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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Vinte e quatro - Parte 2

(Escute a partir daqui)

Já no sábado pela manhã eu não conseguia ter muitos pensamentos. Apenas sentei-me na frente da escrivaninha ás sete horas da manhã e num pedaço de papel escrevi sobre muitas coisas.

Não pude ir para Nova York, eu e o Bruno não brigamos, mas eu tenho que fazer o que é preciso, e se eu fosse talvez perderia a oportunidade.

No quarto minha filha ainda dormia tranquilamente, então foi o momento que aproveitei para tirar a pequena caixa que ainda estava  e levar junto com ela a bolsa da Bê. Restara apenas os móveis, e a roupinha que iria colocar nela assim que fossemos sair.

Lisa, Thales e Pres se propuseram a ajudar com as coisas. No carro da Jaime, que a Lisa vai dirigir, ela e Pres levaram as caixas maiores, e no meu irá algumas coisas e o Thales junto cuidando da Bê, e eu dirigindo. Estava tudo planejado.

Entrei para o banheiro, talvez a última vez que tomara banho naquele grande e espaçoso banheiro. Quando escovei os dentes, olhei para a pia do lado da minha na qual ele sempre usa, olhei através do espelho esperando enxergar a imagem dele ali, sorrindo e escovando os dentes, como é sempre que estamos bem, como era logo que nos mudamos.

Calcei meus sapatos assim que já estava com a minha calça. Desativei todas as minhas redes sociais ontem à noite, tenho apenas o celular como contato agora. Verifiquei se tudo estava em boas condições antes de acordar minha filha. Arrumei a cama do nosso antigo quarto e sobre ela coloquei a carta, eu sei que ele virá ligeiramente para o quarto, nas suas roupas confortáveis, nos seus chinelos de pelos!

-Minha princesa, vamos acordar. - Passei a mão sobre o seu rostinho, sua bochecha estava bem quentinha diferente da minha. Ela vira para o lado resmungando algo e eu pude perceber, como sempre soube, que ela sim tem mais do Bruno do que de mim. Não só fisicamente, emocionalmente e até dormindo faz as mesmas coisas que seu pai. Dei uma pequena gargalhada e ela pisca os olhos sonolenta. - Filha, precisamos ir daqui a pouco. - Insisto e ela abre os olhos quando a pego no colo. - Desculpa meu amor. - Observo seu rostinho tristonho olhando pra mim.

Troco sua roupa enquanto para distrair, ela brincava com seu inseparável leãozinho. Calço sua sandália e a levo no colo para a sala. Ponho minha filha sentada no sofá e ela me olha, dá um sorriso e leva sua mãozinha até meus cabelos presos num rabo de cavalo. Será que ela sabe/sente que eu estou triste? Que o que eu estou fazendo é para o bem de todos nós? Será que um dia ela vai entender o meu lado?


-A mamãe te ama! - Beijo sua perninha de fora e ela ri para mim.

-Ama. - Repete e eu ouço a campainha. - Ó. - Ela levanta o dedinho falando sobre o barulho.

-A campainha meu amor. - Eu devo ser a mãe mais emotiva que existe no mundo, porque a cada coisinha nova que ela faz, eu tenho vontade de chorar.

Andei até a porta e vejo duas sombras.

-Chegamos! - Avisa Lisa.

-Não perdi a visão. - Digo e ela manda seu dedo do meio.

-Mas perdeu o humor.

-Tudo bem? - Pergunta Pres dando um beijo em minha bochecha.

-Na medida do possível, sim. - Respiro fundo.

-Onde está minha pitoquinha? - Pergunta Lisa já entrando em direção da sala. Pres a segue.

-Não sabem do Thales? - Pergunto.

-Ele avisou que está vindo, acordou tarde!

-Não seria o Thales se não acordasse tarde. - Balanço a cabeça rindo.

Thales não demorou para chegar, e aí foi a parte mais difícil, carregar as caixas com roupas pesadas para o carro da Jaime, que estava todo aberto, enquanto eu tomava um café aguado que fiz na pressa. As meninas pediram licença e foram em direção do apartamento da Lisa, mais tarde buscaríamos as coisas do Thales - e sim, eu o convenci a morar com ela, opa, agora com nós.

-Posso ir levando ela para o carro? - Thales pergunta, eu sei que ele só quer um pretexto para e deixar sozinha.

-Claro, já está tudo lá? - Pergunto.

-Tudinho.

Agradeci à ele e caminhei até a frente da lareira, onde tem três porta retratos, inclusive aquele que está eu e ele no nascimento da Bê, mais um onde ele está somente com seus irmãos, sua falecida mãe e seu pai, e outro é de uma noite de festa, eu ainda estava grávida, e estava todo mundo na beira da piscina, rindo e bebendo. Todas as fotos são lindas e de momentos preciosos, momentos que eu prezarei para o resto da vida, momentos que eu dava tudo para poder ter um replay.

Passei a mão sobre o do nascimento da nossa filha, ainda somos aquele mesmo casal daquele dia feliz? Fecho os olhos e tento imaginar como será daqui pra frente, mas é praticamente impossível.

-Não queria ir embora assim. - respiro fundo tentando conter alguma lágrima que pudesse cair. Eu que quero assim, eu tenho que ser forte. - Não queria ir embora. - Passo os olhos sob o teto, vejo o sofá, a lareira novamente, a cortina. Ando em frente vejo a entrada da sala de jantar, a cozinha, a porta de vidro, o corredor que dá aos quartos, o lustre, as plantas. São tantas lembranças!

Passo a chave na porta, aciono o alarme e a ponho embaixo do tapete - quer coisa mais clichê que isso? Mais uma vez, tomo coragem, respiro fundo e ando em direção do meu carro.

Abro a porta e tiro a chave da minha bolsa.

-Está tudo bem? - Pergunta Thales pondo a mão sobre o meu ombro.

-Mãe. - Bê chama minha atenção.

Sorrio para ambos, meu sorriso tem verdade, porque pode não estar tudo bem agora, porque é difícil abandonar um lugar onde você tem tantas boas lembranças, mas vai ficar tudo bem, isso que eu estou fazendo é para o nosso bem.

-Está. - O sorriso partiu até do meu olhar, então Thales sorrio e acenou com a cabeça. Dei a partida no carro e fomos para nosso ponto: minha nova antiga casa!

(Pode parar aqui)

***

-Eu preciso comer algo, antes que eu ataque a mamadeira da Bê. - Lisa levanta da poltrona passando a mão na barriga.

-Por mim vamos comer algo. - Thales opina.

-Eu não irei fazer comida. - Sai em minha defesa.

-Nem eu! - Lisa olha para Thales.

-Podemos comer no restaurante italiano, faz tempo que não saímos assim mesmo. - Ele cruza os braços e eu olho para Pres.

-Vamos com nós, não é? - Pergunto e ela torce os lábios rapidamente.

-Sabe o que é, eu combinei que almoçaria com o Kealoha. - Ela torce os lábios mais uma vez, mas depois de encarar meu rosto, ela sorri e balança a cabeça. - Eu almoço todos os dias com ele, hoje eu posso faltar. - Ela ri.

-Ok, então vamos!

Decidimos irmos no mesmo que sempre vamos, mas como é sábado nós já suspeitávamos que muitas pessoas iriam almoçar fora, o que era ruim, pois no fundo sabíamos que nós não teríamos escolha em irmos para outro restaurante. Então pegamos nosso rumo para Venice. Iríamos ao Del Piccolo.


Pegamos a mesa no lado de dentro, que são as maiores mesas do restaurante, então pedimos a cadeirinha para por minha filha e nos instalamos. Sentei ao lado de Pres e Thales e Lisa a nossa frente. Fizemos nossos pedidos, eu pedi o que eu sempre amo comer, e só de lembrar a saliva vem ao dobro em minha boca: tagliatelle à bolonhesa. Ao acompanhamento foi um suco de laranja natural, já que vinho eu não posso beber já que estou na direção. Não que eu não quisesse, pois vinho de safra antiga, boa marca e ainda por cima italiano, são um dos melhores.

-Poderíamos ter trazido nossos biquínis. - Lisa lamenta ao olhar pela janela o belo dia que fazia lá fora.

-Verdade, eu amaria tomar banho, pegar um sol, hoje! - Pres também olha para a janela.

-Bê foi poucas vezes a praia, ela nasceu no inverno, e quando deu o verão ela era pequena demais para entrar na água, aí só entramos com ela até a beira. - Comentei e Thales ri.

-Então vamos aproveitar que estamos aqui. - Ele diz.

-Mas ninguém trouxa nada. - Choramingo.

-Vamos pegar... - Todas nós olhamos para Thales, não seria má ideia.

-Então vamos vir amanhã. -Digo com calma.- Ninguém tem pressa, aí podemos vir mais cedo, trazer nossas coisas, aproveitar mais.

As comidas vieram para a nossa mesa, atraquei meu prato enquanto falávamos sobre outras coisas, assim que terminei, ajudei a Bê a usar a mamadeira - ela sabe segurar, mas cuidado a mais não é problema. Meu estômago estava girando dentro de mim, parecia que eu estava com azia, com algo assim, mas não era isso. Senti uma bola parar no meio da minha garganta.

-Licença. - Peço arredando a cadeira. Ouço o chorinho da minha filha assim que saí, mas eu não poderia voltar ali, precisava chegar ao banheiro.

Quase que literalmente abracei o vaso, vomitei tudo o que tinha e o que não tinha, que é a pior parte, aquele sulco gástrico horrível, com gosto de água de esgoto. Quando achei que iria parar, ouço o barulho na cabine ao lado e ouço também um barulho nojento vindo do vaso, vomitei mais uma vez, mas por nojo.

Saio da cabine, passo água no meu rosto e de repente os meus pensamentos no Bruno tinham sumido enquanto estava vomitando, mas, agora voltaram. Ajeitei meus cabelos e passei água na boca, logo depois jogando-a fora.

5 comentários:

  1. Huuum! Pensei que já ia saber o que ela tem! Mas VC só me deixou mais curiosa aaarg! Kkk

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  2. Ahh sempre me deixando curiosa poxaa, tenho meus palpites pra esse enjoo em haha.. Que um dia tudo se resolva né, pelo bem de todos.
    Só pra constar euuu amo sua fic, ainda mais a 2° temp. Bjsss :*

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  3. Mas então, tá afim assim de ter filhos Dri? As duas fics elas estão grávidas, meu Deus, eu que amo criança e tu que engravida todo mundo! uahsuhauhsuahuhsa.
    E eu já sabia, e já sei do próximo, e mesmo assim quero mais! Beijos! <333333

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  4. amei a decisão dela... so que é muito triste ela deixar ele assim. Nossa na hora que ele chegar em casa meu Deus ele vai pirar... to amando a possibilidade de que ela tenha mais um bb e o pior parece que ele não vai estar perto para acompanha a gravidez e vai doer muito nos dois principalmente nele porque ele ama criança!! beijinhos posta mais

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  5. Adorei o capitulo!!!!! Adoro sua fic!!!!! Adorei atitude da Nick, acho que agora o Bruno acorda e ve que está perdendo as mulheres da vida dele!!!! Bjus

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