Poucos minutos depois eu me recompus do choro. O que mais me motivou foi, quando sentada, vi Bê rindo do desenho. Ela não merece passar por tudo isso por culpa minha e do Bruno, na verdade ela não merecia passar por nada. A sua infância deveria ser só alegrias, como é a de praticamente toda criança. Enxuguei minhas lágrimas na minha blusa e arrumei algo para o meu café, mas resolvi deixar o dele pronto também.
Tomei o meu e peguei ela para ir pro quarto. Já que estou em casa, algo preciso fazer. Liguei seu chuveiro e coloquei água em sua banheira, e ela brincava em seu chiqueirinho, enquanto eu arrumava seu banho.
-Vamos tomar banho? - Digo tirando sua blusinha do pijama.
-Buuu. - Ela faz barulho com os lábios se cuspindo toda, olho pra ela com uma careta e ela ri colocando a mão sobre meu rosto.
-Tá fazendo carinho na mamãe? - Pergunto acariciando seu rosto também.
-Carinho mãe. - Ela repete algumas palavras e eu rio do seu jeitinho carinhoso de ficar.
Durante o banho ela ficou fazendo gracinhas, e quando eu ria, ela ria também. Seus olhos sempre ficavam me encarando, analisando, como se ela soubesse que eu não estava tão feliz quanto sempre estou. Vesti sua roupinha quentinha, junto de um par de botinhas e um lencinho em seu pescoço, com direito a uma faixa no cabelo e tudo.
Ela permaneceu em pé, no carpete, dando alguns passos e caindo, ela ria e voltava a fazer a mesma coisa. Passei a sua colônia e a levei para o quarto junto comigo em seu carrinho, com dois ursos para ela brincar.
Bruno não estava mais atirado na cama como antes, não vi sinal dele e também suas coisas não estavam mais atiradas no chão. Deixei ela no carrinho ao lado da cama e entrei no closet para procurar uma roupa e enfim tomar banho.
Assim que peguei tudo o que precisava, desliguei as luzes do closet, fechei a porta e dei de cara com o Bruno. Sua cara estava horrível, havia passado um caminhão sobre ela, e ele não parecia tão bem assim, mas dessa vez eu não irei cuidar dele, de jeito nenhum.
-Nick. - Ouço ele me chamar assim que passo por ele, olho primeiro para nossa filha que não tira os olhos do seu ursinho, e depois giro os calcanhares para fita-lo.
-Oi? - Perguntei.
-Obrigada pelo café.
-Não tem de quê! - Dou um sorriso fechado e volto a fazer o que iria fazer.
-Vocês vão sair? - Pergunta ele quando estou terminando de ajeitar minha roupa sobre a cama.
-An, sim, vamos. - Respondo olhando brevemente para ele.
-Quer que eu fique com ela para você tomar banho?
-Eu esperava que fosse ficar sem pedir. - Pensei, mas evitei começar uma discussão na frente dela. Segurei minhas emoções e minhas lágrimas. - Pode ser. - Dou de ombros seguindo para o banheiro.
O mais difícil não é parar de pensar nele, o mais difícil é pensar no que eu vou fazer. Estou perdida, completamente perdida. Lembro que há algum tempo eu falei com a Lisa sobre ir embora de casa, falei com o Thales também que me ofereceu abrigo no seu apartamento. Mas eu não sei se ir embora é realmente a melhor opção, Bê é um neném ainda, ela precisa do seu pai, mas eu preciso de paz para cuidar dela, e não é nessa casa, e não é desse jeito que eu irei conseguir.
Hoje irei falar com a Julia, logo depois irei passar na casa da Jaime e avisar pra ela caso eu tenha decidido algo, ou pedir a sua opinião que é sempre boa. Ela é uma irmã pra mim, ela e as irmãs do Bruno são minhas irmãs, todas me acolheram super bem, todas ligam para saber como estou, como a Bê está, visitam quando podem... Estão sempre ajudando.
Saí com a toalha na cabeça, somente de lingerie. O olhar do Bruno passou por todo meu corpo, senti calafrios, mas tentei controlar meus instintos de pular em seu colo e esquecer de tudo, eu tenho que parar de agir como se nada tivesse acontecido, tenho que começar a encarar meus problemas.
-Vão chegar muito tarde? - Pergunta ele.
-Porque? - Pergunto enquanto coloco minha calça jeans.
-Estava afim de jantar em algum lugar com vocês. - Ele coça sua cabeça. Vou evitar briga!
-Pode jantar fora, convide seus amigos, ou suas irmãs, mas não conte comigo nem com a Bê. Vamos chegar tarde. - Falo assim que levanto da cama para colocar a blusa.
-Vão na Lisa?
-Não. - Respondo diretamente.
-Tudo bem. - Bruno respira fundo. Ele parece sim arrependido, mas eu ainda lembro de todos os fragmentos do Bruno da noite anterior. Porque ele está se estragando dessa forma?
Eu pergunto o porque ele não dá um fora na nossa relação e aproveita tranquilo seus afairs por aí? Agora não sou eu que estou gostando de sofrer, ou procurando chifre em cavalo, e sim ele que está me dando mais do que motivos para pensar tudo isso.
As brigas, a roupa suja de batom, a Paige... Tudo isso me faz repensar em minhas escolhas, como tinha dito anteriormente, mas também me fazem pensar em escolhas novas para isso não tornar-se a repetir.
Bruno senta na cama e puxa o carrinho para perto dele, ficou brincando com a Bê que soltava risos e sorrisos. Acho aquela cena bonita sim, acho que ele é um bom pai, é uma pessoa boa, mas ele não sabe fazer as escolhas dele. E eu não estou sabendo fazer as minhas.
Calcei minhas botas e toquei minha jaqueta sobre meu corpo, a fechei e complementei com um lenço. Passei a escova em meus cabelos e no meu pulso carreguei uma borrachinha para caso eu precise prendê-lo.
-Vamos bebê? - Pergunto esticando os braços para pega-la assim que largo minha bolsa sobre a cama.
-Vou esperar vocês para o jantar. - Ele insiste no assunto. Fecho os olhos e os abro devagar.
-Não precisa, nós duas vamos jantar fora. Amanhã, talvez jantamos juntos.
-Porque talvez? - Ele franze o cenho parando de brincar com nossa filha e olhando para mim.
-Se você não sair para beber, talvez jantamos juntos.
-Nicole... - Ele olha pra mim que impaciente giro os olhos e puxo minha filha pelo carrinho.
-Outro dia conversamos. - Bufo e saio pelo corredor empurrando seu carrinho.
Deixo ela por segundos na sala para voltar ao quarto e pegar o meu celular e pegar sua bolsinha. Bruno não estava onde estava há minutos atrás, não sei onde foi. Pego o que tinha de pegar e volto para a sala.
Dirigi quase perdendo o rumo. Não, não é no volante, pois depois do acidente é o que eu mais presto atenção, ainda mais carregando minha filha junto comigo, mas sim na minha cabeça.
Tudo gira, pensamentos com contraditórias, conversas e promessas, projetos e planos...meu namoro, minha família. Ai, mãe, seria tão mais fácil se você pudesse dar uma de super heroína como sempre fazia e resolvesse esse problema pra mim. Ou meu pai dissesse que iria fazer algo. Isso resolvia, eu sempre me acalmava, ao lado deles eu me sinto melhor, me sinto coberta, protegida. E eu sinto que tenho que fazer o mesmo com a minha filha. Defende-la seja do que for, sua vida antes da minha, e zelar pelo seu aconchego e paz.
-Cadê pai? - Pergunta ela fazendo gesto com a mão como se ele tivesse sumido.
-Papai está em casa. Hoje seremos eu e você, amor. - Digo olhando para ela pelo retrovisor. - Hoje e talvez pra sempre. - Falo baixinho em lamentação.
Aperto no rádio e o que toca é meu CD dos Beatles. Bê gosta, ela fica calma, escutando a música, ás vezes até dança - do seu jeito, corpo pra um lado, depois para o outro.
***
-Como eles crescem rápido. - Digo olhando para Bê que estava em pé ao lado de Taylor, que fazia carinho em sua bochecha e ela ria fechando os olhinhos.
-Muito. - Comento no segundo gole do suco de maracujá que Kam serviu a nós.
-Pra mim, todo o dia é como quando Tay nasceu. - Kam a abraça de lado e o olhar dos dois não escondeu a paixão avassaladora que tinha atrás.
Talvez, ao meio de tantas desavenças, tanto tempo, o que mais permaneceu intacto, foi o relacionamento dos dois. Raro ver alguma discussão, uma reclamação, eles se entendem a base do olhar. E é na base do olhar que vemos, também, o quanto cada um se ama mais do que a si próprio.
Jogávamos a conversa fora e claro, eu tentava esconder meus pensamentos no Bruno, em nós dois, em nossa família, tentava pensar coisas boas.


Eu comecei a ler e me perdi, não intendi porque tava na minha cabeça a parte que tu me mandou, daí bugou, tive que ler umas três vezes o final do vinte e o início do vinte e um para me tocar! uahsuhauhsuahusha.... -.- Não tô legal, sabe, como diz a Kell tem um leão dentro de mim! :(
ResponderExcluirCara, como o Bruno tá sendo idiota, a Nick tá muito paciente pra aguentar umas coisas dessas.
ResponderExcluirMAIS BRIGA! Posta logo, Bruno tá horrivel cara, deixa ele sofrer pela Nick un poquito hehehe, AMO BRIGA
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