-Desculpa, doutor Dan, eu preciso que o senhor chegue o mais rápido possível,- não sei se fui grossa cortando o que ele estava falando, mas não foi o que eu queria soar ser, então remendei antes que ele falasse algo - eu estou com medo do que possa ser.
-Se tranquilize, Nicole. Estarei aí em torno de alguns minutos, enquanto isso, não deixe ele fazer nenhum esforço.
-Okay.
Terminei de ouvir a breve instrução dele e desliguei o telefone, seguindo para o quarto. Antes de chegar na porta, ouvi o barulho dele falando com a Bê. Ela respondia feliz da vida, enquanto ele fazia uma voz tão estupidamente infantil, mas tão linda. Balancei a cabeça. Eu estou com raiva dele, ele não me falou sobre essa mulher estar 24 horas no estúdio junto com eles.
O ciúmes tomava conta da minha cabeça, enquanto um breve flashback apareceu na minha cabeça. E se, aquela noite que eu voltei do Havaí e fui procura-lo, se depois daquilo eu não o tivesse perdoado? Como seria minha vida agora? Digo, obviamente eu não teria minha filha, eu não teria afastado-me do serviço, estaria morando com a Lisa no apartamento...
-O destino. - Encosto a cabeça na parede e encaro o fato de ter que entrar no quarto e aguentar tudo isso, afinal, eu escolhi ser namorada dele, eu escolhi seguir em frente tendo uma filha dele, então eu tenho que ter os pés no chão.
Ajeito o tapete da entrada do quarto, e quando retorno meu olhar para o quarto, ele está ajoelhado e ela sentada na poltrona. Os dois riem, ela é tão parecida com ele, em tudo. Bufo de maneira que ele não me escute e chego próximo aos dois.
-Falou com o médico? - Pergunta.
-Falei, daqui a pouco ele estará aqui. Não é para fazer força enquanto ele não chegar e te diagnosticar.
-Okay, não farei. - Ele ergue-se em pé novamente, e nossa filha da um gritinho para chamar atenção.
-A mãe já pega você, meu amor. - Olho para ela, que faz um barulho com a boca e começa a rir sozinha.
Eu não queria ter que começar uma conversa, não agora. Mulher de TPM é uma droga. Estou morrendo de vontades que não posso expressar. A primeira é soca-lo com força, por conta do ciúmes, a segunda é beija-lo, a terceira é discutir, e a quarta é desejar chorar muito.
Ele, então, olha-me com um olhar tão puro, tão lindo. Por segundos eu quis acreditar que ele estava sendo sincero com tudo isso, mas aí minha mente traiçoeira lembra-me de quando eu o conheci, ele era um tremendo cachorro, disse que iria mudar, e eu acreditei, bastou darmos um tempo e ele ficou com mais alguém. Talvez ele nunca deixou de ser o que ele era.
Ou talvez eu esteja com caraminholas na cabeça.
-Agora ou depois? - Acho que ele se referia a termos uma conversa.
-Bem depois, Bruno. - Ignoro seu olhar e estico meus braços para minha filha que já estava tentando descer sozinha da poltrona. - Tá fugindo da mãe, bebê? - Pergunto quando a ponho no meu colo.
-Não. - Responde ela.
Minha pequena brinca com uma parte do meu cabelo, e enquanto eu sigo meu caminho até a cozinha para fazer a última refeição dela, e depois dar um banho para ela dormir, Bruno fica no quarto por um tempo e logo saí atrás de mim.
-Estamos achando que até janeiro nosso álbum fica pronto. - Ele diz de maneira feliz, senti um orgulho imenso, mas dei um sorriso fraco.
-É mesmo? Parabéns.
-E eu pensei que como estamos no verão ainda, deveríamos pegar uma semana para viajarmos.
-Viajarmos Bruno? - Sério mesmo essa pergunta? Eu estava impaciente demais para esses tipos de coisas, com ele pelo menos. - Eu tenho que trabalhar.
-Porque você quer!
-Porque eu já disse pra você que não quero ser sua dependente, eu não sou nenhuma aleijada ou tenho alguma deficiência que me impossibilite de trabalhar. - Despejo algumas palavras sobre ele, que arregala levemente seus olhos.
A Bruno, se você soubesse que esse é um dos menores motivos que eu permaneço lá, e que o maior é sobre me afastar de você se tudo isso continuar. Olho seu rosto que encara o meu. Da vontade de ter um ataque e gritar muitas coisas.
-Ta bom, Nicole. - Ele bufa.
-Okay, Bruno. - Dou as costas pra ele e continuo a colocar a comidinha da Bê dentro do seu pratinho.
Acho que meus amigos, a família, todos devem estar pensando que eu estou fazendo tempestades em copo d'água, ou que eu não estou pensando na Bê. Mas eu estou, e justamente por ela que estou fazendo tudo isso. Exijo sim que eu e o Bruno paramos de brigar para dar além de um ambiente melhor para nossa filha, quanto uma família de ótima convivência. E quanto a Paige? Eu tenho ciúmes dele, da mesma forma que ele já teve minha. Eu sinto que qualquer coisa que chame mais a atenção dele, ele irá escorregar pelas minhas mãos. Eu não quero isso!
Eu quero ele ao meu lado, com a Bê, com a nossa família.
Chuto, sem querer, a porta da geladeira, e ele nota que estou com alguma raiva, alguma coisa entalada na garganta. Quando observo Bê sorrindo, enquanto brinca com os brinquedinhos da sua cadeirinha, eu vejo que se nós um dia nos separarmos, todos nós ficamos mal. Ela sentirá falta do seu pai, e caso ela fique com ele, ela sentirá a minha falta, e eu sentirei falta dele, e ele sentirá a falta dela - só não garanto que ele sentirá a minha.
Ouço a campainha, e antes que pudesse dizer pra ele ir atender, ele saí caminhando em direção da sala. Fecho os olhos sentindo eles ficarem para lá de marejados, então respiro fundo, passo a mão embaixo deles, e pego a comida da Bê.
-Era bom que ficasse de repouso. - Diz Doutor Dan, que quando me vê de longe, assente em forma de cumprimento.
Bruno Pov's
Caminho com o doutor até meu quarto, sento-me na cama, enquanto ele procura seus instrumentos de consulta dentro de sua maleta grande de couro preto.
Balanço meus pés pensando no que vou ser diagnosticado.
-Você já tomou algum remédio? - Pergunta ele puxando a cadeira giratória para minha frente.
-Sim, minha amiga me deu um remédio mais cedo, mas eu não sei o nome.
-Sabe que é perigoso se medicar sem saber o que é que está se passando, não sabe?
Assenti positivamente e então retirei minha jaqueta com cuidado, estava com um pouco menos disposto a fazer as coisas, e ele pediu que eu tirasse minha camisa branca, foi o que eu fiz. Ele verificou minha pressão, meus batimentos, minha respiração, minha garganta, e até a cor de minhas unhas. E disse que assim que eu contasse com detalhes o que eu senti, ele diria para que tantos procedimentos.
-Acho que foi isso. - Contei aos detalhes o que eu senti e desde quando senti.
-Peter, eu suspeito que você tenha quase pego uma pneumonia!
-C-como? - Gaguejo um pouco.
-Você descreveu tudo o que sentiu, e seus sintomas. Eu tenho mais de 20 anos de experiência, e tenho quase certeza que está com princípio de pneumonia.
-E é grave?
-Grave não é, se cuidar! - Ele destaca duas folhas do seu bloco e vai escrevendo mais coisas enquanto vai conversando comigo. - Você teve sorte de ter sido medicado bem antes, assim terá apenas três dias para melhora, ou quatro.
Santa Nicole que bateu o pé para ele vir hoje.
-Repouso?
-Absoluto. - Ele humidece seus lábios que são quase não vistos por seu bigode. - Vai tomar dois comprimidos, e esse antibiótico. Peça para a sua mulher fazer chás, e evite fumar.
-Não fumo faz um tempinho já.
-É bom que pare de uma vez, você sabe todas as consequências do cigarro, não preciso lista-las e nem parecer que estou lhe dando um sermão. - Ele destaca a folha e carimba para me entregar.
-Quer dizer que eu devo tomar chás?
-Sim, e procure ficar sempre bem instalado, não pegar corrente de ar frio.
-Eu posso pegar um sol amanhã? Já que estarei em casa mesmo...
-Somente pela tarde, e não passe de duas horas na rua, pois o sol vai perdendo a sua força e o vento gelado começa a vir.
Nicole Pov's
Termino de arrumar as coisinhas da Bê no quarto, ligo o ar quente no seu banheiro e ligo o ar do quarto também para ela não pegar nenhum vento frio. Verifico as janelas e tudo estava fechado. Peguei-a, peladinha, em meu colo e fiz algumas brincadeiras com ela.
Na banheira ela me olhava e eu fingia que estava conversando com ela no telefone e dizia para ela que era um telefone, de maneira esquisita, ela tentava falar também.
Assim que a sequei, passei o secador em seus cabelos, no vapor mais fraco que tem, e bem de longe. Penteei com sua escova e dizia para ela que estava penteando o cabelo dela, e ela tentava imitar meu gesto.
Depois de pronta para dormir, mas ainda sim com a corda toda, liguei o rádio do seu quartinho baixinho, em alguma música calma, e comecei a cantar para ela. (Música aqui)
In the sky stars are bright
(No céu as estrelas estão brilhando)
'Round your head
(Ao redor de suas)
Flowers gay
(Alegres flores)
Set you slumbers till day
(O coloca para dormir até o dia)
Sua inquietude foi amenizando, ela agora estava deitada em meu colo, piscando seus olhinhos e sua mãozinha repousada em meu peito. Minha vontade de chorar aumentou tanto, quem diria depois de tudo que me aconteceu, esse pequeno serzinho iria me dar tantas alegrias, tantos sorrisos, seria a maior dona do meu coração.
Close your eyes
(Feche seus olhos)
Now and rest
(agora e descanse)
May these hours
(Talvez estas horas)
Be blessed
(sejamos abençoadas)
Good night dear child
(boa noite querida criança)
In your white sheets
(com suas fraldas brancas)
Rest happy
(repouse feliz)
Dreaming of Heaven
(sonhando com o paraíso)



Aaaaaaah que lindos eles Drica. Essa Paige me soa traicao e nao me passa muita seguranca '-
ResponderExcluirAcho que o Bruno precisa prestar mais
atencao na Nicole, talves ele percebesse a TPM e o ciume-com razao- dela. A Bê é uma coisinha mars gortosa da tia Ena. Continua estou ansiosaaaaa
#Uena
Ahh Dri que fofuraa essa Bê <3 Essa Paige é bom abrir o olho pq tem mtos fãs de Bruno e Nicole aqui então ó. E o Bruno tem q se ligar que algo ta acontecendo pq ele é mto viajão. Ameeeeeeeeeeeei
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