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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Trinta e Sete - Parte 2

TRÊS MESES DEPOIS

Arrumava toda a casa, com a ajuda de Thales e Lisa, que andavam atrás de mim como se eu fosse uma porcelana prestes a cair e quebrar. Gravidez não é doença, e eu não vou me privar de movimentos por isso. Estamos pendurando os últimos enfeites da árvore de natal, já que o resto do apartamento está todo decorado.

-Essa árvore está faltando algo. - Observo-a, parecendo tão morta.

-Mãe, ó. - Bernadette entrega-me um dos enfeites.

-Obrigada, meu amor.

-Não acendemos as luzes ainda. - Thales levanta do sofá. - E, essa árvore está precisando de um toque Thales de ser.

-Um toque gay. - Corrige Lisa, tirando a cabeça da guarda do sofá.

-Qual é, vocês duas estão tão sem animo para o natal.

-Eu estou animada. - Digo, pegando mais um enfeite da mão da minha filha.

-Mas não parece. - Ele bate com a mão na lateral do corpo. - Quando foi a última vez que viram filmes de romance e choraram?

-Ontem? - Pergunto à mim mesma.

-Hoje pela manhã. - Corrige Thales, impaciente. - Tá vendo, vocês estão mortas.

-Não estamos! Eu apenas não tenho porque estar feliz o tempo todo. - Lisa dá de ombros.

-Ninguém está, ninguém nunca está. Mas podemos sempre fazer um esforço a mais.

-Thales. - Balanço a cabeça. - Vamos continuar.

-Só depois que você admitir que está assim pelo Bruno.

-Vocês sabem que eu estou. - Quando minha filha ouviu o nome do seu pai, me olhou rapidamente, e depois tornou a olhar para os lados.

-Então volta pra ele, Nick. Você é tão cabeça dura, sempre complica as coisas.

-Falou você que não vai atrás das pessoas por orgulho, Lisa. - Retruco como criança.

-A diferença é que nem o Ryan, nem o Phred, nem nenhum dos meus ex namorados, me ama como o Bruno ama você.

A encaro, sem saber o que falar.

-Nick, qual é, vamos ser sinceros... Você pensa nele dia e noite, e quer muito tê-lo, mas fica pensando no passado e no futuro, deixando o presente de lado e acaba nem vivendo.

-Bruno está feliz assim.

-Ah sim, ele deve estar mesmo, longe de suas filhas e da mulher que ama.

Estou com cinco meses, o que resulta numa barriga bastante saliente, mas nada comparada a gravidez de Bernie. Descobri com quatro meses que espero mais uma menina, e fiquei feliz por isso. Ela ainda não tem nome, e eu decidi escolhe-lho sozinha, vou agradar à mim dessa vez também. Minha menina é completamente ao inverso de Bernie. Bernie era espoleta, não parava quieta, e com três meses já sabíamos o sexo porque ela abriu as pernas, já minha outra pequena é diferente. Quieta e serena, ela parece conversar comigo quando estou mais tristonha, é pequena.

Todos sabem que estou grávida agora, incluindo a mídia. A má mídia e a mídia normal. A má disseram que eu estava grávida de outro cara, e esse foi o motivo do meu término com o Bruno. Agora vê se eu posso com isso? Eu trair o Bruno, engravidar de outro, e nós terminarmos por isso? Não me pronunciei quanto à isso, até porque não voltei com minhas redes sociais e não pretendo. Acho que quanto mais eu der satisfações da minha vida, mais o povo vai falar, e eu prefiro ter a vida mais tranquila possível.

Eu e o Bruno estamos nos dando bem. Digo, ele respeitou minha decisão de término, e agora estamos amigos. Ele busca nossa filha sempre que pode, e quando tem tempo vem para a minha casa visita-la e ver a pequena que habita em mim. O que Thales disse sobre eu sentir saudades dele, é a pura verdade. Eu passo noite e dia pensando nele, pensando em nós, imaginando um futuro e lembrando de tudo do passado. Queria poder dividir os momentos dessa gravidez com ele, e estar com ele quando a Bernie resolveu caminhar de vez, quando ela começou a falar mais, quando minha filha deu o primeiro chute... Momentos que eu queria estar partilhando com ele sem ser por conversas amigáveis. Mas não posso voltar atrás. Tomei uma decisão, e insisti nisso, que agora eu mesmo tenho que aguentar. O meu temor é o dia que ele aparecer com uma pessoa, com uma namorada. Eu não sei se aguentaria por muito tempo se isso acontecesse. Eu o amo demais para vê-lo com outra, mas me amo também para saber que as coisas que passamos não eram saudáveis.

Sou extremamente egoísta quando falo nisso, porque não estou pensando em meus bebês. Mas na verdade estou sim. Estou pensando que se eu continuasse com ele daquela forma, seria um trauma para elas.

-Que dia seus pais chegam? - Pergunta Thales quando entrega para nós copos com soda.

-Semana que vem.

-Passaram três semanas aqui, mal da para acreditar. - Os olhos de Lisa brilham. - Eu amo conversar com a sua mãe.

-Eu sei. E me sinto trocada?! - Faço uma careta boba e ela sorri.

-Vó. - Bernadette olha para o nada, e vem em minha direção. - Cadê?

-A vó está na casa dela, amor. - Dou um beijo em sua cabeça e a puxo para o meu colo.

-Pai. - Ela aponta para a árvore de natal e balança a cabeça positivamente pra mim.

-Ela é tão esperta, e tão parecida com você. - Thales brinca com sua blusinha e ela ri, toda assanhada.

-A parte de ser assanhada puxou ao Bruno.

-A personalidade dela é do Bruno!  - Lisa a observa. - Ainda bem que ela é linda como a mãe.

-O pai dela é lindo. - Saio em defesa.

-Pai lindo. - Repete.

-Isso, defende seu pai. - Thales gargalha. - Meu Deus, Nick. Pelo menos tente disfarçar que ainda ama ele.

-Eu... Eu não sei. Apenas ajo da forma que sai.

-Se eu tivesse um Bruno, lindo e apaixonado, na minha vida, não pensaria muito. - Thales rouba minha filha do meu colo.

-Vamos mudar de assunto. - Peço.

-Vamos falar do natal... Vai ser à noite aqui, e ao dia vamos para o Bruno mesmo?

-Acho que sim, vou confirmar com ele mais tarde. - Dou de ombros.

-Ligue pra ele e aproveite pra dizer que você o ama. - Lisa acaricia meu ombro.

-Quem sabe. - Sorrio, passando a mão pela barriga.

-É o espírito natalino agindo, Jesus! - Thales brinca e Bê ri, encarando ele.

-Jesus! - Grita e nós rimos.

Bruno Pov's

Estava ansioso decorando a casa com a ajuda da empregada nova. Uma senhora um pouco mais velha que a antiga. Montamos a enorme árvore próxima a lareira, e ajeitamos o piamo. Natal é em uma semana e meia, mas gosto de já pensar em tudo, quero que a festa desse ano seja especial.

Especial no quesito de eu estar com as pessoas que eu amo. Só mais especial seria se minha mãe tivesse aqui, e Nicole não tivesse me abandonado.

As coisas parecem tão sem graça sem ela. A casa é vazia sem ela e meus bebês, conversar com ela como amigos me deixa mal. Eu sei que ela me ama, eu sinto isso porque eu a amo também. Mas não posso interferir nas decisões que ela toma. Tenho que ser cauteloso, ir com calma, e saber a hora certa de tentar algo novamente. Thales me mantém informado de algumas coisas e já pedi para Jaime me dizer algo caso Nick se abra pra ela, qualquer coisa que faça mostrar que se eu me declarar novamente, ela vai ceder e voltar pra mim. Penso nela dia e noite, penso nas nossas filhas e que elas não podem viver sem um pai, e que é um desperdício eles estarem se apertando naquele apartamento, sendo que tem minha casa enorme para nós dois.

-Acho que podemos ir para a parte da rua, o que acha? - Pergunto para Beth.

-Podemos arrumar um pouco hoje e outro pouco amanhã, senhor.

-Pode ser.

Me dou por vencido, apenas separando alguns enfeites que comprei. Quando saio para a área externa, sinto o frio que faz na rua. Abraço meu corpo, passando a mão nos braços, olhando para tudo tão gelado e o tempo tão chato. Esse quintal enorme parece um poço de solidão, e com o frio faz parecer pior, pois nada habita nele, nem as flores.

Queria poder ter minha família, minha filha brincando, minha namorada andando de um lado para o outro com uma barriga enorme. Eu não queria ter errado com ela, queria ter feito tudo certo, queria estar com ela em todos os momentos e eu sei que fui péssimo nisso. Me arrependo amargamente de tudo que fiz. Principalmente ter ido atrás de Paige. Depois que Nick e ela discutiram, e eu conversei com a Nicole sobre isso, Paige começou a dar em cima de mim tão descaradamente. Começou a virar o rosto quando íamos nos cumprimentar, perguntava se poderia passar a noite na minha casa, ou ir para a dela. Coisas que eu não vou entender, mas que eu entendi que fui um idiota quando pensei que Nick estivesse errada com a visão sobre a Paige. Eu sempre estive errado, e tentava me cegar sobre tudo.

-Telefone! - Avisa-me Beth.

Acordo do meu transe de pensamentos e vou até a sala pegar meu celular que estava tocando. Nicole estava me ligando, e a cada vez que falo com ela, meu peito se enche de esperança e tudo mais.

-Alô?

-Oi, Bruno. - Sinto sua voz sair com um sorriso.

-Oi, Nick. Tudo bem?

-Sim... E por aí?

-Bem. - Respondo ouvindo o som da sua respiração.

-Está ocupado? - Pergunta.

-Não, porque?

-Quero fazer uma perguntinha e depois tem alguém que quer falar com você. - Ouço um "é" da minha filha, e automaticamente olho para a lareira onde há fotos nossas, e uma das mulheres que mais me importam na vida.

-Tudo bem.

-O natal... vamos passar o dia na sua casa, certo?

-Sim, certo. Poderiam passar a noite também.

-Meus pais vão estar aqui, e queremos passar em família um pouco. - Em família? Eu sou parte da família, ela é minha família e minha família é a dela também. Tiro o sorriso do rosto, encarando o nada com expressão vazia. - Bruno?

-Oi?

-Posso passar para a Bernadette? Ela ficou a manhã toda falando de você, e a tarde só não falou mais porque estava entretida com as coisas do natal.

-Pode sim.

Minha filha pega o telefone, enquanto eu tento falar com ela e ela dá meias palavras pra mim, sendo a maioria gritinhos de felicidade. Nick pede para que ela fale que me ama, e ela repete direitinho, me deixando bobo, um pai coruja. Digo que a amo e ela fala mais algumas coisas.

-A árvore. - Diz.

-Acho que ela quer dizer que hoje montamos a árvore. - Nick fala.

-Montaram a árvore, meu amor?

-Sim! - Ouço empolgação na voz de Nicole quando pergunto para minha filha, chamando-a de amor. Será que Nick pensou que fosse para ela? - Desculpe.

-E a casa já está decorada?

-Diz pro papai que já está toda decorada e linda, e que ele pode vir aqui ver como está.

-Tá linda, decorada. - Repete algumas palavras, do seu jeito de falar, meio enrolado. - Vem.
-Papai vai amanhã visitar você e a maninha, pode ser?

-Pode.

-Bruno, você precisa ver, ela não perde essa mania de balançar a cabeça quando fala.
-Isso vai longe. - Rimos juntos. - E como está o bebê?

-Quietinha e tranquila. Se não fosse pela barriga, às vezes esqueceria que que ela está dentro de mim.

-Ela vai puxar a você.

-Vai ser o oposto da irmã, que puxou a você.

-Bernadette tem a corda toda. - Ouço a sua risada. - Que menina sem vergonha, assanhada.

-Puxou a você. - Nick diz, rindo.

-Bernadette puxou a mim na personalidade e é parecida com você, não tem quase nada meu. Será que essa vai ser parecida comigo e ter a sua personalidade.

-Não ofenda a Bernie, ela é linda.

-Você é linda, e você sabe disso.

-Obrigada. - Sua voz sai abafada.

Fico imaginando-a vermelha com o elogio, sinto como se estivesse a sua frente e ela toda envergonhada. Minhas filhas tem sorte por terem ela como mãe. 

Nicole Pov's

Meus pais chegaram ontem, e hoje aproveitamos para fazer um almoço grande, com direito a muita conversa. Minha mãe me avisou que depois queria ter a conversa comigo, e eu sabia que essa conversa envolvia eu, Bruno, e as crianças. Falando em crianças, Bernie e minha bebê já ganharam tantos presentes que estão embaixo da árvore, mas há muitos  além de roupinhas novas para passarem o natal e o ano novo.

-Mas a paixão de Nick por Nova York começou cedo, mas quando ela começou a assistir...

-Mãe! Ninguém quer saber. - Ninguém precisava saber disso, é uma parte do passado que prefiro que seja mais guardada.

-Eu quero saber. - Thales, bicha ruim, curiosa, diz.

-Tem algo seu que eu não sei? Nossa! Eu pensava que era sua melhor amiga. - Lisa leva a mão ao peito, em sinal de espanto.

-Não tem nada. Minha mãe está falando demais.

-Então tem algo.

-Ela era apaixonada por FRIENDS. Passava horas na frente da televisão olhando os episódios.

-Eu disse pra não falar. - Forcei um sorriso. Queria esgana-lá.

-É só isso? Meu irmão também amava FRIENDS. - Thales dá de ombros.

-Eu amo esse seriado, e você sabe disso. - Lisa sorri, balançando a cabeça.

-Era vidrada no Ross. - Minha mãe diz.

-Você gostava do Ross? - Lisa gargalha tão alto, e minha filha gargalha junto. Que menina maria-vai-com-as-outras.

-Não era o Ross, mamãe. Era o Joey.

Eu era uma adolescente, e eu odeio meu passado. Evito falar nele, principalmente agora. Não gosto de lembrar de quando Bruno me conhecia, e não era o Bruno, era o Peter, um idiota que ia atrás dos amiguinhos. Não gosto de lembrar que não tive um amor de ginásio, não tive uma primeira vez na escola, não tive um grupinho de amigos, e que passava todas as horas do meu tempo livre assistindo FRIENDS. Queria poder apagar tudo isso, não pensar em mais nada daquela época.

Continuamos o jantar com algumas gargalhadas e algumas lembranças do passado, deles, porque do meu prefiro não falar para não estragar nada.

+++

Clima de véspera de natal. Havíamos cogitado a ideia de irmos para Venice e passar a noite lá, mas eram duas viagens para fazer e muitas coisas para levar, e amanhã ainda temos que ir para a casa do Bruno. Não daria certo. Então arrumamos todo o apartamento, mesa de jantar e tudo mais para que seja lindo. Bernadette estava mais manhosa que o normal. Andava um pouco, mas daqui a pouco sentava no chão e ficava nos olhando e observando quietinha 

-Filha, não faz assim, vai ficar doente. - Levanto ela, talvez pela décima vez.

-Mãe. - Ela se agarra no meu pescoço. - O pai.

-Seu pai ta na casa dele, vamos ver ele amanhã.

Essa manha toda era por causa do seu pai e a saudades que ela sente dele. Não tenho culpa se nessas correrias ele não pôde vir aqui, e até entendo. Ele pergunta pra mim, em ligações ou mensagens, todos os dias como as duas estão.

-Esse peru vai ficar pronto amanhã, se não por ele agora no forno. - Minha mãe diz pra Thales, que somente assente com medo de falar algo pra ela. Aliás, ela estava se sentindo mais do que em casa, estava mandando em todos hoje, e colocou até meu pai no serviço.

Antes da noite se apresentar, coloquei a Bê no banho e pus uma de suas roupinhas novas. Ela estava uma princesa de tão linda. Marrenta, com uma calça preta e um tênis branco, uma regatinha preta e por cima uma camisa jeans meia manga. Hoje está um natal com clima agradável, não está tão frio agora pra por casaco nela. Amarrei uma bandana em sua cabeça, que me lembrou tanto o Bruno. Dei um beijo em sua testa e a entreguei para minha mãe para que eu pudesse finalmente tomar o meu banho. Minhas roupas estavam quase todas apertadas, impossível achar um jeans que servisse em mim direito, então optei pela única calça jeans que dava para abotoar e uma bata maior e mais comprida. Os cabelos somente penteei, e passei maquiagem em meu rosto. Nada de especial.


Desci, peguei meu carro e dirigi até a padaria que ainda estava aberta e comprei alguns salgadinhos de festa, que estava afim de comer, e voltei pra casa.

A noite foi ficando tranquila, com músicas e muitas risadas. Comida e falatórios. Bernie estava mais feliz e não saia de perto de sua vó, conversava tanto com a gente, enquanto minha pequena dentro da minha barriga estava quietinha.

Enquanto os presentes eram entregues, e eu estava desembrulhando um belo box das 10 temporadas de FRIENDS, que por acaso ganhei de Lisa, que ria enquanto via minha cara, cantava em minha mente a música "Last Christmas". Como se agora, hoje, ela fizesse todo o sentido.

Last christmas
(No Natal Passado)
I gave you my heart (gave you my heart)
(Eu te dei meu coração)
But the very next day you gave it away (gave it away)
(Mas logo no dia seguinte você jogou fora)
This year
(Este ano)
To save me from tears
(Para salvar-me de lágrimas)
I´ll give it to someone special (I?ll give it someone special)
(Eu vou dar a alguém especial)

Não, nem tanto sentido assim. Não quero entregar meu coração pra ninguém por um bom tempo, porque é difícil de admitir que ele ainda é completamente dele, e bate mais forte por ele. E ele não me deu tantas decepções. Nós apenas brigávamos mais do que o normal, e eu acho que ele me traiu... Não tenho que pensar nisso no dia de hoje, tenho que aproveitar minha família que está reunida nessa sala, rindo e sorrindo.

-Carrinho. - Bê aponta para seu brinquedo novo. Um carrinho de passeio que dei à ela, rosa.

-Quem é a tia mais linda desse mundo? - Pergunta Lisa.

-Taies. - Thales!

Nós caímos na gargalhada. A ceia foi assim, a noite toda foi assim, e Bruno ligou desejando um ótimo natal e mais muitas coisas, mas disse que precisava desligar porque as meninas estavam-o chamando. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Trinta e seis - Parte 2

Estamos na quarta feira da semana seguinte da festa da Tiara. Bruno passou o domingo com a minha filha e a segunda feira também. Quando cheguei terça do trabalho, ela estava em casa com Lisa e Thales na maior folia. Thales havia chego antes de mim ontem porque fui marcar minha consulta na clínica, e consegui para hoje. Só que passam das três da manhã e Bernie não dorme de jeito nenhum.

Dou tapinhas em seu bumbum, me sentindo exausta de sono, estar grávida causa sintomas que são um saco. Ela não parava de chorar, parecia até estar doente. Coloco o termomêtro em seu corpinho e nada, a temperatura estava normal. Checo sua fralda, que também estava limpa. Não entendo o que meu bebê tem, afinal ela nunca foi assim de chorar dessa forma, só quando está doente. Nem quando está com muita fome ela chora assim.

-Amor da mãe, se você não falar o que quer, eu não posso ajudar. - Estava me causando agonia o fato dela nem falar, apenas chorar. - Ai minha vida. - Largo-a na cama e sento-me para descansar.

Ela esperta, senta-se também e para de chorar, fazendo beicinho de quem vai chorar em instantes.

-Acalmou? - Respiro fundo e ela chora novamente. - Cristo!

Pego-a no colo novamente e balanço-a. Vou até a cozinha, esperando que ninguém acordasse com seu choro. Pego sua mamadeira média e encho de água para esquentar a medida certa. Despejo na chaleira e acendo o fogo. Não tenho muitas opções de procurar as coisas com mais precisão, se eu a largo na sua cadeirinha, acho que ela chorará mais. Faço um chá de camomila e adoço um pouco mais que o normal, minha mãe costumava a dizer que açúcar acalma. Dou a mamadeira no quarto para ela, e então ela finalmente cessa seu choro descontrolado. Seus olhinhos da cor dos meus piscam insistentemente e pesarosos, se ela continuar assim daqui a pouco ela se entrega ao sono.

Minhas costas anunciam uma breve dor. Não, isso só pode ser uma espécie de dor psicológica, porque antes de saber que eu estava grávida não havia sentido nenhuma dor nas costas. Ergo minha coluna e meu movimento faz com que minha filha desperte do seu breve sono.

O chá termina e eu a embalo, em pé no quarto. Cantarolo baixinho para que meu bebê pegue no sono e pare de chorar. A aflição que dá vê-la chorar assim, dessa forma, e não poder nem saber o que realmente ela quer. Troco a música de ninar, por Elvis.

-Love me tender, love me true all my dreams fulfill for my darlin' I love you and I always will... - Passo a mão por seus cabelinhos e ela olha curiosa para o quarto. Lembro de sua chupeta, que ela não usa, mas talvez dê certo.

Procuro-a, mas no meio da bagunça que está as minhas coisas com as delas, que não são poucas das duas partes, fica impossível achar ela. Seria tão mais fácil se ela estivesse com o quartinho dela agora, com suas coisinhas bem organizadas. Desisto, e deixo ela atirada em meu ombro. Bê bate no meu ombro com sua mão fechada em punho e antes de começar a chorar, grita pelo seu pai. Ah, eu definitivamente não mereço isso.

-Mal passou três dias com ele e já se acostumou dessa forma? - Olho para o seu rostinho, seus olhinhos cheio de lágrimas. - Meu amor, não chora... a mãe está aqui e te ama tanto. Seu pai não pode agora.

-Paipai. - Minha pequena retorna com seu choro. Passo a mão livre em seu rostinho e ela tira. O problema é esse, ela não quer eu, quer seu pai.

Sento novamente na cama, olho para a escrivaninha com o relógio e vejo que só nessa brincadeirinha dela chorar e não querer dormir já tinham se passado um pouco mais de uma hora. Meu celular estava bem a frente. Ela ainda chorava. Não poderia deixar minha filha assim para suprir meus caprichos, mas dói saber que eu não sou o bastante para ela, que seu pai é essencial... Eu sempre soube disso, mas não sabia que poderia ser tão difícil assim.

Largo-a na cama e ela se deita, pegando a sua fraldinha e respirando pelo nariz, com certa dificuldade, chorar demais deve atacar a sua adenóide. Com uma mão disco o número de Bruno e com a outra passo sobre seu corpinho, que cubro com a coberta. Fico olhando para ela e ele finalmente atende.

-Alô. - Seu timbre entorpecido de sono, rouco, deixa-o sexy. Não tenho que pensar nesse tipo de coisa.

-Bruno! - Agraço por ele me atender. Minha princesa já levanta a cabeça para o meu lado, melhorando um pouco seu rostinho.

-Você está bem, a nossa filha está bem? A nossa da barriga, ou a Bê? - Porque ele pensou que eu estava mal? Sim, quatro horas da manhã e eu apenas iria ligar para dar oi. Óbvio que não.

-Teria como vir aqui em casa? - Pergunto ignorando as perguntas que ele fez.

-Agora?

-De preferência.

-O que aconteceu? - Pergunta pensativo.

-A Bê está desesperada chamando por você. Não posso sair de casa com esse sereno, não faria bem para nenhum de nós três. - Sua respiração pesa, é a segunda vez que eu o acordo, sei que não é legal, mas o que eu posso fazer?

-Chego ai daqui a pouco. - Ele apenas desliga. Sei que ficou irritado comigo, ele odeia ser acordado.

Coloco minha filha no carrinho, com cobertas e bem aconchegante. Coloco seu inseparável leãozinho e sua fralda de pano para ela poder se distrair, e a levo para a sala junto comigo e um cobertor. Me instalo lá no sofá mesmo, já que seria impossível eu voltar a dormir, e não quero correr o risco de acordar nenhum dos dois. Embalei o carrinho e ela me olhava, com seus olhos ainda cheio de lágrimas. Deus porque tudo está parecendo tão difícil ultimamente? Meu filho que está dentro de mim não tem culpa de eu estar grávida, isso aconteceu antes de eu ir embora da casa do Bruno. Tudo está complicado. Pensei que saindo da casa iria sumir meus problemas, mas só sumiu as brigas diarias com o Bruno, porque ainda está a mesma coisa, senão pior. Minha filha era acostumada a ter seu pai babando sobre ela dia e noite, e agora eu acabei estragando isso, eu sou culpada indiretamente do choro dela, da infelicidade que ela deve estar passando.

-Peppa! - Ela diz quando o desenho começa. Não fazia ideia que dava desenhos a essa hora da madrugada.

Viro seu carrinho para a televisão e enfim eu consigo ouvir seu risinho, mas não por muito tempo. Logo tenho que embala-la novamente por que o desenho acaba. Ouço duas batidas na porta e deixo-a sozinha rapidinho para atender Bruno.

-Onde está ela? - Grosso! Não respondi, fiquei olhando ele entrar e minha filha gritar mais uma vez por ele, menos mal que não é chorando. - Minha princesa. - Ele passa a mão sobre seus cabelos enrolados de não pentear. - Acordou a mamãe me chamando? Pra que esse escândalo todo, hein? - Sua voz falando com ela é tão doce. Meu peito alivia, porque finalmente ela conseguiu seu pai ao seu lado e parou de chorar. Fecho a porta e me sento ao seu lado no sofá, com um pouco mais de distância.

-Obrigada por vir, ela não parava de chorar.

-Estou vendo seus olhinhos vermelhos. - Ele meche em sua bochecha e ela ri, escondendo o rosto perto do seu braço. - Você está bem?

-Com sono, cansada e com dor, mas bem.

-Dor onde?

-Um pouco nas costas, coisa da gravidez. Mas estou achando que é um pouco mais psicológica, porque antes de saber que eu estava grávida não sentia nenhuma dor, além dos enjoos que eu achava que era normais no inicio, porque tinha passado por dores no estômago.

-Precisa de analgésicos? - Nego com a cabeça e ele fica acariciando nossa filha, e seus olhinhos vão se entregando para o sono. Ele boceja e eu também, rimos disso e então ele olha para minha barriga e eu fico sem jeito. - Precisa que eu vá com você amanhã?

-Hoje. - O corrijo e ele dá de ombros. - Não vou ter ultra-som amanhã mesmo, só irá ser consulta chata de rotina e encaminhamento para exames.

-Hoje! - Ele me corrige e nós dois acabamos rindo, e nossa filha, apesar dos olhos quase fechados, ri também.

Bruno embala ela até ela cair no sono pesado. Amanhã não irei ter forças nem pra ir pro serviço, quanto mais para a consulta, vou parecer um zumbi. Ele a põe no carrinho, é perigoso deixa-la dormindo no quarto enquanto estamos na sala. E então começamos a conversar, já que estávamos ali.

-Eu ainda não entendi aquilo que você me falou na festa. - Diz ele.

-Aquilo o que?

-De alimentar corvo... sei lá. Tive a impressão que estava falando indiretamente de alguém.

-E estava. - Um dia ele precisará saber quem a Paige é.

-Quem era? O porque falou aquilo.

Expliquei o que aconteceu dentro da casa e o que ela me falou. Falei do meu lado também, que a enfrentei. Mas não falei o porque começamos com isso, não poderia deixar escapar que eu ainda penso nele com tanta frequência como se nós fossemos namorados ainda.

-E o porque começou isso? - Ele estava com a testa franzida.

-Banalmente, um assunto idiota.

-Assunto idiota? Me poupe Nicole, você não discutiria com ela por pouca coisa.

-Juro que foi por idiotice, eu esbarrei nela quando saí do banheiro.

Bruno gargalha alto, mas para em seguido. Idiota, será que não vê que nossa filha está dormindo. - Você não faria isso.

-Mas eu fiz. - Me arrependi de contar pra ele. - O importante é que sua amiguinha não é nenhuma santa.

-E você também não, deixasse ela discutindo sozinha, mas não, foi lá e discutiu também.

-Queria que eu desse as costas?

-Seria mais sensato. Paige não é assim.

-Bruno, se você vai ficar do lado dela, se é que tem um lado essa história,  eu acho melhor que vá embora, chamei você aqui por causa da sua filha e não por caprichos meus.

-Eu não estou do lado de ninguém, só estou tentando dizer o que eu penso sobre as duas.

-Pouco me importa o que você pensa, ok? - Minhas mãos tremiam, não sabia o que poderia significar, mas o amor passou tão rápido na hora que deu lugar a ódio a ponto de querer enfiar minhas mãos no seu pescoço.

-Eu sei que importa, Nick.

-Ela falou aquelas coisas pra mim não foi por diversão, deve ter um porque! - Suspiro fundo.

-O que seria esse porque?

-Nada Bruno...

Tocar feridas antigas dói tanto. Ele estava defendendo ela, e ela discutiu comigo por causa dele, está mais do que na cara que eles tiveram algo, e eu sou uma idiota por ter pensado que não. Não queria lembrar de nenhum detalhe das nossas brigas diárias, das nossas discussões e das vezes que ele estava bêbado.

-Se você não falar eu nunca irei saber! - Bruno estava tão sério. Meu peito já se contorcia, eu não poderia chorar, não queria chorar.

-Estou falando do fato de você me trair com ela.

-Trair? Nicole! - Ele tenta segurar as minhas mãos, eu tiro rapidamente me encolhendo mais para o lado. - Nicole, eu não seria capaz de trair você. Eu nunca beijei, nem transei com outra pessoa em todos esses anos que estamos juntos, além de você! E agora que estamos separados eu também não fiz isso. Sei que quer que eu siga em frente, mas eu não consigo porque eu te amo!

Ouvir aquelas palavras me deixaram tão confusa. Eu tinha duas opções, beija-lo e acreditar nele, ou pedir que ele fosse embora e chorasse sozinha, eu quero fazer os dois. Eu quero acreditar nele, mas parece que tudo é mais impossível depois de tudo que passamos juntos.

-Vá embora, por favor. - Peço baixinho, escondendo o rosto entre as mãos, quando sinto o seu toque.

-Eu não posso ir embora, você não vê que nós temos que ficar juntos?

-Não... não temos. Vá embora, por favor.

Choro, tentando colocar pra fora o que estou sentindo. Deus, como eu queria que as coisas fossem mais fáceis, ou que nós mulheres fossemos mais fortes. Me considero forte até certo ponto, eu era muito forte até conhecer o Bruno. Descobri nele minhas fraquezas, ele me deu a fraqueza maior, que é meus filhos. Se algo acontece à eles, eu posso até morrer. E odeio admitir, mas se algo acontecesse ao Bruno, também poderia morrer. Ao mesmo tempo que Bruno e meus filhos são minha fraqueza, eles também são minha rocha. Me sinto viva por ter eles.

-Não chora... eu te amo tanto, tanto! - Sua testa repousa no meu ombro e eu tenho vontade mais ainda de abraça-lo. Ele parece estar falando a verdade. - Desculpa por sempre ser um idiota. Eu confio em você e acredito no que me falou sobre ela, vou me cuidar.

-Eu preciso de tempo, vá embora, por favor.

-Não posso.

-Se você ama ela, você vai embora, Bruno, por favor! - Ouço a voz de Thales. Nem me viro para olha-lo. Apenas vejo o Bruno dando um beijo em nossa filha e me olhar por segundos, com os olhos inchados.

Ele foi embora e eu me sinto envolvida pelo abraço do Thales, que me conforta. Choro livremente em seu ombro, embora queira realmente parar de chorar e encarar a vida. Mas eu não consigo ser tão forte assim.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Trinta e cinco - Parte 2




Nicole Pov's 

Passei a tarde praticamente olhando para as paredes. Lisa fez minhas unhas e eu fiz as dela, hidratei meus cabelos e pus máscara no rosto. Dormi enquanto a máscara agia, e quando ouvi um choro na televisão, acordei apavorada a procura da minha filha.

Penso no que o Bruno está fazendo com ela e se ela está bem.

-Se você não vestir a roupa, ela não vai se vestir sozinha. - Lisa, antes de entrar diz. Eu estava parada, vestida apenas com a minha roupa íntima e cabelos feitos, andando pelo quarto. - Que barriguinha mais linda. - Ela faz um gesto estranho com as mãos. Rio dela e passo a mão pela minha barriga pequena.

-Meu vestido vai marcar. - Falo torcendo os lábios.

-Um dia todos vão saber que você está grávida novamente.

-Mas eu tenho medo, eu não me sinto preparada ainda. Olhar todos hoje, lá na festa, vai parecer que eu sou culpada, e aos olhos dos outros vão até achar que o filho não é do Bruno, porque nós estamos separados. - Assopro o ar acumulado de dentro de mim, e ela coloca a mão espalmada na minha frente.

-Nick, você não deve nada pra ninguém, não tem com que se preocupar.

-Eu sei, mas... - encho meus olhos de lágrimas. Não posso com esses hormônios doidos.

-Mas nada. Vista esse vestido. Eu e Thales estamos esperando você na sala.

Ela me deixa sozinha no quarto, e tudo parece sair do lugar. Me sinto mal quando visto o vestido, não mal de saúde, mas parece que eu estou fazendo a coisa errada. Não entendo o porque.

Talvez seja minha mente avisando que todos irão ver minha barriga com aquele vestido, que fosse melhor talvez trocar por outro mais soltinho. Ou talvez esteja mais do que na hora de eu encarar a realidade e parar de tentar me esconder. Me olho no espelho passando a mão sobre a barriga, agora com o vestido, e dá pra perceber, mas não tanto como eu pensava. Será que o Bruno irá gostar?

Balanço minha cabeça, querendo dar de tapa na minha cara. Não tem o Bruno gostar ou não, eu simplesmente vou vestir o que eu quiser.

++++

Cumprimento algumas pessoas que eu conhecia que estão no pátio, e entro na casa atrás das meninas e da minha filha. Vejo Jaime que me acena com a mão para que eu vá pra lá. Phred passa por nós de mãos dadas com Onnie, e dá oi normalmente. Pensei que Lisa ficaria abalada com isso, mas ela segue em frente e nem comenta sobre o assunto, e pelo que eu conheço, ela realmente não se incomodou.

-Oi. - Jaime diz animada dando-me um abraço bem apertado. - Eu sabia. - Ela cutuca meu ombro e rapidamente passa os olhos pela minha barriga.

-Acho que hoje todos vão ficar sabendo... só acho. - Tentei ser bem humorada, e acho que deu um pouco certo, pelo menos ela riu. - Onde está as meninas, a Tiara, minha filha...- Olho para os lados perguntando enquanto ela cumprimenta Lisa e Thales.

-As meninas estão ali na cozinha e sua filha está com elas. Ou com o Eric. A Tiara foi até a sala conversar com uma colega e já volta. - Ela pisca quando diz "colega", ela está referindo-se a outra pessoa, um cara, menos à uma colega dela.

Seguimos até a cozinha e dou oi para todas as meninas, que estavam comendo alguns petiscos e bebendo. Dou oi para Eric, maquiador das meninas, mas que eu o alugo ás vezes, e pego minha filha que estava eufórica em seu colo assim que me viu.

-Saudades da mãe, bebê. - Cheiro seu pescoço e ela ri, enterrando o seu rosto na curva do meu.

-Ela está tão linda. - Ele sorri pra mim, e olha para Thales e Lisa.

-An, Eric, essa é Lisa minha amiga, e esse é o Thales, meu amigo também.

Eu os apresento e eles se cumprimentam. Tudo parece correr bem. Fomos para o deck próximo a piscina, e mais pessoas chegaram. Sentei na mesa depois de dar feliz aniversário para Tiara, e entregar-lhe o presente - que Thales comprou -, e coloquei minha filha no colo. Conversei enquanto comi alguns petiscos, e mesmo não devendo, eu pegava pedaços minúsculos e dava na boca da minha filha, que pedia mais e mais.

-Hey. - Não vi quando Bruno tinha chego, ele deu um beijo em minha bochecha e logo beijou minha filha. - Oi.

-Oi. - Dei oi e continuei minha conversa com Lisa, Thales e Eric. Christina havia entrado na roda junto com seu namorado, mas digamos que ela não estava falando muito, apenas ouvindo a conversa e opinando ás vezes.

-Posso pegar ela rapidinho? - Bruno estica os braços para minha filha que nem fez cerimônia e se jogou pra cima dele.

-Claro. - Dou de ombros.

Ele segue para perto dos amigos, que ficam em cima dela e brincando. Lisa pergunta se eu quero acompanha-la no banheiro, aceitei e no meio do caminho encontramos Urbana e Cindia, ambas também grávidas. Cumprimento as duas e digo que já volto para conversar com elas.

-Hey, boa noite! - Ryan sorri pra gente e Lisa o olha meio perdida.

-Oi Ryan. - Ela diz e eu repito o mesmo.

-Vamos lá pra fora? - Pergunta ele.

-Vamos no banheiro, depois nos encontramos lá.

Fiquei impressionada com a resposta dela para Ryan. Quando voltamos, parei para conversar com Cindia e Urbana, enquanto Lisa ia pra pista de dança falar com o Ryan que havia acenado pra ela.

-Não quero ser indelicada, Nick... mas - ela aponta para a barriga -, é o que eu estou pensando ou não? - Urbana confere e sorri de orelha à orelha.

-É... - Respondo de mal jeito.

-Meu Deus, o Bruno nem o Eric me falaram nada.

-Nem o Phil. - Urbana reclama.

-Porque além da Lisa e do Thales, só a Jaime e o Bruno sabem. - Respiro fundo. - Nem a Julia... que aliás, onde está? - Pergunto conferindo pelos lados.

Pairo meu olhar sobre a cena que eu gostaria que não se repetisse, mas repetiu. Bruno está na frente de Paige - em primeiro lugar o que essa mulher quer aqui? - e ela está com minha filha nos braços, que para a perseverância do bom gosto, não está nem sorrindo e ainda pedindo o colo do pai.

Peço licença para as meninas e discretamente chamo o Bruno, que me olha perdido e pega Bê rapidamente do colo dela e vem na minha direção.

-Minha filha. - Estico os braços, e ele me entrega ela sem exitar.

-Escuta... - Ele pede, mas me recuso a ouvir.

-Ela pode me tirar você, pode me tirar muitas coisas, mas minha filha não!

-Calma, ela não me tirou de você.

-Poupa seu discurso. Minha vida virou um inferno depois que ela apareceu, mas isso não muda em mais nada agora, porque você não é nada meu, além de amigo e pai dos meus filhos. - Dou as costas pra ele e quando passo por Thales, entrego a Bê e corro para o banheiro do primeiro andar mesmo.

O enjoo que tive, não sei se foi mais por nojo dela, ou por me irritar como me irritei. O que eu mais me martirizo é que eu falei muitas coisas sem pensar, e deu pra sacar que realmente eu estava era com ciúmes dele. E querendo saber o porque aquela mulher estava ali. Não tinha um porque... Vomitei e me limpei, ajeitei as coisas que baguncei no banheiro.

O enjoo que tive, não sei se foi mais por nojo dela, ou por me irritar como me irritei. O que eu mais me martirizo é que eu falei muitas coisas sem pensar, e deu pra sacar que realmente eu estava era com ciúmes dele. E querendo saber o porque aquela mulher estava ali. Não tinha um porque... Vomitei e me limpei, ajeitei as coisas que baguncei no banheiro.

Abro a porta, saio e a fecho. Dou um trombada com Paige bem em minha frente. Ela me encara com um sorriso cínico. Como as pessoas não percebem que essa mulher é uma cobra, e eu não estou enganada, eu sei que é, eu sinto que ela é.

-Seu ex namorado está lá na rua, não se preocupe, não irei me trancar com ele no banheiro. - Sua voz sai tão, argh, tão sem explicação, mas só dela ameaçar falar eu já me irrito.

-Não me importa onde ele está.

-Pareceu que sim. - Ela sorri.

-Me importo em que mãos a minha filha fica, isso sim. - Retribuo o sorriso.

-Está querendo dizer o que com isso, garota? - Ela arqueia a sobrancelha.

-Querendo dizer que não quero minha filha perto de algumas pessoas. Eu sei o que é melhor pra ela.

-Só por ela ser sua filha, já não sabe o que é melhor pra ela. - Minha profunda vontade era dar um tapa na sua cara, mas eu sou mais que isso, sou superior a ela. Respiro fundo.

-Você não é cruel como você gostaria, mesmo porque pra crueldade é preciso um talento ou inteligência, e são duas coisas que você não tem, você é cínica, baixa, rasteira...

-Não me interprete mau... posso ser uma ameaça para você. - Seu sorriso tão falso, atravessou meu estômago me provocando mais enjoo.

-Para mim? - Gargalhei alto em desdém dela. -Nunca!

Viro as costas pra ela, que segura levemente em meu braço.

-Não seja ridícula, você se escapa porque está grávida. - Ela olha com nojo para minha barriga. - Ou acha que ninguém percebeu ainda?

Tiro sua mão do meu ombro e coloco a outra sobre a minha barriga.

-Eu estou sim, e em nenhum momento neguei isso! - Tento não vacilar na voz, afinal, eu estava mentindo.

Segui meu rumo pelo corredor e não olhei para ela. Na cozinha peguei uma garrafa de água e tomei muitos goles seguidos, o que deixou meu estômago estranho de inicio, mas depois se acostumou. Procurei o Bruno e o cutuquei de leve em seu ombro.

-Onde está minha filha? - Pergunto baixinho.

-Com o Ryan e o Phil, porque? - Pergunta se virando na minha direção. - Você está quente, Nick. Está passando mal?

-Não. - Nego na maior tranquilidade por saber que minha filha está em boas mãos. - Cuidado Bruno, você está criando corvo para depois eles comerem seus olhos. - Dou um suspiro e seus olhos ficam me encarando, buscando mais respostas ao invés de só aquilo.

-Do que você está falando, Nicole? - Pergunta tentando associar o que eu estava falando.

-Nada. - Balanço a cabeça. - Esquece.

-Tudo bem, mas você está bem? Parece tão tensa. - Ele passa a mão no meu braço e seu toque me faz sentir algo estranho, não é arrepio, nem medo, não sei decifrar... Parece desejo!

-Não, só cuide com quem anda e quem considera seus amigos ou algo a mais, ok? - Fico nervosa e eu sinto que passei a impressão errada, como se algum dos amigos dele tivessem dado em cima de mim, ou algo assim.

-Hey Nick, as meninas estão procurando você, estamos tricotando. - Hannie me chama e intercala os olhares entre eu e o Bruno. Sorrio pegando sua mão.

-Vamos lá. Nos falamos depois. - Digo para o Bruno e saio com ela.

Tantas mulheres juntas não prestam. Sempre soube disso. Nós falamos tanto, de homens, roupas, sapatos, marcas e até de carros. Falamos sobre a turnê e novo álbum que eles planejam, sobre sonhos e filhos. E foi quando achei que era a hora de por os pingos nos "i's". Falei para elas que esperava mais um filho, Jaime agradeceu quando eu disse porque de acordo com ela, não iria conseguir guardar pra si.

Minha filha pede comida e eu me distancio das garotas indo para o quarto de Tiara, acompanhada dela. Troco a fralda dela enquanto Tiara pega sua mamadeira na cozinha, e trás duas bolachinhas. Dou comida para ela que chega a revirar os olhos de tanta fome. Passo a mão pelo seu cabelinho enquanto ela segura a mamadeira com suas mãozinhas.

-Ela se parece tanto com ele... desesperadamente. - Tiara ri quando ela arqueia somente uma sobrancelha.

-Ela tem muita coisa dele mesmo. - Suspiro.

-Acha que vem um menino para completar um casal? - Pergunta.

-Vontade eu tenho de que seja um menino, mas parece que eu sinto ás vezes que é uma menina. -  Meus olhos brilham quando eu falo dos meus bebês, tanto do que está dentro de mim quanto da minha pequena princesa.

-Quem sabe não vem os dois?

-Não, por favor. - Rio e ela vai no meu embalo. - São muitas coisas pra cuidar. - Tiro a mamadeira vazia das mãos da minha filha e a coloco sentada em meu colo.

Conversamos mais um pouco até ela pegar no sono e então a pus para dormir com uma cobertinha por cima, e almofadas e travesseiros em sua volta para não ter perigo de cair. Retornamos para a festa e eu não vi Paige em lugar algum no decorrer que a noite passava. Bruno sempre me perguntava se eu precisava de algo e se eu estava me sentindo bem, e aquilo estava me sufocando. Odeio isso, odeio o fato dele ser outra pessoa em fração de segundos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Trinta e quatro - parte 2


Não tive cara para ligar para Nicole. A sua imagem saindo pela porta do quarto do hotel deixando claro que nada do que tínhamos antes irá voltar, mexeu comigo. Por isso mudei alguns horários. Nessa semana que passou eu visitei a Bê duas vezes de manhã, e três vezes após o almoço. Horário que ela está com a baba, e eu não preciso ver a Nick. Sinto que devo respeitar o espaço dela, mas ao mesmo tempo tenho muita necessidade de falar com ela, saber como ela está se sentindo e como o bebê está. Então recebi uma grande  ideia, contribuição da minha própria mente.

O número de Thales fica tanto tempo chamando, que quando penso em desistir,  ele atende com a voz mais afobada. Não quero imaginar o que ele estava fazendo.

-Alô. - A voz levemente afeminada fala. Nada contra. Até gosto dele.

-Oi, sou eu.

-Bruno sua voz é bem reconhecível. O que quer? - Ouvi um pequeno barulho.

-Você estava ocupado? - Pergunto a ele.

-Um pouco. Na verdade estava fazendo alguns exercícios, pretendo voltar a acadêmia, mas isso não vem ao caso. Aconteceu algo?

-Queria conversar com você sobre a Nick...

-Ah, eu deveria imaginar.

-Como ela está?

-Muito bem de saúde... - Sua frase saiu praticamente sem término.

-Só de saúde?

-Bruno, eu não posso mentir, ela precisa de você, e se vai conforta-lo, ela sente a sua falta mais do que imagina. Mas ela não quer tocar no assunto, ela está fragilizada.

-Você não sabe mesmo como eu estou, não é? - Pergunto e encaro eu silêncio como uma resposta. - Eu estou um caco! Não vejo graça nas coisas. Los Angeles é um lindo lugar, mas perde a cor quando ela não está do meu lado. Era ela quem fazia a minha vida, e eu me arrependo...

-Hey Bruno, desculpa, mas essas coisas você deve falar a ela. Acho lindo essa sua atitude, e eu sei que você ama ela, assim como ela ama você. Mas tem razão quando diz que vacilou.

-Eu a quero de volta, eu quero ela, meus filhos, quero minha vida. Mas eu não sei como posso fazer isso. - Digo chorosamente.

-Eu também não sei como vai fazer isso, mas tenho certeza que se seguir seu coração, vai conseguir.

Seguir meu coração? A questão não é o meu coração, é o coração dela que me impede de estar ao lado dela. Já prometi que nada vai ser como antes, eu irei ser melhor. Jaime e Phil me disseram a mesma coisa, mas eu estou mais perdido do que antes.

-Bruno?

-Estou com medo de falhar, com medo de nada voltar. Eu a quero. Eu preciso dela.

-Não fale isso pra ela agora, não ouse! - Ele adverte. - Ela precisa de paz por enquanto, a gravidez pode trazer complicações, e eu e nem você queremos isso.

-O que eu faço então?

-Dê um tempo, e pense numa forma de impressiona-la, dela acreditar realmente que você mudou por ela.

-Como faço isso?

-Você tem tempo para pensar.

-Você pode me ajudar com algo? - Peço e ele ri.

-Eu irei ajudar com tudo que puder. Vocês juntos podem ter momentos vacilantes, mas separados são piores. Eu gosto de você Bruno, você faz bem a ela, e entendo esses momentos que você quer mais solto. Mas isso terá que acabar, para o bem dos dois, ok?

-Eu estou disposto!

-Então fique tranquilo, tudo vai se ajeitar. - Ele me tranquiliza. - Ponha um sorriso no rosto, e encare isso como um SPA. Nick está bem cuidada.

-Tudo que você souber me diga, ok?

-Ok.

-Hey, quando será a primeira ecografia?

-Daqui duas semanas... eu vou com ela, e eu gravarei pra você, tudo bem?

-Você não existe! Eu te amo, cara. Cara ou... esquece. Obrigada por tudo.

Desligo o telefone assim que ele se despede. Por incrível que pareça, ele me deixou tranquilo, ele mostrou que tudo tem um lado melhor e ele acredita no meu amor por ela, é o que mais me importa. Meu objetivo é conseguir convence-la de que ao meu lado é o melhor lugar para ela estar, e que eu a amo profundamente.

Nicole Pov's 

Acordo pelo sábado gritando. Assustei minha filha que acordou chorando pelos meus gritos. Silencio ela dizendo coisas bonitas, e batendo levemente  em seu bumbum para ninar ela novamente e faze-la dormir mais um pouco. Está cedo, na base de 6 horas da manhã. Quando minha princesa pega no sono, eu me deito olhando para o teto. Tive um sonho ruim, eu não conseguia falar, mas Bruno estava trancado no quarto e quando eu faço a volta na casa para espiar pela janela, ele estava sentado numa cadeira, olhando para a parede branca, estático, nem piscava. E junto dele estava aquela maldita criança que sempre me assombra nos sonhos. Eu gritei com medo do que pudesse acontecer com ele.

Eu não consegui esquece-lo, e creio que isso não será possível. Não vai ter um dia que eu não lembre dele, até porque eu tenho dois filhos dele. Mas eu já me separei dele sabendo que nada seria tão fácil assim, eu já sabia que ia ser complicado, mas tende a melhorar. Um dia melhorará cem por cento, talvez.

Perdi o sono completamente, então levantei, fiz uma pequena barreira com travesseiros e cobertas nos dois lados da minha filha e andei pouco até chegar na sala. Estava tão acostumada a andar um corredor bem comprido para chegar na sala da casa do Bruno, e aqui é simplesmente sair da porta do meu quarto e dar uns passos pra frente. Peguei um copo de leite na cozinha e liguei a televisão bem baixinho, depois de tomar, repousei minha cabeça na guarda do sofá e fiquei olhando televisão.

Ouço passos na casa, movimento e a luz que invade as janelas clareando a sala. Lembro que dormi na sala. Sento-me no sofá, passando a mão nos cabelos embaraçados e bem armados, depois passo-as no rosto e por fim na minha barriga, dando bom dia para meu pequeno, ou pequena.

Olho pra cozinha e não há ninguém, mas eu tenho certeza que ouvi passos. Caminho afinco até o quarto para certificar que minha filha estava bem. Antes de chegar na porta, escuto duas vozes masculinas que reconheço de imediato: Bruno e Thales. Apareço na porta tentando ajeitar o cabelo e ele me olha de primeira, passando o olhar diretamente para a barriga.

-Bom dia. - Digo fazendo um coque bem mal-feito. - Amor da mãe já acordou?  - Estico os braços, sorridente, para minha filha, mas ela olha para o pai e fala coisas que não dão para entender.

-Bom dia. - Os dois respondem.

-Ela já mamou? Ou está acordada a muito tempo? - Pergunto diretamente para Thales que gagueja enquanto olha para eu e para o Bruno.

-Eu preparei a mamadeira dela, e já dei. - Bruno responde. - Posso leva-la pra casa das minhas irmãs?

-Ah... claro. - Respondo receosa. Difícil vai ser passar um final de semana longe dela, muito difícil.

-Elas convidaram vocês pra festa que vai ter à noite, lá na casa da Tahiti e da Tiara. - Bruno meio que dá de ombros.

-Nós iremos. - Respondo rápido.

-Ok. - Acho que ele não esperava uma resposta positiva.

-Vou fazer café. - Thales se some como vulto do quarto e Bruno retorna ao que iria falar.

-Tem como arrumar a malinha dela?

-Vai leva-la mesmo assim? Pensei que fosse só pela festa...- Justamente por isso concordei em ir.

-Vou. Vou dar um passeio com ela de tarde, e depois da festa vou leva-la pra dormir comigo.

-Mas você sabe fazer as coisas? Você tem nojo de trocar fraldas e não pode deixa-la muito tempo com a mesma, senão ela se assa. - Falo preocupada com o que poderia acontecer, mas eu sei que ele é um bom pai.

-Eu sei de muitas coisas, Nick. Calma. - Ele ri brincando com a Bê em seu colo. - Você já foi ao médico? - Ele olha discretamente para a barriga.

-Ainda não, vou essa semana. - Respondo.

-Por favor, quando tiver a primeira ecografia, deixa eu ir? - Pergunta ele encostando de leve no meu braço, meu corpo inteiro arrepiou-se.

-Nós ainda vamos conversar sobre isso, ok? - Ele responde assentindo.

Bruno Pov's

Foi uma luta para sair de casa. Bê é apegada a mim sim, mas quando viu que eu saí pela porta somente com ela, e que sua mãe ficou pra trás, ela chorou e berrou pelo corredor, se debatendo para sair do meu colo e ir para o da mãe dela. Nick teve que descer conosco até o estacionamento. Fizemos algumas "voltas" na minha filha para que ela se acalmasse, e somente quando demos seu urso e ela se distraiu com ele, Nick pôde subir e eu dar continuidade onde queria ir.

Ficava observando minha filha pelo retrovisor, ela dizia algumas coisas e balançava a cabeça, e quando olhava para o espelho e via meu reflexo, ela gritava feliz. Minha princesa está crescendo tão rápido. Daqui a pouco ela não vai precisar mais de nós para ir ao banheiro - não que ela vá ainda, mas quando começar a ir -, não vai mais precisar que demos banho nela, nem pormos ela em seu berço para dormir. Vai ser tudo mais fácil, mas ao mesmo tempo mais complicado. Talvez não terei mais os carinhos que ela nos faz, nem mesmo sua companhia para algumas coisas, ela vai querer encontrar a sua turma e pode até ter vergonha de andar com nós pela rua, para não pagar "mico".

Estacionei em Venice Beach. Passeei pelas calçadas com ela no seu carrinho rosa, ela sorria para todos que nos olhavam, e eu evitava parar muito. Apesar que meu boné tapando quase meu rosto, não dava para perceber exatamente de quem se tratava, então não teve tão assédio como eu pensei que teria.

Comprei o presente da Tiara, e comprei algumas coisinhas para minha filha, coisas básicas, e então peguei um pequeno casaquinho branco para meu outro filho ou filha.

++++

-Cuida da minha filha. - Grito para a maluca da Tahiti que a pega no colo e corre pela casa, fazendo a Bê gargalhar alto. - Quer ajuda? - Pergunto a Jesse que estava com algumas caixas de bebida.

-Pensei que não iria se oferecer. - Ele apontou para as caixas que eu deveria pegar e eu ri.

Colocamos muitas caixas no freezer e aproveitamos para ajeitar as caixas de som na parte de fora da casa, a festa hoje seria no deck perto da piscina. Setembro não é um mês tão frio assim, então depois que alguns já estiverem bem mal da bebida, talvez se atirem.

-Tio, brinca comigo? - Pede Zyah piscando os olhos devagar.

-Vai gastar toda a energia agora e mais tarde não terá para brincar com o resto das crianças. - Passo a mão no seu ombro, me abaixando para ficar do tamanho dele.

-Eu queria entrar na piscina, mas o pai não deixa. - Me confundo quando ouço ele falar pai. É estranho, porque para mim o pai dele é o Jason, mas o Billy que praticamente o criou e é o atual namorado da Tahiti, então me confundo bastante. Olhei para o Billy que estava ajeitando algum banco.

-E se eu sem querer te jogar na piscina? - Pisco pra ele, que ri e comemora.

Pego meu sobrinho no colo, pesado, e o levo para a beira da piscina. Pergunto alto, dizendo pra ele nunca mais fazer tal coisa, mas ele não tinha feito nada, era apenas um grau para eu poder ter um porque o colocar ali. Óbvio, eu não iria toca-lo de verdade.

-Não ouse tocar meu filho na piscina, cabeça de bigorna. - Tahiti aponta em  nosso lado, sem minha filha nos braços.

-Pequena águia, abortar missão, câmbio desligo! - Digo para Zyah e o coloco em pé ao meu lado. - Onde está minha filha?

-Sendo babada por muitas mulheres, acredite! - Ela aponta com o polegar sob os ombros. - Christina chegou junto do namorado e o Eric.

-Pessoal chegando cedo, hein. - Cruzo os braços.

-Que mal te aflige, Bruno? - Ela chega mais perto de mim e meu sobrinho corre para onde seu irmão está.

-Nicole... - Não sabia se deveria contar ainda que ela está grávida novamente, então me calei.

-Ela vai vir?

-Disse que sim, tomara que venha. - Sorrio de lado e ela coloca uma mão no meu ombro, um gesto de carinho.

Pelo menos eu imaginava que seria um gesto de carinho. Mas mudei de ideia quando a água tomou conta do meu corpo, e eu me debati para voltar a superfície. Gritei que iria matá-la enquanto ela ria divertidamente, e Billy, ah Billy, gravava num canto tudo. Isso foi planejado. Não vai ficar assim. Mas acabei rindo com todos, porque realmente, fui pego de surpresa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Trinta e três - parte 2

Sento-me na cama, apavorada penso que estou atrasada para o serviço, mas lembro de dois detalhes importantes: hoje é sábado, e eu não estou em casa. Logo me remete a lembrança da noite anterior, Bruno fez-me sentir no paraíso, aliás, de uma forma inexplicável ele sempre consegue fazer isso. Viro meu rosto para olhar para ele dormindo, nu, somente o fino lençol o tapando.

Penso no quão difícil será encara-lo hoje e fingir que nada aconteceu, pois é isso mesmo que eu preciso fazer. Não quero ficar me martirizando pensando no que perdi, e nem sobre o que fizemos ontem à noite. Somos adultos... Nicole, você é uma idiota. Atitude mais infantil que ignorar o que aconteceu, não tem. Droga, preciso pensar.

Minha barriga ronca alto, meu bebê dá sinal de vida.

Meu bebê. A Bernie!

Passo a mão sobre a barriga e rapidamente me lembro da Bernie. Eu sou uma péssima mãe, se é que dá para me chamar de mãe. Levanto rapidamente e pego minha roupa pelo chão. Lavo-me o que posso no banheiro e tomo cuidado para não sair cheirando. Quando retorno ao quarto, Bruno já está acordado, recostado na cama, com o lençol tapando somente sua parte íntima.

-Bom dia. - Ele diz sorridente.

-Bom dia, Bruno. - Falo apressada catando meus calçados.

-Já vai embora? Vamos aproveitar o café da manhã.

-Não, eu preciso ir. Minha filha está sozinha, quer dizer, com o Thales e com a Lisa, mas e se eles não acordarem para dar mama à ela? - Digo confundindo tudo, estabanada e com medo.

-Deixa de bobagem, eles estão cuidando bem dela, se algo tivesse acontecido ela já teria ligado.

-Ah meu Deus. - Pego meu celular rapidamente e consto que ele está com a bateria quase acabando. - É, ela não me ligou. - Digo observando ele, talvez um pouco mais calma.

-Viu, está tudo bem, agora vamos tomar café! - Ele levanta tapando suas partes íntimas com a toalha. Pega o interfone e liga para a recepção, enquanto eu disco o número da Lisa.

-Alô. - Diz ela.

-Oi Li, está tudo bem?

-Sim, ótimo na verdade.

-Ah, graças a Deus. - Alivio-me um pouco e ela ri.

-A Bê está ótima, tomou mama e agora está olhando desenho com a dinda! Não é amor da dinda? Quem é a coisa mais lindinha? - Ela fala com voz de criança para Bê que resmunga um pouquinho e ri dela.

-Ela deve pensar que você é retardada. Se bem que ela não está errada.

-Hey, eu cuido da sua filha para você transar em paz e é isso que recebo em troco?


-Lisa! - A repreendo sentindo minhas bochechas queimarem.

-Quando chegar em casa nós conversamos. Como está o nosso bebê?

-Está bem, com muita fome! - Digo baixinho para o Bruno perceber. - Vou tentar dizer pra ele hoje. - Falo mais baixo ainda.

-Boa sorte, vou desligar, beijos.

-Beijos, daqui a pouco estou em casa.

Não sei se ela chegou a ouvir o que eu falei por último, mas logo ela desligou. Olhei para o banheiro no qual Bruno fechou a porta segundos atrás. Ajeitei a roupa que ele havia deixado espalhada, sobre a cama, e me sentei na cadeira rente a mesa com o celular em mãos. Bruno saiu do banheiro e sentou-se na mesa comigo. Conversamos muito pouco até o café chegar. Atraquei as coisas com vontade, e ele também não foi muito longe disso. Comemos o que podíamos e o que nos deixava satisfeitos e depois rimos enquanto contávamos tudo o que comemos.

-Será que eles cobram por desperdício? - Ele aponta para um pequeno pedaço de pão que havia ficado em seu prato.

-É óbvio que não, palhaço. - Rio dele mais uma vez. Estava divertida essa manhã.

Batuquei meus dedos na mesa, queria começar falando pra ele, mas não sabia exatamente isso: como começar. O que eu iria falar? "Oi Bruno, sabe quando você desconfiou que eu estivesse grávida, pois é, eu já sabia e te menti porque ainda estava abalada e tinha medo que acabasse tendo uma recaída, mas já que essa noite nós transamos e eu me decidi que estou melhor sem você, aí vi que poderia falar". Pra começar, eu não vi que estou melhor, estou numa confusão. Quero ele por perto, mas ao mesmo tempo lembro que nós dois juntos dará uma bosta, e voltará ao mesmo ponto em qual paramos: brigas por nada. Eu não quero mais isso. Meu bebê irá nascer em um ambiente calmo, tranquilo, seus pais separados, mas mantendo uma amizade legal! É melhor assim do quê juntos, se matando.

-Bruno. - Chamei sua atenção para mim, quando ele olhava pela janela. - Podemos conversar?

-Ah, claro. - Ele respondeu parecendo ficar nervoso repentinamente.

-Só não sei como começar isso, então, não exija muito. - Eu rio descontraída e ele se ergue, rindo, mas não com tanta graça.

-Tudo bem.

-Sabe quando você foi ao meu apartamento, perguntando como eu estava me sentido, e enrolando para perguntar se eu estava grávida?

-Sim. - Ele assente com a cabeça também.

-Eu falei que não estava. Mas eu tinha descoberto, na verdade enquanto falava com você pelo telefone, olhei para o teste que tinha a recém feito...- ele pareceu que iria me interromper. - Deixe eu terminar. - Peço a ele. - Eu sabia que estava grávida, desconfiava, e minha barriga está crescendo, não sei como não percebeu isso. - Ele ri. - Eu estou esperando mais um filho seu, Bruno.

Bruno não pareceu absorver a ideia durante alguns segundos. Ele me olhou com desconfiança, fez um gesto com a boca e pareceu pensativo, mas logo sorrio e sua mão procurou a minha.

-Você é a portadora das melhores notícias que eu posso receber. - Ele ri e eu também. - Mãe de mais um filho meu. Quer dizer, você será a única mãe que meus filhos irão ter, e os futuros, se Deus permitir, também.

-Chegamos ao ponto mais delicado. - Torço os lábios. - Eu estar grávida não significa que irá mudar algo. Na verdade não mudará nada. Continuamos amigos.

-Mas Nicole, essa criança precisa de pais presentes.

-Mas ela terá pais presentes. Eu vou estar sempre aqui, e você também. - Seguro sua mão. - Me entenda! Será melhor para todos.

-Para você, somente melhor para você. É difícil estar longe, sabia? Não ouvir o choro da minha filha em casa, não ver você resmungando. Eu estou com mil coisas entaladas aqui, - ele aponta para a garganta com os olhos ficando vermelhos por repreender o choro - mas eu não posso dizer nada. Eu estou respeitando o seu pedido de não tentar, mas é mais complicado do que eu pensei.


-Bruno...

-Me escuta Nicole! - Sua voz saí autoritária. - Eu sempre fui e sempre serei seu amigo, mas eu quero ser seu amigo e amante. Essas crianças precisam de pais.

-Nós separados nos damos bem melhor do que juntos, uh? Prefere que a gente crie elas no meio de brigas diárias?

-Eu vou mu...

-Não continue. - Tiro minha mão da dele. - Aproveitando a brecha, isso não pode mais acontecer. O que aconteceu ontem, os selinhos que você me dá, isso não pode mais. Você está livre para viver, sozinho, ou acompanhado por outra pessoa!

-Deixa de besteira Nicole. Eu quero você! - Ele sacode meus braços com urgência. - Se eu quisesse outras, eu estaria com outras. Eu estaria na cama de outra pessoa quando você pediu minha ajuda ontem à noite.

-Bruno...

-Eu tenho que dar mais provas do meu amor pra você, não é?

Fico em silêncio, silêncio absoluto! Eu não sei o que responder. Eu queria uma prova de amor, mais uma no caso, queria que ele me mostrasse que se nós voltasse-mos não iria ser ruim, iria ser bom, iríamos realmente estar mais maduros. Íamos arcar com nossos compromissos e de nossos filhos, ele iria me respeitar como namorada e eu a ele. Mas penso que pode ser a melhor saída ficar como estamos, sem mais aproximações amorosas, apenas bons amigos.

-Eu entendi. Você quer que eu te prove, eu vou te provar.

-Não precisa me provar. - Digo baixinho.

-Preciso! Eu preciso. Você tem duas coisas das mais importantes da minha vida, você é uma das coisas mais importantes da minha vida, e você não acredita em mim. Eu falo sério quando digo que te amo.

-Eu sei! - Repreendo um grito e ele vira a cabeça pro lado.

-Eu não te entendo Nicole. Eu não entendo as mulheres. Se você sabe que eu te amo, porque faz isso comigo? - Ele chega mais perto de mim. - Porque faz isso com nós?


-Eu não estou fazendo nada. - Ele bufa de maneira irritante e segura meus braços. - Sabe porque eu fiz isso? Porque estou cansada! Cansada. Passamos tanto tempo juntos, e nos tratamos como estranhos. Você saí para beber e eu fico em casa preocupada com você, e quando chega em casa você grita comigo como se eu fosse uma pedra no seu sapato. No outro dia age como se tudo estivesse bem. Eu cansei desses teatros, dessas peças que não se encaixam, desse amor que só consome e não repõe. Eu quero você Bruno, mas eu não quero sofrer mais. Você me deu as maiores alegrias da minha vida, mas eu nunca vou esquecer que me trouxe muita tristeza também. Eu lembro da minha adolescência como se fosse ontem. E o único pilar que me sustentava era minha família, porque? Porque eles me apoiavam e me encorajavam. Eles nunca brigavam, era raro, e continua sendo! - Respiro fundo repousando a mão na minha barriga quando sinto um pequeno incomodo.

-Você está bem?

-Estou ótima. - Dou um passo pra trás já não sentindo mais nenhum incomodo. - Ouviu o que eu disse antes? - Ele afirma com a cabeça. Meus olhos se preenchem de lágrimas.

-Eu ouvi Nick, eu peço desculpas por ter sido sempre um idiota. Eu sempre tentei fazer o melhor para você, mas vi que as coisas nem sempre saem como nós planejamos. Eu amo você, tanto quanto amo meus filhos e o resto da minha família, não importa que não estejamos juntos ou não, nada vai fazer mudar o fato de que eu te amo e sempre te amarei.

-Obrigada. - Minhas lágrimas caem.

Bruno Pov's 

Eu deixei ela sair pela porta daquele quarto de hotel, quando a porta foi fechada e eu vi a escuridão que aquele quarto ficou, eu vi minha vida. O jeito que minha vida ficará sem ela, sem sua companhia, sem seus beijos, seus carinhos, suas falas, suas juras de amor e seus dedos nos meus. Tudo isso eu sei que mereço, mas como eu vou continuar e me encorajar a viver uma vida solitária sem ela ao meu lado? Como vou ter noites tranquilas sabendo que ela está grávida de mais um filho meu, sabendo que ela pode a qualquer hora me apresentar um novo namorado...

I don't really need to look very much further
(Não preciso realmente olhar muito além)
I don't wanna have to go where you don't follow
(Não quero ter que ir aonde você não me siga)
I won't hold it back again, this passion inside
(Não vou reprimi-la, esta paixão aqui dentro)
Can't run from myself, there's no where to hide
(Não posso fugir de mim mesmo, não tem onde me esconder)

Whitney, você tem razão. Não posso fugir, não tenho como me esconder, eu não quero e nem posso ir ou ficar em algum lugar que ela não esteja junto comigo. Não posso e nem devo. E não vou!

Don't make me close one more door
(Não me faça fechar mais uma porta)
I don't wanna hurt anymore
(Não quero mais sofrer)
Stay in my arms if you dare
(Fique em meus braços se você se atrever)
Or must I imagine you there
(Ou devo imaginar você ali?)
Don't walk away from me
(Não vá para longe de mim)
I have nothing, nothing, nothing
(Não tenho nada, nada, nada)
If I don't have you
(Se eu não tiver você)

A frase que minha mãe dizia aparece em minha mente "um homem não é nada sem uma mulher ao seu lado". E não é. Estou me sentindo tão vazio, tão incompleto. Queria que a Nick entendesse meu lado, visse que eu realmente a amo, que eu estou disposto a fazer qualquer coisa para ter a nossa família unida novamente. Eu preciso, quero, necessito, da Nick em meus braços. A Nick, a Bê e esse bebê que está por vir.

Eu quero minha família, e eu não vou deixar nada nos destruir. Se for preciso de tempo, eu dou tempo à ela, e enquanto isso planejo uma forma dela acreditar em meu amor, dela me perdoar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Capítulo Trinta e dois - Parte 2

Vi mais do que duplo sentido nessa frase. Aliás, eu só vi um sentido, que ele iria voltar pra mim, quando? Eu não sei, mas talvez eu estivesse me sentindo mais carente do que o normal. 

Entrei para o carro e encostei-me no banco. Pus música no meu celular e tentei me distrair com algum joguinho que nunca havia jogado, a lembrei novamente das rosquinhas. Minha boca salivava por uma, no momento era o que eu mais queria.


Sou acordada por uma leve brisa gelada entrando no carro. Levei um susto por lembrar que não tinha trancado a porta do carro e nem acionado o alarme. O sono me pegou tão desprevenida que acabei deixando tudo a deriva.

-Que perigo, Nick, você estava dormindo. - Bruno me encara seriamente.

-Eu não estava dormindo. - Pigarreio para tentar fingir que não estava dormindo.

-Ah não... é claro que estava. - Ele gira os olhos.

-Tem razão, eu estava. - Esfrego os olhos e lembro da maquiagem. - Devo estar parecendo um panda. - Reviro os olhos e ele ri.

-Vou ajeitar a gasolina pra você. - Ele vai se afastando.

-Horário de agora, por favor?

-Quinze para uma. - Bruno olha no seu relógio de pulso e pega a chave do carro que estava no painel.

Ele fica fazendo o que tem que fazer com a gasolina enquanto eu vou tirando a música do meu celular que ainda estava tocando, e ajeitando meus cabelos que estavam críticos. Ajeitei-me no banco e  ele me surpreende entrando no carro.

-Está tudo ok. - Ele diz me encarando.

-Obrigada. - Bocejo.

-Passou mil coisas pela minha cabeça quando me ligou aquele horário.

-Desculpa, não queria lhe preocupar.

-Não precisa pedir desculpas Nick, eu entendo como você deve ter ficado na hora que o carro parou. - Bocejei novamente e ele sorrio de olhos fechados. - Eu dirijo!

-Pra onde?

-Pra algum lugar onde você possa dormir, você está dormindo aqui e se eu deixar você dirigir nesse estado enquanto vai pra casa sabe-se lá Deus o que possa acontecer. - Ouvi o tom que ele usou, associando àquela noite em que perdi o bebê...Isso não poderia acontecer novamente.

-Obrigada por se preocupar.

-Eu sempre me preocupo.

Meu rosto corou, fiquei um pouco tremula. Quando perguntei sobre a  sua moto, ele pigarreou e disse que mandará alguém busca-la, e então a ajeitou numa rua com o cadeado e tudo mais. Ele arrancou o carro e eu fui acordada meio dopada, o estacionou num lugar que eu não reconheço.

-Onde estamos? - Pergunto quando ele abre a porta.

-Num lugar onde possamos dormir, porque eu também estou caindo de sono.

-Que lugar?

-Você irá dormir tranquila Nick, não se preocupe. - Ele fecha a porta do motorista e abre a do carona. - Agora vem. - Bruno estende a mão, mas eu ignoro pegando minha bolsa. Acho que ele entendeu que eu não quero pegar na sua mão, não agora, não desse jeito.

Pegamos um elevador e descemos num corredor com paredes brancas e portas cremes. É claro, estamos em um hotel, pousada ou motel...Não demos nenhuma palavra até ele pegar o cartão da porta e passar. Há apenas uma cama de casal. Eu entro primeiro e olho para ele que fecha a porta.

-Temos direito a café da manhã. - Diz feliz enquanto larga o cartão sobre a mesa ao lado o vaso de flor que é enfeite do quarto. - Agora é só dormirmos.

-Ok. - Largo minha bolsa e tiro meus sapatos para o lado. Prendo o cabelo num coque com ele mesmo e tiro os brincos para não enrolarem.

Bruno estava tirando seus tênis e sua jaqueta de couro para deitar no lado oposto do meu. Andei até os pés da cama e pus o travesseiro ali, ele me olhou confuso, e pela sua cara pensou em contestar algumas vezes. Tapei-me com a mesma coberta que ele, até que ele apagou o abajur que estava acesso anteriormente.

-Boa noite Nick. - Sua perna encostou na minha e subiu uma vontade quase insaciável de pular no seu colo e pelo menos uma noite me entregar aos seus encantos e dotes sexuais.

Tenho que tirar esses pensamentos da cabeça.

-Boa noite. - Saiu praticamente em um gemido, já que mais uma vez, ele encostou sua perna na minha.

-Nick... - Não sei o que ele iria falar, mas ele se calou, e eu não perguntei.

Mas meu sono tinha ido embora, e o que chegou no lugar dele foi a vontade de beija-lo. Me segurei para não entrelaçar minha perna na dele e já nos enroscarmos em nós feitos pelos nossos corpos.

Sentei na cama, tirei as cobertas e coloquei o travesseiro ao seu lado, onde deveria estar, e ali deitei. Falei baixinho que aquele lado estava difícil dormir, e ele apenas riu abafado.

-Difícil. - Ouço ele falar.

-O que está difícil? - Pergunto, mas eu respondo da minha parte o que está difícil... Respirar ao lado dele, sentir esse perfume e não poder aprofundar meu rosto nas curvas no seu pescoço, entrelaçar meus dedos nos seus.

Encosto no seu ombro e ele solta a respiração pesada.

-Não. - Ele diz confuso.

-Não o que? - Minha voz talvez tenha saído mais sexy do que deveria.

-Você encosta em mim enquanto estou fragilizado. Você disse para manter distância de você do lado amoroso, mas está sendo mais difícil do que eu pensava. - Ele virou-se de frente pra mim e afofou seu travesseiro. - Nick,se soubesse o quanto eu queria beijar você agora...

Seus olhos percorrem pelos meus lábios, eu me acanho numa vergonha que não era para estar ali, porque estou agindo dessa forma? Me faço a pergunta repetidamente na cabeça, até que depois de um tempo, ele fecha os olhos desistindo de tentar.

-Tenho saudades do seu corpo no meu. - Falo baixinho, a intensão não era falar, era pensar, mas parece que minha boca queria ver o circo pegar fogo.

Seus olhos se abrem e ele passa a me encarar novamente. Suspiro fundo esperando um beijo roubado, mas o que ele faz é levar sua mão ao meu rosto. Parece que ele tem dúvidas de que realmente ouviu isso da minha boca.

-Eu esperarei o tempo que for necessário para colar nossos corpos novamente.

Não queria uma declaração de amor agora, não queria pensar no certo a se fazer, muito menos no que pedi à ele sobre mantermos a distância "amorosa" entre nós. Me perdi nos seus lábios rapidamente, encostando os meus levemente, até que ele deu abertura para aprofundarmos o beijo. Já estava quase sobre ele, numa posição não muito confortável, mas a quebra de contato não poderia parar.


Eu precisava dos seus toques, dos seus carinhos, dos seus beijos. Mesmo antes de terminarmos, nós não tínhamos ido para cama, eu estava com raiva o suficiente para virar o rosto quando ele iria me beijar. Mas agora, enquanto sua mão acariciava meu cabelo, e seus lábios saboreavam os meus, eu queria mais que tudo quando acabasse, nada daquilo tivesse acontecido e nós fossemos aquele casal melado que éramos antes.

Me permiti subir em seu colo com todo o cuidado, espalmando a mão em seu peito e o olhando fixamente. Ele estava mais confuso que eu, portanto não fiquei com receio de continuar algo.

Tirei as cobertas para o lado com a ajuda dele e com cuidado ele beijou meu pescoço, descendo sobre a minha blusa, peitos cobertos,   minha barriga e eu me inclinei para trás. Senti um arrepio sem igual na minha barriga, e ela parecia levemente maior. Eu espero que ele não perceba. Mas a voz em minha mente insiste em dizer "revele pra ele que você realmente está grávida, admita que ele é o pai dessa criança que você espera". A voz era do peso na minha consciência.

Pensei em perguntar se ele queria continuar com isso, para ver se eu me instabilizava e parava com essa loucura, mas ele parecia tão concentrado me beijando, e mesmo por cima da roupa, ele pareceu nem se preocupar.

Bruno Pov's

Não sabia se deveria continuar. O que ela fez me pegou de surpresa. Pensei que nós poderíamos ter alguma conversa quando a trouxe para o hotel, mas nunca imaginei que iríamos transar. Eu queria falar muitas coisas à ela, mas quando ela deitou nos pés da cama, fez-me repensar que ela não quer mesmo conversar comigo. Mas logo depois, quando ela começou a me perguntar as coisas e eu não conseguia responder porque simplesmente parecia um adolescente idiota pensando que a mulher mais linda está ao meu lado na cama, eu vi que poderíamos ter uma conversa.

Uma conversa corporal.

De jeito nenhum queria que ela pensasse que eu apenas a queria na cama, então permiti que ela me desse o aval para continuar com tudo aquilo. Assim que ela subiu no meu colo, eu beijei seu pescoço, seus peitos, e quando cheguei em sua barriga eu me arrepiei por completo. Parei por alguns instantes e repeti novamente o que tinha acabado de fazer, e novamente me arrepiei.

Tirei a sua blusa com todo o cuidado e desatei seu sutiã. Ela puxou a minha para cima com mais voracidade do que eu estava. Ela queria isso mais do que eu! A deitei para o lado e me posicionei ao seu lado, de joelhos, retirando sua calça. Seus braços estavam mais gelados do que sua perna que estava coberta.

Seu corpo continua o paraíso. Desde sempre a mulher mais linda, mais completa e a que mais me satisfez foi a Nick. Nenhuma conseguiu me arrancar suspiros, nenhuma me deu vontade de continuar deitados, sujos, após o sexo. Nenhuma conseguiu me deixar louco apenas com um olhar malicioso. Nick tem esse poder sobre mim, algo mais sobrenatural do que eu pensava que era. Eu estando ao seu lado, transando, conversando ou apenas contemplando, me sinto o homem mais completo. E eu não quero perder isso. Não queria perder isso! A cada dia que passa a dor fica mais forte e eu mais frágil, a dor está conseguindo sugar minhas forças.

Aperto seus peitos com delicadeza, mas mesmo assim ela reclama um pouco de dor. Levo minha boca a sua aureola e com os lábios molhados, eu a beijo. A instigo com movimentos sob o tecido de algodão da sua calcinha cor de rosa fraco. Ela olhou-me, gemendo parecendo implorar por mais. Eu quero que ela se sinta amada, hoje e sempre por mim.

Baixei sua calcinha e beijei levemente sua intimidade, respirando seu cheiro de mulher e afastando um pouco mais suas pernas. Lambo seu sexo e ela geme bem alto, até que começo a fazer um belo oral, sem pressa, apenas dando o máximo de prazer. Introduzo levemente um dedo e vejo que não é só aparentemente, ela realmente está bem molhada e excitada. E eu não poderia estar pior, minhas calças pareciam explodir, e eu a queria mais do que nunca.

Apertei levemente sua coxa e levantei ficando novamente de joelhos. Ela senta-se de pernas cruzadas na cama, e enquanto vou tirando minha calça, ela não para de olhar. Sua mão foi direto a minha cueca quando me desfiz da calça, mas não permiti que ela fizesse isso, coloquei a mão sobre a sua e a segurei.

-Essa noite é sua. - Sussurro para ela que abre um sorriso. Oh Deus, como eu a amo tanto?

Subi sob seu corpo, e quando meu sexo coberto pela cueca encostou levemente em sua intimidade, ela gemeu gostosamente. Sei que está mais do que na hora de dar prazer a ela, cuja a respiração já está descompassada. Beijo seu pescoço, mordo sua orelha, e beijo por diversas vezes seus lábios mel. Dei um jeito para me livrar da cueca, e subindo novamente sob o seu corpo, cuidando para não por o peso em cima dela, eu introduzi novamente um dedo e depois conduzi meu membro até a sua cavidade. Ela estava muito quente, úmida, e muito excitada. Poderia dizer que ela teria até chego a algum pequeno orgasmo, o que me deixava mais instigado e tarado por seu corpo.

Seus olhos brilhantes esmeralda estavam ansiosos por mais, e o que eu lhe dava era movimentos intensos e controlados, mais lentos do que o normal. Ela os revirava num gesto de que estava realmente gostando. Beijo seus lábios e quando penso que ela não corresponderia da mesma forma, ela me beija tão delicadamente. Estaciono meu membro dela por um minuto e dou atenção apenas para o beijo, eu não poderia deixar de beija-la dessa forma, isso me disse tantas coisas mesmo sem nenhuma palavra.

Deitei ao seu lado, e ela com cuidado senta em cima do meu membro, introduzindo-o completamente. Fico mais excitado - se é que é possível. Ela se movimenta lentamente, e se inclina para perto de mim. Seus cabelos estão todos para o lado, ela não quebra o olhar comigo, mesmo que vacilante em algumas horas por causa da sua excitação.

Minha área pélvica ferveu, queria expelir tudo que estava dentro de mim, então avisei que iria chegar ao meu orgasmo, e que se ela pudesse chegar ao dela seria melhor, mas ela não chegou.Simplesmente saiu do meu colo, se sentou ao lado do meu membro e o masturbou até meu gozo sair por completo.

Isso não era justo, eu pelo menos deveria dar mais prazer à ela. Depois que recuperei meu fôlego, nós nos olhamos como cúmplices e rimos como adolescentes pós primeira transa. Tentei dar prazer à ela beijando-a e instigando com a minha mão, o seu sexo. E deu certo, após alguns minutinhos ela já estava com pernas bambas, trancando a minha mão no meio delas, por que estava se contraindo no orgasmo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Trinta e um - parte 2



-Que cena bonita. - Sorrio para ambos, que me olham. Bruno levanta e pega minha filha no colo, que estica os bracinhos insistentemente pra mim. - Vem com a mamãe. - Pego-a no colo. - Oi Bruno.

-Oi Nick...estava aqui brincando um pouco com ela. Minha garota esperta. - Ele pega seu pézinho, Bê ri e brinca com ele.

-A cada dia está mais inteligente. - Dou um beijinho em sua bochecha.

-An, Nick, eu tenho que ir pra casa, preciso arrumar umas coisas pra uma entrevista amanhã, então tem como conversarmos agora? - Pergunta ele enquanto olha o relógio no seu pulso. Que milagre, usar relógio.

-Não, tudo bem. Vou pedir que a Lisa repare ela. - A coloco sobre o sofá e ando pelo corredor.

Dou duas batidinhas no quarto dela, que murmura um entra. Abri a porta e ela estava atracada numa barra de chocolate, olhando para a tela do seu computador, os olhos vermelhos. Ela estava vendo um filme, consto.

-Que filme é? - Pergunto.

-Como sabe... ah. - Ela olha para o chocolate e para o computador. - Sempre ao seu lado me deixa assim, mas descobri hoje que o filme 500 dias com ela deixou-me mais abalada.

-Sinceramente, eu não chorei nesse filme. - Me escoro ao lado da sua porta.

-Não é para chorar, não é uma história de amor.

-Então porque está chorando?

-Porque... eu não sei. - Ela balança a cabeça. - O que queria?

-Bruno está na sala, quer falar comigo. Vamos descer na praça ali embaixo, cuide da Bê pra mim, por favor.

-Ok. Não façam sexo na praça.

-Você é nojenta. - Falo enquanto volto pra sala. - Vamos? - Pergunto.

Deixo que Bruno se despeça da filha, isso demora um tempo. Ele a amassa, da beijinhos por todo o seu rosto e diz incontável vezes que a ama muito. Acho lindo quando ele está com ela. Bruno é um bom pai, tenho certeza para que esse bebê ele também irá ser. Minha barriga pouco é perceptível, nem notei diferença agora nas minhas roupas, há pouco sinal de gravidez em meu corpo. Mas mesmo assim, falarei para ele no momento certo, essa semana os acontecimentos ainda estão muito recentes, melhor esperar um pouquinho.

Descemos pela escada do prédio. Bruno ajeitava algo em seu celular enquanto eu ia na frente. Passamos rapidamente pelas pessoas e achamos um lugar sobre o recanto onde geralmente ficam os idosos que ali residem. Sento-me do banco, e ele senta ao meu lado. Tenho pra mim que ele irá perguntar sobre o nosso relacionamento, minha resposta está na ponta da língua.

-Que lugar agradável. - Ele observa o recanto com olhos atentos.

-Demais. Ótimo para ler. - Encosto-me na guarda do banco, ele vira-se um pouco de lado e entrelaça suas mãos.

-Nick, quero que você seja sincera...Ok?

-Não tenho o porque mentir para você. - Respondo com desencargo de consciência.

-Tudo bem então. Você está grávida?

Engulo a seco minha saliva que parecia ser grossa demais para minha garganta. Minha cabeça girou em incontável órbitas, eu parecia sair do chão, algo que eu não sei como explicar. Como ele soube? Eu não estou preparada pra responder isso, muito menos na parte de não mentir. Ou eu falo a verdade agora pra ele e corro o risco grande de ter uma recaída por ele, o que eu não quero, estou mais que decidida, ou eu deixo para falar outra hora e ele brigará comigo porque eu menti para ele.

Droga.

Seus olhos me encaram, tento fazer uma cara mais descontraída, de quem não está nem acreditando no que está ouvindo porque é muita bobagem. Mas não é bobagem.

-Eu não. Estou com tudo em dia. - Me refiro a menstruação e ele suspira.

-Jaime me disse que você vomitou quando falaram em peixe cru.

-Eu passei mal, meu estômago estava horrível. Tomei um remédio para passar a dor de cabeça e ele atacou meu estômago. - Ri nervosamente tentando demonstrar que não era verdade.

-Acho mais seguro nós fazermos o exame...

-Não! - Digo com urgência. - Quer dizer, pra que fazer, não há nenhuma necessidade. Eu já estive grávida antes, saberia se estivesse novamente.

***

Enquanto rezo para quê a estrada melhore, para que o tráfego amenize e que meu carro aguente, olho para a foto minha e da minha filha do celular. Ela é o único motivo de eu estar me esforçando para ter tudo e consequentemente dar tudo a ela. Nunca foi meu trabalho ir até o estúdio pessoal de alguma banda para tentar encaixa-los no nosso quadro de funcionários e assim lançar um álbum, mas graças a Deus, depois de tanta conversa, eu consegui. Uma pena que agora eu esteja completamente sozinha no meio da estrada pra voltar pra casa. Faço o retorno em alguma rua para poder assim alcançar algum posto de gasolina, mas quando meu carro pega a direita na principal, ele apaga. Simplesmente apaga.

Meu desespero de 0 foi a 100, em segundos. Primeira coisa que eu pensei: vou morrer assaltada ou pior, estuprada. Não adianta pedir ajuda, ninguém irá parar porque, meu bem, isso é Los Angeles, as pessoas tem medo das ruas e de outras pessoas, e já é tarde, a maioria deve estar morrendo de vontade de chegar em casa. E se parar alguém vai ser um velho bêbado, idiota, que em troca do meu carro arrumado vai pedir que eu chupe ele atrás de uma árvore. Eu conheço Los Angeles como a palma da minha mão. 

Pego meu celular, que está com sinal e metade da bateria, e passo pelo número da Lisa. A coitada além de estar cuidando da Bê junto do Thales, não tem carro. Julia não iria vir aqui, até mesmo porque eu não deixaria...Bruno! Sim, ele pode me ajudar. 

Disco o número dele rapidamente e chama três vezes, quatro vezes, cinco vezes, até finalmente ele atender e fazer alguns segundos de silêncio antes da pronuncia de seu alô.

-Nick, oi, aconteceu algo? - A voz de sono alterada com o tipo esbaforido da ligação repentina e talvez preocupante, eu acho que fizeram-o ficar até engraçado. 

-Calma Bruno, tudo bem? - Pergunto e ele ri nervosamente.

-Sim, mas é eu que lhe pergunta, me ligar a essa hora já penso que algo aconteceu com a minha filha.

-A saúde dela é melhor que a minha e a sua juntas. - Ouço sua risada mais aliviada. - Fiquei emperrada na rodovia... Estou aqui no meio da estrada, querendo arrancar, mas meu carro apagou total e geral. 

-Já tentou abrir o capô e ver se algo saiu do lugar?

-Não. - Me dirijo até o capô e o levanto. Checo rapidamente no olhar e não vejo nada de errado. - Motor, água no radiador, óleo direitinho, gasolina também... 

-Hm... - Ele pareceu pensar. - Vou ir aí ajudar você, mas enquanto isso vou perguntando algumas coisas, ok?

-Ok. 

-Já tirou a chave e colocou? Já checou a gasolina...

Bruno fez milhares de perguntas sobre o carro, respondi cada uma corretamente. Isso nunca tinha me acontecido e agora me apavorou totalmente. Passei a ficar gelada, mesmo com ele dizendo que em minutos estaria no exato local que parei. Observei o fluxo de carros diminuir gradativamente, os guardas de trânsito se recolherem, as luzes todas ficarem acessas da rua e as das casas e apartamentos indo se apagando uma por uma, assim como os estabelecimentos que iam fechando.

Meu estômago clamou por uma rosquinha com calda de morango... Fechei os olhos para me deliciar somente com esse pensamento, passei a língua pelos lábios, até que levo o susto quando Bruno bate no vidro do carro três vezes seguidos. 

-Está frio, sabia? - Pergunta ele assim que baixo o vidro. - Libera pra eu dar uma olhada. 

-Ok... - Saio do carro dando espaço pra ele entrar. E ele tinha razão, a noite caiu mais ainda, a madrugada se aproximando, e o frio chegando de leve. - Agora eu vi que está frio mesmo. - Passo a mão pelos braços e ele ri. 

-Senta ali no banco do carona enquanto eu vou vendo o que consigo fazer! 

Me sentei no banco ao lado e mandei uma mensagem para Lisa ir dormir e fazer a Bê dormir também, já que eu acho que por aqui demorará um pouco. Bruno mexia em uma coisa e outra no painel, enquanto eu ficava tonta das coisas que ele fazia. Mas pela cara nada seria resolvido hoje. Ele saiu do carro rapidamente, levantou o capô e retornou com uma cara não tão agradável assim. 

-Era uma leve desconexão dos cabos, ajeitei. - Ele senta no banco do motorista. - Mas agora está sem nenhum pinguinho de gasolina, não tem nada na reserva? 

-Nada. - Torço os lábios. 

-Você nunca fica sem. - Ele ri da ironia do destino e respira fundo. - Postos de gasolina só mais a frente, e eu estou de moto, não da pra pegar gasolina, é diferente do seu carro. 

-Eu sei. - Ponho a mão na testa. 

-Eu vou buscar gasolina pra você. 

-Não, Bruno... Fica aqui comigo, eu não quero ficar sozinha. 

-Então vem comigo na moto, a gente pega gasolina, colocamos no carro e vamos embora. 

-Mas deixar meu carro sozinho. - Torci mais os lábios. Imagina se alguém leva meu carro embora, não, eu morreria sem ele. O comprei zero na concessionária com o dinheiro do meu serviço, não irei entregar de mão beijada a algum ladrão. 

-Ninguém vai levar, Nicole. - Ele revira os olhos. - Além do mais você tem seguro e rastreador. 

-Meu seguro não cobre roubos, somente danos. 

-Que seja, ele tem rastreador, e sem gasolina ninguém andará. 

Penso mais sobre o assunto e resolvo ir com ele, afinal eu precisava sair desse lugar hoje mesmo, e já levaria provavelmente alguma multa por estar estacionada na rua... não tem nenhuma placa dizendo ao contrário, mas não custa frizar que a multa pode vir. Acabei concordando com o Bruno, e antes de sair, verifiquei todas as portas. Bruno riu de mim dizendo que eu parecia uma velha, eu não parecia uma velha, mas estava com medo que levassem meu carro.


-Vem, sobe. - Ele diz montado na moto. 

-O capacete! - Arqueei as sobrancelhas. - Desculpa, mas eu não vou sem um. 

-Droga, eu só trouxe um... - Ficamos calados por alguns instantes. - Espera aqui e eu já volto. 

-Bruno, eu estou com medo. - Minha voz saiu mais chorosa do que planejado. 

-Não precisa, Nick, lembra que eu estou aqui, somente irei pegar gasolina. 

-Fica aqui. - Digo mais alto e ele se ajeita pra descer da moto. Penso, penso, penso, o que custa ficar um tempinho sozinha até ele voltar? Mas a questão é essa, além de eu estar com medo, não quero ficar sozinha. - Amanhã nós acordamos cedo e vamos em algum posto mais perto.

-E seu plano é dormirmos no carro? 

-O que tem? - Pergunto e pigarreio. - Eu durmo na frente, você no banco de trás, claro..

Ele ri com a minha confusão de palavras, ah qual é, eu fui mulher dele, namorada, que seja, por um bom tempo, não deveria ficar com vergonha de convida-lo para dormir no meu carro, mas esse convite está pra lá de duplo sentido. Mas não é nada do que talvez ele tenha pensado. 

-Nick, eu vou pegar gasolina lá naquele posto. - Ele apontou pra frente na rodovia. - Eu volto em instantes. - Ele beija a minha testa segurando o lado da minha cabeça. Coloco a mão sob a dele e ele sorri. 

Fecho meus olhos e levemente sinto seus lábios encostarem nos meus, rapidamente, como se ele se arrependesse de fazer o que acabou de fazer. Por instantes eu quis que ele continuasse com o beijo e dissesse que tudo estava bem. Mas quando abri meus olhos e eles deram de encontro com os deles, passou aquele filme de segundos e eu tiro minhas mãos de cima da dele.


-Eu já volto, pra você.