Páginas

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Onze - Parte 2

O caminho foi todo assim, ficamos falando do Bruno, de mim, do serviço. Parece que foi longo, mas foi rápido. As meninas desceram cambaleando de sono do carro e seguiram para suas casas, eu me despedi do Thales e assumi a direção. Eu estava bem, não tinha bebido e também não estava com sono. Afinal, quando se tem uma criança em casa você cria resistência ao sono incrivelmente e qualquer barulho por mínimo que seja, se torna um rugido alto.

Estacionei o carro e abri a porta. Aparentemente estava todos dormindo, até eu olhar para a sala com a televisão ligada e uma lata de refrigerante perto do sofá. Caminhei para a cozinha e descasquei uma banana. Comi ela rapidamente e fui até o quarto da Bê.

Abri a porta e cheguei próxima do seu berço, eu coração voou do meu peito quando eu não à vi ali. Primeira coisa que passou na minha mente: aconteceu algo com a minha filha. Saí atordoada do quarto dela e abri a porta do meu não me importando de acordar o Bruno.

Me deparo com uma cena inusitada: Bruno está deitado, dormindo de lado e Bê está dormindo a sua frente com o seu pequeno leão de pelúcia ao seu lado. Ambos estão tapados até o peito e Bruno não faz nenhum barulho para dormir, mas se mexe quando eu abro a porta. Fiquei contemplando a cena dos dois, pai e filha dormindo.


Ela tem coisas parecidas com ele, fisicamente é mais comigo, mas seu jeito é bem Bruno de ser. Sua voz que ainda está em formação é parecida com a dele, tomara que ela herde esse dom de cantar e encantar como seu pai tem. E mesmo os dentinhos sendo de leite por enquanto, sua carga dentária é bem parecida com a dele, o que significa que graças a Deus ela não precisará usar aparelho.

Quis me aproximar mais deles, me juntar para dormirmos juntos, mas fiquei com medo de chegar ali e ela ou ele acabarem acordando. Dei meia volta para sair dali, mas ouço sua voz meio rouca.

-Pode se arrumar pra dormir ali no closet? Eu não quero acorda-lá. - Diz ele. Respiro fundo e viro-me pra frente novamente.

-Tudo bem. - Fico pensando em nada somente olhando pra ele que parece não dar a mínima por eu estar ali. - Vou tomar um banho. - Digo sem a pretensão de avisa-lo, somente pensei alto demais.

(**)

Tomei meu banho e me vesti no banheiro mesmo, uma roupa quentinha. Arrumei minhas roupas que havia usado e pus tudo no cesto de roupas sujas. Enquanto estava no banho para evitar pensar no Bruno, pensei no meu serviço. Thales tem razão, eu não posso ficar nesse lenga lenga com o Bruno, vá que um dia nós viemos a terminar nossa relação, como eu irei me sustentar? Sustentar a Bê?

Prometi a mim mesma que amanhã, quando estiver mais descansada, irei pensar a respeito.

Me acomodo tentando não fazer barulho ao lado de Bruno que se esquiva ao máximo para o meu corpo não encostar no dele. Viro-me de costas para os dois e me cubro até o pescoço, pisco meus olhos tentando entender o que eu e ele estamos fazendo e simplesmente apago no sono.

Acordei e a cama estava vazia, parecia que ninguém havia dormido ali. Arrumei a cama e penteei meus cabelos e escovei meus dentes. Preciso ver minha filha, pega-la um pouco no colo, matar essa saudades que já está me matando.

Abri a porta do quarto dela e Bruno está lá, sentado com ela no colo de mau jeito, com a mamadeira em sua outra mão. De longe olho seus olhinhos brilhantes já entregando-se para um sono profundo, ela deve ter acordado cedo para dormir essa hora. Fiquei observando os dois. Bruno é um ótimo pai, um pai perfeito! Como eu o amo...

-Bom dia. - Digo tentando quebrar o silêncio xarope no nosso meio.

-Bom dia! - Sua voz seca me diz que ele não está confortável comigo.

-Bruno, vamos conversar sobre ontem... - Tentei uma aproximação andando alguns passos até onde ele estava, mas parei assim que vi seu rosto nada legal para mim.

-Vamos falar sobre a sua filha que estava ardendo em febre. - Sua raiva é cuspida nessas palavras.

-Ai meu Deus. - Coloco a mão sobre minha testa. - Ontem à noite isso? - Pergunto e me abaixo frente a ele para conseguir ficar na altura que Bê estava no seu colo.

-É, ontem enquanto você rebolava sua bunda em uma festa, ela estava aqui mal.

-Que isso! - Arqueio minhas sobrancelhas. - Será que você não me conhece, Bruno?

-E se eu não estivesse em casa? - Seu olhar estava apontando a culpa toda para cima de mim.

-Caramba, a baba estava aqui... e eu pedi para me ligar qualquer coisa que acontecesse.

-Ligar pra estragar a sua noite? - Ele fez uma cara nojenta. - Não, deixa, você precisa se divertir mesmo.

-E você precisa parar de agir como criança! - Tentei pegar ela do colo dele, mas ele esquiva. - Deixa eu pegar ela! - Ordeno.

Nos encaramos momentaneamente e ele a entrega para mim. Pego ela com cuidado para não acorda-la e ele ameaça se levantar, mas para e fica me encarando por mais alguns segundos.

-Eu não sou a única criança! Não tento pagar com a mesma moeda, só porque eu saí você foi lá e saiu também.

-Claro que saí, eu não tinha esse direito? Minha vida seria ficar trancafiada em casa esperando você voltar todos os dias sem me divertir?

-Você tem uma filha, caramba!

-Eu não fiz ela com o dedo! - Rebato na hora aumentando um pouco meu tom de voz.

Bê dá um pulo no meu colo e acorda chorando estridentemente. Sacudo ela um pouco e Bruno bufa algumas palavras que eu não entendo. Fico tentando acalmar Bê, mas ela não para de chorar.

-Nãum, nãum. - Ela diz tentando me empurrar.

-É a mamãe, amor. - Dou um sorriso pra ela que levanta a mão esperta e bate levemente em meu braço. - Que isso! Não é pra fazer isso, é feio! - Rebato pra ela olhando em seus olhos cheios de lágrimas.

-Paaaaaaaai. - Ela resmunga, quase não deu para entender o que falou, se não fosse ela se esticar completamente para o lado do Bruno. Pronto, um complô contra mim.

-Vem com o pai, filha. - Ele estica os braços e pega ela no colo.


Da onde já se viu, Bê nunca levantou uma mão para bater em mim, nem quando bebê ela fazia isso. Fiquei com pena de ter falado tão seriamente com ela, não é pra ser um xingo, era apenas para alerta-la a não fazer mais isso para não se acostumar mal. Eu nunca a pus para dormir com nós na cama de casal, sempre no seu bercinho para acostumar desde sempre, mas Bruno vai lá e coloca ela pra dormir na nossa cama. Eu nunca deixo ela fazer tudo que ela quer, isso mal-educa ela e eu não quero ser uma "bruxa" pra ela. Bruno não põe limites em certas coisas, garanto que ontem ela acabou batendo nele de brincadeira e ele deixou porque achou bonitinho.

Viro minhas costas e ando em direção da cozinha. Meus peitos doem, preciso tirar um pouco de leite, porque quanto mais ela mama, mais meus peitos produzem e dói demais. Pego a aparelhagem na cozinha e sento-me na pequena mesa que ali tem. Tiro o leite que por acaso não é muito, mas alivia a dor instantaneamente.

-Coloquei ela pra dormir. - Avisa ele com a voz um pouco mais amena. Nem o olho pois sei que vamos discutir. Sinto meus olhos anunciarem que daqui a pouco, sem eu nem perceber, eu vou começar a chorar e desandar meus sentimentos mais do que já estão. - Peço qual comida? - Ouço o barulho do telefone.

-Você que sabe. - Viro o rosto para o outro lado e digo baixinho, se eu chorar não quero que ele perceba.

-Italiana! - Ele disca um número e indaga: - Saiu mais leite?

-Saiu, enquanto ela não parar de mamar no peito também vai continuar saindo. - Tento manter normal meu tom de voz.

-O que ela fez em você não faz, eu sei... o culpado fui eu, ontem quando ela melhorou da febre eu a fiz brincar e deixei ela fazer o que quisesse.


Agora me permiti chorar livremente. Minha filha prefere o pai do que à mim, isso era evidente, mas ela nunca tinha feito isso, e justo hoje que eu já não estou nos meus melhores dias com ele. Isso me esgota de uma maneira que não tem explicação. Ver um dos seres que você mais ama, que você mais dá atenção, carinho, amor, todo o seu tempo é dedicado a ele, e ele simplesmente ama outra pessoa.

Mas eu tenho que me acostumar, daqui pra frente vai ser assim. Eu tenho que cria-la de duas formas e aprender a lidar com isso: tenho que cria-la de maneira melhor possível e cria-la para o mundo. Ela vai crescer, vai querer escolher suas próprias roupas, seu próprio penteado, vai pintar os cabelos, vai querer mudar o quarto de rosa para uma cor mais forte, vai ter sua fase rebelde, vai ter o primeiro beijo e depois as melhores amigas, e eu vou ir ficando para o lado, e quando ela precisar ela vai gritar para mim ou para seu pai, mas só quando precisar. Eu vou ver ela passar por seu primeiro amor e chorar no quarto, e quando eu perguntar algo ela não vai me dizer porque vai ter vergonha ou porque não quer mostrar que está chorando por um homem.

Eu vou fazer da minha filha a minha melhor amiga para que eu seja a dela também. Sei que nem tudo ela vai recorrer a mim, mas eu preciso que ela confie em mim também do que somente no seu pai. Solucei e pus a mão no meu rosto imaginando que ela só vai crescer, e crescer, e crescer, mas ela sempre vai ser a minha pequena princesa, aquele meu pequeno milagre.

4 comentários:

  1. Esses momentos mae me emocionam!!!! O Bruno tbm nao ajuda :/ quero elese de volta! Ta perfeito bjus :*

    ResponderExcluir
  2. :'( chorei junto com a Nick .. Não gosto de ver eles brigado :/ continua !

    ResponderExcluir
  3. Adorei o capítulo!!!!!!! Posta logo!!!!

    ResponderExcluir
  4. Dri, não sei se você sabe, mas ess fic é mto importante pra mim. Sério mesmo. E cada vez que algo assim acontece, eu fico sem saber o que fazer :'( primeiro vc quase me faz chorar com seu comentário na minha fic (aliás, mto obrigada) e depois tu vem me enfraquecer desse jeito? É maldade poxa :// eu não consigo imaginar o mundo das fics sem esse casal perfeito. Pfvr, faz eles ficarem bem :3

    ResponderExcluir