Páginas

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Trinta e um - parte 2



-Que cena bonita. - Sorrio para ambos, que me olham. Bruno levanta e pega minha filha no colo, que estica os bracinhos insistentemente pra mim. - Vem com a mamãe. - Pego-a no colo. - Oi Bruno.

-Oi Nick...estava aqui brincando um pouco com ela. Minha garota esperta. - Ele pega seu pézinho, Bê ri e brinca com ele.

-A cada dia está mais inteligente. - Dou um beijinho em sua bochecha.

-An, Nick, eu tenho que ir pra casa, preciso arrumar umas coisas pra uma entrevista amanhã, então tem como conversarmos agora? - Pergunta ele enquanto olha o relógio no seu pulso. Que milagre, usar relógio.

-Não, tudo bem. Vou pedir que a Lisa repare ela. - A coloco sobre o sofá e ando pelo corredor.

Dou duas batidinhas no quarto dela, que murmura um entra. Abri a porta e ela estava atracada numa barra de chocolate, olhando para a tela do seu computador, os olhos vermelhos. Ela estava vendo um filme, consto.

-Que filme é? - Pergunto.

-Como sabe... ah. - Ela olha para o chocolate e para o computador. - Sempre ao seu lado me deixa assim, mas descobri hoje que o filme 500 dias com ela deixou-me mais abalada.

-Sinceramente, eu não chorei nesse filme. - Me escoro ao lado da sua porta.

-Não é para chorar, não é uma história de amor.

-Então porque está chorando?

-Porque... eu não sei. - Ela balança a cabeça. - O que queria?

-Bruno está na sala, quer falar comigo. Vamos descer na praça ali embaixo, cuide da Bê pra mim, por favor.

-Ok. Não façam sexo na praça.

-Você é nojenta. - Falo enquanto volto pra sala. - Vamos? - Pergunto.

Deixo que Bruno se despeça da filha, isso demora um tempo. Ele a amassa, da beijinhos por todo o seu rosto e diz incontável vezes que a ama muito. Acho lindo quando ele está com ela. Bruno é um bom pai, tenho certeza para que esse bebê ele também irá ser. Minha barriga pouco é perceptível, nem notei diferença agora nas minhas roupas, há pouco sinal de gravidez em meu corpo. Mas mesmo assim, falarei para ele no momento certo, essa semana os acontecimentos ainda estão muito recentes, melhor esperar um pouquinho.

Descemos pela escada do prédio. Bruno ajeitava algo em seu celular enquanto eu ia na frente. Passamos rapidamente pelas pessoas e achamos um lugar sobre o recanto onde geralmente ficam os idosos que ali residem. Sento-me do banco, e ele senta ao meu lado. Tenho pra mim que ele irá perguntar sobre o nosso relacionamento, minha resposta está na ponta da língua.

-Que lugar agradável. - Ele observa o recanto com olhos atentos.

-Demais. Ótimo para ler. - Encosto-me na guarda do banco, ele vira-se um pouco de lado e entrelaça suas mãos.

-Nick, quero que você seja sincera...Ok?

-Não tenho o porque mentir para você. - Respondo com desencargo de consciência.

-Tudo bem então. Você está grávida?

Engulo a seco minha saliva que parecia ser grossa demais para minha garganta. Minha cabeça girou em incontável órbitas, eu parecia sair do chão, algo que eu não sei como explicar. Como ele soube? Eu não estou preparada pra responder isso, muito menos na parte de não mentir. Ou eu falo a verdade agora pra ele e corro o risco grande de ter uma recaída por ele, o que eu não quero, estou mais que decidida, ou eu deixo para falar outra hora e ele brigará comigo porque eu menti para ele.

Droga.

Seus olhos me encaram, tento fazer uma cara mais descontraída, de quem não está nem acreditando no que está ouvindo porque é muita bobagem. Mas não é bobagem.

-Eu não. Estou com tudo em dia. - Me refiro a menstruação e ele suspira.

-Jaime me disse que você vomitou quando falaram em peixe cru.

-Eu passei mal, meu estômago estava horrível. Tomei um remédio para passar a dor de cabeça e ele atacou meu estômago. - Ri nervosamente tentando demonstrar que não era verdade.

-Acho mais seguro nós fazermos o exame...

-Não! - Digo com urgência. - Quer dizer, pra que fazer, não há nenhuma necessidade. Eu já estive grávida antes, saberia se estivesse novamente.

***

Enquanto rezo para quê a estrada melhore, para que o tráfego amenize e que meu carro aguente, olho para a foto minha e da minha filha do celular. Ela é o único motivo de eu estar me esforçando para ter tudo e consequentemente dar tudo a ela. Nunca foi meu trabalho ir até o estúdio pessoal de alguma banda para tentar encaixa-los no nosso quadro de funcionários e assim lançar um álbum, mas graças a Deus, depois de tanta conversa, eu consegui. Uma pena que agora eu esteja completamente sozinha no meio da estrada pra voltar pra casa. Faço o retorno em alguma rua para poder assim alcançar algum posto de gasolina, mas quando meu carro pega a direita na principal, ele apaga. Simplesmente apaga.

Meu desespero de 0 foi a 100, em segundos. Primeira coisa que eu pensei: vou morrer assaltada ou pior, estuprada. Não adianta pedir ajuda, ninguém irá parar porque, meu bem, isso é Los Angeles, as pessoas tem medo das ruas e de outras pessoas, e já é tarde, a maioria deve estar morrendo de vontade de chegar em casa. E se parar alguém vai ser um velho bêbado, idiota, que em troca do meu carro arrumado vai pedir que eu chupe ele atrás de uma árvore. Eu conheço Los Angeles como a palma da minha mão. 

Pego meu celular, que está com sinal e metade da bateria, e passo pelo número da Lisa. A coitada além de estar cuidando da Bê junto do Thales, não tem carro. Julia não iria vir aqui, até mesmo porque eu não deixaria...Bruno! Sim, ele pode me ajudar. 

Disco o número dele rapidamente e chama três vezes, quatro vezes, cinco vezes, até finalmente ele atender e fazer alguns segundos de silêncio antes da pronuncia de seu alô.

-Nick, oi, aconteceu algo? - A voz de sono alterada com o tipo esbaforido da ligação repentina e talvez preocupante, eu acho que fizeram-o ficar até engraçado. 

-Calma Bruno, tudo bem? - Pergunto e ele ri nervosamente.

-Sim, mas é eu que lhe pergunta, me ligar a essa hora já penso que algo aconteceu com a minha filha.

-A saúde dela é melhor que a minha e a sua juntas. - Ouço sua risada mais aliviada. - Fiquei emperrada na rodovia... Estou aqui no meio da estrada, querendo arrancar, mas meu carro apagou total e geral. 

-Já tentou abrir o capô e ver se algo saiu do lugar?

-Não. - Me dirijo até o capô e o levanto. Checo rapidamente no olhar e não vejo nada de errado. - Motor, água no radiador, óleo direitinho, gasolina também... 

-Hm... - Ele pareceu pensar. - Vou ir aí ajudar você, mas enquanto isso vou perguntando algumas coisas, ok?

-Ok. 

-Já tirou a chave e colocou? Já checou a gasolina...

Bruno fez milhares de perguntas sobre o carro, respondi cada uma corretamente. Isso nunca tinha me acontecido e agora me apavorou totalmente. Passei a ficar gelada, mesmo com ele dizendo que em minutos estaria no exato local que parei. Observei o fluxo de carros diminuir gradativamente, os guardas de trânsito se recolherem, as luzes todas ficarem acessas da rua e as das casas e apartamentos indo se apagando uma por uma, assim como os estabelecimentos que iam fechando.

Meu estômago clamou por uma rosquinha com calda de morango... Fechei os olhos para me deliciar somente com esse pensamento, passei a língua pelos lábios, até que levo o susto quando Bruno bate no vidro do carro três vezes seguidos. 

-Está frio, sabia? - Pergunta ele assim que baixo o vidro. - Libera pra eu dar uma olhada. 

-Ok... - Saio do carro dando espaço pra ele entrar. E ele tinha razão, a noite caiu mais ainda, a madrugada se aproximando, e o frio chegando de leve. - Agora eu vi que está frio mesmo. - Passo a mão pelos braços e ele ri. 

-Senta ali no banco do carona enquanto eu vou vendo o que consigo fazer! 

Me sentei no banco ao lado e mandei uma mensagem para Lisa ir dormir e fazer a Bê dormir também, já que eu acho que por aqui demorará um pouco. Bruno mexia em uma coisa e outra no painel, enquanto eu ficava tonta das coisas que ele fazia. Mas pela cara nada seria resolvido hoje. Ele saiu do carro rapidamente, levantou o capô e retornou com uma cara não tão agradável assim. 

-Era uma leve desconexão dos cabos, ajeitei. - Ele senta no banco do motorista. - Mas agora está sem nenhum pinguinho de gasolina, não tem nada na reserva? 

-Nada. - Torço os lábios. 

-Você nunca fica sem. - Ele ri da ironia do destino e respira fundo. - Postos de gasolina só mais a frente, e eu estou de moto, não da pra pegar gasolina, é diferente do seu carro. 

-Eu sei. - Ponho a mão na testa. 

-Eu vou buscar gasolina pra você. 

-Não, Bruno... Fica aqui comigo, eu não quero ficar sozinha. 

-Então vem comigo na moto, a gente pega gasolina, colocamos no carro e vamos embora. 

-Mas deixar meu carro sozinho. - Torci mais os lábios. Imagina se alguém leva meu carro embora, não, eu morreria sem ele. O comprei zero na concessionária com o dinheiro do meu serviço, não irei entregar de mão beijada a algum ladrão. 

-Ninguém vai levar, Nicole. - Ele revira os olhos. - Além do mais você tem seguro e rastreador. 

-Meu seguro não cobre roubos, somente danos. 

-Que seja, ele tem rastreador, e sem gasolina ninguém andará. 

Penso mais sobre o assunto e resolvo ir com ele, afinal eu precisava sair desse lugar hoje mesmo, e já levaria provavelmente alguma multa por estar estacionada na rua... não tem nenhuma placa dizendo ao contrário, mas não custa frizar que a multa pode vir. Acabei concordando com o Bruno, e antes de sair, verifiquei todas as portas. Bruno riu de mim dizendo que eu parecia uma velha, eu não parecia uma velha, mas estava com medo que levassem meu carro.


-Vem, sobe. - Ele diz montado na moto. 

-O capacete! - Arqueei as sobrancelhas. - Desculpa, mas eu não vou sem um. 

-Droga, eu só trouxe um... - Ficamos calados por alguns instantes. - Espera aqui e eu já volto. 

-Bruno, eu estou com medo. - Minha voz saiu mais chorosa do que planejado. 

-Não precisa, Nick, lembra que eu estou aqui, somente irei pegar gasolina. 

-Fica aqui. - Digo mais alto e ele se ajeita pra descer da moto. Penso, penso, penso, o que custa ficar um tempinho sozinha até ele voltar? Mas a questão é essa, além de eu estar com medo, não quero ficar sozinha. - Amanhã nós acordamos cedo e vamos em algum posto mais perto.

-E seu plano é dormirmos no carro? 

-O que tem? - Pergunto e pigarreio. - Eu durmo na frente, você no banco de trás, claro..

Ele ri com a minha confusão de palavras, ah qual é, eu fui mulher dele, namorada, que seja, por um bom tempo, não deveria ficar com vergonha de convida-lo para dormir no meu carro, mas esse convite está pra lá de duplo sentido. Mas não é nada do que talvez ele tenha pensado. 

-Nick, eu vou pegar gasolina lá naquele posto. - Ele apontou pra frente na rodovia. - Eu volto em instantes. - Ele beija a minha testa segurando o lado da minha cabeça. Coloco a mão sob a dele e ele sorri. 

Fecho meus olhos e levemente sinto seus lábios encostarem nos meus, rapidamente, como se ele se arrependesse de fazer o que acabou de fazer. Por instantes eu quis que ele continuasse com o beijo e dissesse que tudo estava bem. Mas quando abri meus olhos e eles deram de encontro com os deles, passou aquele filme de segundos e eu tiro minhas mãos de cima da dele.


-Eu já volto, pra você. 

3 comentários:

  1. MDSSSSSSSSS, que capítulo ótimo, que Nick mentirosa, que Bruno fofo!
    Eu amei, como sempre, uahsuha, ficou perfeito Dri. Espero que o Bruno saiba logo da verdade do bebê! <333 SEREI TIA DE NOVO DAMM

    ResponderExcluir
  2. Ahhh que capítulo perfeito mulher!
    Ah dona Nick já está na hora de contar ao bruno, tenha coragem mulher. E que clima é esse em ?! Fiquei mortinha da silva com : -Eu já volto, pra você... Faleci haha, ainda para nessas horas, já quero maisss ok? Ok!
    Mil beijosss <3

    ResponderExcluir
  3. Mais perfeito impossível essa fic, continua postando aee, agr eu tó torcendo pro Bruno ficar com a Nick e parar de sofrer mano, ESSA FIC TÁ ME ACABANDO. BJS DRII

    ResponderExcluir