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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Trinta e cinco - Parte 2




Nicole Pov's 

Passei a tarde praticamente olhando para as paredes. Lisa fez minhas unhas e eu fiz as dela, hidratei meus cabelos e pus máscara no rosto. Dormi enquanto a máscara agia, e quando ouvi um choro na televisão, acordei apavorada a procura da minha filha.

Penso no que o Bruno está fazendo com ela e se ela está bem.

-Se você não vestir a roupa, ela não vai se vestir sozinha. - Lisa, antes de entrar diz. Eu estava parada, vestida apenas com a minha roupa íntima e cabelos feitos, andando pelo quarto. - Que barriguinha mais linda. - Ela faz um gesto estranho com as mãos. Rio dela e passo a mão pela minha barriga pequena.

-Meu vestido vai marcar. - Falo torcendo os lábios.

-Um dia todos vão saber que você está grávida novamente.

-Mas eu tenho medo, eu não me sinto preparada ainda. Olhar todos hoje, lá na festa, vai parecer que eu sou culpada, e aos olhos dos outros vão até achar que o filho não é do Bruno, porque nós estamos separados. - Assopro o ar acumulado de dentro de mim, e ela coloca a mão espalmada na minha frente.

-Nick, você não deve nada pra ninguém, não tem com que se preocupar.

-Eu sei, mas... - encho meus olhos de lágrimas. Não posso com esses hormônios doidos.

-Mas nada. Vista esse vestido. Eu e Thales estamos esperando você na sala.

Ela me deixa sozinha no quarto, e tudo parece sair do lugar. Me sinto mal quando visto o vestido, não mal de saúde, mas parece que eu estou fazendo a coisa errada. Não entendo o porque.

Talvez seja minha mente avisando que todos irão ver minha barriga com aquele vestido, que fosse melhor talvez trocar por outro mais soltinho. Ou talvez esteja mais do que na hora de eu encarar a realidade e parar de tentar me esconder. Me olho no espelho passando a mão sobre a barriga, agora com o vestido, e dá pra perceber, mas não tanto como eu pensava. Será que o Bruno irá gostar?

Balanço minha cabeça, querendo dar de tapa na minha cara. Não tem o Bruno gostar ou não, eu simplesmente vou vestir o que eu quiser.

++++

Cumprimento algumas pessoas que eu conhecia que estão no pátio, e entro na casa atrás das meninas e da minha filha. Vejo Jaime que me acena com a mão para que eu vá pra lá. Phred passa por nós de mãos dadas com Onnie, e dá oi normalmente. Pensei que Lisa ficaria abalada com isso, mas ela segue em frente e nem comenta sobre o assunto, e pelo que eu conheço, ela realmente não se incomodou.

-Oi. - Jaime diz animada dando-me um abraço bem apertado. - Eu sabia. - Ela cutuca meu ombro e rapidamente passa os olhos pela minha barriga.

-Acho que hoje todos vão ficar sabendo... só acho. - Tentei ser bem humorada, e acho que deu um pouco certo, pelo menos ela riu. - Onde está as meninas, a Tiara, minha filha...- Olho para os lados perguntando enquanto ela cumprimenta Lisa e Thales.

-As meninas estão ali na cozinha e sua filha está com elas. Ou com o Eric. A Tiara foi até a sala conversar com uma colega e já volta. - Ela pisca quando diz "colega", ela está referindo-se a outra pessoa, um cara, menos à uma colega dela.

Seguimos até a cozinha e dou oi para todas as meninas, que estavam comendo alguns petiscos e bebendo. Dou oi para Eric, maquiador das meninas, mas que eu o alugo ás vezes, e pego minha filha que estava eufórica em seu colo assim que me viu.

-Saudades da mãe, bebê. - Cheiro seu pescoço e ela ri, enterrando o seu rosto na curva do meu.

-Ela está tão linda. - Ele sorri pra mim, e olha para Thales e Lisa.

-An, Eric, essa é Lisa minha amiga, e esse é o Thales, meu amigo também.

Eu os apresento e eles se cumprimentam. Tudo parece correr bem. Fomos para o deck próximo a piscina, e mais pessoas chegaram. Sentei na mesa depois de dar feliz aniversário para Tiara, e entregar-lhe o presente - que Thales comprou -, e coloquei minha filha no colo. Conversei enquanto comi alguns petiscos, e mesmo não devendo, eu pegava pedaços minúsculos e dava na boca da minha filha, que pedia mais e mais.

-Hey. - Não vi quando Bruno tinha chego, ele deu um beijo em minha bochecha e logo beijou minha filha. - Oi.

-Oi. - Dei oi e continuei minha conversa com Lisa, Thales e Eric. Christina havia entrado na roda junto com seu namorado, mas digamos que ela não estava falando muito, apenas ouvindo a conversa e opinando ás vezes.

-Posso pegar ela rapidinho? - Bruno estica os braços para minha filha que nem fez cerimônia e se jogou pra cima dele.

-Claro. - Dou de ombros.

Ele segue para perto dos amigos, que ficam em cima dela e brincando. Lisa pergunta se eu quero acompanha-la no banheiro, aceitei e no meio do caminho encontramos Urbana e Cindia, ambas também grávidas. Cumprimento as duas e digo que já volto para conversar com elas.

-Hey, boa noite! - Ryan sorri pra gente e Lisa o olha meio perdida.

-Oi Ryan. - Ela diz e eu repito o mesmo.

-Vamos lá pra fora? - Pergunta ele.

-Vamos no banheiro, depois nos encontramos lá.

Fiquei impressionada com a resposta dela para Ryan. Quando voltamos, parei para conversar com Cindia e Urbana, enquanto Lisa ia pra pista de dança falar com o Ryan que havia acenado pra ela.

-Não quero ser indelicada, Nick... mas - ela aponta para a barriga -, é o que eu estou pensando ou não? - Urbana confere e sorri de orelha à orelha.

-É... - Respondo de mal jeito.

-Meu Deus, o Bruno nem o Eric me falaram nada.

-Nem o Phil. - Urbana reclama.

-Porque além da Lisa e do Thales, só a Jaime e o Bruno sabem. - Respiro fundo. - Nem a Julia... que aliás, onde está? - Pergunto conferindo pelos lados.

Pairo meu olhar sobre a cena que eu gostaria que não se repetisse, mas repetiu. Bruno está na frente de Paige - em primeiro lugar o que essa mulher quer aqui? - e ela está com minha filha nos braços, que para a perseverância do bom gosto, não está nem sorrindo e ainda pedindo o colo do pai.

Peço licença para as meninas e discretamente chamo o Bruno, que me olha perdido e pega Bê rapidamente do colo dela e vem na minha direção.

-Minha filha. - Estico os braços, e ele me entrega ela sem exitar.

-Escuta... - Ele pede, mas me recuso a ouvir.

-Ela pode me tirar você, pode me tirar muitas coisas, mas minha filha não!

-Calma, ela não me tirou de você.

-Poupa seu discurso. Minha vida virou um inferno depois que ela apareceu, mas isso não muda em mais nada agora, porque você não é nada meu, além de amigo e pai dos meus filhos. - Dou as costas pra ele e quando passo por Thales, entrego a Bê e corro para o banheiro do primeiro andar mesmo.

O enjoo que tive, não sei se foi mais por nojo dela, ou por me irritar como me irritei. O que eu mais me martirizo é que eu falei muitas coisas sem pensar, e deu pra sacar que realmente eu estava era com ciúmes dele. E querendo saber o porque aquela mulher estava ali. Não tinha um porque... Vomitei e me limpei, ajeitei as coisas que baguncei no banheiro.

O enjoo que tive, não sei se foi mais por nojo dela, ou por me irritar como me irritei. O que eu mais me martirizo é que eu falei muitas coisas sem pensar, e deu pra sacar que realmente eu estava era com ciúmes dele. E querendo saber o porque aquela mulher estava ali. Não tinha um porque... Vomitei e me limpei, ajeitei as coisas que baguncei no banheiro.

Abro a porta, saio e a fecho. Dou um trombada com Paige bem em minha frente. Ela me encara com um sorriso cínico. Como as pessoas não percebem que essa mulher é uma cobra, e eu não estou enganada, eu sei que é, eu sinto que ela é.

-Seu ex namorado está lá na rua, não se preocupe, não irei me trancar com ele no banheiro. - Sua voz sai tão, argh, tão sem explicação, mas só dela ameaçar falar eu já me irrito.

-Não me importa onde ele está.

-Pareceu que sim. - Ela sorri.

-Me importo em que mãos a minha filha fica, isso sim. - Retribuo o sorriso.

-Está querendo dizer o que com isso, garota? - Ela arqueia a sobrancelha.

-Querendo dizer que não quero minha filha perto de algumas pessoas. Eu sei o que é melhor pra ela.

-Só por ela ser sua filha, já não sabe o que é melhor pra ela. - Minha profunda vontade era dar um tapa na sua cara, mas eu sou mais que isso, sou superior a ela. Respiro fundo.

-Você não é cruel como você gostaria, mesmo porque pra crueldade é preciso um talento ou inteligência, e são duas coisas que você não tem, você é cínica, baixa, rasteira...

-Não me interprete mau... posso ser uma ameaça para você. - Seu sorriso tão falso, atravessou meu estômago me provocando mais enjoo.

-Para mim? - Gargalhei alto em desdém dela. -Nunca!

Viro as costas pra ela, que segura levemente em meu braço.

-Não seja ridícula, você se escapa porque está grávida. - Ela olha com nojo para minha barriga. - Ou acha que ninguém percebeu ainda?

Tiro sua mão do meu ombro e coloco a outra sobre a minha barriga.

-Eu estou sim, e em nenhum momento neguei isso! - Tento não vacilar na voz, afinal, eu estava mentindo.

Segui meu rumo pelo corredor e não olhei para ela. Na cozinha peguei uma garrafa de água e tomei muitos goles seguidos, o que deixou meu estômago estranho de inicio, mas depois se acostumou. Procurei o Bruno e o cutuquei de leve em seu ombro.

-Onde está minha filha? - Pergunto baixinho.

-Com o Ryan e o Phil, porque? - Pergunta se virando na minha direção. - Você está quente, Nick. Está passando mal?

-Não. - Nego na maior tranquilidade por saber que minha filha está em boas mãos. - Cuidado Bruno, você está criando corvo para depois eles comerem seus olhos. - Dou um suspiro e seus olhos ficam me encarando, buscando mais respostas ao invés de só aquilo.

-Do que você está falando, Nicole? - Pergunta tentando associar o que eu estava falando.

-Nada. - Balanço a cabeça. - Esquece.

-Tudo bem, mas você está bem? Parece tão tensa. - Ele passa a mão no meu braço e seu toque me faz sentir algo estranho, não é arrepio, nem medo, não sei decifrar... Parece desejo!

-Não, só cuide com quem anda e quem considera seus amigos ou algo a mais, ok? - Fico nervosa e eu sinto que passei a impressão errada, como se algum dos amigos dele tivessem dado em cima de mim, ou algo assim.

-Hey Nick, as meninas estão procurando você, estamos tricotando. - Hannie me chama e intercala os olhares entre eu e o Bruno. Sorrio pegando sua mão.

-Vamos lá. Nos falamos depois. - Digo para o Bruno e saio com ela.

Tantas mulheres juntas não prestam. Sempre soube disso. Nós falamos tanto, de homens, roupas, sapatos, marcas e até de carros. Falamos sobre a turnê e novo álbum que eles planejam, sobre sonhos e filhos. E foi quando achei que era a hora de por os pingos nos "i's". Falei para elas que esperava mais um filho, Jaime agradeceu quando eu disse porque de acordo com ela, não iria conseguir guardar pra si.

Minha filha pede comida e eu me distancio das garotas indo para o quarto de Tiara, acompanhada dela. Troco a fralda dela enquanto Tiara pega sua mamadeira na cozinha, e trás duas bolachinhas. Dou comida para ela que chega a revirar os olhos de tanta fome. Passo a mão pelo seu cabelinho enquanto ela segura a mamadeira com suas mãozinhas.

-Ela se parece tanto com ele... desesperadamente. - Tiara ri quando ela arqueia somente uma sobrancelha.

-Ela tem muita coisa dele mesmo. - Suspiro.

-Acha que vem um menino para completar um casal? - Pergunta.

-Vontade eu tenho de que seja um menino, mas parece que eu sinto ás vezes que é uma menina. -  Meus olhos brilham quando eu falo dos meus bebês, tanto do que está dentro de mim quanto da minha pequena princesa.

-Quem sabe não vem os dois?

-Não, por favor. - Rio e ela vai no meu embalo. - São muitas coisas pra cuidar. - Tiro a mamadeira vazia das mãos da minha filha e a coloco sentada em meu colo.

Conversamos mais um pouco até ela pegar no sono e então a pus para dormir com uma cobertinha por cima, e almofadas e travesseiros em sua volta para não ter perigo de cair. Retornamos para a festa e eu não vi Paige em lugar algum no decorrer que a noite passava. Bruno sempre me perguntava se eu precisava de algo e se eu estava me sentindo bem, e aquilo estava me sufocando. Odeio isso, odeio o fato dele ser outra pessoa em fração de segundos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Trinta e quatro - parte 2


Não tive cara para ligar para Nicole. A sua imagem saindo pela porta do quarto do hotel deixando claro que nada do que tínhamos antes irá voltar, mexeu comigo. Por isso mudei alguns horários. Nessa semana que passou eu visitei a Bê duas vezes de manhã, e três vezes após o almoço. Horário que ela está com a baba, e eu não preciso ver a Nick. Sinto que devo respeitar o espaço dela, mas ao mesmo tempo tenho muita necessidade de falar com ela, saber como ela está se sentindo e como o bebê está. Então recebi uma grande  ideia, contribuição da minha própria mente.

O número de Thales fica tanto tempo chamando, que quando penso em desistir,  ele atende com a voz mais afobada. Não quero imaginar o que ele estava fazendo.

-Alô. - A voz levemente afeminada fala. Nada contra. Até gosto dele.

-Oi, sou eu.

-Bruno sua voz é bem reconhecível. O que quer? - Ouvi um pequeno barulho.

-Você estava ocupado? - Pergunto a ele.

-Um pouco. Na verdade estava fazendo alguns exercícios, pretendo voltar a acadêmia, mas isso não vem ao caso. Aconteceu algo?

-Queria conversar com você sobre a Nick...

-Ah, eu deveria imaginar.

-Como ela está?

-Muito bem de saúde... - Sua frase saiu praticamente sem término.

-Só de saúde?

-Bruno, eu não posso mentir, ela precisa de você, e se vai conforta-lo, ela sente a sua falta mais do que imagina. Mas ela não quer tocar no assunto, ela está fragilizada.

-Você não sabe mesmo como eu estou, não é? - Pergunto e encaro eu silêncio como uma resposta. - Eu estou um caco! Não vejo graça nas coisas. Los Angeles é um lindo lugar, mas perde a cor quando ela não está do meu lado. Era ela quem fazia a minha vida, e eu me arrependo...

-Hey Bruno, desculpa, mas essas coisas você deve falar a ela. Acho lindo essa sua atitude, e eu sei que você ama ela, assim como ela ama você. Mas tem razão quando diz que vacilou.

-Eu a quero de volta, eu quero ela, meus filhos, quero minha vida. Mas eu não sei como posso fazer isso. - Digo chorosamente.

-Eu também não sei como vai fazer isso, mas tenho certeza que se seguir seu coração, vai conseguir.

Seguir meu coração? A questão não é o meu coração, é o coração dela que me impede de estar ao lado dela. Já prometi que nada vai ser como antes, eu irei ser melhor. Jaime e Phil me disseram a mesma coisa, mas eu estou mais perdido do que antes.

-Bruno?

-Estou com medo de falhar, com medo de nada voltar. Eu a quero. Eu preciso dela.

-Não fale isso pra ela agora, não ouse! - Ele adverte. - Ela precisa de paz por enquanto, a gravidez pode trazer complicações, e eu e nem você queremos isso.

-O que eu faço então?

-Dê um tempo, e pense numa forma de impressiona-la, dela acreditar realmente que você mudou por ela.

-Como faço isso?

-Você tem tempo para pensar.

-Você pode me ajudar com algo? - Peço e ele ri.

-Eu irei ajudar com tudo que puder. Vocês juntos podem ter momentos vacilantes, mas separados são piores. Eu gosto de você Bruno, você faz bem a ela, e entendo esses momentos que você quer mais solto. Mas isso terá que acabar, para o bem dos dois, ok?

-Eu estou disposto!

-Então fique tranquilo, tudo vai se ajeitar. - Ele me tranquiliza. - Ponha um sorriso no rosto, e encare isso como um SPA. Nick está bem cuidada.

-Tudo que você souber me diga, ok?

-Ok.

-Hey, quando será a primeira ecografia?

-Daqui duas semanas... eu vou com ela, e eu gravarei pra você, tudo bem?

-Você não existe! Eu te amo, cara. Cara ou... esquece. Obrigada por tudo.

Desligo o telefone assim que ele se despede. Por incrível que pareça, ele me deixou tranquilo, ele mostrou que tudo tem um lado melhor e ele acredita no meu amor por ela, é o que mais me importa. Meu objetivo é conseguir convence-la de que ao meu lado é o melhor lugar para ela estar, e que eu a amo profundamente.

Nicole Pov's 

Acordo pelo sábado gritando. Assustei minha filha que acordou chorando pelos meus gritos. Silencio ela dizendo coisas bonitas, e batendo levemente  em seu bumbum para ninar ela novamente e faze-la dormir mais um pouco. Está cedo, na base de 6 horas da manhã. Quando minha princesa pega no sono, eu me deito olhando para o teto. Tive um sonho ruim, eu não conseguia falar, mas Bruno estava trancado no quarto e quando eu faço a volta na casa para espiar pela janela, ele estava sentado numa cadeira, olhando para a parede branca, estático, nem piscava. E junto dele estava aquela maldita criança que sempre me assombra nos sonhos. Eu gritei com medo do que pudesse acontecer com ele.

Eu não consegui esquece-lo, e creio que isso não será possível. Não vai ter um dia que eu não lembre dele, até porque eu tenho dois filhos dele. Mas eu já me separei dele sabendo que nada seria tão fácil assim, eu já sabia que ia ser complicado, mas tende a melhorar. Um dia melhorará cem por cento, talvez.

Perdi o sono completamente, então levantei, fiz uma pequena barreira com travesseiros e cobertas nos dois lados da minha filha e andei pouco até chegar na sala. Estava tão acostumada a andar um corredor bem comprido para chegar na sala da casa do Bruno, e aqui é simplesmente sair da porta do meu quarto e dar uns passos pra frente. Peguei um copo de leite na cozinha e liguei a televisão bem baixinho, depois de tomar, repousei minha cabeça na guarda do sofá e fiquei olhando televisão.

Ouço passos na casa, movimento e a luz que invade as janelas clareando a sala. Lembro que dormi na sala. Sento-me no sofá, passando a mão nos cabelos embaraçados e bem armados, depois passo-as no rosto e por fim na minha barriga, dando bom dia para meu pequeno, ou pequena.

Olho pra cozinha e não há ninguém, mas eu tenho certeza que ouvi passos. Caminho afinco até o quarto para certificar que minha filha estava bem. Antes de chegar na porta, escuto duas vozes masculinas que reconheço de imediato: Bruno e Thales. Apareço na porta tentando ajeitar o cabelo e ele me olha de primeira, passando o olhar diretamente para a barriga.

-Bom dia. - Digo fazendo um coque bem mal-feito. - Amor da mãe já acordou?  - Estico os braços, sorridente, para minha filha, mas ela olha para o pai e fala coisas que não dão para entender.

-Bom dia. - Os dois respondem.

-Ela já mamou? Ou está acordada a muito tempo? - Pergunto diretamente para Thales que gagueja enquanto olha para eu e para o Bruno.

-Eu preparei a mamadeira dela, e já dei. - Bruno responde. - Posso leva-la pra casa das minhas irmãs?

-Ah... claro. - Respondo receosa. Difícil vai ser passar um final de semana longe dela, muito difícil.

-Elas convidaram vocês pra festa que vai ter à noite, lá na casa da Tahiti e da Tiara. - Bruno meio que dá de ombros.

-Nós iremos. - Respondo rápido.

-Ok. - Acho que ele não esperava uma resposta positiva.

-Vou fazer café. - Thales se some como vulto do quarto e Bruno retorna ao que iria falar.

-Tem como arrumar a malinha dela?

-Vai leva-la mesmo assim? Pensei que fosse só pela festa...- Justamente por isso concordei em ir.

-Vou. Vou dar um passeio com ela de tarde, e depois da festa vou leva-la pra dormir comigo.

-Mas você sabe fazer as coisas? Você tem nojo de trocar fraldas e não pode deixa-la muito tempo com a mesma, senão ela se assa. - Falo preocupada com o que poderia acontecer, mas eu sei que ele é um bom pai.

-Eu sei de muitas coisas, Nick. Calma. - Ele ri brincando com a Bê em seu colo. - Você já foi ao médico? - Ele olha discretamente para a barriga.

-Ainda não, vou essa semana. - Respondo.

-Por favor, quando tiver a primeira ecografia, deixa eu ir? - Pergunta ele encostando de leve no meu braço, meu corpo inteiro arrepiou-se.

-Nós ainda vamos conversar sobre isso, ok? - Ele responde assentindo.

Bruno Pov's

Foi uma luta para sair de casa. Bê é apegada a mim sim, mas quando viu que eu saí pela porta somente com ela, e que sua mãe ficou pra trás, ela chorou e berrou pelo corredor, se debatendo para sair do meu colo e ir para o da mãe dela. Nick teve que descer conosco até o estacionamento. Fizemos algumas "voltas" na minha filha para que ela se acalmasse, e somente quando demos seu urso e ela se distraiu com ele, Nick pôde subir e eu dar continuidade onde queria ir.

Ficava observando minha filha pelo retrovisor, ela dizia algumas coisas e balançava a cabeça, e quando olhava para o espelho e via meu reflexo, ela gritava feliz. Minha princesa está crescendo tão rápido. Daqui a pouco ela não vai precisar mais de nós para ir ao banheiro - não que ela vá ainda, mas quando começar a ir -, não vai mais precisar que demos banho nela, nem pormos ela em seu berço para dormir. Vai ser tudo mais fácil, mas ao mesmo tempo mais complicado. Talvez não terei mais os carinhos que ela nos faz, nem mesmo sua companhia para algumas coisas, ela vai querer encontrar a sua turma e pode até ter vergonha de andar com nós pela rua, para não pagar "mico".

Estacionei em Venice Beach. Passeei pelas calçadas com ela no seu carrinho rosa, ela sorria para todos que nos olhavam, e eu evitava parar muito. Apesar que meu boné tapando quase meu rosto, não dava para perceber exatamente de quem se tratava, então não teve tão assédio como eu pensei que teria.

Comprei o presente da Tiara, e comprei algumas coisinhas para minha filha, coisas básicas, e então peguei um pequeno casaquinho branco para meu outro filho ou filha.

++++

-Cuida da minha filha. - Grito para a maluca da Tahiti que a pega no colo e corre pela casa, fazendo a Bê gargalhar alto. - Quer ajuda? - Pergunto a Jesse que estava com algumas caixas de bebida.

-Pensei que não iria se oferecer. - Ele apontou para as caixas que eu deveria pegar e eu ri.

Colocamos muitas caixas no freezer e aproveitamos para ajeitar as caixas de som na parte de fora da casa, a festa hoje seria no deck perto da piscina. Setembro não é um mês tão frio assim, então depois que alguns já estiverem bem mal da bebida, talvez se atirem.

-Tio, brinca comigo? - Pede Zyah piscando os olhos devagar.

-Vai gastar toda a energia agora e mais tarde não terá para brincar com o resto das crianças. - Passo a mão no seu ombro, me abaixando para ficar do tamanho dele.

-Eu queria entrar na piscina, mas o pai não deixa. - Me confundo quando ouço ele falar pai. É estranho, porque para mim o pai dele é o Jason, mas o Billy que praticamente o criou e é o atual namorado da Tahiti, então me confundo bastante. Olhei para o Billy que estava ajeitando algum banco.

-E se eu sem querer te jogar na piscina? - Pisco pra ele, que ri e comemora.

Pego meu sobrinho no colo, pesado, e o levo para a beira da piscina. Pergunto alto, dizendo pra ele nunca mais fazer tal coisa, mas ele não tinha feito nada, era apenas um grau para eu poder ter um porque o colocar ali. Óbvio, eu não iria toca-lo de verdade.

-Não ouse tocar meu filho na piscina, cabeça de bigorna. - Tahiti aponta em  nosso lado, sem minha filha nos braços.

-Pequena águia, abortar missão, câmbio desligo! - Digo para Zyah e o coloco em pé ao meu lado. - Onde está minha filha?

-Sendo babada por muitas mulheres, acredite! - Ela aponta com o polegar sob os ombros. - Christina chegou junto do namorado e o Eric.

-Pessoal chegando cedo, hein. - Cruzo os braços.

-Que mal te aflige, Bruno? - Ela chega mais perto de mim e meu sobrinho corre para onde seu irmão está.

-Nicole... - Não sabia se deveria contar ainda que ela está grávida novamente, então me calei.

-Ela vai vir?

-Disse que sim, tomara que venha. - Sorrio de lado e ela coloca uma mão no meu ombro, um gesto de carinho.

Pelo menos eu imaginava que seria um gesto de carinho. Mas mudei de ideia quando a água tomou conta do meu corpo, e eu me debati para voltar a superfície. Gritei que iria matá-la enquanto ela ria divertidamente, e Billy, ah Billy, gravava num canto tudo. Isso foi planejado. Não vai ficar assim. Mas acabei rindo com todos, porque realmente, fui pego de surpresa.