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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Vinte e cinco - Parte 2



Bruno Pov's

Peguei o avião de Nova York para Los Angeles. A demora estava grande, eu quase nunca consigo dormir no avião, mas hoje eu estava mais inquieto, algo me incomodava e eu não sabia dizer o que era. Passei por muitas músicas que costumo sempre escutar, e enquanto escutava umas e outras, aproveitei para twittar algo rapidamente, e ainda ver pelas conversas em minhas mentions que não paravam, que Nick havia desativado o twitter, claro, ela nem o usa direito mesmo.

Passei pelas minhas fotos, admirei minha filha e logo John me balança para ir jogar, já que chegou a minha vez.

+++

Não havia sinal de ter alguém em casa quando desci. Ryan seguiu para o apartamento dele e eu entrei em casa, desativei o alarme que estava ligado, isso quer dizer que realmente ela deve ter saído.
Passei na cozinha, tomei um copo de água por causa do calor, e fui para o quarto. Abri a porta e a cama estava devidamente arrumada como ela sempre faz. Retirei meus sapatos e minha jaqueta, sento-me na cama e ouço um barulho, levantei e vi que havia sentado em cima de uma carta. (Play!)


"Para Bruno." 

Abri-a, uma extensão bem grande de palavras, passei o olho rapidamente, mas decidi lê-la direitinho. Observei a letra de Nick, tão perfeitamente desenhada, como se ela medisse cada traço que iria fazer, enquanto a minha um garrancho.

"Oi, deve ser de tarde agora, ou inicio da noite. Você já deve ter visto que a casa estava fechada e que não há ninguém. Quero deixar claro que você é meu melhor amigo e amante, que nada mudou e que não brigamos, vamos encarar tudo isso como apenas uma férias para nós mesmos! Na estrada para isso tudo, para a vida, nos deparamos com pessoas e pessoas, pessoas especiais, pessoas que não fazem diferença, pessoas que aturamos e pessoas que amamos. De todas essas pessoas, você foi a pessoa que mais me trouxe pessoas. Me trouxe uma família, uma filha, amigos, admiradores..."

Levantei-me atordoado, ainda não havia terminado a carta, mas que diabos ela está fazendo? Cocei minha cabeça e o closet me deu a resposta. Abri ele, passando os olhos rapidamente em tudo, o lado esquerdo, o lado dos seus sapatos, roupas, bolsas e tudo mais, está ali, mas não está ali. Falta muita coisa que o compõe, tem umas três camisas, um par de sapatos, uma toalha, e um moletom. Encaro mais de perto e percebo que as três camisas são as minhas três camisas, que ela sempre usava para se sentir mais a vontade. O moletom é meu, ela o usou enquanto estava grávida já que alegava que tudo dela ficava feio, e a toalha e o sapato, eu não sei porque estão ali. Sentei-me no sofá sem encosto que há no meio do closet e continuo a ler.

"Não quero falar sobre a hora que é agora, porque simplesmente acho que não é interessante. Nos acidentes da vida, no destino que ela nos dá, você foi e é uma das melhores coisas com o pior passado. Nós nunca mudamos quem somos verdadeiramente, apenas tentamos nos adaptar para que as pessoas também se adaptem com nós, e todos viverem com perfeita harmonia. Eu costumava ler bastante, acho que lembra quando lhe falei isso, mas há uma citação que eu acho bem interessante, que gostaria de falar: "O amor é como as rosas, cada pétala uma ilusão, cada espinho uma realidade!" Mas mesmo assim nós não deixamos de colher a rosa por causa dos espinhos, digo, os problemas sempre tem uma solução. 
Fugir eu sei que não é a melhor solução para os problemas, eu sou ciente disso, mas percebeu que nós não somos mais os mesmos? Que frase clichê, mas o clichê sempre é o mais real. Nós não somos mais os mesmos apaixonados. Não estou reclamando que você não me leva mais para jantar, e sim comentando que dos sete dias da semana, pelo menos em três nós brigamos. " 

Ergui minha cabeça e andei para fora do closet, abri o quarto da minha filha, ele estava vazio. Não, não vazio de móveis pois todos continuavam ali, mas vazio de vida. Cadê a maioria dos seus brinquedos? Suas roupinhas no armário? Sua fraldinha pendurada ao lado do berço? Seu chiqueirinho cheio de ursos, seu fraldário cheio de fraldas, talco, pomada... É como se eu houvesse construído esse quarto para alguém que não existe, alguém que não nasceu, como se ele nunca fosse habitado.

Sentei-me na poltrona e antes de continuar a ler, respirei fundo mais uma vez.

-O que eu fiz, meu Deus. - Lamento pelo flashback que passa em minha mente e agora sim, retorno a pensar na carta.

"William era um grande cara com grandes pensamentos. Você também, Bruno, também é um grande cara - digo, a alma é grande -, com grandes pensamentos, mas falta-lhe algo, algo que eu não sei o que é, e agora com a minha ausência eu peço que descubra. 
Venha visitar a sua filha sempre, eu também sempre a levarei para você vê-la, mas só toque nesse assunto o que dia que pensar bem no que falar. Por favor, eu peço e repito, por favor, não venha com mil e uma desculpas, porque eu sempre escuto uma desculpa depois das nossas brigas, e isso cansa um pouco. 
Isso está soando dramático demais, não é mesmo? Mas não se preocupe, eu e o drama temos um longo relacionamento, ele sempre anda de mãos dadas comigo, assim como o ciúmes perante à você, assim como o medo e a esperança. E agora, quero lembrar, mais uma vez, que isso não é uma carta de despedida e nem uma carta de briga, é apenas um casal terminando algo de um jeito mais simples e menos corriqueiro. Fui covarde em não te esperar para ir embora de casa, covarde por não pronunciar essas palavras olhando para seus olhos sagazes e ferozes, seus olhos penetrantes e que dizem mais do que posso falar em um minuto. Se eu tivesse feito tudo isso olhando nos seus olhos seria uma perda grande, eu não teria coragem de virar as costas e lhe abandonar, eu não teria coragem de dizer tudo isso. Eu fui covarde e sou covarde. 
Quero terminar dizendo que, acima de qualquer coisa, você é meu Shrek pra sempre, e, se você quiser, eu sempre serei a sua Fiona.

“Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.”  
; Da que te ama hoje, amanhã, e até o tempo permitir - ou além -, Nicole. " 

Eu sou sensível, eu choro, eu não aguento todas essas coisas, muito mais falando nela. Eu sou o ÚNICO responsável por isso, ela sempre ao meu lado, sempre me apoiando, aturando meus dias de discussão, meus porres, eu a machuquei e ela não falou nada para mim, porque? Porque eu simplesmente surtaria e ela não gostaria de me ver se culpando e lastimando. Ela me ama, e eu a amo, mas eu sou um idiota e eu sempre, mesmo não querendo, faço as coisas erradas.

Nicole Pov's 

Eu iria pra praia com todos, como combinado, mas acordei pela manhã cedo com um enjoo matinal horrível. Aluguei o banheiro do apartamento vomitando como doida, até ouvir um pequeno movimento. A porta se abre e Thales dá um gritinho de desculpa, eu, toda atrapalhada, olho para a porta estática, sem nem ao menos saber o que responder.

-Já irei sair. - Thales passou a noite conosco, o bom é que ele já vai se acostumando com o apartamento, mas ele dormiu porque nossos planos é irmos para a praia.

-Tudo bem, eu espero. - Ele fala do outro lado.

Levanto-me para fazer minha higiene, escovo os dentes rapidamente e abro a porta, ele sorri pra mim, mas entra rapidamente assim que eu saio da frente dele, de certo estava apertado. Ando até a cozinha e abro a geladeira, preciso comer algo já que na janta eu nem belisquei a comida direito.

-Bom dia - Ele me abraça por trás, o mais engraçado disso tudo é que eu pensei, por dois segundos, que fosse o Bruno, mas lembrei rapidamente da minha condição e tudo que está rolando. - acordou cedo. - Observa ele.

-Tenho que dar mama para a Bê, e já estou acostumada com esse horário mesmo. - Dou uma risada nervosa.

-Vou ligar a televisão, ok?

-Ok, só não muito alto por causa da Lisa, que aliás não gosta muito de ser acordada.

-Tudo bem, chefe mandou.

Preparo o leite da minha filha, não consigo mais tirar leite do peito, acho que finalmente chegou ao fim, e também conforme ele cresce mais, ela vai desgostando do leite e ás vezes nem toma a mamadeira completa. Dou um suspiro enquanto ouço Thales perambular canal por canal até achar algum que lhe interesse, mas não é por isso que suspiro, é porque simplesmente eu não sei o que pensar. Não havia pensado no Bruno até agora, porque estava rindo com meus amigos, e não precisava pensar na minha vida amorosa. Bruno por mais que tenha sido um idiota, ele foi o meu idiota por muito tempo e a cada lembrança que eu tenho me remete a sua imagem, seus olhos, sua boca, seu sorriso, tudo. Eu sou uma idiota covarde, e agora estou com medo de ficar sozinha e acabar pensando demais no que eu fiz. Mas eu não vou me arrepender.

Isso é pro meu bem!

-Nicole! - Thales estala os dedos na minha frente. - Você quase derramou todo o leite no fogão, se não fosse eu estaria um incêndio nessa cozinha! - Ele bufa pegando a leiteira.

-Desculpa, eu...

-Eu só estava pensando na vida. - Ele fala como se fosse eu. - Estava pensando no Bruno,  e acho que quanto mais pensar, mais isso tudo vai parar de fazer sentido e você vai ficar com remorso. Se quiser voltar, volte hoje mesmo, ainda da tempo. - Thales finge que está com um relógio no pulso e olha as horas. Eu tento pensar em fazer algo, mas ele está certo. Eu fico pensando, pensando, pensando e daqui a pouco vou me arrepender.

Deixo meus olhos umedecerem um pouco, lágrimas queriam cair, mas eu não queria deixar. Thales me olha, larga a leiteira e quando eu vejo que ele vai me abraçar, eu me obrigo a apertar os olhos e sair da cozinha.

-Me desculpa, me desculpa, me desculpa. - Thales vem atrás de mim e eu o impeço de me abraçar com a mão espalmada a sua frente.

-Você está certo! - Respiro fundo. - Eu estava pensando no Bruno. Eu sou uma idiota por pensar nele, e isso que não se fez nem vinte e quatro horas que eu larguei daquela casa.

-Eu não quis dizer isso... - Homens. Bufo.

-Quis sim, mas não disse. Obrigada por cuidar o leite pra mim. - Me esquivo para pegar o leite e ele dá um abraço em mim.

Me afago em seus braços quentes e enterro meu rosto próximo ao seu ombro.

Choramingo baixinho e ele fica murmurando coisas dizendo que tudo vai ficar bem, que tudo vai se ajeitar. Eu só respiro, só tento manter minha calma, mas ouço um chorinho, que não é vindo de mim, e sorrio. Esse é meu motivo para sorrir.

3 comentários:

  1. Nick sempre com um pé atrás!
    Agora vem o arrepedimento senhor bruno, agr é a hora dele tomar vergonha na cara. RUM... Amo seus capítulos gataa, ahh e continuo com as minhas suspeitas sobre esses enjoos da nick ..bjsss:*

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  2. Aiii meu Deus agora o Bru vai dar valor, que ele corra muito atrás dela e mesmo que ela esteja gravida, se fosse ela ficava longe dele ate o ultimo mês de gravidez pra ele ver q as biscates dele não são e não chegam perto do que ela é na vida dele.

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  3. Faz o Bruno sofrer mais, esse capítulo tá muito bom, por favor posta aee S2

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