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sábado, 20 de setembro de 2014

Vinte e oito - Parte 2

Bruno  Pov's

(Música)

Eu bebi dois, três, quatro copos de whisky. Estava doendo dentro de mim, estava apertando como nunca havia apertado meu peito, nem mesmo quando eu cometi loucuras por ela, nem mesmo quando ela passou um mês longe de mim no Havaí, e eu em turnê, nem mesmo quando eu chorei no show, doeu tanto assim.

Me sinto impotente, me sinto, com o perdão da comparação, com uma doença terminal, sabendo que por mais que eu faça tudo, nada voltará ao que era antes. Eu espero que ela me perdoe um dia, mas eu sei que terei que provar pra ela que eu a amo, e que eu não traí ela com ninguém e jamais trairia.

Eu preciso da minha pequena Fiona, e da minha pequena joia rara, que ela trouxe ao mundo.

-Ah Nick, se você soubesse a mensura do meu amor por vocês, nada disso teria acontecido. - levei o copo mais uma vez a boca e terminei de vez com o que tinha dentro. - Amanhã pela manhã tenho que estar no estúdio, trabalhando no terceiro álbum, trabalhando como se nada tivesse acontecido, e como se eu e você fossemos um casal ainda, mas quando eu chegar em casa verei que essa não é mais a realidade. Eu deveria ter te dado mais valor, eu sei. - Falo comigo mesmo, mas sinto que ela pudesse estar ouvindo isso de alguma forma, mas é bobagem. - Eu quero suas unhas café arranhando minhas costas, seus lábios com rosa fraco dando um contraste com sua blusa social rosa que realça seus peitos. - Sirvo mais metade do copo e sento-me novamente na poltrona. - Todos tem um lado mais pendente, um lado que precisa de ajuda mesmo que não falamos, todos precisamos de resgate... Nick. Como eu vou explicar que eu te amo além do normal?

E assim, mais uma vez, eu virei o copo. Olhei para o piano, me chamando. Algo preciso colocar pra fora. Preciso tocar e cantar para conseguir dormir no silêncio e vazio que a casa se encontra.

Everybody's got a dark side
(Todo mundo tem um lado obscuro)
Do you love me?
(Você me ama?)
Can you love mine?
(Você pode amar o meu?)
Nobody's a picture perfect
(Ninguém é uma imagem perfeita)
But we're worth it
(Mas nós valemos a pena)
You know that we're worth it
(Você sabe que valemos)
Will you love me?
(Você vai me amar?)
Even with my dark side?
(Mesmo com o meu lado obscuro?)

Eu prometo que vou ser melhorar, eu vou melhorar, eu irei me controlar. Mas eu juro, juro por tudo que há de mais sagrado em minha vida que eu nunca a traí, e nunca irei fazer isso. Minha mãe prezava o homem que zelava por uma única só mulher dentro de casa, e que saía do serviço para casa, e ela o esperava. Eu sou esse homem com a Nick.

Sei que errei, umas vezes, bebi e saí para me divertir, mas nunca tive coragem de traí-la com ninguém.

Adormeci sob as teclas do piano. Minhas costas incomodaram e pediram um bom descanso, mas infelizmente não é isso que eu darei assim que sairei do estúdio hoje.

Meu celular pessoal estava com a bateria por um fio, sorte que deu para ele despertar e me acordar. Abri a porta para a empregada e fui para meu banho, me sentia mais disposto apesar da dor. Mas, tudo isso passou, quando eu entrei no closet para por uma roupa. O clima não é mais o mesmo, parece que está mais preto e branco, já que as roupas da Nick são mais vivas e seus sapatos ao fundo do closet dão um toque mais especial ao local.

-Droga.

Procurei uma roupa mais ou menos. Mas optei por uma bermuda jeans, uma camisa mais descontraída e uma flanela xadrez sobre ela. Penteei meus cabelos ala meu modo, apenas com as mãos, e pus um chapéu com aba pequena sobre eles.

O que eu mais queria era pegar minha Kawasaki z1000 e andar pela orla, até algum ponto de mais paz, do que ir para o estúdio. Pensei na minha moto que há tanto tempo não uso.

-Hoje irei tira-la do pó, amor. - Falei quando cheguei na garagem.

Já tinha pego meus documentos e outras coisas que precisava, arrumei tudo na bolsa atravessada e montei sobre a moto, e coloquei o capacete.

Andar de moto é como andar de bicicleta, depois que aprendemos, nunca mais esquecemos. É quase o mesmo esquema, porém, tem um motor e mais coisas a cuidar, como por exemplo: a gasolina. Eu nunca usei ela depois que me uni à Nick, principalmente depois que  minha filha nasceu. A emprestei para Ryan, e ele deixou aqui por um milagre.

Dirigi pelas ruas com o pensamento longe, aliás, nem tão longe, ele está perto, mas parece mais inalcançável do que está. Bufo mesmo estando com o capacete e esbravejo algumas palavras por conta do trânsito parado.

+++

-Que milagre é esse, estar de moto? - Phil observa quando chega no estúdio,depois de mim.

-Ah, aquilo. - Aponto com o polegar sobre os ombros. - Resolvi voltar com ela a ativa.

-Mas desde que você casou com a Nick você aposentou ela, tinha até  emprestado pro cara. - John observa bem.

Respiro fundo e dou um sorriso tentando parecer mais forte do que estou e sou.

-Eu e a Nick não estamos mais juntos. - Olho para o lado e evito olhar para alguém ali.

-Sou seu irmão e estou sabendo disso só agora... - Eric arqueia as sobrancelhas.

-Ela escolheu assim, tenho que respeitar.

-Vocês dois nasceram pra ficarem juntos, mas desculpa, você rateia. - Kam dá de ombros e torce os lábios, ele sabe que apenas falou a realidade. - Eu e a Julia temos tantas coisas que se opõem, mas é justamente isso que fazem nós sermos felizes. Não completamos um quebra-cabeças com peças iguais.

Não completamos um quebra-cabeças com peças iguais. Aquilo girou em minha mente. Girou definitivamente. Daria um bom pedaço em alguma possível música nova. Irei pensar isso com calma, mas agora tentarei me concentrar no meu serviço.

(Pode parar a música - se é que não acabou já hahaha)

Nicole Pov's

Assim que chegamos da praia, exaustos, fomos dormir. Quando acordei pela manhã, tomei um chá com bolachas e assisti o tele jornal. Não estava com pressa de chegar naquela empresa, ainda mais porque agora estou mais perto dela, já que o apartamento fica bem próximo.

Thales irá vir para cá esse final de semana. Já nos programamos. Ele dormirá com a Lisa no quarto e eu fico com meu antigo quarto junto da minha filha. As coisas por ali ainda estão um pouco bagunçadas, mal paramos em casa esse final de semana, e justamente por isso acho que estou melhor, não tive tempo de pensar nele.

Viu, e não quero pensar agora. Esbravejo impaciente no trânsito. Motoqueiros ultrapassando os carros nos corredores, e uma tranqueira pela frente. Eu já estava saindo em cima do horário, com esse trânsito irei chegar atrasada.

Atalhei por diversas ruas que consegui e acabei chegando em cima do horário, literalmente. Bati meu ponto ás 08:30 cravado. Andei para a minha sala e não cumprimentei ninguém dessa vez, estava impaciente. Quando sentei na minha cadeira, o furacão Thales adentra a sala e fecha a porta rapidamente.

-Ressaca? - Pergunta quando olha meu rosto não amigável.

-Exaustão! - Reviro os olhos e apoio meus cotovelos sobre a mesa. - Se eu pudesse ir embora para minha casa dormir agora, eu iria sem pensar duas vezes.

-Complicado. - Ele senta a minha frente. - A boa notícia é que eu posso ficar por aqui hoje. Pree disse que tem poucas coisas para eu fazer, fechamento de alguns contratos e revisão, coisa básica. Aí,assim que eu terminar, lhe ajudo.

-Você é um anjo! Hoje preciso subir no estúdio para auxiliar uma banda, ver alguns detalhes...

-Aquele estúdio lembra o Bruno?

-Você acabou de me lembrar dele. - Sorrio ironicamente. - Está sendo mais fácil do que eu pensava.

-É que você não o viu ainda. - Thales suspira. - Quando eu topava com o Jeremy por alguns cantos era terrível!

-Obrigada pelo auxílio, amor.

-De nada.

-Sabe. - Suspiro fundo. - Acho que não está tão difícil ainda porque eu não tive tempo de pensar em tudo isso! Hoje é segunda, nós terminamos sábado... faz pouco tempo.

-Só promete que não irá reprimir nenhum sentimento? - Ele pega minha mão e eu o encaro. - Promete?

-Vai aguentar meus choros?

-Sim, sempre. Irei aguentar e chorar junto! Eu amo você, pequena.

-Ele me chamava assim. - Olho para a parede e Thales aperta mais a minha mão.

-Parei, não está mais aqui quem falou. Vamos ao trabalho.

O dia passou tão corrido que não deu tempo de pensar em praticamente nada. Recebi uma ligação da baba dizendo que a Bê estava manhosa, e que dormira por muito tempo, logo vi que minha noite vai ser bem longa. Lisa já estava em casa quando liguei novamente para a baba, e ela disse que Bê já estava acordada olhando desenhos na televisão. Aliviei-me, pois de inicio pensei que minha garotinha estava doente, e mais essa sobre mim não daria certo.

Sai do escritório morrendo de fome, convidei Thales que recusou ir  até uma lancheria comigo, então fui sozinha. Pedi um café descafeinado, um bolinho recheado e um copo de salada de fruta. A salada de fruta foi somente pela aparência, minha boca salivou, então peguei para comer depois.

Rapidamente terminei a comida e encarei o trânsito de volta para a minha casa. Não estava dos piores como pensei que estaria, então logo já cheguei. Subi para a casa, limpei os pés no carpete por mania e abri a porta.

Bruno estava sentado no sofá segurando minha filha, ela ria e o olhava maravilhada. Lisa estava passando para cozinha quando me viu e deu meia volta. Bê deu um gritinho quando ouviu o barulho da chave e da fechadura quando fechei a porta. Ele me olha e sorri.


Eu não tinha pensado tanto nele assim, mas agora parece que ficou pior. Descobri o que é minha criptonita: seu sorriso!

-Que surpresa, boa noite. - Digo tirando a bolsa do ombro e largando no sofá oposto ao que ele estava sentado. - Boa noite minha vida. - Beijo a testa da minha filha e Bruno fica me encarando quando meu rosto passa bem rente ao seu.

-Boa noite? São sete horas apenas. - Ele ri quando olha para o relógio. Vejo um capacete ao lado do sofá.

-Passei no café para comer algo, somado com o trânsito. - Torço os lábios. - Resolveu arrancar a moto do Ryan? Pobrezinho.

-Ah, aquilo. - Bruno olha rapidamente para o capacete e me encara enquanto eu sento. - Tirei o pó dela um pouquinho.

-Ah. - Rio dele e minha filha suspira, como se estivesse cansada. - Cansada meu amor? - Pergunto.

-Muito. - Ele responde e leva uma das mãos a boca. - Força do hábito. - Eu rio e ele também.

-Dormi mãe. - Ela diz confusa e fecha os olhinhos se encostando no ombro do pai, mas logo os abre.


-Já vi que alguém vai capotar...Já dormiu o dia inteiro, não é?

-Ela não está doente?

-Não, pelo menos tenho quase certeza que não.

-E vocês precisam de alguma coisa, ela precisa de fraldas? Roupas,   algo assim.. comida?

-Bruno, hey, calma! De sábado pra cá quase nada mudou. - Bruno ri sem graça e eu sorrio. - Ela e eu estamos bem, se caso precisarmos nós avisamos.

-É que pareceu mais tempo, a casa parece um cemitério... silenciosa.

-Está nos chamando de barulhentas? - Arqueio a sobrancelha mudando o assunto para outro lado da corda bamba.

A conversa foi mais tranquila do que eu pensei. Em nenhum momento, assim como na mensagem, ele falou de nós dois. Procuramos manter a conversa no nível de amizade, e nós conseguimos isso com sucesso. Não vai ser tão difícil isso, só falta o meu coração desapegar um pouco mais, porque deixar de ama-lo é impossível.

Nossa filha adormeceu nos braços dele, e ele mesmo a pôs no quarto para dormir. Comentei que já iria arrumar minhas coisas e dormir também, afinal amanhã é mais um dia de serviço, ele entendeu minha indireta. Não que eu o quisesse fora dali, ou não quisesse mais conversar com ele, mas eu precisava tomar um banho, por o meu pijama e dormir.

O acompanhei até a porta e a abri pra ele. Isso me lembra quando nós tínhamos a recém engatado num romance, quando ele me pediu em namoro e nós ficávamos enrolando para nos despedirmos. Mas não ouve enrolação dessa vez.

-Boa noite Nick, qualquer coisa me ligue.

-Boa noite Bru, digo o mesmo! Fique com Deus. - Me aproximei para um beijo no rosto, mas nem eu nem ele viramos. Demos um selinho rápido, e pra ele pareceu extremamente delirante, enquanto pra mim, praticamente mortal. Sei que passarei boa parte da noite e do dia pensando nisso e pensando nele.


4 comentários:

  1. Ahh, esse dois <3 que esse selinho faça com que eles se acertem logo <3

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  2. Awwwwwwwn *-* essa foi a minha reação quando eles deram um selinho.. que fofos cara, não adianta eles foram feitos um pro outro haha
    Amei o capítulo, fiquei feliz rs continueee bju :***

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  3. AHHHHH
    EU
    TO
    SURTANDOOOOOOOOOO CARACA DRI UM SELINHO. MEU DEUS ISSO FOI TIPO DEMAIS. ISSO FOI (PRA MIM PELO MENOS) UM FLASHBACK DO COMEÇO DE TUDO AI MEU CORAÇAO. CONTINUA TIPO PRA ANTEONTEM POR FAVOR

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  4. 3 letras, uma palavra, uma alegria: HOT

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