você e elas incondicionalmente. Bruno nunca se prenderia a você se não gostasse, nem pelos filhos. Ele teria contato apenas com elas e te deixaria de lado.

-Não sei... 

Bruno Pov's

Conversei por horas. Na verdade isso foi o que mais fiz durante o dia todo: conversar. Algumas musicas, piano e voz, mas nada demais. Estava contente por todos estarem ali, minha família, meus amigos, todos que precisava. Tive um momento sozinho, breve momento, para pensar em minha mãe e orar para ela, agradecendo à Deus por tudo que tenho e pedindo proteção. 

Sentamos na área coberta, conversando por grupinhos e volta e meia falando algo com todos. Eric falava sobre algumas coisas aleatórias, e eu observava Nick de canto. Ela estava tão linda... Ela é linda. Mas especialmente hoje ela parece estar com a beleza bem mais aflorada. Sua pele brilhante, seus olhos expressivos, seu sorriso encantador. 

A vejo me olhar, suspirando, enquanto Jaime parecia falar algo pra ela e ela prestar atenção enquanto me olhava. Acho que não percebeu que eu estava vendo aquilo, pois continuou a me olhar. 

A certo momento, Jaime passa por mim, fazendo um sinal discreto para entrar em casa. Paramos encostado na bancada da cozinha. 

-Bruno, eu estava falando com a Nick...

-E? 

-Calma, deixe eu falar. - Rio da minha pressa. - Ela estava dizendo sobre a personalidade da Bernadette, e o assunto acabou parando em você...

-O que falou de mim?

-Bruno, eu gostaria que convidasse ela para passar a virada do ano conosco.

-Eu já convidei, ela vai ver isso mais tarde. Mas por que?

-Porque ela gosta de você, ela ama você, só que ela não se sente segura em voltar sendo que nunca saberá como será a convivência.

-E o que a virada do ano mudaria? - Balanço de leve a cabeça.

-Tudo! Lá você mostra que quer ela e que não desistirá.

Não sabia onde enfiar o rosto e nem a reação que teria. Queria gritar e pular de felicidade, mas ao mesmo tempo me conter porque tenho medo que ela acabe não dando bola para isso e continue separada de mim. Dei um beijo na testa da minha irmã, agradecendo por tudo que ela já fez por mim, e ela me ajudaria muito mais. Thales me ajudará com muitas coisas e minha irmã também. Nova Iorque me espere. Foi berço de quando começamos a namorar, agora será berço do meu noivado, com direito à minha filha assistir, e que sá parte da cidade também.