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terça-feira, 6 de maio de 2014

Sete - parte 2

(dê play e escute até o final)
Acordei com uma leve dor de cabeça. Levantei da cama sem fazer muito movimento brusco para não acordar o Bruno, e mantive minha quietude até sair do quarto. Dei uma espiada no quarto da Bê e ela dormia profundamente, nenhum momento atinou-se a acordar. Tadinha, deve estar tonta ainda da festa.

No meio da noite - como fomos dormir cedo - eu acordei para dar mama pra ela e fiquei esperando ela dormir depois. Na cozinha organizei tudo que tinha, apoiei-me na bancada e pus minha mão sobre a testa, eu não estava com febre, mas jurava sentir minhas veias pulsando lá dentro da minha cabeça fazendo com que minha dor de cabeça se aprofundasse. Fui até o banheiro da casa e procurei a caixa de remédios no armário grande. Lá estava ela. Catei uma aspirina e descartei duas da cartela, preciso que essa dor passe.

Com aquela pressão na cabeça, sentei-me no sofá da sala e fiquei encarando a grande televisão desligada. Daqui a pouco Bruno pode acordar, sei que nós vamos ter uma longa conversa hoje. A minha cabeça tá mais fria do que ontem, estou conseguindo pensar melhor nas coisas, mas ainda não consigo entender à que ponto eu e ele chegamos. Nós éramos apaixonados, nos amávamos - da minha parte isso ainda não mudou. É triste pensar que eu passei sobre todas as minhas crenças , digamos assim, eu passei sobre tudo que eu pensava, ignorei tudo pra dar minha vida à ele, pra viver por ele... Ter uma casa, uma filha, brincar de família... ele pareceu sempre gostar de tudo, mas porque agora está tudo diferente? 

Passo a mão sobre o rosto, a dor vai aliviando aos poucos. Escorei-me na guarda do sofá e ouço os passos direitinho dele chegando na sala.

-Bom dia. - Sua voz com aquela rouquidão de quando acorda, chegou a estremecer meu corpo.

-Bom dia. - Respondo num tom ameno.

Seus passos foram saindo do meu campo de audição. Tirei lentamente as mãos do meu rosto e me deitando no sofá, fiquei encarando o teto só esperando o momento que minha dor passasse e a Bê começasse a chorar por uma fralda suja ou até seu mama.

-Eu tenho que ir pro estúdio... - Nem ouço o seu barulho, mas Bruno me assusta quando diz isso. Suspirei fundo e encarei o teto novamente. Porque eu sabia no fundo que ele iria sair hoje?! É sempre assim.

-Estou sabendo. - Falei dando a mínima importância.

-Nick, poxa eu não quero ficar desse jeito com você. - Sinto sua mão na minha perna, mas não vejo ele ali. Ajeitei-me no sofá e o vi com o cabelo bagunçado, camisa toda amarrotada... ele ainda é meu Bruno.

-E o quer que nós façamos o que? - Pergunto.

-Não sei, que tal conversarmos?

-Claro... quando que você está em casa para isso acontecer mesmo? - Pergunto. Bruno desvia o olhar, ele sabe que agora eu tenho razão. - Bruno, o que aconteceu com a gente?


-Não pergunte pra mim.

-Perguntar pra mim então? - Ironicamente aumentei a autoridade da minha voz. - Engraçado, sou eu que procuro um motivo para discussão, sou eu que simplesmente ignoro a presença da mãe da minha filha no aniversário dela, sou eu que nem pergunto mais como eu estou me sentindo!

-Ah... - Ele fica sem fala.

-Quer saber Bruno, se arruma e vai pro estúdio!

Levantei do sofá e sigo em direção do grande corredor até o quarto da Bê, mas quando ponho minha mão levemente na maçaneta, a mão do Bruno segura a minha. Aquele toque me enche de arrepios.

-Porque estamos assim? Nicole, você sabe que minha vida consiste em você e na Bê! - Eu não poderia olhar para os seus olhos, seus olhos marejados, eu via a verdade neles, mas o que adianta a verdade quando nós vamos nos perdoar e tudo continuará a mesma coisa.

-Sua vida depende de você mesmo, tudo depende somente de você. Alcance objetivos, tenha metas... Bruno, nós éramos o casal perfeito, quando éramos só eu e você.

-Mas a Bê não atrapalha em nada... - Diz ele sem entender.

-Ela não atrapalha, mas eu tenho certeza que você já pensou em me deixar um dia, mas não me deixa por causa dela, não é assim? - Pergunto. Depois de segundos com nossos olhos concentrados um no outro, não obtive resposta. Como eu imaginei. - Viu... - Falei desesperançosa.


-Eu só pensei nisso por nossas brigas, mas temos que ver de onde elas são provenientes!

-É, temos mesmo... de onde elas são? - Pergunto.

-Eu ...

-Não sabe, né? Pois é.

-Eu sei que eu te amo, e se estamos juntos ainda é porque temos que ficar juntos! - Seu corpo me pressiona na porta do quarto.

Nossas respirações já estavam confusas, pertinho uma da outra. Nossos olhos fixos em nós mesmos. Eu só pensava no gosto de sua boca, a menta da sua pasta de dente, o hálito dos deuses, seu corpo que sempre que encontra o meu clama por uma paixão aventureira. Não podemos negar que tudo isso aconteceu rápido demais, e isso que é proveniente de tudo.

-Eu te amo. - Repete ele com os olhos fixos em minha boca agora.

-Você tem que ir pro estúdio. - Lembro ele, de certa forma "quebrando o clima" se é que tinha algum a essa altura do campeonato.

Ele se afasta um pouco de mim a ponto de eu poder entrar no quarto da Bê tranquilamente. Fechei a porta praticamente em seu rosto e escorei-me nela. Senti meus olhos marejarem mais do que já estavam, até que a lágrima teimosa que queria cair há tempos, caiu. Solucei baixinho pondo a mão na boca para não fazer nenhum barulho a mais e acorda-la e também para o Bruno não ouvir.


-Nick… não chora, por favor. - Sua voz saí pesada, parecia que ele também estava a ponto de chorar.

-Eu preciso. - Me toquei para o lado, atirada no chão. Parei de trancar a porta com meu corpo na frente e então ele a empurra.

-Nick, eu te amo, vamos parar com essas bobagens.

-Bruno, isso não é bobagem. - Rebato em tom mais alto, porém lembro da Bê e o diminuo. - Eu estou aturando pelas tampas tudo isso… eu desisti de praticamente tudo por você.

-Shiiii. - Ele tenta me abraçar a força e eu como sou idiota acabo deixando.

-Bruno, eu era a pessoa mais forte, eu tinha meus sentimentos sob controle, eu nunca choraria por ninguém, eu tinha princípios...tudo isso foi por água a baixo quando eu me apaixonei por você.

-Se arrepende disso?

Olho nos seus olhos, meu coração já estava derretido, agora está em pedaços pelo chão. Respiro pela boca vagarosamente e desvio meu olhar pra cima. Olho brevemente para o berço e volto meu olhar pra ele. Suas mãos vão afrouxando a força pouco como se ele estivesse desistindo.

-Nunca vou me arrepender. - Digo.

-Então fica comigo. - Pede ele.

-Droga, porque eu tenho que te amar, porque? - Pergunto-me sozinha.

-Isso é recíproco. - Ele diz enquanto seu rosto se aproxima do meu.

Nossos lábios se unem num beijo com aquele clima bom de reconciliação, mas sabe quando você sente que tem algo que ainda lhe incomoda? Tenho vontade de perguntar sobre a tal de Paige, mas estou com medo de estragar tudo. Suas mãos acariciam minhas bochechas e eu seguro sobre seus cabelos. Pouco a pouco fomos nos afastando. 

-Brigar com você é tão difícil.

-Mas você não faz por menos. - Rebato.

-Porque? - Pergunta ele ficando próximo de mim.

-Por uma tal de Paige. - Digo fazendo cara de nojo, mas não era só a careta, era real o nojo mesmo.

-Ciúmes?

-Sempre. - Fecho meu sorriso que antes ainda restava vestígios.

-Se eu pertenço a você, não precisa ter ciúmes, sempre será você!

5 comentários:

  1. AS MELHORES BRIGAS SEEEEMPRE!!!!!! Eu que sou casada entendo o que a Nick ta passando :/ tomara que isso nao acabe neles e separando viu dona adriana?! ;)

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  2. AAWWNN! Que tudo esse capitulo, porém acho que eles dois estão confusos, E ESPERO QUE O BRUNO NÃO FAÇA NADA DE ERRADO, senão ele vai perder as duas mulheres da vida dele, mas sabe... por um lado seria bom o Bruno "perder" elas por um tempo, pra ele ver que tudo que ele tem pra ser feliz está na frente dele, só que não da valor. Por que ninguém faria por ele o que a Nicole fez. Amo suas atualizações , e estou ligada sempre na Colorindo Los Angeles ou na Never Let Me Go. (:

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  3. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADRIANA como assim? Não te dei permissões para ferrar meu emocional, sua idiota jasdhdhsijhh ai continua logo pelo amor de God <3 amando

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  4. Dri, eu não aguento mais chorar :'( Mas enfim, tudo perfeito como sempre

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  5. Ahh tudo perfeito como sempre . E essas briguinhas que no final sempre acabam admitindo que se amam ?amooo , mas que n venha separar esses dois , porque eu quase morri pensando que iriam se separar :/. Só espero que o bruno não venha fazer nenhuma besteira!! então é isso até a proxima Dri bjss <3

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