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terça-feira, 18 de março de 2014

Dois - Parte 2

-E o que pensa fazer a respeito disso? - Pergunta repetidamente Lisa pra mim.

-Eu não sei mais, eu quero ir embora, eu não aguento mais isso. - Afundei meu rosto em minhas mãos. - Mas ao mesmo tempo penso na Bê, ela é tão pequena para aguentar tudo isso. - Continuo.

-Uma coisa é certa: tudo aconteceu rápido demais, por isso ficou assim. - Lisa opina.

-Eu e Kam também começamos rápido demais, com um bebê... posso falar o que falta em você dois? - Julia estufa o peito quando balanço minha cabeça positivamente. - Força de vontade. Eu e ele nunca deixamos a peteca cair, sempre inovamos, vamos sair para jantar, conversamos, revezamos para cuidar do Tay... nós fazemos de tudo para nada entrar na mesmice.

Não tem mais o que fazer, a cada momento que eu acho que vamos melhorar, vamos pra cama, conversamos, transamos e de manhã tudo está na mesma coisa, como se nada tivesse sido conversado. Pego nojo da forma que estou me tornando! Porque eu não posso apenas ter um amor como os dos meus pais. Não que eu não ame mais o Bruno - eu acho que isso seria impossível - mas estou me cansando pouco a pouco, desgastando a vontade de estar ao seu lado, pensando que o melhor pra mim seria morar com a Lisa novamente - já que a Julia está com o Kam.

Levanto-me do banco branco de ferro, e ele balança - por ser um banco de balanço isso era meio óbvio que iria acontecer - e ando um pouquinho pra frente. Olho para as meninas ali sentadas.

-E se não fosse definitivo? E se eu somente passasse um tempinho fora, uns meses talvez... - Dou a brilhante ideia que ilumina a minha mente.

-Acha que o Bruno aceitaria numa boa? - Pergunta Lisa passando a mão sobre seu queixo.

-Não sei. - Torço meus lábios.

-Tenta conversar um pouco com ele hoje a noite. - Insiste Julia.

-Eu tentarei, mas se nada for resolvido - o que eu acho que não vai ser - eu vou sair daqui.

Bruno Pov's 

Me perguntaram hoje se eu ainda amava a Nicole. Eu fiquei pensando por segundos, mas respondi que sim. Não é mentira, eu ainda a amo, e me culpo por ser um idiota ás vezes, mas eu acho que fomos depressa demais com essa vida de casal.

Sinto falta de ir pra balada - ela não me impede de sair, mas eu tenho medo das discussões que possam ser causadas por isso, ou eu simplesmente exagerar na bebida e chegar embriagado. Ela não merece essa vida, e acho que brigas só traumatizariam a pequena Bê... Ninguém consegue me entender.

Ao mesmo tempo que eu quero minha vida de farra de volta, eu quero ficar com a minha família, com minha filha, com minha namorada, passar um dia inteiro sentados no sofá cantando músicas infantis para deixar a minha pequena sorrindo! Será que eu tenho tanta culpa por ás vezes pensar nisso?

-Cara, a gente está falando com você! - Phil estrala os dedos na minha frente para chamar minha atenção.

-Eu tô ouvindo. - E estava mesmo, mas também estava pensando. - Mas tenho algumas coisas pra pensar, desculpem gente. - Torço os lábios e levanto-me da cadeira.

Saio do estúdio e paro na porta. Eu parei com os cigarros por causa da Nicole, e pela minha mãe também, mas eu não aguentarei passar por essa pressão sem algum para descontar tudo isso. Apalpei meu bolso para ver se minha carteira estava ali. Desci as escadas rapidamente e fui a uma banca de jornal para comprar um maço.

-Um Pall Mall tradicional, por favor. - Falo ao homem da banca que mesmo me reconhecendo, dá o cigarro e não fala nada.

Paguei a ele e saí andando em direção do estúdio lentamente. Acendi o cigarro e pus na minha boca. É como andar de bicicleta, aprendeu uma vez; nunca esquece. Não me sinto em plena vontade fazendo isso, mas o cigarro pode me acalmar, já que não posso/quero beber.


-Ah não, pensei que você já tinha passado dessa fase cara! - Phil quase grita comigo na rua e ameaça dar um tapa no cigarro.

-Não cara, me deixa, eu preciso relaxar.

-Você não quer relaxar falando com o seu amigo de anos? - Phil arqueia as duas sobrancelhas de forma interrogativa.

-Quero, mas parece que nada vai adiantar. - Dou outra tragada no cigarro.

-Ah sim, e voltar a fumar adianta. - Irônico, Phil fala.

-Eu só quero uma forma de... - Percebi que estava me exaltando em plena rua movimentada de Los Angeles. Olhei para os lados. - Podemos conversar em outro lugar?

-Claro.

Phil e eu andamos para perto do carro e entramos nele. Pensamos em irmos a um café, mas logo precisaríamos voltar para o estúdio, afinal eu saí de lá como louco, mas eu precisava voltar. Nem sei como iria pensar.

-Pode dizer agora. - Phil inicia a conversa.

-Eu amo a Nicole. - Digo.

-Disso eu sei.

-Mas, talvez você tenha percebido assim como todo mundo que nós não andamos nos dando tão bem assim. - Respiro fundo. - Phil, ao mesmo tempo que eu quero ela, quero minha filha, quero nossa família e nosso lar, eu também quero voltar a minha vida de antes. Sair com vocês... sabe, aproveitar tudo. - Encosto minha cabeça no banco e ele suspira profundamente.

-Sabe que não pode ter tudo na vida. - Phil começa seu conselho. - Eu também tenho uma família, eu tenho dois filhos, uma mulher... acha que eu não tenho vontade de sair ás vezes? Tenho, todos nós temos, eu já passei muito por isso e sei como é... mas existe um segredo que não deixa você fazer isso.

-Qual segredo é esse? - Pergunto.

-Esse segredo eu quero que você descubra.

-Mas como...

-Passa mais tempo com ela, não briga, ver no que dá, tenta controlar sua vontade e aproveita as suas duas mulheres mais importantes!

Nicole Pov's 

Dormi um pedaço do meu dia, quando Bê dormiu nos meus braços. A cada dia eu vejo ela e me sinto a mãe mais babona do mundo. Minha filha está linda. E eu não tenho o que reclamar dela, minha pequena calminha, pequena princesinha, meu pequeno milagre. Esses dias me peguei pensando em como seria ter o filho em que perdi no acidente, deu uma dor no meu coração em pensar se seria um menino ou uma menina, se seria como a Bê ou não... mas ai penso que se eu tivesse o que eu perdi, eu não teria minha pequena... É, são coisas que não tem como escolher, e também o amor de mãe seria o mesmo por qualquer filho.

-Calma meu bebê. - Vejo ela chorando, um choro diferente de quando ela tinha apenas poucos meses. Não é mais estridente como era antes, agora é mais ameno, menos irritante.

Caminhei para a cozinha e pus uma de suas mamadeiras no microondas e a coloquei no carrinho que estava na sala, quando voltei a cozinha o microondas já havia apitado. Testei a temperatura do leite em minha mão e retornei a sala. Bê sugava a mamadeira, tentando segurar com suas mãozinhas. Ela conseguia até, mas ás vezes caia ou ela se afogava, então achei melhor eu ir auxiliando por enquanto.

-Boa tarde. - Tinha ouvido o barulho da porta, mas não liguei, de repente Bruno chega na sala com um sorriso lindo. Lembrei do que conversei com as meninas e engoli a seco.

-Boa tarde, Bru. - Digo e volto a olhar para a Bê que olhava pra ele fixamente. Tirei a mamadeira dela que já estava vazia e levantei para largar ela na cozinha.

-Papaaaa. - Ela dá um gritinho. Olho pra frente e respiro fundo, não posso fazer ela ter mais preferência comigo do que com ele, não posso induzi-la a gostar mais de mim... mas poxa, eu morro de ciúmes disso.

Larguei a mamadeira na pia e sinto os braços de Bruno na minha cintura. Gemo alguma palavra que não saiu direito e ele cheira o meu pescoço.

-Queria um beijo de boa tarde. - Eu não posso ser grossa, que milagre é esse? Virei-me de frente e quando fui beijá-lo senti um cheiro de cigarro.

-Bruno, você voltou a fumar? - Decepcionada, essa era a minha voz.

-Posso explicar... eu estava pensando em alguns problemas e coisas idiotas que insistiam em passar na minha cabeça, e acabei descontando no cigarro, desculpa, eu juro que foi só um e que eu até trouxe o maço para você por fogo, jogar no lixo, triturar, fazer o que quiser. - Ele ri e eu também acabei rindo, mas pensei comigo mesma no que será que ele estava pensando para faze-lo fumar...

-Ok.

Beijei ternamente a sua boca e ouço ele sussurrar um "eu te amo" que foi retribuído, até ouvirmos um barulho e um choro vindo da sala. Nós rimos com as bocas coladas uma na outra.

2 comentários:

  1. Owmmmmmmm Estou amando este retorno, juroooooooooo
    Esta muito lindo, eu queria que eles estivessem melhor, mas como eu sei que nem tudo e um mar de roras...
    Enfim, esta lindaaaa, parabens!!

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  2. DEUS DO CÉU, Nick não pode fazer nenhuma besteira. Bruno também não pode. Ninguém pode pq eles são perfeitos e não podem fazer besteira. Bruno com cigarro odeio/n sou.
    Continue por favorzão pela carou de teu coração (eu sei rimar e.e)
    Tá muito perfeito, vc sabe q essa fic é minha vida é minha morte e meu tudo então não demore q meu core chora
    bjao no core, driana

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