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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dezesseis - Parte 2

Uma semana depois e eu e o Bruno ainda estamos só amores. Eu estou curtindo tanto esse nossos momentos família. Conversei com o Pree semana passada, na terça feira, e ele me aceitou de volta na empresa - claro que não foi por pena, nem porque eu sou uma ótima funcionária, é porque trabalho à tempo suficiente ali para receber um enorme seguro desemprego, de salário bem gordo e tudo mais.

Comecei na quarta feira mesmo e já chamei a baba para cuidar da Bê todos os dias da semana, até as quatro horas, que é o horário que chego em casa agora.

Domingo à noite, Bruno está deitado e eu levando sopinha para ele. O coitado pegou uma gripe bonita devido o tempo doido que está fazendo ultimamente, e agora está agonizando na cama com dores no corpo, garganta inflamada, tosse seca, e dor de leve na cabeça.

-Espero que já tenha se conscientizado que você não irá nesse estado para o estúdio. - Digo abrindo a porta com a bandeja em mãos e seu prato de sopa.

-Eu tenho que ir. - Ele vai se ajeitando na cama de forma que eu possa por a bandeja em seu colo. - Rick me matará se essas coisas não serem entregues a tempo para a gravadora.

-Se tivesse continuado com a nossa gravadora eu conseguiria uma folga, amor. - Pouso a bandeja em seu colo.

-Eu sei, mas não é só eu que faço essas escolhas, são os empresários e etc. - Ele fala enquanto eu coloco um guardanapo preso em sua gola.

-Tenho medo de você sair desse jeito sozinho... - Torço meus lábios morrendo de vontade de pegar a sua dor e passar pra mim, só para não vê-lo sofrendo, assim como tenho vontade de fazer quando Bê está doente.

-Nick, eu só estou gripado amor, todo mundo tem isso..- Ele faz uma pausa para tossir.

-Essa tosse de cachorro magro é que me dá medo! - Retruco e ele ri.

-Tosse de cachorro magro? - Ele ri mais uma vez alto.

-Coisas da minha avó. - Reviro os olhos. - Mas não mudamos de assunto... amanhã você vai para o estúdio, mas se não tiver bem, vai ao médico, ok?

-Você quem manda. - Ele faz uma rendição com as mãos e depois bate continência.

Enquanto ele ia terminando a sua sopa, eu pedi licença e fui verificar se Bê ainda estava acordada como antes. Peguei-a no colo e ela faz um beicinho pra mim como se quisesse alguma coisa.

-Pai. - Diz ela.

-Papai está dodói amor, não dá pra ficar muito perto dele por enquanto. - Fiz essa restrição para ele não ficar muito tempo perto dela, porque ela é tão pequena e frágil, e a gripe dele está tão forte, que tenho medo que ela acabe pegando e ficando muito mal.

Acaricio seu cabelinho e o coloco para trás da orelha. Sento-me com ela no meu colo, na poltrona ao lado do seu berço e ela fica brincando com as pontas dos meus cabelos, quietinha e tranquila.

-Vamos treinar mais os seus passinhos, meu amor? - Pergunto e ela me olha com a interrogação no olhar. - A Bê da mamãe precisa caminhar para pentelhar mais, sabia?

Seus passinhos foram tão limitados desde seus nove meses nós a colocamos em pé no chão, segurando suas mãozinhas, mas foi a partir dos dez meses que ela começou a querer caminhar, nós a acompanhávamos segurando seus bracinhos e ela ria divertidamente. Mas ela não tem tanta coragem como o seu pai, ela puxou a mim nessa parte, tem medo de certas coisas. Quando largamos suas mãozinhas para ela caminhar sozinha, ela começa a chorar e senta-se no chão.

Olhei seus pés pequenos com a sapatilha de oncinha que a Lisa deu pra ela - bem perua - e ri dela olhando para seus pés também.


***

Bruno acordou quase a mesma hora que eu e ele não melhorou muito desde ontem à noite. Dei um chá para ele e fiz uma massagem em seu peito com um pouco de VaporRub, mas acho que foi um pouco inútil. Ele disse que sentia-se mais descongestionado, que pelo menos podia respirar melhor sem ser somente com a boca aberta, mas ainda estava com as dores no corpo e se sentindo abobado. Falei mais uma vez para ele não ir, mas ele é teimoso, pegou o seu carro e foi.

-Seu pai é um teimoso! - Reclamei para Bê que já estava acordada. Agora que voltei a trabalhar, minha rotina é vê-la assim que termino de me arrumar.

-Pai ba mama da du peto. - Retruca bem falante! Abro o sorriso vendo ela falar algumas coisas bem compreensíveis, outras eu tentava decifrar, mas estava quase impossível.

-Preguiçosa da mãe, vamos treinar mais a sua fala e mais esse caminhado. - Balanço suas pernas e ela fala comigo como se fosse uma adulta opinando em algo.

Ela não parou de falar por um bom tempo, e estava bem risonha! Não que ela não seja risonha, mas ela estava mais falante e risonha do que o seu normal.

Semana que vem ela tem consulta mensal com o pediatra, já irei perguntar se é normal ela não querer falar muito, mas ela sabe, e também sobre os seus passinhos. O que eu acho é que, infelizmente, minha filha é preguiçosa e tímida, e sim, medrosa também. Mas irei corrigir tudo isso nela.

Depois de troca-la, ajeitei minha bolsa e falei com a baba rapidamente e saí de casa.

Bob não estava na portaria mais uma vez, estou achando que meu velhinho está me evitando, ri de mim mesmo. Sei que não é isso, mas tenho saudades dele sempre falando comigo pela manhã.

Subi para o escritório e dei a olhada em toda a papelada. Agora fui empurrada para cuidar dos detalhes do álbum da banda McFly. Tivemos uma reunião sexta passada e os caras são bem comprometidos e legais, amei começar a trabalhar com eles e no seu novo álbum.

-Saudades de trabalhar nessa sala com você. - Thales dá duas batidinhas e vai entrando enquanto fala.

-A sua mesa está ali ainda, volta a ser estagiário e vem. - Relaxo os ombros e largo a caneta sobre a mesa.

-Eu não, Deus o livre. - Ele fala com certa repugna. - E como está a volta para o trabalho?

-Já me empurraram um novo álbum de uma banda. Não sei como aquele gordo do Pree consegue ser tão insuportável. - Rolo os olhos e ele ri da minha expressão enquanto senta-se a minha frente.

-A banda é ruim? - Pergunta.

-Não, eles são uns amores, queridos e cantam muito bem, porém eu mal me instalei novamente na empresa e ele já me empurra um grande trabalho em mãos. - Bufo.

-Ele quer testar você, não dê bola! - Thales parecia bem relaxado quanto ao que estava falando. - Você só tem que mostrar pra ele que não voltou para brincadeira, que está mais do que empenhada com o serviço.

-Thales, você é um gênio. - Atiro um beijo pra ele que ri e o pega no ar.

-Eu sei! - Ele finge limpar seu ombro como se fosse superior.

-Sua bicha narcisista. - Serro os olhos para ele que dá uma risada maléfica. - Você não deveria estar trabalhando também? - Aponto para minha mesa.

-Deveria, mas minha melhor amiga está aqui e eu prefiro conversar.  - Ele balança os ombros com um ar de "não estou nem aí pro que tenho que fazer".

-Sabe se a baleia aparecer aqui você irá ser xingado, não sabe? - Comento baixinho me inclinando na mesa e ele faz a mesma coisa para me responder.

-Sei e não estou preocupado com isso!

Thales e eu rimos e conversamos por mais alguns minutos porque infelizmente eu tive que pedir licença para fazer minhas coisas. Mas, logo no almoço, nós nos vimos e conversamos mais ainda. Estava sentindo falta disso, de conversar com ele e tudo mais. Assim que saímos do restaurante interno do estúdio, Thales caminhou na minha frente falando algumas coisas e eu observei alguém de longe.

-Thales. - Grito para ele, que olha rapidamente pra trás. - Espera aqui, eu já volto.

Dou uma corredinha por causa do horário e chego perto. Espero a pessoa passar e cheguei ao seu lado com um sorriso bobo de criança.

-Bom dia, Bob. - Digo colocando minha cabeça para o lado, encostando no ombro, como uma criança fazendo charminho.

-Senhora MattVille, quanto tempo. - Diz ele sorrindo, parece feliz em me ver.

-Muito tempo e sem essas formalidades, pra você é Nicole! - Digo e ele ri.

-Que ótimo vê-la e como está bonita, o tempo só lhe faz bem.

Dei um jeitinho no meu corpo e olhei para ele. Sorri encantada com o elogio.

-Obrigada e digo o mesmo sobre lhe ver. Não está mais no período da manhã? - Pergunto.

-Estou! Quer dizer, ás vezes venho só a tarde por conta de exames... Velhice chegando. - Ele sorri como se exames e velhice para ele não fossem problemas.

-Hoje mesmo pela manhã estava lembrando do senhor!

-A é, que ótimo. E a filhinha, como está?

-Grande, e muito sapeca. - Começo a rir e procuro meu celular no bolso de trás da minha calça.

Cato alguma foto dela e lhe mostro, ele sorri e analisa por algum tempo.

-Como ela está linda, ela tem seus olhos, e alguns traços bem fortes do pai.

-Ah, e não é só alguns traços, a personalidade, um pouco também. -  Rio e ele pega meu embalo. Pego meu celular novamente, bloquei-o e o coloco novamente no meu bolso. - Agora eu tenho que subir para trabalhar, mas adorei lhe ver novamente.

-Digo o mesmo Nick, bom serviço.

-Pra você também. - Digo enquanto caminho rapidamente para dentro do prédio.

-O elevador do meio que eu gosto de pegar, já chegou aqui no térreo umas cinco vezes. - Thales diz enquanto aperta o botão freneticamente.

-Sabe que molestar o botão não vai fazer o elevador descer mais rápido, não sabe? - Faço uma careta estranha, ele me olha sério e começa a rir.

-Antes que eu me esqueça, vá a merda senhora. - Ele entra primeiro que eu e põe a mão para a porta do elevador não fechar.

Trabalhar o resto do dia foi moleza. E enquanto eu ia fazendo minhas coisas, dava um intervalo para ligar pra casa e ver como minha pequena estava se portando. Entre uma dessas minhas paradas para tomar um copinho de café preto, lembrei-me de que teria de marcar uma hora no salão de beleza. Preciso ajeitar meu cabelo, ajeitar minha sobrancelha que estou fazendo somente em casa. Enfim, preciso de um tempo-mulher para mim.

O trânsito não foi pior do que sempre é. Enfrentei um tráfego que eu já estava acostumada, e quando cheguei na minha casa, primeiramente larguei minha bolsa no quarto e lavei minhas mãos para pegar minha pequena.

-Bebê. - Digo estendendo meus braços em sua direção. - Ela deu muito trabalho hoje? - Pergunto para a baba.

-Nenhum, mas ela está bem falante hoje e por várias vezes que estava no chiqueirinho, ela se agarrou nas cerquinhas e levantou. - A baba sorri e Bê me olha como se tivesse aprontado.

-Que orgulho pra mamãe. - Aperto levemente sua bochecha.

3 comentários:

  1. Ai a Bê está a cada dia mais lindaaa e fofa, imagine essa menina maior em!
    Amo sempre seus capítulos sê sabe né haha.. Beijos Dri <3

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  2. Aaai Dri que lindoooo <3 ate nos capítulos mais monotonos (de acordo com voce) eu me divirto com a fic hahahah continua. Bjs da Dri Andrade

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  3. Eu vou roubar a Bernie pra mim, vê se pode, além de filha do Bruno ainda é tudo isso, mereço mesmo! uashuah perfeito Dri, continue! aw, saudades de dizer continue na Colorindo! uhasuha

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