Páginas

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Trinta e três - parte 2

Sento-me na cama, apavorada penso que estou atrasada para o serviço, mas lembro de dois detalhes importantes: hoje é sábado, e eu não estou em casa. Logo me remete a lembrança da noite anterior, Bruno fez-me sentir no paraíso, aliás, de uma forma inexplicável ele sempre consegue fazer isso. Viro meu rosto para olhar para ele dormindo, nu, somente o fino lençol o tapando.

Penso no quão difícil será encara-lo hoje e fingir que nada aconteceu, pois é isso mesmo que eu preciso fazer. Não quero ficar me martirizando pensando no que perdi, e nem sobre o que fizemos ontem à noite. Somos adultos... Nicole, você é uma idiota. Atitude mais infantil que ignorar o que aconteceu, não tem. Droga, preciso pensar.

Minha barriga ronca alto, meu bebê dá sinal de vida.

Meu bebê. A Bernie!

Passo a mão sobre a barriga e rapidamente me lembro da Bernie. Eu sou uma péssima mãe, se é que dá para me chamar de mãe. Levanto rapidamente e pego minha roupa pelo chão. Lavo-me o que posso no banheiro e tomo cuidado para não sair cheirando. Quando retorno ao quarto, Bruno já está acordado, recostado na cama, com o lençol tapando somente sua parte íntima.

-Bom dia. - Ele diz sorridente.

-Bom dia, Bruno. - Falo apressada catando meus calçados.

-Já vai embora? Vamos aproveitar o café da manhã.

-Não, eu preciso ir. Minha filha está sozinha, quer dizer, com o Thales e com a Lisa, mas e se eles não acordarem para dar mama à ela? - Digo confundindo tudo, estabanada e com medo.

-Deixa de bobagem, eles estão cuidando bem dela, se algo tivesse acontecido ela já teria ligado.

-Ah meu Deus. - Pego meu celular rapidamente e consto que ele está com a bateria quase acabando. - É, ela não me ligou. - Digo observando ele, talvez um pouco mais calma.

-Viu, está tudo bem, agora vamos tomar café! - Ele levanta tapando suas partes íntimas com a toalha. Pega o interfone e liga para a recepção, enquanto eu disco o número da Lisa.

-Alô. - Diz ela.

-Oi Li, está tudo bem?

-Sim, ótimo na verdade.

-Ah, graças a Deus. - Alivio-me um pouco e ela ri.

-A Bê está ótima, tomou mama e agora está olhando desenho com a dinda! Não é amor da dinda? Quem é a coisa mais lindinha? - Ela fala com voz de criança para Bê que resmunga um pouquinho e ri dela.

-Ela deve pensar que você é retardada. Se bem que ela não está errada.

-Hey, eu cuido da sua filha para você transar em paz e é isso que recebo em troco?


-Lisa! - A repreendo sentindo minhas bochechas queimarem.

-Quando chegar em casa nós conversamos. Como está o nosso bebê?

-Está bem, com muita fome! - Digo baixinho para o Bruno perceber. - Vou tentar dizer pra ele hoje. - Falo mais baixo ainda.

-Boa sorte, vou desligar, beijos.

-Beijos, daqui a pouco estou em casa.

Não sei se ela chegou a ouvir o que eu falei por último, mas logo ela desligou. Olhei para o banheiro no qual Bruno fechou a porta segundos atrás. Ajeitei a roupa que ele havia deixado espalhada, sobre a cama, e me sentei na cadeira rente a mesa com o celular em mãos. Bruno saiu do banheiro e sentou-se na mesa comigo. Conversamos muito pouco até o café chegar. Atraquei as coisas com vontade, e ele também não foi muito longe disso. Comemos o que podíamos e o que nos deixava satisfeitos e depois rimos enquanto contávamos tudo o que comemos.

-Será que eles cobram por desperdício? - Ele aponta para um pequeno pedaço de pão que havia ficado em seu prato.

-É óbvio que não, palhaço. - Rio dele mais uma vez. Estava divertida essa manhã.

Batuquei meus dedos na mesa, queria começar falando pra ele, mas não sabia exatamente isso: como começar. O que eu iria falar? "Oi Bruno, sabe quando você desconfiou que eu estivesse grávida, pois é, eu já sabia e te menti porque ainda estava abalada e tinha medo que acabasse tendo uma recaída, mas já que essa noite nós transamos e eu me decidi que estou melhor sem você, aí vi que poderia falar". Pra começar, eu não vi que estou melhor, estou numa confusão. Quero ele por perto, mas ao mesmo tempo lembro que nós dois juntos dará uma bosta, e voltará ao mesmo ponto em qual paramos: brigas por nada. Eu não quero mais isso. Meu bebê irá nascer em um ambiente calmo, tranquilo, seus pais separados, mas mantendo uma amizade legal! É melhor assim do quê juntos, se matando.

-Bruno. - Chamei sua atenção para mim, quando ele olhava pela janela. - Podemos conversar?

-Ah, claro. - Ele respondeu parecendo ficar nervoso repentinamente.

-Só não sei como começar isso, então, não exija muito. - Eu rio descontraída e ele se ergue, rindo, mas não com tanta graça.

-Tudo bem.

-Sabe quando você foi ao meu apartamento, perguntando como eu estava me sentido, e enrolando para perguntar se eu estava grávida?

-Sim. - Ele assente com a cabeça também.

-Eu falei que não estava. Mas eu tinha descoberto, na verdade enquanto falava com você pelo telefone, olhei para o teste que tinha a recém feito...- ele pareceu que iria me interromper. - Deixe eu terminar. - Peço a ele. - Eu sabia que estava grávida, desconfiava, e minha barriga está crescendo, não sei como não percebeu isso. - Ele ri. - Eu estou esperando mais um filho seu, Bruno.

Bruno não pareceu absorver a ideia durante alguns segundos. Ele me olhou com desconfiança, fez um gesto com a boca e pareceu pensativo, mas logo sorrio e sua mão procurou a minha.

-Você é a portadora das melhores notícias que eu posso receber. - Ele ri e eu também. - Mãe de mais um filho meu. Quer dizer, você será a única mãe que meus filhos irão ter, e os futuros, se Deus permitir, também.

-Chegamos ao ponto mais delicado. - Torço os lábios. - Eu estar grávida não significa que irá mudar algo. Na verdade não mudará nada. Continuamos amigos.

-Mas Nicole, essa criança precisa de pais presentes.

-Mas ela terá pais presentes. Eu vou estar sempre aqui, e você também. - Seguro sua mão. - Me entenda! Será melhor para todos.

-Para você, somente melhor para você. É difícil estar longe, sabia? Não ouvir o choro da minha filha em casa, não ver você resmungando. Eu estou com mil coisas entaladas aqui, - ele aponta para a garganta com os olhos ficando vermelhos por repreender o choro - mas eu não posso dizer nada. Eu estou respeitando o seu pedido de não tentar, mas é mais complicado do que eu pensei.


-Bruno...

-Me escuta Nicole! - Sua voz saí autoritária. - Eu sempre fui e sempre serei seu amigo, mas eu quero ser seu amigo e amante. Essas crianças precisam de pais.

-Nós separados nos damos bem melhor do que juntos, uh? Prefere que a gente crie elas no meio de brigas diárias?

-Eu vou mu...

-Não continue. - Tiro minha mão da dele. - Aproveitando a brecha, isso não pode mais acontecer. O que aconteceu ontem, os selinhos que você me dá, isso não pode mais. Você está livre para viver, sozinho, ou acompanhado por outra pessoa!

-Deixa de besteira Nicole. Eu quero você! - Ele sacode meus braços com urgência. - Se eu quisesse outras, eu estaria com outras. Eu estaria na cama de outra pessoa quando você pediu minha ajuda ontem à noite.

-Bruno...

-Eu tenho que dar mais provas do meu amor pra você, não é?

Fico em silêncio, silêncio absoluto! Eu não sei o que responder. Eu queria uma prova de amor, mais uma no caso, queria que ele me mostrasse que se nós voltasse-mos não iria ser ruim, iria ser bom, iríamos realmente estar mais maduros. Íamos arcar com nossos compromissos e de nossos filhos, ele iria me respeitar como namorada e eu a ele. Mas penso que pode ser a melhor saída ficar como estamos, sem mais aproximações amorosas, apenas bons amigos.

-Eu entendi. Você quer que eu te prove, eu vou te provar.

-Não precisa me provar. - Digo baixinho.

-Preciso! Eu preciso. Você tem duas coisas das mais importantes da minha vida, você é uma das coisas mais importantes da minha vida, e você não acredita em mim. Eu falo sério quando digo que te amo.

-Eu sei! - Repreendo um grito e ele vira a cabeça pro lado.

-Eu não te entendo Nicole. Eu não entendo as mulheres. Se você sabe que eu te amo, porque faz isso comigo? - Ele chega mais perto de mim. - Porque faz isso com nós?


-Eu não estou fazendo nada. - Ele bufa de maneira irritante e segura meus braços. - Sabe porque eu fiz isso? Porque estou cansada! Cansada. Passamos tanto tempo juntos, e nos tratamos como estranhos. Você saí para beber e eu fico em casa preocupada com você, e quando chega em casa você grita comigo como se eu fosse uma pedra no seu sapato. No outro dia age como se tudo estivesse bem. Eu cansei desses teatros, dessas peças que não se encaixam, desse amor que só consome e não repõe. Eu quero você Bruno, mas eu não quero sofrer mais. Você me deu as maiores alegrias da minha vida, mas eu nunca vou esquecer que me trouxe muita tristeza também. Eu lembro da minha adolescência como se fosse ontem. E o único pilar que me sustentava era minha família, porque? Porque eles me apoiavam e me encorajavam. Eles nunca brigavam, era raro, e continua sendo! - Respiro fundo repousando a mão na minha barriga quando sinto um pequeno incomodo.

-Você está bem?

-Estou ótima. - Dou um passo pra trás já não sentindo mais nenhum incomodo. - Ouviu o que eu disse antes? - Ele afirma com a cabeça. Meus olhos se preenchem de lágrimas.

-Eu ouvi Nick, eu peço desculpas por ter sido sempre um idiota. Eu sempre tentei fazer o melhor para você, mas vi que as coisas nem sempre saem como nós planejamos. Eu amo você, tanto quanto amo meus filhos e o resto da minha família, não importa que não estejamos juntos ou não, nada vai fazer mudar o fato de que eu te amo e sempre te amarei.

-Obrigada. - Minhas lágrimas caem.

Bruno Pov's 

Eu deixei ela sair pela porta daquele quarto de hotel, quando a porta foi fechada e eu vi a escuridão que aquele quarto ficou, eu vi minha vida. O jeito que minha vida ficará sem ela, sem sua companhia, sem seus beijos, seus carinhos, suas falas, suas juras de amor e seus dedos nos meus. Tudo isso eu sei que mereço, mas como eu vou continuar e me encorajar a viver uma vida solitária sem ela ao meu lado? Como vou ter noites tranquilas sabendo que ela está grávida de mais um filho meu, sabendo que ela pode a qualquer hora me apresentar um novo namorado...

I don't really need to look very much further
(Não preciso realmente olhar muito além)
I don't wanna have to go where you don't follow
(Não quero ter que ir aonde você não me siga)
I won't hold it back again, this passion inside
(Não vou reprimi-la, esta paixão aqui dentro)
Can't run from myself, there's no where to hide
(Não posso fugir de mim mesmo, não tem onde me esconder)

Whitney, você tem razão. Não posso fugir, não tenho como me esconder, eu não quero e nem posso ir ou ficar em algum lugar que ela não esteja junto comigo. Não posso e nem devo. E não vou!

Don't make me close one more door
(Não me faça fechar mais uma porta)
I don't wanna hurt anymore
(Não quero mais sofrer)
Stay in my arms if you dare
(Fique em meus braços se você se atrever)
Or must I imagine you there
(Ou devo imaginar você ali?)
Don't walk away from me
(Não vá para longe de mim)
I have nothing, nothing, nothing
(Não tenho nada, nada, nada)
If I don't have you
(Se eu não tiver você)

A frase que minha mãe dizia aparece em minha mente "um homem não é nada sem uma mulher ao seu lado". E não é. Estou me sentindo tão vazio, tão incompleto. Queria que a Nick entendesse meu lado, visse que eu realmente a amo, que eu estou disposto a fazer qualquer coisa para ter a nossa família unida novamente. Eu preciso, quero, necessito, da Nick em meus braços. A Nick, a Bê e esse bebê que está por vir.

Eu quero minha família, e eu não vou deixar nada nos destruir. Se for preciso de tempo, eu dou tempo à ela, e enquanto isso planejo uma forma dela acreditar em meu amor, dela me perdoar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Capítulo Trinta e dois - Parte 2

Vi mais do que duplo sentido nessa frase. Aliás, eu só vi um sentido, que ele iria voltar pra mim, quando? Eu não sei, mas talvez eu estivesse me sentindo mais carente do que o normal. 

Entrei para o carro e encostei-me no banco. Pus música no meu celular e tentei me distrair com algum joguinho que nunca havia jogado, a lembrei novamente das rosquinhas. Minha boca salivava por uma, no momento era o que eu mais queria.


Sou acordada por uma leve brisa gelada entrando no carro. Levei um susto por lembrar que não tinha trancado a porta do carro e nem acionado o alarme. O sono me pegou tão desprevenida que acabei deixando tudo a deriva.

-Que perigo, Nick, você estava dormindo. - Bruno me encara seriamente.

-Eu não estava dormindo. - Pigarreio para tentar fingir que não estava dormindo.

-Ah não... é claro que estava. - Ele gira os olhos.

-Tem razão, eu estava. - Esfrego os olhos e lembro da maquiagem. - Devo estar parecendo um panda. - Reviro os olhos e ele ri.

-Vou ajeitar a gasolina pra você. - Ele vai se afastando.

-Horário de agora, por favor?

-Quinze para uma. - Bruno olha no seu relógio de pulso e pega a chave do carro que estava no painel.

Ele fica fazendo o que tem que fazer com a gasolina enquanto eu vou tirando a música do meu celular que ainda estava tocando, e ajeitando meus cabelos que estavam críticos. Ajeitei-me no banco e  ele me surpreende entrando no carro.

-Está tudo ok. - Ele diz me encarando.

-Obrigada. - Bocejo.

-Passou mil coisas pela minha cabeça quando me ligou aquele horário.

-Desculpa, não queria lhe preocupar.

-Não precisa pedir desculpas Nick, eu entendo como você deve ter ficado na hora que o carro parou. - Bocejei novamente e ele sorrio de olhos fechados. - Eu dirijo!

-Pra onde?

-Pra algum lugar onde você possa dormir, você está dormindo aqui e se eu deixar você dirigir nesse estado enquanto vai pra casa sabe-se lá Deus o que possa acontecer. - Ouvi o tom que ele usou, associando àquela noite em que perdi o bebê...Isso não poderia acontecer novamente.

-Obrigada por se preocupar.

-Eu sempre me preocupo.

Meu rosto corou, fiquei um pouco tremula. Quando perguntei sobre a  sua moto, ele pigarreou e disse que mandará alguém busca-la, e então a ajeitou numa rua com o cadeado e tudo mais. Ele arrancou o carro e eu fui acordada meio dopada, o estacionou num lugar que eu não reconheço.

-Onde estamos? - Pergunto quando ele abre a porta.

-Num lugar onde possamos dormir, porque eu também estou caindo de sono.

-Que lugar?

-Você irá dormir tranquila Nick, não se preocupe. - Ele fecha a porta do motorista e abre a do carona. - Agora vem. - Bruno estende a mão, mas eu ignoro pegando minha bolsa. Acho que ele entendeu que eu não quero pegar na sua mão, não agora, não desse jeito.

Pegamos um elevador e descemos num corredor com paredes brancas e portas cremes. É claro, estamos em um hotel, pousada ou motel...Não demos nenhuma palavra até ele pegar o cartão da porta e passar. Há apenas uma cama de casal. Eu entro primeiro e olho para ele que fecha a porta.

-Temos direito a café da manhã. - Diz feliz enquanto larga o cartão sobre a mesa ao lado o vaso de flor que é enfeite do quarto. - Agora é só dormirmos.

-Ok. - Largo minha bolsa e tiro meus sapatos para o lado. Prendo o cabelo num coque com ele mesmo e tiro os brincos para não enrolarem.

Bruno estava tirando seus tênis e sua jaqueta de couro para deitar no lado oposto do meu. Andei até os pés da cama e pus o travesseiro ali, ele me olhou confuso, e pela sua cara pensou em contestar algumas vezes. Tapei-me com a mesma coberta que ele, até que ele apagou o abajur que estava acesso anteriormente.

-Boa noite Nick. - Sua perna encostou na minha e subiu uma vontade quase insaciável de pular no seu colo e pelo menos uma noite me entregar aos seus encantos e dotes sexuais.

Tenho que tirar esses pensamentos da cabeça.

-Boa noite. - Saiu praticamente em um gemido, já que mais uma vez, ele encostou sua perna na minha.

-Nick... - Não sei o que ele iria falar, mas ele se calou, e eu não perguntei.

Mas meu sono tinha ido embora, e o que chegou no lugar dele foi a vontade de beija-lo. Me segurei para não entrelaçar minha perna na dele e já nos enroscarmos em nós feitos pelos nossos corpos.

Sentei na cama, tirei as cobertas e coloquei o travesseiro ao seu lado, onde deveria estar, e ali deitei. Falei baixinho que aquele lado estava difícil dormir, e ele apenas riu abafado.

-Difícil. - Ouço ele falar.

-O que está difícil? - Pergunto, mas eu respondo da minha parte o que está difícil... Respirar ao lado dele, sentir esse perfume e não poder aprofundar meu rosto nas curvas no seu pescoço, entrelaçar meus dedos nos seus.

Encosto no seu ombro e ele solta a respiração pesada.

-Não. - Ele diz confuso.

-Não o que? - Minha voz talvez tenha saído mais sexy do que deveria.

-Você encosta em mim enquanto estou fragilizado. Você disse para manter distância de você do lado amoroso, mas está sendo mais difícil do que eu pensava. - Ele virou-se de frente pra mim e afofou seu travesseiro. - Nick,se soubesse o quanto eu queria beijar você agora...

Seus olhos percorrem pelos meus lábios, eu me acanho numa vergonha que não era para estar ali, porque estou agindo dessa forma? Me faço a pergunta repetidamente na cabeça, até que depois de um tempo, ele fecha os olhos desistindo de tentar.

-Tenho saudades do seu corpo no meu. - Falo baixinho, a intensão não era falar, era pensar, mas parece que minha boca queria ver o circo pegar fogo.

Seus olhos se abrem e ele passa a me encarar novamente. Suspiro fundo esperando um beijo roubado, mas o que ele faz é levar sua mão ao meu rosto. Parece que ele tem dúvidas de que realmente ouviu isso da minha boca.

-Eu esperarei o tempo que for necessário para colar nossos corpos novamente.

Não queria uma declaração de amor agora, não queria pensar no certo a se fazer, muito menos no que pedi à ele sobre mantermos a distância "amorosa" entre nós. Me perdi nos seus lábios rapidamente, encostando os meus levemente, até que ele deu abertura para aprofundarmos o beijo. Já estava quase sobre ele, numa posição não muito confortável, mas a quebra de contato não poderia parar.


Eu precisava dos seus toques, dos seus carinhos, dos seus beijos. Mesmo antes de terminarmos, nós não tínhamos ido para cama, eu estava com raiva o suficiente para virar o rosto quando ele iria me beijar. Mas agora, enquanto sua mão acariciava meu cabelo, e seus lábios saboreavam os meus, eu queria mais que tudo quando acabasse, nada daquilo tivesse acontecido e nós fossemos aquele casal melado que éramos antes.

Me permiti subir em seu colo com todo o cuidado, espalmando a mão em seu peito e o olhando fixamente. Ele estava mais confuso que eu, portanto não fiquei com receio de continuar algo.

Tirei as cobertas para o lado com a ajuda dele e com cuidado ele beijou meu pescoço, descendo sobre a minha blusa, peitos cobertos,   minha barriga e eu me inclinei para trás. Senti um arrepio sem igual na minha barriga, e ela parecia levemente maior. Eu espero que ele não perceba. Mas a voz em minha mente insiste em dizer "revele pra ele que você realmente está grávida, admita que ele é o pai dessa criança que você espera". A voz era do peso na minha consciência.

Pensei em perguntar se ele queria continuar com isso, para ver se eu me instabilizava e parava com essa loucura, mas ele parecia tão concentrado me beijando, e mesmo por cima da roupa, ele pareceu nem se preocupar.

Bruno Pov's

Não sabia se deveria continuar. O que ela fez me pegou de surpresa. Pensei que nós poderíamos ter alguma conversa quando a trouxe para o hotel, mas nunca imaginei que iríamos transar. Eu queria falar muitas coisas à ela, mas quando ela deitou nos pés da cama, fez-me repensar que ela não quer mesmo conversar comigo. Mas logo depois, quando ela começou a me perguntar as coisas e eu não conseguia responder porque simplesmente parecia um adolescente idiota pensando que a mulher mais linda está ao meu lado na cama, eu vi que poderíamos ter uma conversa.

Uma conversa corporal.

De jeito nenhum queria que ela pensasse que eu apenas a queria na cama, então permiti que ela me desse o aval para continuar com tudo aquilo. Assim que ela subiu no meu colo, eu beijei seu pescoço, seus peitos, e quando cheguei em sua barriga eu me arrepiei por completo. Parei por alguns instantes e repeti novamente o que tinha acabado de fazer, e novamente me arrepiei.

Tirei a sua blusa com todo o cuidado e desatei seu sutiã. Ela puxou a minha para cima com mais voracidade do que eu estava. Ela queria isso mais do que eu! A deitei para o lado e me posicionei ao seu lado, de joelhos, retirando sua calça. Seus braços estavam mais gelados do que sua perna que estava coberta.

Seu corpo continua o paraíso. Desde sempre a mulher mais linda, mais completa e a que mais me satisfez foi a Nick. Nenhuma conseguiu me arrancar suspiros, nenhuma me deu vontade de continuar deitados, sujos, após o sexo. Nenhuma conseguiu me deixar louco apenas com um olhar malicioso. Nick tem esse poder sobre mim, algo mais sobrenatural do que eu pensava que era. Eu estando ao seu lado, transando, conversando ou apenas contemplando, me sinto o homem mais completo. E eu não quero perder isso. Não queria perder isso! A cada dia que passa a dor fica mais forte e eu mais frágil, a dor está conseguindo sugar minhas forças.

Aperto seus peitos com delicadeza, mas mesmo assim ela reclama um pouco de dor. Levo minha boca a sua aureola e com os lábios molhados, eu a beijo. A instigo com movimentos sob o tecido de algodão da sua calcinha cor de rosa fraco. Ela olhou-me, gemendo parecendo implorar por mais. Eu quero que ela se sinta amada, hoje e sempre por mim.

Baixei sua calcinha e beijei levemente sua intimidade, respirando seu cheiro de mulher e afastando um pouco mais suas pernas. Lambo seu sexo e ela geme bem alto, até que começo a fazer um belo oral, sem pressa, apenas dando o máximo de prazer. Introduzo levemente um dedo e vejo que não é só aparentemente, ela realmente está bem molhada e excitada. E eu não poderia estar pior, minhas calças pareciam explodir, e eu a queria mais do que nunca.

Apertei levemente sua coxa e levantei ficando novamente de joelhos. Ela senta-se de pernas cruzadas na cama, e enquanto vou tirando minha calça, ela não para de olhar. Sua mão foi direto a minha cueca quando me desfiz da calça, mas não permiti que ela fizesse isso, coloquei a mão sobre a sua e a segurei.

-Essa noite é sua. - Sussurro para ela que abre um sorriso. Oh Deus, como eu a amo tanto?

Subi sob seu corpo, e quando meu sexo coberto pela cueca encostou levemente em sua intimidade, ela gemeu gostosamente. Sei que está mais do que na hora de dar prazer a ela, cuja a respiração já está descompassada. Beijo seu pescoço, mordo sua orelha, e beijo por diversas vezes seus lábios mel. Dei um jeito para me livrar da cueca, e subindo novamente sob o seu corpo, cuidando para não por o peso em cima dela, eu introduzi novamente um dedo e depois conduzi meu membro até a sua cavidade. Ela estava muito quente, úmida, e muito excitada. Poderia dizer que ela teria até chego a algum pequeno orgasmo, o que me deixava mais instigado e tarado por seu corpo.

Seus olhos brilhantes esmeralda estavam ansiosos por mais, e o que eu lhe dava era movimentos intensos e controlados, mais lentos do que o normal. Ela os revirava num gesto de que estava realmente gostando. Beijo seus lábios e quando penso que ela não corresponderia da mesma forma, ela me beija tão delicadamente. Estaciono meu membro dela por um minuto e dou atenção apenas para o beijo, eu não poderia deixar de beija-la dessa forma, isso me disse tantas coisas mesmo sem nenhuma palavra.

Deitei ao seu lado, e ela com cuidado senta em cima do meu membro, introduzindo-o completamente. Fico mais excitado - se é que é possível. Ela se movimenta lentamente, e se inclina para perto de mim. Seus cabelos estão todos para o lado, ela não quebra o olhar comigo, mesmo que vacilante em algumas horas por causa da sua excitação.

Minha área pélvica ferveu, queria expelir tudo que estava dentro de mim, então avisei que iria chegar ao meu orgasmo, e que se ela pudesse chegar ao dela seria melhor, mas ela não chegou.Simplesmente saiu do meu colo, se sentou ao lado do meu membro e o masturbou até meu gozo sair por completo.

Isso não era justo, eu pelo menos deveria dar mais prazer à ela. Depois que recuperei meu fôlego, nós nos olhamos como cúmplices e rimos como adolescentes pós primeira transa. Tentei dar prazer à ela beijando-a e instigando com a minha mão, o seu sexo. E deu certo, após alguns minutinhos ela já estava com pernas bambas, trancando a minha mão no meio delas, por que estava se contraindo no orgasmo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Trinta e um - parte 2



-Que cena bonita. - Sorrio para ambos, que me olham. Bruno levanta e pega minha filha no colo, que estica os bracinhos insistentemente pra mim. - Vem com a mamãe. - Pego-a no colo. - Oi Bruno.

-Oi Nick...estava aqui brincando um pouco com ela. Minha garota esperta. - Ele pega seu pézinho, Bê ri e brinca com ele.

-A cada dia está mais inteligente. - Dou um beijinho em sua bochecha.

-An, Nick, eu tenho que ir pra casa, preciso arrumar umas coisas pra uma entrevista amanhã, então tem como conversarmos agora? - Pergunta ele enquanto olha o relógio no seu pulso. Que milagre, usar relógio.

-Não, tudo bem. Vou pedir que a Lisa repare ela. - A coloco sobre o sofá e ando pelo corredor.

Dou duas batidinhas no quarto dela, que murmura um entra. Abri a porta e ela estava atracada numa barra de chocolate, olhando para a tela do seu computador, os olhos vermelhos. Ela estava vendo um filme, consto.

-Que filme é? - Pergunto.

-Como sabe... ah. - Ela olha para o chocolate e para o computador. - Sempre ao seu lado me deixa assim, mas descobri hoje que o filme 500 dias com ela deixou-me mais abalada.

-Sinceramente, eu não chorei nesse filme. - Me escoro ao lado da sua porta.

-Não é para chorar, não é uma história de amor.

-Então porque está chorando?

-Porque... eu não sei. - Ela balança a cabeça. - O que queria?

-Bruno está na sala, quer falar comigo. Vamos descer na praça ali embaixo, cuide da Bê pra mim, por favor.

-Ok. Não façam sexo na praça.

-Você é nojenta. - Falo enquanto volto pra sala. - Vamos? - Pergunto.

Deixo que Bruno se despeça da filha, isso demora um tempo. Ele a amassa, da beijinhos por todo o seu rosto e diz incontável vezes que a ama muito. Acho lindo quando ele está com ela. Bruno é um bom pai, tenho certeza para que esse bebê ele também irá ser. Minha barriga pouco é perceptível, nem notei diferença agora nas minhas roupas, há pouco sinal de gravidez em meu corpo. Mas mesmo assim, falarei para ele no momento certo, essa semana os acontecimentos ainda estão muito recentes, melhor esperar um pouquinho.

Descemos pela escada do prédio. Bruno ajeitava algo em seu celular enquanto eu ia na frente. Passamos rapidamente pelas pessoas e achamos um lugar sobre o recanto onde geralmente ficam os idosos que ali residem. Sento-me do banco, e ele senta ao meu lado. Tenho pra mim que ele irá perguntar sobre o nosso relacionamento, minha resposta está na ponta da língua.

-Que lugar agradável. - Ele observa o recanto com olhos atentos.

-Demais. Ótimo para ler. - Encosto-me na guarda do banco, ele vira-se um pouco de lado e entrelaça suas mãos.

-Nick, quero que você seja sincera...Ok?

-Não tenho o porque mentir para você. - Respondo com desencargo de consciência.

-Tudo bem então. Você está grávida?

Engulo a seco minha saliva que parecia ser grossa demais para minha garganta. Minha cabeça girou em incontável órbitas, eu parecia sair do chão, algo que eu não sei como explicar. Como ele soube? Eu não estou preparada pra responder isso, muito menos na parte de não mentir. Ou eu falo a verdade agora pra ele e corro o risco grande de ter uma recaída por ele, o que eu não quero, estou mais que decidida, ou eu deixo para falar outra hora e ele brigará comigo porque eu menti para ele.

Droga.

Seus olhos me encaram, tento fazer uma cara mais descontraída, de quem não está nem acreditando no que está ouvindo porque é muita bobagem. Mas não é bobagem.

-Eu não. Estou com tudo em dia. - Me refiro a menstruação e ele suspira.

-Jaime me disse que você vomitou quando falaram em peixe cru.

-Eu passei mal, meu estômago estava horrível. Tomei um remédio para passar a dor de cabeça e ele atacou meu estômago. - Ri nervosamente tentando demonstrar que não era verdade.

-Acho mais seguro nós fazermos o exame...

-Não! - Digo com urgência. - Quer dizer, pra que fazer, não há nenhuma necessidade. Eu já estive grávida antes, saberia se estivesse novamente.

***

Enquanto rezo para quê a estrada melhore, para que o tráfego amenize e que meu carro aguente, olho para a foto minha e da minha filha do celular. Ela é o único motivo de eu estar me esforçando para ter tudo e consequentemente dar tudo a ela. Nunca foi meu trabalho ir até o estúdio pessoal de alguma banda para tentar encaixa-los no nosso quadro de funcionários e assim lançar um álbum, mas graças a Deus, depois de tanta conversa, eu consegui. Uma pena que agora eu esteja completamente sozinha no meio da estrada pra voltar pra casa. Faço o retorno em alguma rua para poder assim alcançar algum posto de gasolina, mas quando meu carro pega a direita na principal, ele apaga. Simplesmente apaga.

Meu desespero de 0 foi a 100, em segundos. Primeira coisa que eu pensei: vou morrer assaltada ou pior, estuprada. Não adianta pedir ajuda, ninguém irá parar porque, meu bem, isso é Los Angeles, as pessoas tem medo das ruas e de outras pessoas, e já é tarde, a maioria deve estar morrendo de vontade de chegar em casa. E se parar alguém vai ser um velho bêbado, idiota, que em troca do meu carro arrumado vai pedir que eu chupe ele atrás de uma árvore. Eu conheço Los Angeles como a palma da minha mão. 

Pego meu celular, que está com sinal e metade da bateria, e passo pelo número da Lisa. A coitada além de estar cuidando da Bê junto do Thales, não tem carro. Julia não iria vir aqui, até mesmo porque eu não deixaria...Bruno! Sim, ele pode me ajudar. 

Disco o número dele rapidamente e chama três vezes, quatro vezes, cinco vezes, até finalmente ele atender e fazer alguns segundos de silêncio antes da pronuncia de seu alô.

-Nick, oi, aconteceu algo? - A voz de sono alterada com o tipo esbaforido da ligação repentina e talvez preocupante, eu acho que fizeram-o ficar até engraçado. 

-Calma Bruno, tudo bem? - Pergunto e ele ri nervosamente.

-Sim, mas é eu que lhe pergunta, me ligar a essa hora já penso que algo aconteceu com a minha filha.

-A saúde dela é melhor que a minha e a sua juntas. - Ouço sua risada mais aliviada. - Fiquei emperrada na rodovia... Estou aqui no meio da estrada, querendo arrancar, mas meu carro apagou total e geral. 

-Já tentou abrir o capô e ver se algo saiu do lugar?

-Não. - Me dirijo até o capô e o levanto. Checo rapidamente no olhar e não vejo nada de errado. - Motor, água no radiador, óleo direitinho, gasolina também... 

-Hm... - Ele pareceu pensar. - Vou ir aí ajudar você, mas enquanto isso vou perguntando algumas coisas, ok?

-Ok. 

-Já tirou a chave e colocou? Já checou a gasolina...

Bruno fez milhares de perguntas sobre o carro, respondi cada uma corretamente. Isso nunca tinha me acontecido e agora me apavorou totalmente. Passei a ficar gelada, mesmo com ele dizendo que em minutos estaria no exato local que parei. Observei o fluxo de carros diminuir gradativamente, os guardas de trânsito se recolherem, as luzes todas ficarem acessas da rua e as das casas e apartamentos indo se apagando uma por uma, assim como os estabelecimentos que iam fechando.

Meu estômago clamou por uma rosquinha com calda de morango... Fechei os olhos para me deliciar somente com esse pensamento, passei a língua pelos lábios, até que levo o susto quando Bruno bate no vidro do carro três vezes seguidos. 

-Está frio, sabia? - Pergunta ele assim que baixo o vidro. - Libera pra eu dar uma olhada. 

-Ok... - Saio do carro dando espaço pra ele entrar. E ele tinha razão, a noite caiu mais ainda, a madrugada se aproximando, e o frio chegando de leve. - Agora eu vi que está frio mesmo. - Passo a mão pelos braços e ele ri. 

-Senta ali no banco do carona enquanto eu vou vendo o que consigo fazer! 

Me sentei no banco ao lado e mandei uma mensagem para Lisa ir dormir e fazer a Bê dormir também, já que eu acho que por aqui demorará um pouco. Bruno mexia em uma coisa e outra no painel, enquanto eu ficava tonta das coisas que ele fazia. Mas pela cara nada seria resolvido hoje. Ele saiu do carro rapidamente, levantou o capô e retornou com uma cara não tão agradável assim. 

-Era uma leve desconexão dos cabos, ajeitei. - Ele senta no banco do motorista. - Mas agora está sem nenhum pinguinho de gasolina, não tem nada na reserva? 

-Nada. - Torço os lábios. 

-Você nunca fica sem. - Ele ri da ironia do destino e respira fundo. - Postos de gasolina só mais a frente, e eu estou de moto, não da pra pegar gasolina, é diferente do seu carro. 

-Eu sei. - Ponho a mão na testa. 

-Eu vou buscar gasolina pra você. 

-Não, Bruno... Fica aqui comigo, eu não quero ficar sozinha. 

-Então vem comigo na moto, a gente pega gasolina, colocamos no carro e vamos embora. 

-Mas deixar meu carro sozinho. - Torci mais os lábios. Imagina se alguém leva meu carro embora, não, eu morreria sem ele. O comprei zero na concessionária com o dinheiro do meu serviço, não irei entregar de mão beijada a algum ladrão. 

-Ninguém vai levar, Nicole. - Ele revira os olhos. - Além do mais você tem seguro e rastreador. 

-Meu seguro não cobre roubos, somente danos. 

-Que seja, ele tem rastreador, e sem gasolina ninguém andará. 

Penso mais sobre o assunto e resolvo ir com ele, afinal eu precisava sair desse lugar hoje mesmo, e já levaria provavelmente alguma multa por estar estacionada na rua... não tem nenhuma placa dizendo ao contrário, mas não custa frizar que a multa pode vir. Acabei concordando com o Bruno, e antes de sair, verifiquei todas as portas. Bruno riu de mim dizendo que eu parecia uma velha, eu não parecia uma velha, mas estava com medo que levassem meu carro.


-Vem, sobe. - Ele diz montado na moto. 

-O capacete! - Arqueei as sobrancelhas. - Desculpa, mas eu não vou sem um. 

-Droga, eu só trouxe um... - Ficamos calados por alguns instantes. - Espera aqui e eu já volto. 

-Bruno, eu estou com medo. - Minha voz saiu mais chorosa do que planejado. 

-Não precisa, Nick, lembra que eu estou aqui, somente irei pegar gasolina. 

-Fica aqui. - Digo mais alto e ele se ajeita pra descer da moto. Penso, penso, penso, o que custa ficar um tempinho sozinha até ele voltar? Mas a questão é essa, além de eu estar com medo, não quero ficar sozinha. - Amanhã nós acordamos cedo e vamos em algum posto mais perto.

-E seu plano é dormirmos no carro? 

-O que tem? - Pergunto e pigarreio. - Eu durmo na frente, você no banco de trás, claro..

Ele ri com a minha confusão de palavras, ah qual é, eu fui mulher dele, namorada, que seja, por um bom tempo, não deveria ficar com vergonha de convida-lo para dormir no meu carro, mas esse convite está pra lá de duplo sentido. Mas não é nada do que talvez ele tenha pensado. 

-Nick, eu vou pegar gasolina lá naquele posto. - Ele apontou pra frente na rodovia. - Eu volto em instantes. - Ele beija a minha testa segurando o lado da minha cabeça. Coloco a mão sob a dele e ele sorri. 

Fecho meus olhos e levemente sinto seus lábios encostarem nos meus, rapidamente, como se ele se arrependesse de fazer o que acabou de fazer. Por instantes eu quis que ele continuasse com o beijo e dissesse que tudo estava bem. Mas quando abri meus olhos e eles deram de encontro com os deles, passou aquele filme de segundos e eu tiro minhas mãos de cima da dele.


-Eu já volto, pra você. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Trinta - Parte 2

Nicole Pov's

-Porque você não comentou comigo antes? - Pergunta Thales me encarando enquanto o farmacêutico buscava o que pedi.


-Porque eu sei que você surtaria, e eu precisava pensar. - Respiro fundo.

-Sabe que agora a situação se agrava um pouco caso dê positivo, não é?

-Eu sei, mas o que eu posso fazer se for verdade?

-Não sei. - Ele leva o lábio para o lado esquerdo fazendo um movimento estranho, eu passo a encara-lo pensando: e se for isso mesmo, e se ele realmente der positivo, o que eu faço? - Vocês não estavam se cuidando?

-Estávamos, mas teve uma ou duas noites que esquecemos a camisinha. - Comento.

-Desde quanto está suspeitando?

-Umas duas semanas. - Respondo sua pergunta e pego o teste com o moço, e ando em direção do caixa para pagar.

-Foi por isso que estava vomitando aquele dia que fomos a praia? Eu sou muito idiota que não percebi o que estava embaixo da minha aba. - Ele leva a mão na cabeça.

-Eu também demorei pra perceber, minha menstruação veio normal por dois meses.

-E se você estiver mesmo, seria de quantos meses?

-Dois, quase três.

-Vocês não estavam mais transando? - Ele pergunta alto, eu o repreendo com uma cara nada agradável e ele ri, reformulando a pergunta dessa vez mais baixinho.

-Nós transávamos, mas com proteção, e a última vez que eu lembro que foi sem, foi a mais ou menos dois meses, ou três, quando nós estávamos muito bem. Um pico alto na maré agitada.

Paguei o teste e me direcionei para a saída da farmácia. Ainda não comentei nada com ninguém, a primeira e única pessoa a saber é o Thales. Mas assim que suspeitei logo associei com essas mudanças de humor, essas vontades repentinas, esses enjoos, e outras coisas. Coisas que eu senti quando estava grávida da Bernadette.

-Vai fazer ele onde? - Pergunta ele, sei que ele quis dizer em qual banheiro e da onde.

-Seria loucura fazer no banheiro do shopping? - Questiono.

-E quando esse bebê nascer e perguntar onde você descobriu que estava grávida, você vai dizer: eu estava com seu padrinho, saímos da farmácia e eu fui ao shopping. - Ele gesticula as mãos de maneira mais engraçada. - Vamos para o meu apartamento, assim você aproveita para me dar carona.

-Você é abusado! - Começo a rir.

-Eu sou esperto. - Ele pisca pra mim. Engatei meu braço no seu e fomos em direção do carro.

O caminho todo, enquanto Thales me fazia algumas perguntas e eu tentava responder tudo corretamente, minha cabeça não estava nem prestando atenção. Eu viajei longe, pensando no sexo do bebê, pensando no que o Bruno irá achar, no que minha mãe e meu pai falarão, no que a Julia vai achar, a família do Bruno. Em tudo.

-Mas minha vó dizia que quando você tem uma filha, e está grávida, se ela te evita e não da bola, é porque é outra menina, e se ela está mais carinhosa, é um menino.

-É, mas a Bê sempre foi carinhosa. - Comento girando o volante.

-Mas e agora ela continua ou mudou algo?

-Continua. - Lembro da minha pequena, o que será que ela deve estar aprontando?

-Então se você estiver, parabéns, é um menino.

-Vou montar uma tenda para você no circo da cidade, dizendo: Thales, o cigano. Prevê futuro, lê as mãos, joga cartas e búzios! - Ironizo e ele ri.

Até que está bom esse tempo, estou me distraindo falando coisas engraçados e nem estou pensando no Bruno, ou em outros problemas. Outros problemas. Bateu um gelado no meu peito quando lembrei da minha crise dentro da empresa hoje.

-Thales. - Chamo sua atenção. - Será que eu serei demitida pelo que fiz hoje? - Pergunto com receio da sua resposta.

-Não sei, mas se você for, eu também serei, porque saí como furacão daquele lugar.

-Droga. - Reclamo.

-Vamos pensar positivo... acho que não vai acontecer nada.

Ele pode ter dito isso, mas a sua cara realmente era bem preocupante, ele realmente parou para pensar nisso agora, e provável que tenha pensado a mesma coisa que eu pensei, e esteja com medo que isso aconteça realmente. Eu não posso perder meu emprego agora, não se eu realmente estiver grávida, porque ninguém vai me contratar grávida, muito menos durante os seis meses de vida depois que o bebê nascer.

O desespero toma conta do meu corpo, estremeço na base pensando no pior, droga. Estaciono na frente do prédio dele e fomos para seu apartamento no térreo mesmo. Ele abre a porta e a primeira coisa que eu reparo é nas caixas, várias caixas.

-Já estou preparando tudo para me mudar! - Ele explica mesmo sem eu perguntar. - Não vejo a hora de morar com vocês.

-Sabe que eu pensei uma besteira esses dias. - Passo o dedo pela parede como criança sapeca e ele me encara enquanto fecha a porta. - Porque você e a Lisa não tentam nada?

-Nick, eu sou gay. - Ele ri nervosamente.

-Mas você já ficou com meninas, e bem, a Lisa é indelicada como um homem. - Mordi a língua de forma que ele pudesse ver e ele ri do meu pensamento.

-Você é louca. - Ele balança a cabeça.

-Ela não consegue ninguém que a complete, ninguém que ela goste o suficiente para passar mais de seis meses, e você também está solteiro, então acho que seria uma boa para os dois. Não custa nada.

-Custa sim, eu vou dizer com todas as letras, amor. - Ele para na minha frente, pega minhas mãos. - Eu sou gay, eu gosto de homens, portanto, você poderia se pelar agora na minha frente que eu não sentiria nada, porque simplesmente eu não tenho tesão em mulheres.

-Nossa. Nadinha? - Arqueio a sobrancelha divertidamente e ele coloca o dedo médio para mim.

-Nada. - Ele balança a cabeça explicativo. - E se eu não tenho tesão em você, que é maravilhosa, imagina por outras garotas... - Comenta ele se afastando de mim.

-Ok... Entendido. - Sorri e olho para a porta do banheiro no fim do corredor do pequeno apartamento. - Posso? - Perguntando apontando.

-Deve!

Fiquei apreensiva quando o tirei da caixinha. Me preparei para iniciar o teste e o fiz. Coloquei no cronometro do meu celular, que de repente para de contar para dar lugar a uma ligação: Bruno! O que ele quer justamente agora?

-Alô. - Atendi e afastei um pouco o celular da minha orelha por conta do barulho.

-Oi Nick, onde está? - Pergunta. Droga, vai dizer que ele quer visitar a filha justamente agora...

-Eu estou com o Thales, daqui a pouco indo para casa, porque? - Pergunto.

-Porque eu precisava falar com você. Te espero no apartamento tudo bem? - O que ele quer comigo. Bufo e sem querer passo os olhos no teste.

Dois risquinhos.

-Aí meu Deus! - Meus olhos se encheram de lágrimas.

-Nick? - Pergunta. - Nicole?

-Que foi? - Minha voz saiu mais chorosa do que eu imaginava, ele não pode perceber, droga.

-Você está chorando?

-Eu bati o dedo na quina, agora está doendo. - Menti dando uma risadinha sem graça.

-Você me assustou! - Ele ri descontraído. - Então, até mais.

-Até.

Desliguei e fui cega até o teste, eu poderia dizer que estava louca, ou que estava enxergando demais, mas não é, é real, é verdade. Eu estou grávida novamente, e não sei o que fazer. Mas se eu estivesse com o Bruno, iria ser diferente? Penso que não seria, eu estaria na mesma apreensão, com medo do que poderia acontecer, medo de que não seria a mesma coisa. Nada vai ser a mesma coisa, eu não posso esperar que ele aceite essa ideia de braços abertos, porque não vai ser a mesma coisa de quando ele soube que eu estava grávida da Bê.


Saí do banheiro com as lágrimas nos olhos, eu sei que não foi preciso dizer nada, quando ele me olhou simplesmente me abraçou.

-Eu não quero que esse bebê sofra, mais um para ter o pai bipolar, a mãe doida. - Suspiro entre seu ombro.

-Você não é doida, essa criança vai ser tão amada assim como a Bê é. Tudo vai dar certo, e quando o Bruno souber, ele vai a loucura, mas de felicidade. Ele ama crianças, ele ama a Bê, ele ama você e vai amar esse bebê também.

-Eu não tenho dúvidas quanto a isso. - Balanço a cabeça, ainda no seu ombro. - Mas eu estou com medo.

-Medo de que, Nicole? Medo de dar a luz a essa criança?

-Medo de nada ser como antes. - Soluço.

-Nada vai ser como antes. - Ele passa a mão pelas minhas costas. - Vai ser melhor, você vai ver.

++++

Decidi que nada contarei ao Bruno por enquanto. Preciso primeiro dar um jeito na minha vida e começar o pre natal, para aí sim falar com ele. Preciso descansar a cabeça para dar a notícia.

Não está como quando eu cheguei ontem, ele está sentado no tapete da sala, com a Bê sentada na sua frente, brincando com bonecas.