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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Trinta - Parte 2

Nicole Pov's

-Porque você não comentou comigo antes? - Pergunta Thales me encarando enquanto o farmacêutico buscava o que pedi.


-Porque eu sei que você surtaria, e eu precisava pensar. - Respiro fundo.

-Sabe que agora a situação se agrava um pouco caso dê positivo, não é?

-Eu sei, mas o que eu posso fazer se for verdade?

-Não sei. - Ele leva o lábio para o lado esquerdo fazendo um movimento estranho, eu passo a encara-lo pensando: e se for isso mesmo, e se ele realmente der positivo, o que eu faço? - Vocês não estavam se cuidando?

-Estávamos, mas teve uma ou duas noites que esquecemos a camisinha. - Comento.

-Desde quanto está suspeitando?

-Umas duas semanas. - Respondo sua pergunta e pego o teste com o moço, e ando em direção do caixa para pagar.

-Foi por isso que estava vomitando aquele dia que fomos a praia? Eu sou muito idiota que não percebi o que estava embaixo da minha aba. - Ele leva a mão na cabeça.

-Eu também demorei pra perceber, minha menstruação veio normal por dois meses.

-E se você estiver mesmo, seria de quantos meses?

-Dois, quase três.

-Vocês não estavam mais transando? - Ele pergunta alto, eu o repreendo com uma cara nada agradável e ele ri, reformulando a pergunta dessa vez mais baixinho.

-Nós transávamos, mas com proteção, e a última vez que eu lembro que foi sem, foi a mais ou menos dois meses, ou três, quando nós estávamos muito bem. Um pico alto na maré agitada.

Paguei o teste e me direcionei para a saída da farmácia. Ainda não comentei nada com ninguém, a primeira e única pessoa a saber é o Thales. Mas assim que suspeitei logo associei com essas mudanças de humor, essas vontades repentinas, esses enjoos, e outras coisas. Coisas que eu senti quando estava grávida da Bernadette.

-Vai fazer ele onde? - Pergunta ele, sei que ele quis dizer em qual banheiro e da onde.

-Seria loucura fazer no banheiro do shopping? - Questiono.

-E quando esse bebê nascer e perguntar onde você descobriu que estava grávida, você vai dizer: eu estava com seu padrinho, saímos da farmácia e eu fui ao shopping. - Ele gesticula as mãos de maneira mais engraçada. - Vamos para o meu apartamento, assim você aproveita para me dar carona.

-Você é abusado! - Começo a rir.

-Eu sou esperto. - Ele pisca pra mim. Engatei meu braço no seu e fomos em direção do carro.

O caminho todo, enquanto Thales me fazia algumas perguntas e eu tentava responder tudo corretamente, minha cabeça não estava nem prestando atenção. Eu viajei longe, pensando no sexo do bebê, pensando no que o Bruno irá achar, no que minha mãe e meu pai falarão, no que a Julia vai achar, a família do Bruno. Em tudo.

-Mas minha vó dizia que quando você tem uma filha, e está grávida, se ela te evita e não da bola, é porque é outra menina, e se ela está mais carinhosa, é um menino.

-É, mas a Bê sempre foi carinhosa. - Comento girando o volante.

-Mas e agora ela continua ou mudou algo?

-Continua. - Lembro da minha pequena, o que será que ela deve estar aprontando?

-Então se você estiver, parabéns, é um menino.

-Vou montar uma tenda para você no circo da cidade, dizendo: Thales, o cigano. Prevê futuro, lê as mãos, joga cartas e búzios! - Ironizo e ele ri.

Até que está bom esse tempo, estou me distraindo falando coisas engraçados e nem estou pensando no Bruno, ou em outros problemas. Outros problemas. Bateu um gelado no meu peito quando lembrei da minha crise dentro da empresa hoje.

-Thales. - Chamo sua atenção. - Será que eu serei demitida pelo que fiz hoje? - Pergunto com receio da sua resposta.

-Não sei, mas se você for, eu também serei, porque saí como furacão daquele lugar.

-Droga. - Reclamo.

-Vamos pensar positivo... acho que não vai acontecer nada.

Ele pode ter dito isso, mas a sua cara realmente era bem preocupante, ele realmente parou para pensar nisso agora, e provável que tenha pensado a mesma coisa que eu pensei, e esteja com medo que isso aconteça realmente. Eu não posso perder meu emprego agora, não se eu realmente estiver grávida, porque ninguém vai me contratar grávida, muito menos durante os seis meses de vida depois que o bebê nascer.

O desespero toma conta do meu corpo, estremeço na base pensando no pior, droga. Estaciono na frente do prédio dele e fomos para seu apartamento no térreo mesmo. Ele abre a porta e a primeira coisa que eu reparo é nas caixas, várias caixas.

-Já estou preparando tudo para me mudar! - Ele explica mesmo sem eu perguntar. - Não vejo a hora de morar com vocês.

-Sabe que eu pensei uma besteira esses dias. - Passo o dedo pela parede como criança sapeca e ele me encara enquanto fecha a porta. - Porque você e a Lisa não tentam nada?

-Nick, eu sou gay. - Ele ri nervosamente.

-Mas você já ficou com meninas, e bem, a Lisa é indelicada como um homem. - Mordi a língua de forma que ele pudesse ver e ele ri do meu pensamento.

-Você é louca. - Ele balança a cabeça.

-Ela não consegue ninguém que a complete, ninguém que ela goste o suficiente para passar mais de seis meses, e você também está solteiro, então acho que seria uma boa para os dois. Não custa nada.

-Custa sim, eu vou dizer com todas as letras, amor. - Ele para na minha frente, pega minhas mãos. - Eu sou gay, eu gosto de homens, portanto, você poderia se pelar agora na minha frente que eu não sentiria nada, porque simplesmente eu não tenho tesão em mulheres.

-Nossa. Nadinha? - Arqueio a sobrancelha divertidamente e ele coloca o dedo médio para mim.

-Nada. - Ele balança a cabeça explicativo. - E se eu não tenho tesão em você, que é maravilhosa, imagina por outras garotas... - Comenta ele se afastando de mim.

-Ok... Entendido. - Sorri e olho para a porta do banheiro no fim do corredor do pequeno apartamento. - Posso? - Perguntando apontando.

-Deve!

Fiquei apreensiva quando o tirei da caixinha. Me preparei para iniciar o teste e o fiz. Coloquei no cronometro do meu celular, que de repente para de contar para dar lugar a uma ligação: Bruno! O que ele quer justamente agora?

-Alô. - Atendi e afastei um pouco o celular da minha orelha por conta do barulho.

-Oi Nick, onde está? - Pergunta. Droga, vai dizer que ele quer visitar a filha justamente agora...

-Eu estou com o Thales, daqui a pouco indo para casa, porque? - Pergunto.

-Porque eu precisava falar com você. Te espero no apartamento tudo bem? - O que ele quer comigo. Bufo e sem querer passo os olhos no teste.

Dois risquinhos.

-Aí meu Deus! - Meus olhos se encheram de lágrimas.

-Nick? - Pergunta. - Nicole?

-Que foi? - Minha voz saiu mais chorosa do que eu imaginava, ele não pode perceber, droga.

-Você está chorando?

-Eu bati o dedo na quina, agora está doendo. - Menti dando uma risadinha sem graça.

-Você me assustou! - Ele ri descontraído. - Então, até mais.

-Até.

Desliguei e fui cega até o teste, eu poderia dizer que estava louca, ou que estava enxergando demais, mas não é, é real, é verdade. Eu estou grávida novamente, e não sei o que fazer. Mas se eu estivesse com o Bruno, iria ser diferente? Penso que não seria, eu estaria na mesma apreensão, com medo do que poderia acontecer, medo de que não seria a mesma coisa. Nada vai ser a mesma coisa, eu não posso esperar que ele aceite essa ideia de braços abertos, porque não vai ser a mesma coisa de quando ele soube que eu estava grávida da Bê.


Saí do banheiro com as lágrimas nos olhos, eu sei que não foi preciso dizer nada, quando ele me olhou simplesmente me abraçou.

-Eu não quero que esse bebê sofra, mais um para ter o pai bipolar, a mãe doida. - Suspiro entre seu ombro.

-Você não é doida, essa criança vai ser tão amada assim como a Bê é. Tudo vai dar certo, e quando o Bruno souber, ele vai a loucura, mas de felicidade. Ele ama crianças, ele ama a Bê, ele ama você e vai amar esse bebê também.

-Eu não tenho dúvidas quanto a isso. - Balanço a cabeça, ainda no seu ombro. - Mas eu estou com medo.

-Medo de que, Nicole? Medo de dar a luz a essa criança?

-Medo de nada ser como antes. - Soluço.

-Nada vai ser como antes. - Ele passa a mão pelas minhas costas. - Vai ser melhor, você vai ver.

++++

Decidi que nada contarei ao Bruno por enquanto. Preciso primeiro dar um jeito na minha vida e começar o pre natal, para aí sim falar com ele. Preciso descansar a cabeça para dar a notícia.

Não está como quando eu cheguei ontem, ele está sentado no tapete da sala, com a Bê sentada na sua frente, brincando com bonecas.

3 comentários:

  1. Eu sabiaaaaaaaaa caraaaaa aí que tudo! Estou SURTANDO!!! fiquei feliz.
    Quero ver a reação do Bruno :D.. ahh estou ansiosa pros próximos capítulos hehe :), até meu amore :*

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  2. MEU DEUS ADRIANAAAAAAA, CARACA MANO, EU SABIA QUE ELA TAVA GRAVIDA, MAIS CREDO HAHAHA CONTINUA LOGO POR FAVOR QUE TO COMENDO AS UNHAS AQUI.

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