-Eu não tenho esse tipo de problema. - Thales balança a mão, mais ou menos como se dançasse single ladies.
-Minhas unhas crescem rápido, mas eu não posso deixar por muito tempo. - Apontei para Bê que olhava para nós sem nem saber o porque estávamos falando e nem sobre o que.
-Eu odeio as minhas, elas crescem bastante, mas parecem garras. Unhas masculinas. - Pres revira os olhos terminando a sua água de coco.
A conversa parou em tantos assuntos depois que almoçamos. Me afastei de todos para atender o celular, mas minha filha curiosa e cuidadosa, ficou me observando de longe, enquanto atendia o telefone.
-Se eu não ligar, ninguém mais liga. - Minha mãe reclama. - É uma beleza.
-Mãe, me desculpa. Sei que não tenho desculpas dessa vez, acabei esquecendo.
-Nicole, você nunca esquece das coisas... deve ser a pressão do trabalho e da bebê, sim?
-Deve ser mamãe. - Repouso a mão na cabeça e rio da preocupação dela. - Mas vamos falar de vocês, como estão?
-Bem, ah Nick, eu e seu pai temos uma saúde de ferro! - Ela ri e da um pequeno espaço para continuar. - Sua tia que esteve mal esses tempos.
-A Zeli? - Pergunto arqueando a sobrancelha.
-Sim, ela mesmo. Sabe que ela não larga a bebidinha do final de semana, ai da sempre nisso.
-Bebida. - Falo com desdém. - Mas ela já está bem?
-Já sim, muito bem! E aí minha filha, como está a pequena? - Ouço sua voz mais fraca. - Faz tempo que não vem nos visitar.
-Mas vocês podem vim pra cá, morar aqui! - Bufo, brava pela insistência da minha mãe. - Não vou insistir nisso. A Bernadette está bem, sapeca como sempre e muito esperta.
-É minha pequena, você era assim também, Nick. Ela tem um gênio bem parecido com o seu em alguns aspectos.
-Mas é a cara do Bruno. - Ouço meu pai falar.
-Chega pra lá, depois você fala com ela. - Minha mãe diz e meu pai resmunga algo, mas logo eles começam a rir.
-Vocês dois, hein. - Dou risada deles e passo a mão pelo rosto.
-Onde você está filha, em casa?
-Não, estou na praia, aproveitando o dia bonito.
-Deixa eu falar com a minha netinha.
-Mais tarde eu te envio um vídeo dela, mãe! - Rio dela e ela ri de mim. Observo a Bê de longe que volta e meia me olhava. O que vai ser dela filha de dois ciumentos e doidos temperamentais. - Ela está tão linda, mãe.
-Eu sei filha, eu sei. Ela é linda. - Ouço a sua respiração funda. -Nicole, abre o coração, o que houve?
-Nada, mãe.
-Quem não te conhece, que te compre, Nicole! - Ela bufa. - Brigou com o Bruno?
-Não, nós estamos bem como amigos.
-Que história é essa, Nicole?
-Nós terminamos mamãe. Eu acabei saindo daquela casa...
-Como é? Você não pensa, Nicole. O que aconteceu pra ter terminado assim? Aí meu Deus, e a Bê, como é que ela vai viver sem os pais juntos, isso é muito ruim minha filha.
-Mãe. - Tento chamar a sua atenção para falar, mas ela continua falando tudo o que eu já pensei há tanto tempo antes de fazer isso, antes de dar um ponto final nisso. - Mãe. - Ela continua, desandou a falar mais e mais.- Mãe, deu! Para. Eu não vou continuar conversando com a senhora desse jeito, estou num restaurante! - Falo em tom autoritário.
-Desculpa filha, mas você pensou bem antes de fazer isso?
-Pensei mãe, eu pensei por meses, pensei em tudo que a senhora disse, pensei! - Falo já impaciente, meu sangue estava fervendo. - Desculpa, não quero ser ignorante, mas eu sei o que eu estou fazendo -ou acho que sei.
-Tudo bem, tudo bem. Te ligo mais tarde, então. Manda um beijo para minha bebê e um pra você, eu e seu pai lhe amamos, vamos deixar você aproveitar a praia.
-Tudo bem mãe, beijos e boa tarde. Amo vocês.
Desliguei o telefone, meu sangue já estava fervoroso, consegui me irritar com bem pouquinha coisa, o que é que está acontecendo comigo mesmo? Ando em direção da mesa e eles riem e conversam alto.Sentei-me com as pernas cruzadas e passava o celular de uma mão para a outra, até que, sem querer, desligo uma possível ligação de alguém.
-Droga. - Falo baixinho procurando no celular de quem era.
Quando vi que a chamada perdida era do Bruno, meu coração gelou. Ele já está em casa, ele já olhou que eu não estou mais lá, ele já deve ter ficado bravo comigo, mas eu pedi para ele não me ligar. Bufo colocando nas mensagens e direcionando uma à ele.
"Oi, desculpa desligar assim, mas quando peguei ele sem querer desliguei, sou uma tapada! hahaha"
-Depois de almoçar, conversar, e tomar um milk shake, eu vou dar um último mergulho. - Lisa estica as mãos para cima.
-Vou junto, tenho que aproveitar o dia de hoje, sem namorado, sem filhos... como será que estão meus bebês. - Pres fica pensativa ao extremo quando toca no assunto dos cães.
-O Ke deve estar cuidando deles. - Assente Thales. - E você, saiu muda e voltou calada... o que houve? - Ele passa a mão no meu braço de leve acariciando.
-Mãe! Me colocou a bronca pelo que eu fiz, ai já me estressei. - Torço os lábios e ele faz o mesmo gesto.
-Quando você explicar direitinho pra ela, ela vai lhe dar razão.
-Assim espero.
O celular vibra, mas estamos saindo da lancheria, então deixo para olhar quando estivermos lá fora. Lisa pega Bê no colo, que está fervendo para ir ver a água novamente, e Pres olha as horas em seu celular e Thales fica ajeitando os óculos no alto da cabeça.
"Foi nada, eu vi pelas fotos que a Pres postou que você está na praia... divirtam-se ai, e se precisar de algo me avisa."
Ele não tentou nada, ele não disse que nós precisávamos conversar, ele não falou absolutamente nada do que aconteceu e está acontecendo. Eu também não sei se queria que ele falasse algo, porque eu pedi para ele não falar, mas pensei que ele tentaria. Uma parte de mim ficou frustada, a outra feliz porque ele respeitou minha decisão, mas depois do que li na mensagem, parece que aquele aperto no peito voltou do zero ao cem, e piorou. Sou a pessoa mais estranha desse mundo, aliás eu tenho que ser assim, eu sou mulher.
-Você não vem? - Pergunta Pres enquanto vai andando da areia para o mar.
-Não, obrigada. - Agradeci e voltei aos meus pensamentos, dessa vez sozinha.
Meus olhos marejaram em lágrimas teimosas para cair, lágrimas que queriam descer a qualquer custo, e tudo isso porque eu amo o Bruno, e quero ficar ao lado dele, mas não posso porque simplesmente viver aquela vida, daquele jeito, não dá mais. Eu realmente espero que ele seja feliz.
Bobagem, eu quero que ele seja feliz ao meu lado.
Mas fui eu quem quis que tudo acontecesse assim, então eu tenho que aceitar caso ele tenha algo com aquela vadia.
Eu quero, mas não quero. Tenho que dar o melhor para minha filha, e está mais fácil dar o melhor com nós separados do que brincando de casinha fingindo que está tudo bem, porque não está mesmo! Pego meu celular para dar uma navegada no google. Ele está mais rápido, agora sem os aplicativos das redes sociais que eu usava antes, então o google rapidamente abriu. Pesquisei várias frases e trechos de obras literárias. Até isso eu perdi, meu bom e velho hábito de ler. Antes eu devorava um livro em segundos, e agora, eu não sei como terminar três páginas sem me preocupar com o serviço, com dar atenção para minha filha, e atenção para meu namorado. Ex namorado.
“Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”
Algumas coisas que lemos, vemos, ouvimos, se encaixam tanto em nossa vida, que nós ficamos assustados. Esse pequeno trecho, por exemplo, de um poeta brasileiro, me descreve completamente. Eu queria ver no Bruno uma pessoa perfeita, mas eu conheci ele com todos os defeitos e ele conseguiu me amar mesmo eu tendo um caminhão de defeitos também. Eu consegui conviver com todos os defeitos de um garoto perfeito, e agora eu estou idealizando uma família estilo comercial de margarina, mas não estou pensando que eu conheci ele assim.
Talvez a melhor escolha que eu tenha feito, foi essa, foi abandonar aquela casa, deixar tudo o que tínhamos na mais perfeita amizade, porque assim nem eu, nem ele e nem nossa filha fica pensando nos problemas de brigas e discussões. Agora ele é um homem livre para fazer as escolhas dele, para aproveitar o tempo que quiser fora de casa, bebendo, dançando, sem ter que me dar satisfações quando chegar em casa.

AI MEU DEUS! Dri, que triste, pare com isso! Eu sei que faz pouco tempo, tipo umas 48 horas ou mais dessa separação, mas na verdade, desde que a Be nasceu as coisas não são iguais, não que eu a culpe, longe disso, pelo contrário, mas no fim eu só quero que eles voltar, afinal, se é que me entende, não é apenas de 3 pessoas que eu falo! ;) auhsuha.
ResponderExcluirEu quero mais! E eu amei! <3333
Aiii que depre :((.. está tudo tão recente, mas ainda quero ver eles juntos *--* .. continuo com minhas espectativa emm haha bjsss
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