TRÊS MESES DEPOIS
Arrumava toda a casa, com a ajuda de Thales e Lisa, que andavam atrás de mim como se eu fosse uma porcelana prestes a cair e quebrar. Gravidez não é doença, e eu não vou me privar de movimentos por isso. Estamos pendurando os últimos enfeites da árvore de natal, já que o resto do apartamento está todo decorado.
-Essa árvore está faltando algo. - Observo-a, parecendo tão morta.
-Mãe, ó. - Bernadette entrega-me um dos enfeites.
-Obrigada, meu amor.
-Não acendemos as luzes ainda. - Thales levanta do sofá. - E, essa árvore está precisando de um toque Thales de ser.
-Um toque gay. - Corrige Lisa, tirando a cabeça da guarda do sofá.
-Qual é, vocês duas estão tão sem animo para o natal.
-Eu estou animada. - Digo, pegando mais um enfeite da mão da minha filha.
-Mas não parece. - Ele bate com a mão na lateral do corpo. - Quando foi a última vez que viram filmes de romance e choraram?
-Ontem? - Pergunto à mim mesma.
-Hoje pela manhã. - Corrige Thales, impaciente. - Tá vendo, vocês estão mortas.
-Não estamos! Eu apenas não tenho porque estar feliz o tempo todo. - Lisa dá de ombros.
-Ninguém está, ninguém nunca está. Mas podemos sempre fazer um esforço a mais.
-Thales. - Balanço a cabeça. - Vamos continuar.
-Só depois que você admitir que está assim pelo Bruno.
-Vocês sabem que eu estou. - Quando minha filha ouviu o nome do seu pai, me olhou rapidamente, e depois tornou a olhar para os lados.
-Então volta pra ele, Nick. Você é tão cabeça dura, sempre complica as coisas.
-Falou você que não vai atrás das pessoas por orgulho, Lisa. - Retruco como criança.
-A diferença é que nem o Ryan, nem o Phred, nem nenhum dos meus ex namorados, me ama como o Bruno ama você.
A encaro, sem saber o que falar.
-Nick, qual é, vamos ser sinceros... Você pensa nele dia e noite, e quer muito tê-lo, mas fica pensando no passado e no futuro, deixando o presente de lado e acaba nem vivendo.
-Bruno está feliz assim.
-Ah sim, ele deve estar mesmo, longe de suas filhas e da mulher que ama.
Estou com cinco meses, o que resulta numa barriga bastante saliente, mas nada comparada a gravidez de Bernie. Descobri com quatro meses que espero mais uma menina, e fiquei feliz por isso. Ela ainda não tem nome, e eu decidi escolhe-lho sozinha, vou agradar à mim dessa vez também. Minha menina é completamente ao inverso de Bernie. Bernie era espoleta, não parava quieta, e com três meses já sabíamos o sexo porque ela abriu as pernas, já minha outra pequena é diferente. Quieta e serena, ela parece conversar comigo quando estou mais tristonha, é pequena.
Todos sabem que estou grávida agora, incluindo a mídia. A má mídia e a mídia normal. A má disseram que eu estava grávida de outro cara, e esse foi o motivo do meu término com o Bruno. Agora vê se eu posso com isso? Eu trair o Bruno, engravidar de outro, e nós terminarmos por isso? Não me pronunciei quanto à isso, até porque não voltei com minhas redes sociais e não pretendo. Acho que quanto mais eu der satisfações da minha vida, mais o povo vai falar, e eu prefiro ter a vida mais tranquila possível.
Eu e o Bruno estamos nos dando bem. Digo, ele respeitou minha decisão de término, e agora estamos amigos. Ele busca nossa filha sempre que pode, e quando tem tempo vem para a minha casa visita-la e ver a pequena que habita em mim. O que Thales disse sobre eu sentir saudades dele, é a pura verdade. Eu passo noite e dia pensando nele, pensando em nós, imaginando um futuro e lembrando de tudo do passado. Queria poder dividir os momentos dessa gravidez com ele, e estar com ele quando a Bernie resolveu caminhar de vez, quando ela começou a falar mais, quando minha filha deu o primeiro chute... Momentos que eu queria estar partilhando com ele sem ser por conversas amigáveis. Mas não posso voltar atrás. Tomei uma decisão, e insisti nisso, que agora eu mesmo tenho que aguentar. O meu temor é o dia que ele aparecer com uma pessoa, com uma namorada. Eu não sei se aguentaria por muito tempo se isso acontecesse. Eu o amo demais para vê-lo com outra, mas me amo também para saber que as coisas que passamos não eram saudáveis.
Sou extremamente egoísta quando falo nisso, porque não estou pensando em meus bebês. Mas na verdade estou sim. Estou pensando que se eu continuasse com ele daquela forma, seria um trauma para elas.
-Que dia seus pais chegam? - Pergunta Thales quando entrega para nós copos com soda.
-Semana que vem.
-Passaram três semanas aqui, mal da para acreditar. - Os olhos de Lisa brilham. - Eu amo conversar com a sua mãe.
-Eu sei. E me sinto trocada?! - Faço uma careta boba e ela sorri.
-Vó. - Bernadette olha para o nada, e vem em minha direção. - Cadê?
-A vó está na casa dela, amor. - Dou um beijo em sua cabeça e a puxo para o meu colo.
-Pai. - Ela aponta para a árvore de natal e balança a cabeça positivamente pra mim.
-Ela é tão esperta, e tão parecida com você. - Thales brinca com sua blusinha e ela ri, toda assanhada.
-A parte de ser assanhada puxou ao Bruno.
-A personalidade dela é do Bruno! - Lisa a observa. - Ainda bem que ela é linda como a mãe.
-O pai dela é lindo. - Saio em defesa.
-Pai lindo. - Repete.
-Isso, defende seu pai. - Thales gargalha. - Meu Deus, Nick. Pelo menos tente disfarçar que ainda ama ele.
-Eu... Eu não sei. Apenas ajo da forma que sai.
-Se eu tivesse um Bruno, lindo e apaixonado, na minha vida, não pensaria muito. - Thales rouba minha filha do meu colo.
-Vamos mudar de assunto. - Peço.
-Vamos falar do natal... Vai ser à noite aqui, e ao dia vamos para o Bruno mesmo?
-Acho que sim, vou confirmar com ele mais tarde. - Dou de ombros.
-Ligue pra ele e aproveite pra dizer que você o ama. - Lisa acaricia meu ombro.
-Quem sabe. - Sorrio, passando a mão pela barriga.
-É o espírito natalino agindo, Jesus! - Thales brinca e Bê ri, encarando ele.
-Jesus! - Grita e nós rimos.
Bruno Pov's
Estava ansioso decorando a casa com a ajuda da empregada nova. Uma senhora um pouco mais velha que a antiga. Montamos a enorme árvore próxima a lareira, e ajeitamos o piamo. Natal é em uma semana e meia, mas gosto de já pensar em tudo, quero que a festa desse ano seja especial.
Especial no quesito de eu estar com as pessoas que eu amo. Só mais especial seria se minha mãe tivesse aqui, e Nicole não tivesse me abandonado.
As coisas parecem tão sem graça sem ela. A casa é vazia sem ela e meus bebês, conversar com ela como amigos me deixa mal. Eu sei que ela me ama, eu sinto isso porque eu a amo também. Mas não posso interferir nas decisões que ela toma. Tenho que ser cauteloso, ir com calma, e saber a hora certa de tentar algo novamente. Thales me mantém informado de algumas coisas e já pedi para Jaime me dizer algo caso Nick se abra pra ela, qualquer coisa que faça mostrar que se eu me declarar novamente, ela vai ceder e voltar pra mim. Penso nela dia e noite, penso nas nossas filhas e que elas não podem viver sem um pai, e que é um desperdício eles estarem se apertando naquele apartamento, sendo que tem minha casa enorme para nós dois.
-Acho que podemos ir para a parte da rua, o que acha? - Pergunto para Beth.
-Podemos arrumar um pouco hoje e outro pouco amanhã, senhor.
-Pode ser.
Me dou por vencido, apenas separando alguns enfeites que comprei. Quando saio para a área externa, sinto o frio que faz na rua. Abraço meu corpo, passando a mão nos braços, olhando para tudo tão gelado e o tempo tão chato. Esse quintal enorme parece um poço de solidão, e com o frio faz parecer pior, pois nada habita nele, nem as flores.
Queria poder ter minha família, minha filha brincando, minha namorada andando de um lado para o outro com uma barriga enorme. Eu não queria ter errado com ela, queria ter feito tudo certo, queria estar com ela em todos os momentos e eu sei que fui péssimo nisso. Me arrependo amargamente de tudo que fiz. Principalmente ter ido atrás de Paige. Depois que Nick e ela discutiram, e eu conversei com a Nicole sobre isso, Paige começou a dar em cima de mim tão descaradamente. Começou a virar o rosto quando íamos nos cumprimentar, perguntava se poderia passar a noite na minha casa, ou ir para a dela. Coisas que eu não vou entender, mas que eu entendi que fui um idiota quando pensei que Nick estivesse errada com a visão sobre a Paige. Eu sempre estive errado, e tentava me cegar sobre tudo.
-Telefone! - Avisa-me Beth.
Acordo do meu transe de pensamentos e vou até a sala pegar meu celular que estava tocando. Nicole estava me ligando, e a cada vez que falo com ela, meu peito se enche de esperança e tudo mais.
-Alô?
-Oi, Bruno. - Sinto sua voz sair com um sorriso.
-Oi, Nick. Tudo bem?
-Sim... E por aí?
-Bem. - Respondo ouvindo o som da sua respiração.
-Está ocupado? - Pergunta.
-Não, porque?
-Quero fazer uma perguntinha e depois tem alguém que quer falar com você. - Ouço um "é" da minha filha, e automaticamente olho para a lareira onde há fotos nossas, e uma das mulheres que mais me importam na vida.
-Tudo bem.
-O natal... vamos passar o dia na sua casa, certo?
-Sim, certo. Poderiam passar a noite também.
-Meus pais vão estar aqui, e queremos passar em família um pouco. - Em família? Eu sou parte da família, ela é minha família e minha família é a dela também. Tiro o sorriso do rosto, encarando o nada com expressão vazia. - Bruno?
-Oi?
-Posso passar para a Bernadette? Ela ficou a manhã toda falando de você, e a tarde só não falou mais porque estava entretida com as coisas do natal.
-Pode sim.
Minha filha pega o telefone, enquanto eu tento falar com ela e ela dá meias palavras pra mim, sendo a maioria gritinhos de felicidade. Nick pede para que ela fale que me ama, e ela repete direitinho, me deixando bobo, um pai coruja. Digo que a amo e ela fala mais algumas coisas.
-A árvore. - Diz.
-Acho que ela quer dizer que hoje montamos a árvore. - Nick fala.
-Montaram a árvore, meu amor?
-Sim! - Ouço empolgação na voz de Nicole quando pergunto para minha filha, chamando-a de amor. Será que Nick pensou que fosse para ela? - Desculpe.
-E a casa já está decorada?
-Diz pro papai que já está toda decorada e linda, e que ele pode vir aqui ver como está.
-Tá linda, decorada. - Repete algumas palavras, do seu jeito de falar, meio enrolado. - Vem.
-Papai vai amanhã visitar você e a maninha, pode ser?
-Pode.
-Bruno, você precisa ver, ela não perde essa mania de balançar a cabeça quando fala.
-Isso vai longe. - Rimos juntos. - E como está o bebê?
-Quietinha e tranquila. Se não fosse pela barriga, às vezes esqueceria que que ela está dentro de mim.
-Ela vai puxar a você.
-Vai ser o oposto da irmã, que puxou a você.
-Bernadette tem a corda toda. - Ouço a sua risada. - Que menina sem vergonha, assanhada.
-Puxou a você. - Nick diz, rindo.
-Bernadette puxou a mim na personalidade e é parecida com você, não tem quase nada meu. Será que essa vai ser parecida comigo e ter a sua personalidade.
-Não ofenda a Bernie, ela é linda.
-Você é linda, e você sabe disso.
-Obrigada. - Sua voz sai abafada.
Fico imaginando-a vermelha com o elogio, sinto como se estivesse a sua frente e ela toda envergonhada. Minhas filhas tem sorte por terem ela como mãe.
Nicole Pov's
Meus pais chegaram ontem, e hoje aproveitamos para fazer um almoço grande, com direito a muita conversa. Minha mãe me avisou que depois queria ter a conversa comigo, e eu sabia que essa conversa envolvia eu, Bruno, e as crianças. Falando em crianças, Bernie e minha bebê já ganharam tantos presentes que estão embaixo da árvore, mas há muitos além de roupinhas novas para passarem o natal e o ano novo.
-Mas a paixão de Nick por Nova York começou cedo, mas quando ela começou a assistir...
-Mãe! Ninguém quer saber. - Ninguém precisava saber disso, é uma parte do passado que prefiro que seja mais guardada.
-Eu quero saber. - Thales, bicha ruim, curiosa, diz.
-Tem algo seu que eu não sei? Nossa! Eu pensava que era sua melhor amiga. - Lisa leva a mão ao peito, em sinal de espanto.
-Não tem nada. Minha mãe está falando demais.
-Então tem algo.
-Ela era apaixonada por FRIENDS. Passava horas na frente da televisão olhando os episódios.
-Eu disse pra não falar. - Forcei um sorriso. Queria esgana-lá.
-É só isso? Meu irmão também amava FRIENDS. - Thales dá de ombros.
-Eu amo esse seriado, e você sabe disso. - Lisa sorri, balançando a cabeça.
-Era vidrada no Ross. - Minha mãe diz.
-Você gostava do Ross? - Lisa gargalha tão alto, e minha filha gargalha junto. Que menina maria-vai-com-as-outras.
-Não era o Ross, mamãe. Era o Joey.
Eu era uma adolescente, e eu odeio meu passado. Evito falar nele, principalmente agora. Não gosto de lembrar de quando Bruno me conhecia, e não era o Bruno, era o Peter, um idiota que ia atrás dos amiguinhos. Não gosto de lembrar que não tive um amor de ginásio, não tive uma primeira vez na escola, não tive um grupinho de amigos, e que passava todas as horas do meu tempo livre assistindo FRIENDS. Queria poder apagar tudo isso, não pensar em mais nada daquela época.
Continuamos o jantar com algumas gargalhadas e algumas lembranças do passado, deles, porque do meu prefiro não falar para não estragar nada.
+++
Clima de véspera de natal. Havíamos cogitado a ideia de irmos para Venice e passar a noite lá, mas eram duas viagens para fazer e muitas coisas para levar, e amanhã ainda temos que ir para a casa do Bruno. Não daria certo. Então arrumamos todo o apartamento, mesa de jantar e tudo mais para que seja lindo. Bernadette estava mais manhosa que o normal. Andava um pouco, mas daqui a pouco sentava no chão e ficava nos olhando e observando quietinha
-Filha, não faz assim, vai ficar doente. - Levanto ela, talvez pela décima vez.
-Mãe. - Ela se agarra no meu pescoço. - O pai.
-Seu pai ta na casa dele, vamos ver ele amanhã.
Essa manha toda era por causa do seu pai e a saudades que ela sente dele. Não tenho culpa se nessas correrias ele não pôde vir aqui, e até entendo. Ele pergunta pra mim, em ligações ou mensagens, todos os dias como as duas estão.
-Esse peru vai ficar pronto amanhã, se não por ele agora no forno. - Minha mãe diz pra Thales, que somente assente com medo de falar algo pra ela. Aliás, ela estava se sentindo mais do que em casa, estava mandando em todos hoje, e colocou até meu pai no serviço.
Antes da noite se apresentar, coloquei a Bê no banho e pus uma de suas roupinhas novas. Ela estava uma princesa de tão linda. Marrenta, com uma calça preta e um tênis branco, uma regatinha preta e por cima uma camisa jeans meia manga. Hoje está um natal com clima agradável, não está tão frio agora pra por casaco nela. Amarrei uma bandana em sua cabeça, que me lembrou tanto o Bruno. Dei um beijo em sua testa e a entreguei para minha mãe para que eu pudesse finalmente tomar o meu banho. Minhas roupas estavam quase todas apertadas, impossível achar um jeans que servisse em mim direito, então optei pela única calça jeans que dava para abotoar e uma bata maior e mais comprida. Os cabelos somente penteei, e passei maquiagem em meu rosto. Nada de especial.
Desci, peguei meu carro e dirigi até a padaria que ainda estava aberta e comprei alguns salgadinhos de festa, que estava afim de comer, e voltei pra casa.
A noite foi ficando tranquila, com músicas e muitas risadas. Comida e falatórios. Bernie estava mais feliz e não saia de perto de sua vó, conversava tanto com a gente, enquanto minha pequena dentro da minha barriga estava quietinha.
Enquanto os presentes eram entregues, e eu estava desembrulhando um belo box das 10 temporadas de FRIENDS, que por acaso ganhei de Lisa, que ria enquanto via minha cara, cantava em minha mente a música "Last Christmas". Como se agora, hoje, ela fizesse todo o sentido.
Não, nem tanto sentido assim. Não quero entregar meu coração pra ninguém por um bom tempo, porque é difícil de admitir que ele ainda é completamente dele, e bate mais forte por ele. E ele não me deu tantas decepções. Nós apenas brigávamos mais do que o normal, e eu acho que ele me traiu... Não tenho que pensar nisso no dia de hoje, tenho que aproveitar minha família que está reunida nessa sala, rindo e sorrindo.
-Carrinho. - Bê aponta para seu brinquedo novo. Um carrinho de passeio que dei à ela, rosa.
-Quem é a tia mais linda desse mundo? - Pergunta Lisa.
-Taies. - Thales!
Nós caímos na gargalhada. A ceia foi assim, a noite toda foi assim, e Bruno ligou desejando um ótimo natal e mais muitas coisas, mas disse que precisava desligar porque as meninas estavam-o chamando.
-Mãe. - Ela se agarra no meu pescoço. - O pai.
-Seu pai ta na casa dele, vamos ver ele amanhã.
Essa manha toda era por causa do seu pai e a saudades que ela sente dele. Não tenho culpa se nessas correrias ele não pôde vir aqui, e até entendo. Ele pergunta pra mim, em ligações ou mensagens, todos os dias como as duas estão.
-Esse peru vai ficar pronto amanhã, se não por ele agora no forno. - Minha mãe diz pra Thales, que somente assente com medo de falar algo pra ela. Aliás, ela estava se sentindo mais do que em casa, estava mandando em todos hoje, e colocou até meu pai no serviço.
Antes da noite se apresentar, coloquei a Bê no banho e pus uma de suas roupinhas novas. Ela estava uma princesa de tão linda. Marrenta, com uma calça preta e um tênis branco, uma regatinha preta e por cima uma camisa jeans meia manga. Hoje está um natal com clima agradável, não está tão frio agora pra por casaco nela. Amarrei uma bandana em sua cabeça, que me lembrou tanto o Bruno. Dei um beijo em sua testa e a entreguei para minha mãe para que eu pudesse finalmente tomar o meu banho. Minhas roupas estavam quase todas apertadas, impossível achar um jeans que servisse em mim direito, então optei pela única calça jeans que dava para abotoar e uma bata maior e mais comprida. Os cabelos somente penteei, e passei maquiagem em meu rosto. Nada de especial.
Desci, peguei meu carro e dirigi até a padaria que ainda estava aberta e comprei alguns salgadinhos de festa, que estava afim de comer, e voltei pra casa.
A noite foi ficando tranquila, com músicas e muitas risadas. Comida e falatórios. Bernie estava mais feliz e não saia de perto de sua vó, conversava tanto com a gente, enquanto minha pequena dentro da minha barriga estava quietinha.
Enquanto os presentes eram entregues, e eu estava desembrulhando um belo box das 10 temporadas de FRIENDS, que por acaso ganhei de Lisa, que ria enquanto via minha cara, cantava em minha mente a música "Last Christmas". Como se agora, hoje, ela fizesse todo o sentido.
Last christmas
(No Natal Passado)
I gave you my heart (gave you my heart)
(Eu te dei meu coração)
But the very next day you gave it away (gave it away)
(Mas logo no dia seguinte você jogou fora)
This year
(Este ano)
To save me from tears
(Para salvar-me de lágrimas)
I´ll give it to someone special (I?ll give it someone special)
(Eu vou dar a alguém especial)
Não, nem tanto sentido assim. Não quero entregar meu coração pra ninguém por um bom tempo, porque é difícil de admitir que ele ainda é completamente dele, e bate mais forte por ele. E ele não me deu tantas decepções. Nós apenas brigávamos mais do que o normal, e eu acho que ele me traiu... Não tenho que pensar nisso no dia de hoje, tenho que aproveitar minha família que está reunida nessa sala, rindo e sorrindo.
-Carrinho. - Bê aponta para seu brinquedo novo. Um carrinho de passeio que dei à ela, rosa.
-Quem é a tia mais linda desse mundo? - Pergunta Lisa.
-Taies. - Thales!
Nós caímos na gargalhada. A ceia foi assim, a noite toda foi assim, e Bruno ligou desejando um ótimo natal e mais muitas coisas, mas disse que precisava desligar porque as meninas estavam-o chamando.
