Não tive cara para ligar para Nicole. A sua imagem saindo pela porta do quarto do hotel deixando claro que nada do que tínhamos antes irá voltar, mexeu comigo. Por isso mudei alguns horários. Nessa semana que passou eu visitei a Bê duas vezes de manhã, e três vezes após o almoço. Horário que ela está com a baba, e eu não preciso ver a Nick. Sinto que devo respeitar o espaço dela, mas ao mesmo tempo tenho muita necessidade de falar com ela, saber como ela está se sentindo e como o bebê está. Então recebi uma grande ideia, contribuição da minha própria mente.
O número de Thales fica tanto tempo chamando, que quando penso em desistir, ele atende com a voz mais afobada. Não quero imaginar o que ele estava fazendo.
-Alô. - A voz levemente afeminada fala. Nada contra. Até gosto dele.
-Oi, sou eu.
-Bruno sua voz é bem reconhecível. O que quer? - Ouvi um pequeno barulho.
-Você estava ocupado? - Pergunto a ele.
-Um pouco. Na verdade estava fazendo alguns exercícios, pretendo voltar a acadêmia, mas isso não vem ao caso. Aconteceu algo?
-Queria conversar com você sobre a Nick...
-Ah, eu deveria imaginar.
-Como ela está?
-Muito bem de saúde... - Sua frase saiu praticamente sem término.
-Só de saúde?
-Bruno, eu não posso mentir, ela precisa de você, e se vai conforta-lo, ela sente a sua falta mais do que imagina. Mas ela não quer tocar no assunto, ela está fragilizada.
-Você não sabe mesmo como eu estou, não é? - Pergunto e encaro eu silêncio como uma resposta. - Eu estou um caco! Não vejo graça nas coisas. Los Angeles é um lindo lugar, mas perde a cor quando ela não está do meu lado. Era ela quem fazia a minha vida, e eu me arrependo...
-Hey Bruno, desculpa, mas essas coisas você deve falar a ela. Acho lindo essa sua atitude, e eu sei que você ama ela, assim como ela ama você. Mas tem razão quando diz que vacilou.
-Eu a quero de volta, eu quero ela, meus filhos, quero minha vida. Mas eu não sei como posso fazer isso. - Digo chorosamente.
-Eu também não sei como vai fazer isso, mas tenho certeza que se seguir seu coração, vai conseguir.
Seguir meu coração? A questão não é o meu coração, é o coração dela que me impede de estar ao lado dela. Já prometi que nada vai ser como antes, eu irei ser melhor. Jaime e Phil me disseram a mesma coisa, mas eu estou mais perdido do que antes.
-Bruno?
-Estou com medo de falhar, com medo de nada voltar. Eu a quero. Eu preciso dela.
-Não fale isso pra ela agora, não ouse! - Ele adverte. - Ela precisa de paz por enquanto, a gravidez pode trazer complicações, e eu e nem você queremos isso.
-O que eu faço então?
-Dê um tempo, e pense numa forma de impressiona-la, dela acreditar realmente que você mudou por ela.
-Como faço isso?
-Você tem tempo para pensar.
-Você pode me ajudar com algo? - Peço e ele ri.
-Eu irei ajudar com tudo que puder. Vocês juntos podem ter momentos vacilantes, mas separados são piores. Eu gosto de você Bruno, você faz bem a ela, e entendo esses momentos que você quer mais solto. Mas isso terá que acabar, para o bem dos dois, ok?
-Eu estou disposto!
-Então fique tranquilo, tudo vai se ajeitar. - Ele me tranquiliza. - Ponha um sorriso no rosto, e encare isso como um SPA. Nick está bem cuidada.
-Tudo que você souber me diga, ok?
-Ok.
-Hey, quando será a primeira ecografia?
-Daqui duas semanas... eu vou com ela, e eu gravarei pra você, tudo bem?
-Você não existe! Eu te amo, cara. Cara ou... esquece. Obrigada por tudo.
Desligo o telefone assim que ele se despede. Por incrível que pareça, ele me deixou tranquilo, ele mostrou que tudo tem um lado melhor e ele acredita no meu amor por ela, é o que mais me importa. Meu objetivo é conseguir convence-la de que ao meu lado é o melhor lugar para ela estar, e que eu a amo profundamente.
Nicole Pov's
Acordo pelo sábado gritando. Assustei minha filha que acordou chorando pelos meus gritos. Silencio ela dizendo coisas bonitas, e batendo levemente em seu bumbum para ninar ela novamente e faze-la dormir mais um pouco. Está cedo, na base de 6 horas da manhã. Quando minha princesa pega no sono, eu me deito olhando para o teto. Tive um sonho ruim, eu não conseguia falar, mas Bruno estava trancado no quarto e quando eu faço a volta na casa para espiar pela janela, ele estava sentado numa cadeira, olhando para a parede branca, estático, nem piscava. E junto dele estava aquela maldita criança que sempre me assombra nos sonhos. Eu gritei com medo do que pudesse acontecer com ele.
Eu não consegui esquece-lo, e creio que isso não será possível. Não vai ter um dia que eu não lembre dele, até porque eu tenho dois filhos dele. Mas eu já me separei dele sabendo que nada seria tão fácil assim, eu já sabia que ia ser complicado, mas tende a melhorar. Um dia melhorará cem por cento, talvez.
Perdi o sono completamente, então levantei, fiz uma pequena barreira com travesseiros e cobertas nos dois lados da minha filha e andei pouco até chegar na sala. Estava tão acostumada a andar um corredor bem comprido para chegar na sala da casa do Bruno, e aqui é simplesmente sair da porta do meu quarto e dar uns passos pra frente. Peguei um copo de leite na cozinha e liguei a televisão bem baixinho, depois de tomar, repousei minha cabeça na guarda do sofá e fiquei olhando televisão.
Ouço passos na casa, movimento e a luz que invade as janelas clareando a sala. Lembro que dormi na sala. Sento-me no sofá, passando a mão nos cabelos embaraçados e bem armados, depois passo-as no rosto e por fim na minha barriga, dando bom dia para meu pequeno, ou pequena.
Olho pra cozinha e não há ninguém, mas eu tenho certeza que ouvi passos. Caminho afinco até o quarto para certificar que minha filha estava bem. Antes de chegar na porta, escuto duas vozes masculinas que reconheço de imediato: Bruno e Thales. Apareço na porta tentando ajeitar o cabelo e ele me olha de primeira, passando o olhar diretamente para a barriga.
-Bom dia. - Digo fazendo um coque bem mal-feito. - Amor da mãe já acordou? - Estico os braços, sorridente, para minha filha, mas ela olha para o pai e fala coisas que não dão para entender.
-Bom dia. - Os dois respondem.
-Ela já mamou? Ou está acordada a muito tempo? - Pergunto diretamente para Thales que gagueja enquanto olha para eu e para o Bruno.
-Eu preparei a mamadeira dela, e já dei. - Bruno responde. - Posso leva-la pra casa das minhas irmãs?
-Ah... claro. - Respondo receosa. Difícil vai ser passar um final de semana longe dela, muito difícil.
-Elas convidaram vocês pra festa que vai ter à noite, lá na casa da Tahiti e da Tiara. - Bruno meio que dá de ombros.
-Nós iremos. - Respondo rápido.
-Ok. - Acho que ele não esperava uma resposta positiva.
-Vou fazer café. - Thales se some como vulto do quarto e Bruno retorna ao que iria falar.
-Tem como arrumar a malinha dela?
-Vai leva-la mesmo assim? Pensei que fosse só pela festa...- Justamente por isso concordei em ir.
-Vou. Vou dar um passeio com ela de tarde, e depois da festa vou leva-la pra dormir comigo.
-Mas você sabe fazer as coisas? Você tem nojo de trocar fraldas e não pode deixa-la muito tempo com a mesma, senão ela se assa. - Falo preocupada com o que poderia acontecer, mas eu sei que ele é um bom pai.
-Eu sei de muitas coisas, Nick. Calma. - Ele ri brincando com a Bê em seu colo. - Você já foi ao médico? - Ele olha discretamente para a barriga.
-Ainda não, vou essa semana. - Respondo.
-Por favor, quando tiver a primeira ecografia, deixa eu ir? - Pergunta ele encostando de leve no meu braço, meu corpo inteiro arrepiou-se.
-Nós ainda vamos conversar sobre isso, ok? - Ele responde assentindo.
Bruno Pov's
Foi uma luta para sair de casa. Bê é apegada a mim sim, mas quando viu que eu saí pela porta somente com ela, e que sua mãe ficou pra trás, ela chorou e berrou pelo corredor, se debatendo para sair do meu colo e ir para o da mãe dela. Nick teve que descer conosco até o estacionamento. Fizemos algumas "voltas" na minha filha para que ela se acalmasse, e somente quando demos seu urso e ela se distraiu com ele, Nick pôde subir e eu dar continuidade onde queria ir.
Ficava observando minha filha pelo retrovisor, ela dizia algumas coisas e balançava a cabeça, e quando olhava para o espelho e via meu reflexo, ela gritava feliz. Minha princesa está crescendo tão rápido. Daqui a pouco ela não vai precisar mais de nós para ir ao banheiro - não que ela vá ainda, mas quando começar a ir -, não vai mais precisar que demos banho nela, nem pormos ela em seu berço para dormir. Vai ser tudo mais fácil, mas ao mesmo tempo mais complicado. Talvez não terei mais os carinhos que ela nos faz, nem mesmo sua companhia para algumas coisas, ela vai querer encontrar a sua turma e pode até ter vergonha de andar com nós pela rua, para não pagar "mico".
Estacionei em Venice Beach. Passeei pelas calçadas com ela no seu carrinho rosa, ela sorria para todos que nos olhavam, e eu evitava parar muito. Apesar que meu boné tapando quase meu rosto, não dava para perceber exatamente de quem se tratava, então não teve tão assédio como eu pensei que teria.
Comprei o presente da Tiara, e comprei algumas coisinhas para minha filha, coisas básicas, e então peguei um pequeno casaquinho branco para meu outro filho ou filha.
++++
-Cuida da minha filha. - Grito para a maluca da Tahiti que a pega no colo e corre pela casa, fazendo a Bê gargalhar alto. - Quer ajuda? - Pergunto a Jesse que estava com algumas caixas de bebida.
-Pensei que não iria se oferecer. - Ele apontou para as caixas que eu deveria pegar e eu ri.
Colocamos muitas caixas no freezer e aproveitamos para ajeitar as caixas de som na parte de fora da casa, a festa hoje seria no deck perto da piscina. Setembro não é um mês tão frio assim, então depois que alguns já estiverem bem mal da bebida, talvez se atirem.
-Tio, brinca comigo? - Pede Zyah piscando os olhos devagar.
-Vai gastar toda a energia agora e mais tarde não terá para brincar com o resto das crianças. - Passo a mão no seu ombro, me abaixando para ficar do tamanho dele.
-Eu queria entrar na piscina, mas o pai não deixa. - Me confundo quando ouço ele falar pai. É estranho, porque para mim o pai dele é o Jason, mas o Billy que praticamente o criou e é o atual namorado da Tahiti, então me confundo bastante. Olhei para o Billy que estava ajeitando algum banco.
-E se eu sem querer te jogar na piscina? - Pisco pra ele, que ri e comemora.
Pego meu sobrinho no colo, pesado, e o levo para a beira da piscina. Pergunto alto, dizendo pra ele nunca mais fazer tal coisa, mas ele não tinha feito nada, era apenas um grau para eu poder ter um porque o colocar ali. Óbvio, eu não iria toca-lo de verdade.
-Não ouse tocar meu filho na piscina, cabeça de bigorna. - Tahiti aponta em nosso lado, sem minha filha nos braços.
-Pequena águia, abortar missão, câmbio desligo! - Digo para Zyah e o coloco em pé ao meu lado. - Onde está minha filha?
-Sendo babada por muitas mulheres, acredite! - Ela aponta com o polegar sob os ombros. - Christina chegou junto do namorado e o Eric.
-Pessoal chegando cedo, hein. - Cruzo os braços.
-Que mal te aflige, Bruno? - Ela chega mais perto de mim e meu sobrinho corre para onde seu irmão está.
-Nicole... - Não sabia se deveria contar ainda que ela está grávida novamente, então me calei.
-Ela vai vir?
-Disse que sim, tomara que venha. - Sorrio de lado e ela coloca uma mão no meu ombro, um gesto de carinho.
Pelo menos eu imaginava que seria um gesto de carinho. Mas mudei de ideia quando a água tomou conta do meu corpo, e eu me debati para voltar a superfície. Gritei que iria matá-la enquanto ela ria divertidamente, e Billy, ah Billy, gravava num canto tudo. Isso foi planejado. Não vai ficar assim. Mas acabei rindo com todos, porque realmente, fui pego de surpresa.

O Bruno tem que pedi-lá em casamento logo.
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