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sábado, 26 de abril de 2014

Seis - parte 2

Nada foi como antes na festa. Foi pior.

O fato do Bruno não sair de perto da mesa daquelas pessoas onde Paige também estava, estava sim me incomodando muito! Mas, eu prometi à Pres e ao Thales que iria relevar esse fato, que iria curtir o restinho da festa da minha filha, aproveitar que meus pais estão aqui, aproveitar tudo isso.

Sentei-me em uma mesa com Bê no meu colo e fiquei vendo as crianças pulando de alegria quando ganharam um saquinho com doces de vários tipo. Guloseimas tipo balas, pirulitos, chicles, várias coisas que crianças gostam. Imagino as cáries depois…

-Não acha? - Pergunta Thales num tom mais alto.

-Oi, desculpa… - Torci os lábios.

-Não acha que essas crianças em cima dos saquinhos de doces parecem formigas em formigueiros? - Pergunta ele já rindo.

-Eu já acho que parece os Jogos Vorazes. - Diz Presley.

-Só uma dali pode sair viva? - O namorado dela, Kealoha, gargalha.

-Acho que no caso só uma saíria com os doces. - Tiro a mão da Bê que paíra sobre minha bochecha.

-Vou ir ali e acabar com a felicidade delas. - Diz Thales divertidamente. - Vou chegar e pegar todos os doces, dane-se as crianças.

-Cara, estou junto contigo. - Empolgado, Kealoha diz.

-Tragam alguns pra mim e pra Pres, por favor. - Digo entre risos.

-Ok, só pra vocês e pra Bê.

-Tá doido, ela não vai comer esse tipo de coisa agora. - Pres tira as palavras da minha boca.

-Isso mesmo! - Concordo e eles riem. - Mas bem que uns marshmallows não iriam mal agora. - Mordi o lábio inferior.

-Oi pessoal. - Não olhei para o Bruno, eu sabia que era ele até pelo perfume e pela voz.

-Deixaram você sair da mesa? Que milagre. - Pres foi bem irônica. Bruno pegou uma cadeira e colocou do meu lado.

Suas mãos ficaram brincando com a Bê que já ficou toda feliz. Não que ela não estivesse antes, mas agora abria o sorriso largo mostrando seus dentinhos de leite.

-Eu não estava preso lá. - Bruno se defende.

-Parecia… Esquece. - Pres gira os olhos se irritando com ele e eu dou um riso silencioso.

-Mas é sério Tha e Kealoha, eu quero marshmallows! - Protestei.

-Quer o que mais? - Thales põe a mão na cintura e faz uma cara que eu não tive outra reação ao não ser rir.

-Quero tanta coisa. - Digo e Presley gargalha bem alto.

-Tá, vão lá e peguem doces pra nós. - Pres empurra o namorado dela com as mãos para que ele levante da cadeira.

Bruno permanecia ali, ouvindo a nossa conversa, porém ele não falava nada, nem ao menos olhava para nós, apenas estava próximo de mim e da Bê. Que milagre ele não ter a pego do meu colo ainda.

-Vou cobrar isso quando chegarmos em casa. - Kea aponta para Pres e faz uma cara safada. Pres cobre seu rosto com as mãos.

-Poupem-me dos detalhes sórdidos. - Faço uma cara de nojo.

-Faço de suas palavras as minhas mona. - Mas que mania que Thales pegou de me chamar de Mona. Provavelmente viu em alguma série, ou sei lá.

Bocejo assim que os meninos saem da mesa. Olho para o Bruno e vejo que Bê estica os bracinhos pra ele e ele não pega, pois ele me olha. Meu corpo é claro que se derrete quando ele me olha assim, eu tenho vontade de pular em seus braços e esquecer-mos de todas aquelas bobagens que estamos passando. No fundo podem ser coisas da minha cabeça, não é? Não, não são coisas da minha cabeça.

-Vai com o papai, filha. - Entrego ela à ele.

-Eu não tinha pego antes por que pensei que queria ficar com ela.

-Eu queria, mas ela quer ficar com você! - Falo rispidamente.

-Nick! - Pres me chama a atenção e eu olho pra ela. Ela faz uma careta para o Bruno quando ele não estava olhando e logo engata um assunto. - Os meninos estão vindo com nossos doces. - Ela bate palminhas como criança.

Os meninos sentaram na mesa colocando um prato - quase do tamanho de uma bandeja - no centro com os doces dentro. Eu tinha dito que estava com vontade de comer, mas o Bruno pegou a Bê e não saiu dali, o que me deixou automaticamente com uma cara de nojo. Quer saber, eu tenho que relevar isso, daqui a pouco todos vamos pra casa e eu e ele vamos ser obrigados - ou não - a deitarmos na mesma cama, então…


Peguei uma bala e pus na minha boca. Claro, a formiguinha interesseira viu que o que tínhamos ali eram doces e já começou a falar aquelas palavras que ninguém entende. Até que ela diz “mama”, mas não no sentido de mãe é claro, no sentido de mamadeira, de fome.

-Acho que ela quer tomar mamadeira. - Digo.

-Onde está a mamadeira dela? - Pergunta Bruno.

-Na cozinha, a de leite está dentro da geladeira, coloca por um minuto ou menos no micro. - Falo pegando mais um doce.

-Ok!

Cheguei a bocejar mais uma vez. Thales logo já começou um assunto. De canto de olho eu observo o Bruno entrando na casa, e porque eu não estou impressionada com aquela garota atrás dele. Pois bem, eu não irei atrás, mas estou doida que ela pegue a Bê no colo e ela dê uma bela vomitada em sua roupa, ou que ela faça xixi nas calças - apesar de que elá está de fralda e isso estragaria o seu vestidinho tão lindo. Mas foi o Bruno que comprou o vestido então… Mas o vestido não deixa de ser lindo mesmo assim.

Chega, eu não vou colocar minha filha no meio dessa noia toda! Bruno sabe muito bem o que faz, tenho que parar de me incomodar com isso.

***

Despedi-me de todos os convidados e coloquei a Bê no quarto do Liam, junto dele, para dormir. Ajudei as meninas com toda a decoração. Separamos o que era nosso e o que era da mulher que alugamos algumas coisas. O cara que alugou os brinquedos veio busca-los também. Salgados e docinhos não sobraram tantos, mas refrigerante, cerveja e bolo é o que mais sobrou. Dividimos um pouco pra cada.

Pegamos a caixa de presentes que estava grande e pesada, e colocamos no porta malas do carro do Bruno, no banco de trás colocamos o bolo dentro de potes, um fardo de refrigerante, um saco de marshmallows e um de balinhas, o resto das lembrancinhas, e um pouco de cerveja. No meu carro irá eu e a Bê, somente!

Dirigi o carro enquanto ás vezes dava uma conferida na sua cadeirinha quando parava no sinal. Bê dormia tranquilamente, enquanto eu rezava para dormir assim quando chegasse em casa, mas eu sabia que teria o Bruno, que nós iriamos falar algo sobre hoje, e eu não estou com tanta boa impressão assim.

Larguei Bê no quartinho dela sem dar uma palavra com o Bruno. Entrei no quarto e a primeira coisa que eu fiz foi me livrar das minhas roupas e sapatos. Coloquei tudo no cesto de roupas sujas, guardei o sapato dentro do saquinho de seda e entrei pro banho.

Enquanto eu tentava descansar com a água morna em meu corpo, Bruno entrou no banheiro e mexeu em algumas gavetas, eu sei por causa do barulho, não me atrevi a abrir a porta do box. Assim que ele saiu e fechou a porta novamente, eu encostei a cabeça na parede e senti meus olhos marejarem, e no meio daquela água rolando, minhas lágrimas poderiam ser confundidas.


Por que é tudo tão complicado? Bruno e eu… caramba, nós éramos o casal perfeito, todo mundo sempre falou isso. Não culpo a minha filha, mas desde que nós nos atemos nessa relação de “família”, nós nos afastamos. Não somos mais aquele casal brincalhão, não somos mais aquele casal que tinha fogo na cama, por isso eu digo que ele está sim se enjoando de mim, e isso vai me deixando triste e cansada.

Sequei-me na toalha e passei o secador superficialmente em meus cabelos. Apoiei-me na pia e olhando meu reflexo no espelho vejo que eu já não sou mais a mesma que era antes. Caramba, cade aquela Nicole que não se importava tanto com que os outros pensavam? Cadê aquela Nicole que trabalhava e se empenhava para não viver nas custas dos outros? Cadê aquela Nicole que tinha superado tudo e todos e mostrado pra vida que nunca mais choraria… Ela está aqui ainda, porém não tão forte quanto era antes.

Na cama, Bruno estava deitado de barriga pra cima, olhos fixos no teto branco. Abaixei o interruptor para desligar a luz. Me ative nas cobertas quentinhas ao lado dele e por instantes eu desejei que tudo isso não passasse de um sonho.

-Eu amo você! - Diz ele. Seria lindo se nós não estivéssemos brigados.

-Eu… - Um nó na minha garganta se fez, não sei se continuava a falar. - Boa noite Bruno. - Virei-me de costas pra ele e fechei os olhos.


-Ainda me ama, ou…

-Eu te amo, isso é irreversível, mas eu não sei mais o que estamos fazendo com a relação de nós dois.

-Ok. Vou deixar você dormir, deve estar cansada.

-Obrigada. - Agradeço.

-Amanhã conversamos. Boa noite, Nick.

-Boa noite Bruno!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Cinco - Parte 2

O caminho até a casa do Eric foi legal, eu parei de escutar rock e passei para algo mais alegre, afinal hoje nada tira meu sorriso. Quando desci do carro e verifiquei se tinha ficado bem estacionado, foi bem na mesma hora que John estava entrando com um pacote rosa em mãos. Bateu saudades da minha pequenina agora. 

-Como está linda. - Fala ele parando para me esperar.

-Nossa, obrigada. - Paro e faço uma veneração com meu corpo pra ele, caímos juntos na gargalhada. - Como está, baixinho? - Pergunto entrando ao seu lado.

-Quem é você pra me chamar de baixinho? - retruca ele.

-Eu sou aquela mulher com um salto tamanho 10. - Ri um pouco e ele abriu o portão para eu passar primeiro.

-Tá certo. - Ele ri, eu passo e em seguido ele também. - Estou bem, e você?

-Ótima. - Tive a impressão que meu sorriso chegou a reluzir a luz do sol.

Já tocava música, não sei identificar, mas era uma batida bem legal. Passei os olhos rapidamente enquanto caminhava em direção da garagem. Já tinha as pessoas mais chegadas ali. Dei meia volta e entrei na casa ao invés de ir cumprimentar o pessoal, primeiro preciso ver minha filha.

Com passos mais largos, passei pela sala onde as meninas falavam algo e caminhei até o quarto onde Jaime estava arrumando antes a Bê.

-Cadê a princesa da mãe? - Pergunto e meus olhos pairam sobre ela no colo da minha mãe. - Mãe! - Abri um sorriso já querendo chorar, mas que sentimentalismo.

-Nicole. - Ela abre o sorrisão. - Olha a mamãe ali, amor. - Ela mostra-me para Bê que estica os bracinhos rapidamente.

Enquanto me aproximava das duas mulheres da minha vida observava como minha princesa estava linda. O vestido que o Bruno escolheu realmente caiu muito bem pra ela. Ele é branco com alguns detalhes lilás e a faixa de seu cabelo também é lilás, o que achei um milagre ela não ter posto a mão para tirar ainda. Dei um beijo estalado na bochecha de minha mãe e estiquei os braços pra ela sorrindo e fazendo gracinha, ela sorri abertamente e eu claro, fico toda boba. 


-Aí como gosta de sua mãe, né minha prin. - Brinquei com ela e ela ria tão linda.

Jaime a arrumou tão perfeitamente. Com ela em meus braços, descemos as escadas, eu e mamãe, para leva-la aos convidados.

-Olha a estrela da festa. - Cindiah diz um pouco mais alto.

-Que claro, sou eu pra vocês saberem. - Digo bem humorada e Pres me olha com um ponto de interrogação no rosto. Quem estava ali riu da minha piada sem graça

-Deixa eu pegar essa bebê linda? Quem é a coisa mais gostosa da tia, meu Deus… - Lisa estica os braços pra ela.

-Eu perdi minhas amigas, perdi todo mundo porque nem oi eu ganho quando chego! - Cruzo os braços assim que entrego contra-vontade a Bê para Lisa.

-Tia. - Ouço a voz do pequeno Tay.

-Amor da tia. - Me abaixo para pega-lo no colo.

Fico abraçada com o Tay no colo - ele está grandinho e pesadinho, é difícil - e vou cumprimentando as pessoas que estavam na sala, mas logo fomos todos saindo para começarmos a festa mesmo ali na garagem.

Claro que havia mais pessoas do que antes. Passei mesa em mesa cumprimentando. Volta e meia olhava para o portão para ver onde o Bruno estava, mas não o encontrava. Ele e Phil ainda não chegaram, não quero ser chata e estar perguntando pra Urbana onde eles foram. 


Peguei Bê no colo e junto com as outras crianças mostrei todos os brinquedos. Claro, o que mais tinha fila era o das bolhas. As meninas auxiliaram a servirem o pessoal. Enquanto eu voltava para o local da festa com a Bê nos braços ouço a risada do Bruno, mas não me viro. Eu tenho que lembrar que estou brava com ele pela discussão de ontem à noite. Meu pai falou comigo rapidamente e quando ele tentou pegar ela no colo, Bê abriu um berreiro e atou seus bracinhos em meu pescoço.

-Precisamos conversar. - Lembra Pres quando passa atrás de mim.

-Ah hora que quiser. - Digo dando um sorriso olhando para trás e quando retorno meu olhar pra frente, Phil está com os braços abertos.

-O aniversário é da princesa, mas a rainha também rouba a festa. - Me senti com o elogio e beijei sua bochecha. - Tudo bem?

-Tudo ótimo. - Digo.

-Isso foi irônico ou…? - Meu tom saiu irônico, mas tirando o fato do Bruno não estar dando a mínima pra mim, tudo está ótimo!

-Pra dizer a verdade, um pouco. - Olhei brevemente para o Bruno.

-Ah, eu entendi. - Ele levanta os braços mostrando a sacola com o presente e Bê bem interesseira estica os bracinhos pra ele.

-Engraçado que com o vô ela não vem.- Meu pai faz birra e minha mãe gargalha.

-É interesse pelo presente. - Digo e todos riem.

Ainda estava esperando pelo Bruno vir dar oi pra mim, mas então resolvi não esquentar a cabeça com isso e ir ajudar as meninas na cozinha para trazer os salgados que não estavam na mesa.

Peguei dois pratinhos e os enfeitei com os salgados bem direitinho e quando encontro Pres na porta da cozinha, ela para ao meu lado e diz sem emitir som algum “depois conversamos, estou preocupada com você”. Comecei a rir e quando meus olhos na garagem encontraram o Thales, eu não pensei em mais nada. Entreguei para a primeira duas mesas que vi os pratinhos e corri para o seu encontro.

Ninguém dava a mínima, mas no meio do salão eu e ele estávamos abraçados fortemente. Aquele perfume nada másculo que ele estava usando, sua jaqueta de couro - dessa vez na cor preta - e as calças marrom caramelo. Coturnos HugoBoss cobriam seus pés delicados. O cabelo estava um pouco maior do que quando ele se mudou, mas estava bem aparado.

-Eu estava morrendo de saudades. - Diz ele e eu aperto meus olhos.

-Eu ainda estou, não matamos a saudades ainda. - Começamos a rir.

Abro meus olhos, ainda abraçada nele, a primeira coisa que encontro é o Bruno segurando a Bê no colo e falando com um pessoal que eu não conhecia. Fiquei com ciúmes do tamanho do sorriso dela com ele e pro pessoal que ela estava conhecendo. Na verdade não é ciúmes - ou é também - mas sei que estou com raiva porque parecemos dois completos desconhecidos dentro da festa.

Deixei escapar qualquer palavra esbravejante perto do ouvido do Thales, que me segura levemente pelo braço e se afasta o suficiente para olhar em meu rosto.

-O que houve?

-Aqui não. - Digo olhando para os lados, para as pessoas.

-Depois você não irá me escapar mocinha. - Diz ele dando um beijo em minha bochecha. - Temos tantas coisas para conversar.

-É, temos mesmo. - Percebi que Bruno estava há tempo demais com ela lá, ele não pode prender a garota! Ih, eu já estou ficando brava e com ciúmes, meu dia estava tão bom por uma parte… - Você quer ver a Bê? - Pergunto.

-Com certeza.

Perfeito. Puxei Thales pela mão e cheguei perto do Bruno que notou minha presença em instantes.

-Oi. - Digo educadamente para as pessoas da mesa que me respondem com um sorriso. - Bru, me empresta ela um pouco? - Peço encarecidamente.

-Ah, claro. - Ele estica ela pra mim que faz beicinho para chorar. - E aí cara. - Ele acena pro Thales.

-E aí. - Thales diz de forma esquisita.

Ando um pouco pra longe do Bruno e passo Bê para os braços do Bruno. Eu estou num estado, não sei mais o que eu sinto. Tenho vontade de chegar ali e perguntar se o Bruno ainda vai fingir que não é nada meu, mas assim eu estragaria toda a festa, e com certeza não valerá a pena fazer isso. Ao mesmo tempo eu quero chorar um pouco sozinha, pra passar essa angústia e perguntar pra ele o que está havendo com nós dois. Mas também, no meio de toda essa coisa que eu não sei o que é, eu estou feliz por ter pessoas que me amam em volta.

Thales se deu muito bem com a Bê desde o primeiro dia que eles se viram, desde a vez que ele a pegou no hospital. Agora não foi diferente, ela ria das palhaçadas que ele fazia e eu passeava pelo salão para confortar as pessoas. Olhe para o meu relógio do celular que estava em minha bolsinha na mesa do Thales e decidi que é melhor cantar o parabéns o quanto antes pra agitar essa festa.


-Hora do parabéns! - Anuncio um pouco mais alto.

No meio de todo mundo que estava indo pra perto da mesa do bolo, Bruno surge com um sorriso que me faz esquecer por minutos a crise em que estamos. Será que estamos com essa crise toda ou sou eu inventando coisa? Ou sou eu me sentindo sozinha por alguns instantes e descontando nele?

Com um dos seus braços passados em minha cintura, me dando uma sensação de segurança, Bruno coloca o outro em Bê. Nós cantamos parabéns em um coro e certa hora meus olhos encontraram os dele e tudo parou. Eu o amo tanto que não posso permitir que uma briga seja sempre um fio para o nosso fim. Inclinei ela para frente e eu e Bruno ajudamos a assoprar a velhinha do bolo.

(Dê play nessa música) Tiramos muitas fotos, muitas mesmo. Muita gente chegando para tirar foto com ela e vários flash’s de câmeras diferentes. Bruno se aproxima de mim com uma mulher atrás dele. Vestindo uma saia preta comprida, um coque despojado, uma cropped branca. Seus olhos eram castanhos, tinha uma expressão um tanto quanto morta, e seu sorriso pra mim era falso até. Seus cabelos negros e sua pele clara me faziam pensar em uma coisa: o tipo de mulher que Bruno adora. Um fogo sobe no meu peito e ela estica a mão para me cumprimentar.

-Nick, essa é Paige, uma amiga minha e assistente da turnê. - Observo Ryan chegando para tirar foto também.

-Prazer, Paige. - Diz ela.

-Prazer, Nicole. - Dei um sorriso, tentei convencer que esse sorriso não era falso, mas acho que foi em vão.

Tirei uma foto com ela e com a Bê, me diz pra quê? Também não sei. As meninas tiraram foto, meus pais, os garotos da banda, Julia e Tay junto com o Kam, o pai do Bruno… Quando a sessão fotos acabou, nós cortamos o bolo e começamos a servir. A música agora já estava mais animada, e Bê, bom, estava um pouco no colo de cada pessoa. Para a minha surpresa ela não estava mais estranhando ninguém.

Sentei-me com o Thales e quando ele começou a falar coisas sobre Nova York, eu vi uma cena que não me agradou.

-Estou me sentindo paranoica. - Coloquei a mão na cabeça.

-Vocês estão juntos ainda? - Pergunta ele.

-Sim… eu estou com ele, mas não sei se ele está comigo ou se está só por causa da Bê!

-Mas cadê aquele amor todo? Aquele que fez ele quase se cortar com seu nome?

-Não sei. - Bufo.

Observo Bernie no colo de Paige com o sorriso aberto. Paige está em pé ao lado do Bruno que está sentado grudado em um pedaço de bolo. Bê tenta ir para o colo de Bruno, brincar com ele, mas Paige ne abaixa um pouco e brinca com os dois juntos. Olhando daqui parece um casal… Se eu estou pensando isso, todo mundo pode pensar, e isso não está certo.


-Não vejo a hora da festa acabar. - Coloco a mão com cuidado sobre meus olhos fechados e abaixo a cabeça.

-No final do dia ele sempre será somente seu. - Thales põe a mão em minha perna tentando me confortar.

-Podemos conversar? - Pres me surpreende chegando com sua cadeira, Thales já ia levantando. - Não, fica, fará bem à ela. - Pres diz.

-Aqui será o melhor lugar pra falar? - Pergunto intercalando os olhares entre os dois.

-Podemos subir para o quarto do Liam. - Pres levanta da cadeira.

Subimos nós três para o quarto do Liam e cada vez que eu lembrava da cena meu coração se apertava para chorar, mas eu devo ser forte e não chorar por essa bobagem, lembra Nicole? Sentei-me na cama e cada um sentou a um lado meu.

-Pode começar. -Pres pediu.

-Bruno e eu brigamos quase sempre, eu já não sinto ele como sentia antes. Há um mês atrás eu pensei que tudo tinha se concertado, mas eu me enganei. Ele está se enjoando de mim e eu sinto isso, de longe da pra ver… - Respirei fundo mantendo o olhar distante. - Perceberam que ele nem chegou perto de mim hoje? - Pergunto e nenhum dos dois responde. - É claro que perceberam, vocês e todos da festa!

-Quem é aquela com ele? - Pergunta Thales.

-Uma tal de Paige, ela é assistente da turnê. Eu não posso me meter nisso, ele tem a vida dele de cantor… mas ele teria que ter a vida dele pessoal, com sua filha. - Apertei meus olhos pra tentar impedir alguma lágrima, mas duas caíram diretamente. - Eu não sei de mais nada.

-Calma. - Passando a mão em meus cabelos, Pres pede encarecidamente que eu mante-se a calma. - Vida a dois é complicado, principalmente quando se tem uma criança pequena, mas vocês não são mais adolescentes…

-É difícil manter a calma quando seu irmão faz de tudo pra que isso seja ao contrário e acaba conseguindo. - Digo baixinho.

-Hey, não é pra chorar. - Thales fala de uma maneira bem divertida. - Vamos aproveitar a festa da sua filha? Ela não merece que você esteja assim hoje! Levanta a cabeça mona, e vamos lá mostrar pra todos que você está por cima da carne seca.

sábado, 12 de abril de 2014

Quatro - parte 2


Finalmente o um aninho da minha princesa estava pronto. Não quis fazer nada grande, mas mesmo assim o Bruno exigiu que pelo menos tivesse brinquedos para as crianças no jardim e que na garagem da casa do Eric - o local da festa - fosse bem decorado. O bem decorado dele incluí gastar bastante não se importando com a conta depois.

Pedi ajuda das meninas pra isso. Ficamos dividindo as tarefas para nada ficar pesado. Eu fiquei encarregada da decoração e cor, de tudo que envolva as coisas, Pres ficou por conta dos brinquedos e aluguéis, Tiara viu os salgados e os docinhos, Jaime viu o bolo e alugou mesinhas para os convidados - nada além que minha família, família dele e nossos amigos - e Tahiti não pode fazer tanta coisa, mas ficou de ver todas as bebidas. A música ficou toda por conta do Bruno, pedi para ele não por somente músicas para nós adultos, mas por coisas leves para as crianças brincarem e se sentirem mais a vontade.

Fiquei olhando todos os detalhes desde de manhã, praticamente nem dormi, mas não foi por isso, foi porque o sono não vinha mesmo. Eu e o Bruno discutimos noite passada, uma discussão bem feia inclusive.

O motivo principal foi: não enviei convite para o pessoal que ajuda com ele na turnê. Mas caramba, essa parte da turnê dele é ele que tem que enviar. Eu não conheço nem metade das pessoas que estão envolvidas nisso tudo. Fiquei brava mesmo com ele e acabei falando muitas coisas, inclusive que achava ele cada vez mais distante. Tá certo, as coisas melhoraram no mês que antecedeu a festa, mas ainda sim não estamos a mesma coisa.

Passei a mão sobre a mesa onde daqui a pouco Onnie - uma “amiga” do Phred - irá colocar os salgados. Olhei para um painel que montamos com algumas fotos da Bê sozinha e outras com nós juntos, com várias pessoas pra dizer a verdade.

Olhar pra ela, ver que meu pequeno milagre é perfeito. Graças a Deus ela não tem nenhuma doença, nenhum problema grave de saúde, digamos que sua saúde é de ferro. Pensei, quando ela nasceu, que por conta da minha “impossibilidade” de ter filhos, ela teria vários problemas, mas fui abençoada e ainda bem que não tem.

A decoração estava impecável, eu montei tudo com pesquisas na internet, mas as meninas me ajudaram a comprar e alugar algumas coisas que precisavam, e me ajudaram muito na montagem. Escolhi cores fracas, delicadas, como o rosa e o lilás, mas havia mais lilás do que rosa. Lá fora estão montados dois brinquedos, uma cama elástica e uma piscina de bolinhas, e na piscina tem duas grandes bolhas. Sabe aquela que nós entramos e ficamos flutuando na água girando de um lado para o outro, caindo dentro dela e fazendo todos gargalharem? Essas mesmo!



Daqui há uns meses teremos outra menininha na família, e não é minha e nem das meninas. Semana passada, Cindiah nos surpreendeu com a maravilhosa notícia que estava mesmo grávida, e que é uma menina. Bruno e Eric estão só sorrisos, as meninas bobas por terem mais uma pequena sobrinha. Arranjamos também um novo mascote além do Gus, agora temos o Valder, um novo cachorro para Pres.

-Você não vai se arrumar? - Pergunta Pres chegando ao meu lado. Aparentemente ela já está pronta. Usando uma bermuda de couro preto larga nas coxas, uma camisa branca de ombro caído, dois anéis chamativos prateados e uma corrente com o nome dela.

-Já vou ir. - Passo a mão pela cabeça. - Jaime já está arrumando a Bê?

-Sim, ela está uma princesa, como se já não fosse. - Ela junta as mãos e dá um grande sorriso.

-Tirou as palavras da minha boca. - Disse com um pouco de má vontade transparecendo.

-Pode falar comigo… - Sua mão tocou meu ombro. - O que houve agora?

-Seu irmão. - Suspiro fundo. Pres é uma melhor amiga para o Bruno, além de irmã. Dentre delas a que mais é apegada com ele é ela, não seria uma boa eu falar coisas negativas pra ela. - Deixa pra lá. - Tentei dar um sorriso convincente e desviei o olhar do seu.

-O que tem o Bruno? - Ela pega minha mão agora, mostrando que estava mesmo interessada no assunto.

-Ele anda distante… brigamos demais. - Balanço a cabeça medindo as palavras para dar continuidade, mas ouço um grito pelo meu nome.

-Nick… - Olhei para a porta da casa e Pres também. - Onde está a mamadeira de água da Bê? - Pergunta Tiara ajeitando o cintinho do seu vestido. 

-Não sei. - Fico na dúvida.

-Ah, eu sei, espera aí que eu vou lá pegar. - Pres se ajeita para entrar e quando dá dois passos pra frente, ela olha pra mim novamente. - Depois continuamos a conversa, agora pegue o carro, vá pra casa e se arrume bem linda, mais do que já é.

Serelepe ela retorna o seu caminho para dentro da casa. Fiquei que nem boba com um sorriso. É bom saber que além das minhas amigas de coração eu tenho as irmãs do Bruno, minhas cunhadas, que são como irmãs pra mim agora.

Passei a mão no bolso de trás da minha calça para pegar a chave do carro e entro nele. Dou partida pondo um rock na rádio para me livrar de todo e qualquer pensamento idiota. Tamborilo meus dedos sobre o volante enquanto o sinal não abria. Impressionante, me vejo forte por ainda querer dirigir depois do acidente que tive. 


Estacionei o carro no portão mesmo, não daria o trabalho de colocá-lo pra dentro da garagem e depois sair novamente. Abri a porta de casa e o silêncio pairava, Bruno já deve ter se arrumado e ido para um dos meninos ou até mesmo pra casa do Eric. Andei até a cozinha e roubei uma maça. Nem lavei-a, somente passei por minha blusa e dei minha primeira dentada.

No quarto, em cima da cama ainda estava o vestido que irei usar. Coloquei-o ali pela manhã para não esquecer de onde estava e também para ser mais prático. Peguei minha roupa íntima na gaveta e entrei no banheiro para tomar banho. O cheiro do sabonete dele e perfume estavam misturados, ainda estavam no ar. Respirei fundo para que esse cheiro ficasse nas minhas narinas. Sorri só de pensar em que roupa ele estaria usando.

Assim que saí do banho, sequei-me com a minha toalha e coloquei-a no cesto de roupas sujas. Vesti minhas roupas íntimas e fui pra frente do espelho secar meu cabelo. Não demorou muito, eu cortei um pouco ele, está um palmo aberto abaixo do ombro. Sentei-me de frente a penteadeira assim que terminei de escovar o cabelo, mas levantei logo em seguida para atender o telefone.

-E aí. - Fala a voz mais homossexual que eu já ouvi.

-Thales? - Dei um sorriso e comecei a rir. - Meu Deus, achei que tivesse esquecido de mim.

-Não, não hoje porque irei na festa pra comer uns docinhos. - Dei um gritinho.

-Não brinca! - Passei a mão sobre minha bochecha.

-Não estou brincando, já estou em Los Angeles. - Falei sobre a promoção que ele ganhou através da rádio? Eu saí de lá e todos ganharam promoções, que legal. Thales foi para Nova York, trabalhar lá já que ele já terminou seus estudos no final do ano passado.

-Ficará quantos dias? - Pergunto no intuito de planejarmos várias coisas.

-Acho que não gostará disso… - Já fechei o rosto, garanto que ficará só esse final de semana.

-Só esse final de semana? - Já deu pra perceber meu tom de depressão na voz.

-Não… só se você quiser me ver só nesse, porque estarei esse, no outro, no outro, e em todos! Não sairei mais de Los Angeles por um bom tempo. - A manteiga derretida já queria chorar, mas ao invés disso eu dei vários pulinhos e um gritinho de felicidade.

-Meu gatinho morando em LA novamente? Eu não posso acreditar. Ganhei meu dia.

-Agora não se livrará de mim tão cedo.

-E nem quero. - Aí que saudades dele.

-O que está fazendo?

-Me arrumando para o aniversário da Bê.

-Ah é. - Ele se tocou. - Ligo pra você depois então, vou procurar uma roupa pra me arrumar também e deixar você terminar.

-Ok, não esqueça, esteja lá ás quatro horas! - Relembrei-o.

-Eu já li o email que você me mandou com o convite umas três vezes só hoje! - Ele ri gostosamente. - Até mais tarde mona.

-Até.

Só não gritava e chorava de felicidade porque não poderia. Estava tão feliz com o retorno dele pra cá que me esqueci completamente de qualquer problema que tive com o Bruno. Hoje é um dia feliz, é o aniversário da minha filha, estarei com minha família, meus pais, minhas amigas, e agora com o meu homossexual favorito.

Passei minha maquiagem bem passada, lembrei de algumas dicas que eu usava antes quando me maquiava todos os dias. Retornei ao banheiro e escovei os dentes novamente, passando o fio dental. No quarto vesti meu vestido e calcei uma par de botties pretas de salto alto e fino. Nas minhas jóias, mexi e achei uma pulseira preta, coloquei-a no meu braço e passei o batom rosa pêssego maduro em meus lábios. 


Olhei-me no espelho. Sabe, logo que eu ganhei a Bê, meu corpo não ficou bonito. Precisei malhar em casa e fazer algumas corridas quando podia para voltar com ele ao “normal”. Hoje faz um ano que ela nasceu e me olhando no espelho, parece que eu nem ganhei filho, eu pareço aquela mesma Nicole, firme e decidida, que trabalhava no estúdio como promotora e chefe de mídia, aquela que conheceu o Bruno em uma noite e o reveu na segunda feira com um vestido azul… a propósito, meu vestido hoje é azul.

sábado, 5 de abril de 2014

Três - Parte 2

Corremos para a sala e vejo Bê fazendo um choro manhoso, aquele chorinho que eu conheço muito bem: fome. Peguei-a no colo que quando viu o seu pai sobre meus ombros, parou de chorar e riu abertamente. Sentei-me no sofá e arrumei ela direitinho no meu colo.

-Pode trazer a mamadeira dela, Bru?

-Só se me chamar direitinho. - Ele cruza os braços.

-Faz uma mamadeira pra ela direitinho. - Ofereço a língua travessa e sou retribuída com o dedo do meio.
-Me chama de amor... - Seu rosto se aproxima do meu.

-Amor... - Digo olhando fixamente para seus lábios, mas não conseguimos nos beijar na devida hora porque a mão de Bê nos atrapalha. Começamos a rir e ele foi até a cozinha pegar a mamadeira.

****

-Pensei que ela não dormiria nunca. - Torci os lábios e abaixo o livro que tentei começar a ler.

-Achei que tinha se acostumado. - Apoiei o livro sobre a cabeceira.

-Me acostumei, mas hoje ela deveria saber que eu estou afim de namorar com a mãe dela. - Bruno se aproxima da beirada da cama.

Suas mãos ajudam ele a se apoiar, meu corpo se ajeita mais para trás dando espaço para ele se ajeitar. Seus lábios estavam tentadores pra mim.

-Escovou os dentes? - Perguntei devida a décima vez que ele ainda estava com cheiro de cigarro que acabava com todo o clima.

-Tomei banho, tirei os cascões, estou limpinho! Usei a privada e acredite, usei papel higiênico. - Bruno da-me um selinho rápido. - E escovei os dentes.

-Que nojinho. - Fiz careta e ele puxa meu rosto para perto do dele segurando meu queixo. - eu te amo sabia?

-Eu sei, e eu amo você!

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É tão bom estar assim com ele novamente. Aqueles lábios convidativos deram encontro aos meus. Seu corpo se ajeitou sobre o meu e enquanto nos beijávamos eles se encaixavam e faziam movimentos mais intensos, mesmo estando de roupa.


Apertei minhas mãos em suas costas e enfiei-as por de baixo de sua camisa roxa. Arranhei suas costas enquanto seus lábios passavam por meu pescoço, iam descendo firmemente até encontrarem meus peitos cobertos. Estarem cobertos não foi exatamente um problema para o Bruno, já que segundos depois eu já estava somente com o sutiã erguido e ele sugando meus peitos com vontade. Essa noite nós dois estamos desfrutando do prazer e não fazendo amor por fazer.

Bruno me puxou mais para o centro da cama e distribuiu minhas pernas uma para cada lado do seu corpo. Estávamos devidamente encaixados. Minha barriga se contorcia em arrepios constante com sua instigação em meus peitos/mamilos. Soltei um gemido quando sua mão parou na barra da minha calça.

-Shiii... - Ele coloca o dedo indicador sobre a minha boca quando com a outra tenta puxar a calça para baixo.

Estava me sentindo uma idiota por não conseguir ajudar ele, mas acho que depois de tanto tempo sem sentir aquele amor todo no nosso sexo, agora estou explodindo. Bruno tirou minha calça junto com minha calcinha e jogou-os para o lado. Não usávamos mais camisinha, há muito tempo, mas nos cuidamos. Sua boca encontrou minha pélvis que ardia em chamas pedindo o seu sexo dentro de mim. Sua língua fez um trabalho incrível com movimentos de entra-saí e circulares que me faziam delirar, sem contar seus dedos me instigando. Pegar nos seus cachinhos já era de praxe, ele estava acostumado com isso, mas ninguém manda ele me deixar louca assim... quer dizer, eu mando ele fazer isso. Quanto mais eu tenho ele, quanto mais nós nos relacionamos na cama, mais eu quero ele.

Fechei minhas pernas trancando ele no meio.

-Deixa eu te agradar? - Pergunto e ele nem faz cerimônia.

Dou passagem para ele se deitar na cama, suas mãos vão desabotoando suas calças enquanto eu o ajudo a tirar sua camisa. Seu peitoral, eu vejo sempre essa cor morena que me deixa louca, mas cada vez que eu vejo, mais eu quero. Beijei seus lábios e percorri um caminho "babado" com minha língua até chegar no seu sexo. Não era a única a gostar de puxar cabelos aqui, ele também puxava os meus, só que com mais cuidado. Envolvi minha mão sobre seu sexo, num movimento limitado, para cima e para baixo. Passei minha língua sobre ele, e Bruno solta um ar de alivio ou algo assim. Com os movimentos que eu fazia, Bruno segurava o lençol fortemente com uma mão e a outra meus cabelos enrolados em seus dedos quase num nó.

Montei sobre o seu colo e quando seu membro invadiu-me, senti um calor maior do que estava sentindo antes. Por cima dele o instigava, falando coisas para apimentar mais, meus gemidos constantes faziam seus suspiros ofegantes irem mais rápidos, ele segurava meus cabelos e eu fazia movimentos com meu quadril.

Trocamos de posição sem nos "desgrudarmos". Os movimentos de vai e vem eram prazerosos, não sei se era a saudade ou a “falta” ou se estava realmente gostoso assim, ou se eram as três coisas juntas, mas estava muito bom. Passava minhas unhas nas suas costas, sentia meu ventre implorar por mais, eu queria mais, mas estava tão bom assim, que já nem sei dizer o que queria ou não. Sua mão que estava livre apertava minhas coxas e induzia minha virilha fazendo movimentos leves que davam mais prazer.


-Você me deixa louco. - Diz ele perto do meu pescoço, minha pele denuncia o meu arrepio. 

-Bruno...Bruno... - Começo a chamar por ele perto no seu ouvido e brincando com minha língua em sua orelha. - Você é o melhor. - Falo e seguro firmemente no lençol quando suas estocadas passaram a serem fortes demais. 

-Vem comigo? - Pergunta ele sobre meu ápice. 

Fechei os olhos fortemente deixando me levar pelo momento. Largo um gritinho um pouco alto demais, e Bru me surpreende com um beijo para calar a vontade de nossas bocas gritarem. Enxergo galáxias, estrelas, unicórnios e tudo mais, chegamos ao nosso clímax juntos. Somos bons nisso. 

****

-Ela é tão parecida com você, me dá até nojo. - Bruno resmunga enquanto olha ela no berço.

-Hey, sou tão feia assim? - Pergunto fazendo beicinho.

-É linda! - Ele passa sua mãos pelos meus cabelos. Seus dedos trancam e nós rimos. - É que eu gostaria que ela parecesse comigo.

-Mas ela parece. Olha as covinhas, a cor da pele, a boca. - Falo voltando meu olhar pra ela e observando seu peitinho aumentar e abaixar com frequência por causa de sua respiração.


-Ela vai dar trabalho com os meninos, isso sim.

-Nada de proibir sua filha de namorar. - Alerto ele.

-Não, não irei proibir. - Dou um sorriso. - Depois que ela chegar na maior idade ela poderá tudo.

-Bruno. - Dou um tapa amigável no seu braço. - Ela irá um dia se apaixonar, irá chorar por algum amor... isso é normal e nós não podemos privar de viver a vida dela, aprender com os erros.

-Ih, esse papo tá chato. - Bruno faz cara de nojo e nos afastamos do berço para sairmos do quarto dela. - Tomara que o próximo seja um menino.

-Próximo? - Parei na porta com o dedo no interruptor assim que ele diz. Apago a luz e continuo encarando ele.

-Claro... ela vai ter um irmão!

-Bruno, ela não tem nem um ano ainda. - Começo a rir e fecho a porta. - Quem sabe daqui uns anos.

-Enquanto isso podemos praticar, não é? - Ele me abraça por trás assim que saímos corredor a fora.

Aí sentir sua mão em meu corpo ainda me causa aquela velha sensação de que tudo está bem,de que tudo está ótimo ao lado dele. Estremeço minhas pernas por andar com essa "mochila" nas minhas costas e ele ri.

-A tonta já ia cair. - Folga em mim. Viro-me de frente pra ele e aponto o dedo indicador da mão direita em seu rosto.

-Não tem hoje!

-Nick. - Suplica ele pidão. Viro-me em direção pra frente. - Minha tontinha. - Ele chama minha atenção, começo a rir sem omitir barulho e ouço seus passos mais apresados, apresei os meus também.

Quando menos demos de conta estávamos correndo como duas crianças. Eu fugindo dele pela casa e ele envolta do sofá tentando me pegar. Colocava a língua pra ele e ele me provocava passando a língua dele pelos lábios.

-Vem cá minha tontinha.

-Vá a merda Bruno. - Toco uma almofada em seu rosto, mas ele consegue pegar no ar.

-Ui, braba. - Ele levanta os braços e a almofada caí no chão. - Tonta e braba.

Coloco a língua pra ele novamente e quando me inclino para puxar mais uma almofada, Bruno e puxa e minha cabeça fica a centímetros do chão. Começo a me balançar e ele bate em meu bumbum várias vezes, palmadas como se eu fosse uma criança desobediente. O pior: eu estava tendo um ataque de risos.
Tentei, tentei, tentei me virar, até que consegui. Bruno ria de mim quando sentei no sofá. Seus braços me encurralaram prendendo meu corpo, quando ia deslizar para baixo ele me tranca com suas pernas.

Puxando-me para cima, Bruno me coloca em seu ombro, sinto meu corpo em completo desequilíbrio.

-Bruno, eu vou cair. - Falo mais alto dando tapinhas em suas costas.

-Quem é a tonta? - Bruno pergunta.

-Faz favor. - Bufo em suas costas querendo rir, mas se eu caísse na gargalhada ele não iria me soltar tão cedo.

-Quem é a minha tonta?

-Não me obrigue a dizer isso. - Balanço a cabeça e ele começa a andar.

Quase me satisfiz pensando que estava em segurança, mas Bruno solta uma das suas mãos do meu corpo e eu resvalo para frente. Dou um gritinho alto e ele ri de mim esperando com que eu falasse. Contra minha vontade, eu disse.

-Eu sou sua tontinha. - Bufei baixinho.

-O que? Não consegui ouvir. - Ele para.

-Eu sou sua tontinha, surdo. - Grito com ele.

Bruno começa a correr até nosso quarto. Fiquei com medo do que pudesse acontecer, mas eu confio nele. Passando pela porta de nosso quarto e correndo até a cama, Bruno me solta cima e eu caio com toda a força.

-Aí. - Reclamo.

-Minha fiona. - Ele se joga sobre o meu lado e inclina sua cabeça para dar um beijo perto do meu pescoço.