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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vinte - Parte 2

Dois meses depois ~~

(Música)

-Mais uma vez? - Pergunto olhando o estado que Bruno chega em casa, segunda vez em um mês.

-Me deixa. - Ele empurra-me para o lado.

Fico olhando o jeito cambaleante dele de andar pelo corredor até achar a porta do nosso quarto, mas não é em frente do nosso quarto que ele para, e sim no da nossa filha. Bufo de raiva, querendo me trancar no quarto e chorar até não conseguir mais. Empurro ele para o lado, ele cambaleia novamente e caí no chão.

Tenho saudades quando nós caíamos no chão de corrermos atrás do outro pela casa, brincando como duas crianças.

A visão que ele me dá atirado no chão, com seus olhos vermelhos, e  sua aparência horrível, e sua marca de batom perto da orelha, me fazem sentir nojo.

-Você não chegará perto da minha filha hoje. - Puxo a porta para fecha-la e ele levanta o dedo.

-Você não manda em mim, e ela também é minha filha.

-Bruno, você não tem condições de vê-la hoje, vamos para o banho. - Estico a mão para ele, que nega e se apoia na parede para levantar.

Vê-lo assim, vulnerável, bebendo por motivos desconhecidos, e usando cigarros escondidos de mim, me faz repensar em tudo que já aconteceu mais uma vez. Não sei se sinto pena dele atirado no chão tentando levantar de sua fracassa, ou se fico com raiva e empurro-o quando ele conseguir levantar, só para ele ter mais trabalho.

Esse último mês tem sido um inferno. Por algum motivo ainda desconhecido, Bruno não para de beber, e é a segunda vez que chega nesse estado em casa. Bê está irritada nesse mês, ela chora por quase tudo, e já ficou com febre umas três vezes. Bruno anda fumando escondido, eu sei, sinto o cheiro em sua roupa e da outra vez quando ele tentou me levar pra cama desse jeito, quando nos beijamos, senti o gosto da toxina e me repugnei.

Não sei o que está acontecendo. Cheguei a passar dois dias na casa da Jaime para ver se ele melhoraria, mas ele continua a mesma coisa, briga comigo, e chega tarde em casa.

E agora, não é coisa da minha cabeça, eu tenho quase a plena certeza de que ele está sim me traindo, e sim, é com aquela assessora, ou sei lá o que dele, Paige. Ela apareceu aqui em casa em um domingo, para almoçar. Me neguei a fazer qualquer coisa, então peguei minha filha, minhas coisas e fui almoçar na casa da Julia.

Essa semana fecha o mês e Bruno tem uma entrevista em Nova York, é minha saída, meu refúgio, é assim que irei conseguir fazer alguma coisa e pensar em alguma coisa.

Sento na cama e ele para na porta, de maneira bem torta, quase caindo.

-Você está trabalhando demais Nicole, é melhor largar esse serviço. - Giro meus olhos enquanto vejo ele se aproximar com dificuldade. - Ou tem alguém melhor do que eu.

-Não tem ninguém Bruno. - Bufo e ele senta-se ao meu lado.

-Larga essa pessoa e fica comigo. - Ele segura meu braço, apertando.

-Me solta. - Digo estridente.

-Não grita comigo.

Tento manter a calma e levanto.

-Não vai falar nada? - Ele pergunta, pra lá de debochado.

-Não irei perder meu tempo com você desse jeito. - Olho para ele dos pés a cabeça. - Durma sozinho aqui. - Digo.

-Nicole, você vai dormir comigo, é minha mulher e eu estou mandando. - Ele se atrapalha um pouco nas palavras.

-Onde tá escrito que eu sou sua propriedade? - Pergunto rudemente em tom mais baixo para não acordar minha filha.

-Todos sabem disso, você também deveria saber.

-Eu não sou sua, agora vá tomar um banho porque você está fedendo! - Aponto para o banheiro.

-Só se você ir comigo. - Ele levanta vindo em minha direção.

-Não começa. - Impulso-o para longe de mim com minhas duas mãos em seu peito e ele se desequilibra, mas não caí.

-Cadê sua amiga gostosa? - Bruno tem a cara de pau de perguntar isso olhando em meus olhos, mas o que mais dói não é ele perguntar da Lisa, e sim saber que bêbado fala o que sempre pensou. Respiro fundo e começo a chorar.

-Eu vou chamar ela pra você, mas tenho quase certeza que ela não irá querer ter algo com um chato e idiota. - Eu não tenho o que falar, perdi todas as minhas armas há muito tempo, e por mais que eu fale um sermão inteiro, nenhuma palavra o atinge.

-A noite quando nós transamos e você sussurra meu nome dizendo que me ama, eu não sou nada disso! - Exclama ele como se isso fosse um troféu.


Ele segura fortemente no meu braço, e eu boba, deixo. Olho para o seu rosto, ele parece uma pessoa completamente diferente, ele não é o mesmo Bruno que eu conhecia antes. Respiro fundo com lágrimas nos olhos, e sua boca encosta em meu pescoço. Pego seu cabelo firmemente, eu preciso fazer alguma coisa.

-Vá deitar. - Empurro ele mais uma vez pra trás, e agora ele caí como caiu no corredor. Pego a chave do lado de dentro do quarto e saio com meu celular em mãos, e por mais que doa, eu fecho a porta e passo a chave no trinque.

Entro no quarto de hospedes e coloco meu rosto no travesseiro. Eu poderia ligar para alguma pessoa, falar o que está acontecendo, mas eu e ele temos que resolver nossas coisas sozinhos, e não com o auxílio sempre de alguém à mais na história.


Dói mais do que qualquer coisa, e o que dói mais é não saber o porque ele está fazendo isso. O que eu preciso mais é um refúgio, é um colo de mãe. Bruno me machuca dessa forma, não só fisicamente por causa de suas pegadas em meus braços que deixam leves marcas roxas, ou seus beijos forçados que deixam algumas marcas que eu cubro com o pó e a base, mas sim me machuca por dentro, meu coração dá pra sentir quebrado, despedaçado. E esse é o momento que eu me arrependo da maioria das escolhas que eu fiz. Me arrependo de ter beijado-o a primeira vez naquele estúdio, me arrependo de ter ido com ele para Nova York, de aceitar o seu pedido, me arrependo de ter passado pela humilhação que ele fez eu passar quando éramos novos, me arrependo das escolhas que eu fiz. Só não me arrependo de um dia tê-lo amado, mas arrependo-me de ter amado-o mais do que eu amo a mim. Não me arrependo de ter tido essa garota maravilhosa, essa menina extraordinária que eu posso chamar de minha filha, mas arrependo-me de ter dado à ela uma infância conturbada com essas brigas. Não arrependo-me de vir morar com ele, mas arrependo-me de quando disse que isso seria a melhor coisa a se fazer.

Amar é a escolha mais difícil, essa sim é a pior escolha. Porque é difícil, é muito difícil amar. E dói. Eu pensei que quando encontrasse o amor da minha vida, os dias se transformariam em delícias sem fim. Bom, no inicio era assim, mas agora dói. Dói. O amor de verdade dói.

If heartache was a physical pain
(Se a mágoa fosse uma dor física)
I could face it I could face it
(Eu poderia enfrentá-la, eu poderia enfrentá-la)
But you're hurting me
(Mas você está me machucando)
From inside of my head
(Dentro da minha cabeça)
I can't take it I can't take it
(Eu não aguento, eu não aguento)

***

Não sei em que exato momento da noite, ao meio das minhas lágrimas, eu dormi. Só sei que acordei tarde demais para trabalhar, e que agora precisarei dar a desculpa certa para Pree.

Enquanto falo com Pree pelo telefone, vou andando até o quarto da Bê para ver como ela está. Acordada, e com um sorriso estampado, brincando com seu leãozinho que ela tanto ama.


-Bom dia minha princesa. - Beijo sua bochecha quando a pego no colo.

-Dia. - Diz ela animada.

-Ta com fome? - Pergunto.

-Sim. - Responde minha princesa.

Ando com ela até o corredor e lembro do que fiz com o Bruno, tenho que abrir a porta pra ele. Respiro fundo e vou para cozinha, estalo minha filha na sua cadeirinha da cozinha, e ligo a televisão dali para ela se animar com o desenho que estava passando, enquanto sua mamadeira esquentava.

Entreguei a mamadeira pra ela e pus o babador em seu peitinho. Fui a minha luta até o quarto em que dormi, peguei a chave que estava sobre a cama e abri lentamente a porta. É lastimável o que eu vi. Bruno estava deitado na cama, apenas de cueca, suas roupas espalhadas por tudo e o chuveiro parecia estar pingando, as luzes acessas, e seu celular apitando com uma chamada perdida. Me aproximo para ver de quem era, e vejo que Phil tentou lhe ligar, agora com mais calma, olho o roxo que está em meu braço. Não é nada forte, nem muito perceptível, apenas a marca de dois dedos seus.

Encosto no Bruno que ronca um pouco mais alto, e por baixo dele, pude ver a ponta de alguma coisa. Pego o que estava embaixo dele, e vejo o porta retrato onde tem uma foto do momento do nascimento da nossa filha. Eu, ela e ele.

Meus olhos voltam a lacrimejar. Deixo tudo como está e corro para a cozinha com os pensamentos em burburinho.

5 comentários:

  1. Idioooooooooooooooooooooooooota, só isso, tchau! Ah, pode ir para a minha casa mais vezes, o problem! <3

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  2. Ai meu Deusss como o Bruno está sendo idiota, ridículo e tals. Que vontade de bater nele caran kkk... Coitada da Nicole só ela mesmo pra aguentar!
    Fiquei curiosa, quero saber que ponto alto é esse haha.. Seus capítulos continuam perfeito Dri, continuo amando!
    Um super beijoooo e não demore :*

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  3. Quando ele perder a Nick, quero ver ele se lamentar ! #Continua

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